Cabelos

Vera Pinheiro
Vou confessar! Meu sonho de consumo atual é uma consulta com Celso Kamura! Eu disse consulta mesmo, porque a um cabeleireiro como ele não se faz visita, mas uma consulta!

A propósito, o horário eleitoral na tevê só tem acentuado esse meu desejo. Quando vejo a Dilma – e sempre presto muita atenção nela! – renova-se em mim o sonho de entregar a minha cabeça ao Kamura. Está bonita a candidata, né, não? Lembra-me uma antiga propaganda de xampu que dizia assim: “Lembra da minha voz? Continua a mesma! Mas os meus cabelos… Quanta diferença!”. Caso da Dilma. Imagino o que o Celso Kamura faria comigo! Nela só faltava aprimorar o visual. E foi uma renovada e tanto! E quem disse que visual não conta? Conta, sim, e muito! Mas eu acho uma bobagem perguntar isso numa entrevista com a candidata, como foi feito no Jornal da Globo, outro dia. Por acaso perguntam ao Serra se ele acha que votam em careca? Não, não perguntam! Então, para que tentar prensar a Dilma só porque ela está mais bonita? Ah, vá!

Então, quando os homens dizem que o importante é que a mulher tenha conteúdo, virtudes, valores eles omitem que levam muitíssimo em conta bunda, peito, peso, cara, cabelos, unhas, roupas etc. Depois, bem depois, é que vão querer descobrir a alma boa que a gente é, mulheres maravilhosas e, como se dizia antigamente, “prendada”. Só os amigos se interessam pelo espírito da gente, mas quantos deles nos quererão como amadas? Então o caminho é inverso: homem é visual e pronto. Punto e basta!

Adicionar comentário Sexta, 3 de Setembro de 2010 às 12:04 Vera Pinheiro

Aos tapas com o telefone

Vera Pinheiro
Eu e minha filha trocamos nossos telefones por uma semana. Sem dúvida, uma prova de elevada confiança mútua, porque celular é coisa mais íntima que a calcinha da gente: cada um tem o seu e ninguém tasca, a menos que a gente permita.

As razões da troca não vêm ao caso, é coisa nossa. O fato é que estou aos tapas com o telefone da Camila e isso vai se estender até sábado. Não ouço o toque dele até que alguém me dê o alerta: “Atende o teu telefone, @#&*+=”#/^”!!!.

Não que seja baixo, é que não estou acostumada com o barulho. E por ter o ouvido seletivo não ouço toque de celular alheio. E mesmo que ouça, não atendo. Assim, evito constrangimentos como o que ocorreu certa vez, quando liguei para um “futuro ex” e uma voz feminina atendeu. Não era a secretária, porque ele não estava no trabalho. Era a namorada que eu não sabia que o ordinário tinha. Ou até sabia, mas achava que ele não era canalha o bastante e ela, uma cara de pau que atende as ligações do namorado. Detalhe: eu não estava falando de nenhum dos meus telefones conhecidos. Enfim, odiei a cena e prometi nunca mais ligar para ele – até a eternidade, o que cumpro à risca até hoje. Situaçãozinha que eu não precisava ter vivido…Até hoje, porém, estudo uma resposta melhor para a que dei na ocasião quando ela me perguntou: “Quem é?”. Essa minha boa educação podia ter dado vez a uma resposta cretina…

Voltando ao telefone de Camila: tem senhas para tudo, que o meu não tem. Ela me forneceu todas as senhas, mas não me emprestou paciência para digitá-las cada vez que preciso usar o aparelho. Resultado: tornei o celular dela tipo pai de santo: só recebe. Ligo do fixo que me dá menos trabalho. Minha filha é muito paciente mesmo. Foi a mãe dela quem ensinou…kakakaka! Ainda não tenho o relatório dela sobre o uso do meu celular, mas aposto que dá menos trabalho. É que nesta altura da vida não quero nada complicado para o meu lado, nada e ninguém! E como diz uma música da Simone: “quero um homem que seja feliz”. Dos chatos, infelizes e problemáticos quero distância!!! A solidão é melhor do que um encosto desses.

Adicionar comentário Quinta, 2 de Setembro de 2010 às 12:23 Vera Pinheiro

Parabéns para mim

Vera Pinheiro
Abri uma latinha de cerveja e fiz um brinde solitário e silencioso para mim. Eu mereço! Hoje, 1º de setembro, é uma data muitíssimo especial: completo 36 anos de trabalho ligado à imprensa, jornalismo e quetais.

No dia 1º de setembro de 1974, eu começava a trabalhar na Rádio Imembuí, de Santa Maria, RS, apresentando um programa de rádio que seria revolucionário na época e ao qual fui guindada graças a um concurso de que participei junto com outras 59 candidatas. Chamava-se “Detalhes” e marcou um novo estilo de comunicação na cidade. Naqueles idos, era algo inédito e inusitado, que quebrava todos os paradigmas existentes. Um absoluto sucesso de público e de crítica.

Eu tinha apenas 18 anos e começava a carreira como locutora de rádio. Era um tempo em que a comunicação era muito sisuda, com a voz impostada e textos prontos. Surgi com a ousadia do novo, rindo de tudo e improvisando quase tudo. Deu muito certo!

Hoje, durante todo o dia, me lembrei de momentos gloriosos que vivi. Recebia muitas e muitas e muitas cartas de ouvintes. Em dado momento, as cartas eram guardadas dentro de um saco enorme, porque não cabiam em caixas, tantas eram. O povo de Santa Maria e região me amava. Jamais, em toda a minha vida, me senti tão amada como naquele tempo. Acho que foi mesmo o tempo em que me senti amada.

Deixei o rádio quando decidi vir para Brasília, em 2005. Foram 21 anos à frente de um microfone. E uma escolha pelo anonimato numa cidade que eu não conhecia. Não sei como tive coragem de virar as costas para o sucesso. Ou melhor, eu sei. Mas prefiro não lembrar.

Um brinde à vida! Uma reverência ao passado! Se eu não escrever nada amanhã é porque estou tomada de saudade. Às vezes, ela é insuportável. Mas eu sobrevivo.

(Em razão do aniversário de carreira e porque preenchi 99,02% do total de 100,00 MB do espaço deste blog nos próximos dias vou mudar de endereço. Aguardem!)

2 comentários Quarta, 1 de Setembro de 2010 às 23:05 Vera Pinheiro

Ceninha patética

Vera Pinheiro
Agosto acabou! Que bom! Salve, setembro! Daqui a pouco vem a primavera! E calor! Que maravilha! Já começo a ser feliz desde agora! Que o inverno se lá logo! Não vai me deixar saudade.

Sim, estou entusiasmada hoje. E me diverti com uma ceninha que abriu o meu dia. Logo cedo, um sussurro no meu ouvido, com aquela voz de lobo mau partindo para cima da chapeuzinho vermelho: “Se uma brisa invadir a sua janela não se assuste. Sou eu beijando a sua boca em silêncio”. Cruz e credo!

Ô querido, se uma brisa invadir a minha janela eu passo a tranca, fecho, porque numa pneumonia, como a que tive, a recaída é que mata. Em caso de amor também, dizem, por isso sou precavida e vacinada!

Daí vem uma colega e diz ter certeza de que estou amando! Ah, é? E posso saber por que? “Pela estampa!”, respondeu ela, referindo-se ao modo como tenho me vestido ultimamente, que ela comentou em detalhes. Como o povo é reparador!

Um colega se intrometeu na conversa e concordou com ela (homens, bah!): “Eu também acho que você está apaixonada!”. Repeti a pergunta “E posso saber por que?” ao que ele respondeu: “Porque até o batom está passado no capricho”. Eu não disse que homem bota reparo em tudo? Começo a achar que eles são piores do que as mulheres nisso (e não vou dizer “nisso também” para não ferir suscetibilidades masculinas).

Ah, queridos, apaixonada, eu?! Por outra pessoa além de mim? Nem! Meu coração só bate mais forte na presença de um homem: o cardiologista. Esse pode me agradar ou preocupar, dependendo do que me diz , por isso cada encontro (ou melhor, consulta) é uma expectativa das melhores!

Outro colega me mediu de alto a baixo e acrescentou: “Quer dizer que teremos casamento em breve?”. Retruquei: “Não, mas um caso está garantido!”.

O fato é que estou com cara de feliz porque estou feliz mesmo. Isso eu não disfarço. A gente não consegue disfarçar a felicidade (por isso botam tanto olho gordo!). As tristezas, sim, podem ser escondidas, mas não vale a pena fazer isso. Tristeza a gente resolve e felicidade é para viver.

4 comentários às 12:11 Vera Pinheiro

Maus modos à mesa

Vera Pinheiro
Almocei ontem com uma amiga minha. Comi bem, mas ela, não. Ocupou a boca e o tempo do almoço para relatar que acaba de dar o fora em mais um pretendente a futuro ex. Afinal, os moços não esquentam o banco. Um passo em falso e ela detona o cara.

Mas, vejam, quem aqui é um ser humano impaciente com os homens? Ninguém. Eu e minhas amigas os amamos, claro que sim, mas paciência tem limite, como tudo nesta vida. Por exemplo, o fato narrado por essa amiga minha, que bate no limite do insuportável, ricocheteia e volta para ele.

No sábado ela foi a um almoço com o namorado da vez e um grupo de amigos. Escolheram um restaurante com um cardápio que agradava todos à mesa. Um lauto banquete, para dizer o mínimo. Conversa pra lá, conversa pra cá, dali a pouco o moço – tão bonito! – passa a mão no paliteiro e começa a escavar entre os dentes. A minha amiga, mulher de boa procedência e de estirpe, disfarçou, fez que não viu, pediu licença e foi ao toalete, onde se demorou além do necessário. Enquanto ele não terminou o serviço de bocarra arregaçada, ela não voltou à mesa. Pegou o celular e fez umas dez ligações para passar o tempo (sem desgrudar os olhos do homem, claro).

Finalmente, ele quebra o palitinho e bota sobre a mesa – ai, que nojo! Ela voltou com cara de que nada viu, sentou-se ao lado do namorado e deu um sorrisinho como quem se desculpa pela demora do retorno. Parece que ele só estava esperando por isso para dar início à segunda parte da operação limpeza bucal (arg!).

Pasma, ela assistiu o namorado enfiar o dedo indicador na boca para catar restos de alimentos, que voltava a comer, como uma vaca que rumina. Vixe! A minha pobre amiga virou o rosto em sentido contrário e vomitou ali mesmo, entre os sapatos do grupo de amigos. E ela só toma suquinho, imagina o tamanho do estrago se bebesse uns chopes!

Ninguém que estava à mesa entendeu quando ela pegou o paliteiro que repousava sobre a mesa e o jogou pela janela e o garçom fez o maior esforço para conter a moça quando ela, de faca em punho, quis cortar o dedo do namorado.

Depois dizem, injustamente, que toda culpa é da mulher. Porco! Relaxado!

Adicionar comentário Terça, 31 de Agosto de 2010 às 17:17 Vera Pinheiro

Eles reparam, sim!

Vera Pinheiro
Li centenas de artigos que tranqüilizam as mulheres, dizendo que os homens não reparam em estrias, celulite, quilos a mais ou a menos. Mentira! Eles reparam, sim! O que acontece é que se eles amam (muito) a mulher, ela pode não ser uma miss que será amada do mesmo jeito. E todo mundo já viu uma mulher que não se enquadra em um modelo de beleza estar bem acompanhada e ser amada de montão. Ela tem virtudes, com certeza.

E às vezes a gente vê um homem lindo, charmoso e gostoso com alguém que, digamos, não combina com ele, fisicamente falando. Deve estar tudo certo entre eles. É menos comum a gente ver um mulherão com um homem meio mais ou menos, e de novo me refiro apenas aos atributos físicos. Nem vou falar do resto! E quando a gente vê uma dupla assim, não evita pensar que o cara deve ser bom de cama… Ô maldade, claro.

Não acredito que homem não vê o que está feio ou bonito na gente. Vê, sim, mas passa por cima quando quer. Faz que não vê, se lhe convém. E se ama fica ceguinho da silva.

Tenho provas disso. Uma delas ocorreu hoje de manhã, quando eu andava (melhor, desfilava) em um corredor e no sentido contrário vinha um homem que costuma ser “na dele”. As mulheres sabem o que quero dizer. Ao cruzar comigo parou para uma conversa e comentou que estou mais magra. Agradeci – e não há elogio melhor para uma mulher!

Detalhe: não estou um grama a menos, tampouco a mais e o tamanho - não me botem inveja - é 40! No máximo, naquelas modelagens apertadíssimas, sobe para 42. Minhas roupas, porém, mudaram. Agora dá para ver um pouco mais do que estava embaixo de saias longas e blusas largas. E alguém vai me dizer que homens não reparam? Aqui, ó!

Adicionar comentário Segunda, 30 de Agosto de 2010 às 12:46 Vera Pinheiro

O espelho

Vera Pinheiro
Novidade! Comprei um espelho. Estranho? Sendo eu mulher, sim. mas é verdade! Eu não tinha em casa um espelho em que pudesse me enxergar de corpo inteiro. Tenho outros, de vários tamanhos, mas espelho grande eu não tinha até ontem. Por não ter um espelho grande eu me via em partes, pedaços, trechos, jamais podia me ver da cabeça aos pés, da morada dos pensamentos aos meus esculpidos joanetes.

Depois de tê-lo instalado me perguntei o que fiz de um espelho enorme do qual me desfiz há algum tempo, exatamente quando comecei a olhar o espelho da minha alma. Foram anos olhando para dentro de mim, vasculhando as minhas entranhas e voltada completamente para a espiritualidade.

O momento atual é de redescoberta de mim, mais uma vez. Um momento de me contemplar inteiramente e, melhor, de adorar o que vejo a ponto de me beijar no espelho, admirada das minhas vitórias e sobrevivências tantas.

Sou as minhas parcelas, sim, mas, sobretudo, sou o meu todo coeso e indivisível. Firme e forte, embora às vezes consinta alguma fragilidade. Breve, claro, pelo tempo de me lembrar que não tenho onde escorá-la, o que me faz retornar das fraquezas num átimo e reassumir a posição de sentinela dos desejos impossíveis, que me fazem perder o senso de realidade.

Espelho, espelho meu… Não digas nada. Sê cúmplice dos meus silêncios e já terás feito muito por mim.

2 comentários Domingo, 29 de Agosto de 2010 às 17:36 Vera Pinheiro

Crônica da semana - A missão de cada um (*)

Vera Pinheiro
Qual é a minha missão nesta vida? O que vim fazer neste planeta?
Essas indagações de vez em quando cutucam nossa mente em busca de respostas sobre a trajetória e a finalidade do ser. Não é um questionamento que privilegia a adolescência, é recorrente em outras fases da existência também e se aprofunda na medida em que se constroem o amadurecimento integral e o aprimoramento espiritual.

Todos têm um propósito a desenvolver durante a sua passagem na Terra. No plano divino ninguém é filho do descuido ou descendente do acaso. Mesmo o mais humilde dos seres tem um objetivo a cumprir e o prazo para isso é o tempo entre seu nascimento e sua morte. Não sabemos a duração desse período, que deve ser muito bem aproveitado, sem desperdício de valiosas oportunidades de evolução, enquanto aqui estamos.

Tudo o que vivemos está de acordo com a missão assumida e que nos foi confiada, independentemente do nível social, dos bens materiais, do ambiente familiar e da profissão que temos. Nada disso é tão importante quanto a maneira como nos conduzimos a cada dia, equilibrando os dons recebidos e as escolhas que resultam do livre arbítrio e da orientação que damos ao nosso destino.

Não adianta dizer que não sabemos a que viemos nem listar dificuldades pessoais que nos acompanham desde que estamos no mundo. Mesmo que conscientemente não consigamos definir qual é a missão, saber que a vida tem uma razão de ser e um significado torna esse tempo muito instigante e bonito. Não pensemos nas chances perdidas no passado, quando não nos dedicamos à missão que temos. Ocupemos mãos, pensamento e coração no que ainda podemos fazer para colocar em prática o projeto humano que nosso espírito escolheu.

Certamente é um trabalho individual o que nos cabe. No entanto, no relacionamento com os outros está o nosso melhor aprendizado e o maior dos desafios que enfrentamos. Se o isolamento nos coloca em contato com intrincadas questões íntimas, ele é, de certa forma, confortável, porque estamos em contato apenas conosco e tudo gravita em torno de nós mesmos. Já o convívio com os demais nos traz preciosas lições, e todas incidem diretamente na jornada de crescimento que empreendemos.

A imperfeição humana, que sobremaneira nos aborrece, é uma das grandes mestras dessa experiência evolutiva e até o que julgamos ser um mal se transforma em instrumento de ensino, feito, sobretudo, de amor e perdão. Aquele que nos incomoda ensina a paciência. Quem nos desgosta mostra o valor da compreensão. A falsidade nos revela a necessidade de conhecer a verdade. Quem nos açoita sem compaixão merece piedade. O que trapaceia expõe a outra face da boa conduta.
Assim, tudo se converte em experiências que nos aperfeiçoam e todas as circunstâncias ganham sentido, inclusive as que não entendemos. As lágrimas de desalento agora são de alívio. A dor que atravessava o peito se acalma. A solidão inaceitável se reveste de recolhimento. As perdas recebem a solidária companhia da aceitação. As tristezas são amparadas num abraço solidário e passam. As decepções são relevadas e o inexplicável dá lugar ao entendimento. As forças se renovam e a paz se instala.

Reconhecemos, então, que nada é em vão e que é possível aprender com as vicissitudes e se alegrar, apesar delas. Esse é o exercício primordial da sabedoria que permite a certeza que somos tão infinitamente cuidados, protegidos e abençoados que nada do que nos acontece se passa distante do olhar divino compassivo, generoso e bom. E as graças se multiplicam pela percepção de que as pessoas com as quais cruzamos no caminho e os fatos que vivenciamos, ainda que firam nossa sensibilidade e machuquem nossas emoções não são alheias ao projeto de nossa evolução espiritual. São sagrados, portanto. E o que é sagrado merece reverência.

Cumpramos, pois, todas as etapas e provas da existência com um sorriso no rosto, boa vontade, sentimentos positivos e com disposição de um aprendiz que quer contrato e bom salário. A grande recompensa chega para quem não reclama do peso da missão e se empenha em fazer o melhor sempre, não apenas para si, mas para todos e para o todo.

(*) Crônica publicada na edição de 28 e 29 de agosto de 2010 do jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.

1 comentário Sábado, 28 de Agosto de 2010 às 06:50 Vera Pinheiro

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