Morte a caminho do altar

Vera Pinheiro
Aconteceu na minha cidade, Santa Maria, RS, e aqui em Brasília acompanhei a tragédia com o coração lotado de compaixão pelas pessoas envolvidas. O advogado Wayne Kirchoff de Melo, de 30 anos, morreu quando estava a caminho da cerimônia de seu casamento com a professora Suelen Haygert, de 27 anos, na noite de sábado, em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul.

Ele passou mal dentro do carro que o conduzia à Igreja Nossa Senhora do Rosário e pediu para ser levado a um pronto-socorro. Ao chegar, caiu ao chão e, mesmo socorrido, não reagiu às tentativas de reanimação feita pelos médicos. Familiares disseram que Melo sofreu uma crise asmática seguida de parada cardíaca.

Os convidados esperavam pela cerimônia na igreja e já estavam estranhando o atraso quando foram informados da morte. O padre Rubem Dotto disse à imprensa gaúcha que houve consternação geral pela ocorrência, que qualificou de “tragédia”.

A noiva foi avisada antes de chegar e desviou seu trajeto para tirar o vestido de noiva e ir ao hospital. O corpo de Wayne Kirchoff de Melo foi sepultado na manhã desse domingo no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria.

Que triste acontecimento! Todos os sonhos do casal foram interrompidos de maneira súbita. Que a Grande Mãe acolha em seu coração a dor de Suelen e lhe entregue paz, serenidade, aceitação e força para a retomada de sua vida. Que a Grande Senhora receba em seu colo o jovem noivo e o faça compreender os desígnios de sua existência terrena, levando-o em luz para a eternidade.

Adicionar comentário Segunda, 8 de Fevereiro de 2010 às 20:27 Vera Pinheiro

Som na caixa

Vera Pinheiro
Uma vez por semana, uma moça vem à minha casa fazer faxina. É simpática, discreta, boa de serviço e de pouca conversa. Só abre a boca quando nos sentamos à mesa. Dela só não aprecio o gosto musical. Aos sábados, porque ela está aqui, ouço música sertaneja das 7h às 17h, e o ritmo se alterna com um pancadão de doer os meus delicados ouvidos, mas fico absorta em outra atividade e sublimo!

Ontem, depois que ela foi embora, continuei entretida no que estava fazendo e somente depois de algumas horas percebi que o rádio gritava no mesmo compasso sertanejo/pancadão. Ao me dar conta, troquei o som da caixa por uma música relaxante, daquelas que eu adoro e que elevam o espírito. Ah, que alívio!

Curioso como a gente não se dá conta do que está vivendo sem gostar até livrar-se disso. Enquanto está dentro, não percebe. O alívio vem depois da libertação. Quantas vezes nós estamos tão envolvidos por uma situação que não imaginamos como seria sem ela. Era ruim demais, mas a gente não sabia que era tanto. Então, é preciso ver claramente a circunstância, se ela agrada ou desgosta, e não se conformar se de algum modo nos perturba ao ponto do insuportável. Buscar o melhor exige coragem e determinação e uma resposta sincera: o que pode ser pior do que isso?

No caso da faxineira, avalio a parte boa e a nem tanto, o que importa e o que não vale a pena mexer, o que compensa e o que posso aguentar. Ah, um dia de música de que não gosto não me aborrece tanto e é muito menos do que a alegria de ver a minha casa arrumada e limpinha, contando com uma pessoa de confiança. Algumas coisas são mesmo insuportáveis, outras, não. Certas situações a gente releva; outras, não. Quando bate em nossos limites e não há possibilidade de contornar, aí então é hora de mudar, cair fora, resolver o que nos aborrece. E de nossos limites somente nós mesmos sabemos.

Adicionar comentário Domingo, 7 de Fevereiro de 2010 às 11:55 Vera Pinheiro

Crônica da semana - A arte de dizer sim e não (*)

Vera Pinheiro
Devíamos dizer “sim” e “não” apenas quando temos convicção, não por sermos incitados por outras pessoas, para agradá-las ou por medo da reação que possam ter em relação ao que expressamos.

As consequências de nossas escolhas recaem primeiramente sobre nós, embora respinguem sobre os demais. Anuir com a opinião alheia merece uma avaliação prévia para que essa decisão não resulte em arrependimentos tardios e em queixumes sem solução. Concordar exige um mínimo de certeza ou, ao menos, expectativa confiante de que a sugestão apresentada é melhor do que aquela que elaboramos.

Porém, nem sempre é assim. Muitas vezes, dizemos “sim” quando não estamos certos de ser isso o que queremos e dizemos “não” por impulso. Pior ainda se não aprendemos a dizer “não” e sofremos por acatar sem sinceridade, no intuito de meramente escapar de conflitos. A dificuldade de exprimir nossas razões leva-nos a dar permissão para que usem e abusem de nossa disponibilidade, e não respeitando o próprio querer, terceirizamos o poder que temos sobre a nossa vida, transferindo o direito a qualquer um de fazer dela o que bem entender e à revelia de interesses pessoais que se guardam em nosso coração sem que se revelem.

A mulher que invariavelmente se curva ao homem amado para não contradizê-lo vira marionete em suas mãos e perde o respeito que lhe é devido. Se há amor, discordar não implica rupturas no relacionamento, pois um casal em harmonia busca o consenso que fortalece a união, sem imposições que massacram a individualidade. Quem ama troca ideias, compartilha, dialoga, não fixa regras a serem cumpridas unilateralmente e deseja a felicidade para ambos. Sabe ouvir, aceitar e se compromete com a satisfação que abrange o par, não somente um, renunciando ao egoísmo que mina o convívio e resulta em privações à liberdade do ser.

O profissional que cumpre seus compromissos deve conhecer as suas limitações e não assumir encargos que não possa atender por despreparo, acúmulo de tarefas, excessivo cansaço ou receio de que um “não” possa significar resistência ao serviço. Fazer bem, da melhor forma possível, todo o trabalho que lhe é confiado mostra empenho, dedicação e responsabilidade, mas ao ultrapassar as forças físicas e a capacidade intelectual, o desgaste gera a indesejável queda da produção com qualidade, que malogra as boas intenções. Dizer “não posso”, “não sei”, “não entendi” não é humilhação e é menos aviltante do que sobrecarregar-se de tarefas que não tem condições de executar, embora prometa.

Os pais que dizem “sim” a tudo o que os filhos pedem criam verdadeiros déspotas dentro de casa, que não saberão enfrentar o mundo que não faz cerimônia para forçar o “não” que deixaram de ouvir, não raro punindo-os severamente por não saberem lidar com limites. Pais e mães se debatem entre consentir e negar, mas aprendem a superar essa angústia e vencem os desafios da intimidade familiar. Se a dúvida quanto a evitar ou produzir traumas pela negação é grande, muito maior será o sofrimento paterno e materno ao perceberem, mais tarde, que os filhos não sabem lidar com frustrações, e elas ensinam a crescer.

Quem não tem consciência de que precisa estar plenamente convencido de suas resoluções entrega o seu caminho para que outro o faça, que por si escolha, decida, resolva. Feito isso, não adiantam reclamações posteriores, de pouca serventia, de que teve a sua privacidade invadida e a liberdade de agir tolhida. Para não perder a estima de alguém, para não promover desapontamentos ou para esquivar-se de causar aborrecimentos há quem, sem questionar, se submeta a qualquer situação, mesmo as insuportáveis, e concorde apesar da voz interior dissidente, mas calada.

É fundamental não enganar a si e aos outros sobre a sua vontade, seus valores e princípios, e as palavras devem ser a exata representação do pensamento, desviando-as da contradição entre o dito e o feito. Uma grande afeição sobrevive a divergências, porém sucumbe diante da incompreensão e da mentira. Um sentimento acaba se não estiver enraizado, não se perde com a expressão que vem do fundo do desejo. Um “sim” impensado é tão grave quanto um “não” sufocado: abrem um abismo entre nós e a felicidade, a realização e o prazer. Nesses casos, a opção razoável é um “talvez”.
(*) Crônica publicada na edição de 6 e 7 de fevereiro de 2010 do jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.

Adicionar comentário Sábado, 6 de Fevereiro de 2010 às 07:47 Vera Pinheiro

Perdas

Vera Pinheiro
É preciso entender que a vida não é o que poderia-ter-sido ou um eterno vir-a-ser. A vida é o que se viveu e o que se vive agora. Não se pode viver de lembranças e de saudade, assim como não se pode transformar a existência num eterno sonhar, em que se tecem possibilidades que não concretizam. O que se viveu pertence ao passado, e esse não volta apesar de qualquer esforço. O que se quer viver é traçado pelo desejo, pelo sonho que se acalenta e no qual se acredita de verdade e por ele se empenha.

De todas as perdas, só não se pode aceitar aquela que leva a gente também. Manter-se inteiro apesar das perdas é um desafio enorme, mas não há alternativa de outra escolha a não ser por nós mesmos. Essa é uma opção de viver em paz. Às vezes significa solidão, mas isso é melhor do que se deixar arrastar pelo desespero de uma perda que aconteceu e que é irremediável. Como diz uma canção de Ana Carolina, “perder talvez seja o melhor destino”. Algumas vezes é mesmo. Quando se percebe isso, se retoma a vida.

Adicionar comentário Quinta, 4 de Fevereiro de 2010 às 19:35 Vera Pinheiro

Estreia na barraca

Vera Pinheiro
No dia 4 de novembro de 2009, contei aqui sobre a compra no post “Vou armar a barraca!”. De lá até sexta-feira passada não abri as embalagens da barraca e do colchão inflável – vai que eu perco algum parafuso. Nos meses seguintes, fui me preparando para a estreia, comprando mais umas coisinhas para o acampamento que faria no último final de semana de janeiro de 2010, junto com minha filha Camila, durante um retiro espiritual para mais uma iniciação na religião da Deusa.

Na hora de juntar a bagagem, não era pouca coisa. Só de travesseiros, cobertores, lençóis etc parecia que ficaríamos acampadas por um mês. Eu temia que entrasse água – tem chovido muito – e que ficássemos sem agasalhos para as noites ao relento, restando, nesse caso, a opção de dormirmos encolhidas nos carros, o que é um desaforo para qualquer coluna vertebral.

Chegamos ao local no meio da tarde. Eu queria garantir que até a noite, quando seriam iniciadas as atividades, tudo estivesse pronto. Desci do carro com disposição e cara de quem era experiente na lida, mas… Que nada! Logo que abri as caixas não tinha noção da serventia dos parafusos e outros quetais. Recorri a uma amiga, Adriana Jaccoud, que havia se prontificado a me ajudar se eu passasse aperto. Com tudo no chão, Adri ensinou Camila a montar a barraca, enquanto eu apenas observava o serviço. Dois pra lá, dois pra cá e a barraquinha estava erguida! Fácil! Bem, devo confessar que não prestei ajuda, fiquei de lado, na posição de “quem não ajuda, não deve atrapalhar”.

Terminada a missão, coloquei uma plaquinha que identificasse a nossa barraca com os dizeres “Felicidade é amar a vida” e outra com uma mensagem relacionada com os trabalhos espirituais. Vai que eu erro a porta! Deixei naquele espaço – para o meu gosto um tanto apertado – apenas o que era de uso essencial e imediato, senão não teria para onde espichar as pernas. E já comecei a pensar que devo comprar uma barraca maior e mais confortável.

Aliás, fiz uma bobagem na compra do kit acampamento. Disseram que o tal colchão inflava sozinho e não comprei a bomba. Na hora de encher de ar, precisei da ajuda de outra amiga, Mônica Rivera, que tinha a tal bomba. Camila meteu o pé na manivela até encher o colchão. Eu fiquei sentadinha, só apreciando. De má vontade com o colchão inflável à manivela, escolhi dormir no colchonete muito bem forrado, que levei como acréscimo, o que foi ótimo! Quando me deitei, tinha um buraco de todo o comprimento abaixo do colchonete, e ali me aconcheguei no colo da Mãe Terra. Dormi bem a noite inteira.

No final da tarde de sábado, Camila voltou para a civilização e eu fiquei sozinha na barraca. Colchão vazio, deitei nele para ver como era. Não gostei, é mole demais para o meu gosto. Ou talvez tenha esvaziado, sei lá. Dormi no chão de novo e acordei antes das 5h, sob a lua cheia brilhante, maravilhosa, inspiradora e mágica, cobrindo a pequena cidade de lonas.

Outra compra boba – por influência do vendedor – foi a de um plástico para cobrir a barraca em caso de chuva. Eram metros e metros de plástico que, sozinha, eu não conseguia segurar. Puro exagero. Terei de cortar mais da metade! Que desperdício e gasto inúteis, por ignorância. Na primeira noite choveu um pouco e, apesar do tamanho exagerado da cobertura, ela teve utilidade, mas, para ventilar, deixei a porta fechada só com o filó, o que fez Camila passar frio. Mas quem levantaria para buscar o cobertor no carro? A noite seguinte estava enluarada, mas preferi me garantir e cobri a barraquinha outra vez. O melhor de tudo foi desmontar – e eu fiz isso sozinha!!! Fácil! É mais fácil desmontar do que montar, parece. Só pedi ajuda para dobrar aquela barbaridade de plástico. Guardei os parafusos nos saquinhos, mas não dei conta de enfiar a barraca e o colchão nas caixas. Faltou-me habilidade ou braços mais fortes e longos.

De segunda a domingo, não usei maquiagem, andei descalça, tomei banho de cachoeira, comi apenas comidinha natural, não usei sabonete, shampoo, condicionador, perfume e tudo o que faz parte do “kit beleza”. Apenas desodorante, escova, dentifrício e fio dental, passado “no escuro”, pois não usei espelho nesses dias. Eram dias de olhar para dentro, não para o lado de fora de mim. Voltei feliz, renovada espiritual, energética, emocional e mentalmente, e ainda mais segura do caminho da Deusa. No aspecto físico, estava um pouco cansada, mas já me refiz. Foi bom demais! Quanto à barraca, tirando as dificuldades de principiante, tudo foi fácil. Vou me equipar melhor para a próxima vez, mas posso dizer que a estreia foi um sucesso! E que bom, nessa altura da minha vida, fazer algo que ainda não tinha feito… Ainda há muita coisa boa para fazer e viver!
290120103244 - 290120103244 Ajudei a atar os lacinhos! 310120103260 - 310120103260 Lua inspiradora! 290120103246 - 290120103246 Cansei só de olhar o serviço! 290120103253 - 290120103253 Dá licença?

Adicionar comentário Quarta, 3 de Fevereiro de 2010 às 01:40 Vera Pinheiro

Voltando aos poucos

Vera Pinheiro
É incrível, mas verdadeiro: ainda não consegui organizar as minhas atividades, e são tantas! Portanto, a coisa é mais ou menos assim: estou, ainda, em clima de final de ano. 2010 ainda não começou! Mas logo vem o carnaval e, enfim, o Ano Novo entra nos eixos.

Passei o final de semana no mato (desde sexta-feira, por isso postei antecipadamente a crônica da semana) e, pela primeira vez, armei uma barraca. Barraca, eu disse, não barraco! Em toda a minha vida, somente uma vez havia dormido numa barraca, e lá se vão quase 30 anos. Vou contar tudo amanhã, pois hoje cheguei tarde e estou precisando dormir um sono bom e demorado para revigorar as energias físicas, pois as espirituais estão absolutamente em dia! Um lindo adormecer e um suave despertar para todos nós. Ah, e um lindo fevereiro!

Adicionar comentário Segunda, 1 de Fevereiro de 2010 às 22:35 Vera Pinheiro

Crônica da semana - Deixa ir

Vera Pinheiro
Eu adorava um creme hidratante que deixava a minha pele tão sedosa e refrescada que a ultrapassagem de meio século não fazia estragos na face, enquanto as vivências aprimoravam o espírito, elevavam a sabedoria e ampliavam o conhecimento. Pois, lamento, aquele maravilhoso hidratante acabou. Por meu querer, torceria o tubo até jorrar a última gotícula, mas, sendo a embalagem de vidro, lhe faltava maleabilidade para torções e, uma vez apertada demais, se romperia em cacos.

Assim também as relações amorosas, familiares e de amizade. Algumas são frágeis e ao terminarem, nada resta senão lembranças. Outras podem ser renovadas e há as que são substituídas. Distanciando-nos, tomamos contato com a verdadeira estrutura do vínculo, se realmente importava ou se era apenas ilusão dos sentidos. Aliás, a distância se encarrega de conferir atributos que não são percebidos quando a proximidade é acompanhada de distração e embaraçada por excessos sentimentais de toda ordem.

Esvaziado o tubo, digo, o relacionamento, é preciso deixá-lo ir. Porém, é difícil não se agarrar ao vidro vazio e a uma história que não tem mais nada para viver, mas que nos é cara. Temos apego a lembranças boas e elas nos aprisionam e escravizam nas rupturas. Não é simples nem fácil desfazer-se de ligações com pessoas, porque, de alguma forma, elas ficam em nós quando instalam a ausência, mesmo quando consentida e compartilhada de comum acordo. É forçoso abrir a porta e esvaziar o espaço do coração, ainda que ele se lote de saudade. Se não curar, o tempo se encarrega de amortecer a dor que resultou da despedida, das perdas e de eventuais mágoas que sobraram da experiência.

Deixar ir liberta o outro e a si, permitindo que ambos se refaçam individualmente e que se conduzam, sozinhos ou acompanhados, rumo à felicidade que desejam e merecem. É inútil e desgastante a tentativa de manter perto quem já acenou o adeus e é em vão sofrer por quem não quer ficar junto. Em vez disso, existe a possibilidade de voltar a atenção para a própria vida e repensar o futuro, então sem a companhia de quem partiu por livre e espontânea vontade, por suas questões pessoais, intrínsecas, que independem das atitudes de quem fazia parte da convivência. Assim, convém eximir-se de culpa pelas vontades alheias e retomar a caminhada.

Haverá ocasiões em que os questionamentos não darão sossego à mente, levando repetidamente ao mesmo ponto: “O que há de errado comigo?!”. Não busques explicações para o que não está em ti, mas no outro, no que ele pensa e quer, e o querer dele pode não te incluir, apenas isso, o que não implica defeitos insuportáveis teus ou que não sejas digna daquela presença ao teu lado.

Quando alguém toma a decisão de se apartar de nós, é necessário compreender as suas razões e, para isso, colocar-se no lugar dele permite que vejamos os acontecimentos do seu ponto de vista. Ao nos deslocarmos de nossas posições, ideias e convicções para observamos o mundo que a outra pessoa enxerga, conseguimos entendê-la, pois não nos fixamos nas opiniões que temos. Isso não nos impõe abdicar do que pensamos nem nos obriga a mudar o modo de agir, mas nos dá uma perspectiva do olhar do outro, e ainda que não concordemos, alcançamos as suas percepções.

Os primeiros momentos de tudo o que nós vivemos são, sempre, árduos por não termos habilidade para lidar com situações novas, que nos assustam. No afastamento de quem amamos, a solidão ocupa o lugar que era de alguém muito querido e nos desmanchamos em lágrimas e angústias, mantendo-nos atrelados à energia daquela convivência. Entramos em um luto emocional, fechando-nos na toca como um bicho ferido. O amor perdura até que se esgota, um dia. O conteúdo do tubinho acaba; a gente, não.

A vida, que é paciente e amorosa, continua batendo à porta e nos convida a sair da prisão interior em que nos enclausuramos. Assim, a chama se acende de novo! Renascemos das cinzas de um amor perdido, das partidas que gostaríamos de ter evitado, do padecimento que nos abateu, mas não nos liquidou. Então, com força e coragem, vamos ao espelho e nele uma imagem mais amadurecida, mas não menos bela, se apresenta. Um creme facial acaba e a gente põe o vidro fora. Das vivências se tiram lições que nos revigoram!

Adicionar comentário Sexta, 29 de Janeiro de 2010 às 14:57 Vera Pinheiro


Categorias

Links

Calendário

Fevereiro 2010
S T Q Q S S D
« Jan    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta