Arquivo de Outubro de 2006

Hoje é dia de Samhain

Vera Pinheiro
Hoje, 31 de outubro, é dia de Samhain (pronuncia-se “souêin”), o mais importante dos oito Sabbats celtas, marcando o início do Ano Novo celta e o terceiro festival da colheita. Nesta noite, celebra-se a deusa em sua face escura, como a Anciã, a senhora da morte e da sabedoria, buscando-se o contato com os espíritos dos familiares falecidos e dos ancestrais.
Mirella Faur, minha sacerdotisa maior, conta em seu livro “O anuário da Grande Mãe - Guia prático de rituais para celebrar a Deusa” que seguidores da tradição Wicca e druídica do mundo inteiro celebram esse Sabbat com fogueiras, rituais para ancestrais, uso de adivinhações (bola de cristal, espelho negro, caldeirão com água) e oráculo (runas, tarot, I Ching). Os celebrantes usam trajes especiais, máscaras de animais e lanternas de abóbora, consumindo comidas e bebidas tradicionais (torta de abóbora, maçãs assadas, bolo das ancestrais). Era o único dia em que os celtas procuravam o intercâmbio com o além, “conjurando” espíritos e se comunicando com aqueles que estavam no País do Verão, a terra onde as almas esperam a reencarnação.
Segundo as lendas, todos aqueles que tinha morrido durante o ano esperavam o dia de Samhain, quando os véus que separam os mundos são mais tênues para atravessar as fronteiras. Para guiá-los nessa passagem, eram acesas fogueiras, tochas, velas e lanternas de abóbora. As versões cristianizadas desses antigos festivais são o Dia de Todos os Santos e Finados e as festas mundanas conhecidas como Halloween, a Festa das Bruxas.
Ainda conforme o Anuário de Mirella, hoje se fazem celebrações gregas dedicadas às deusas Perséfone e Hécate, senhoras do mundo subterrâneo, e para as deusas solares Bast e Sekhmet (minha madrinha este ano), em seus aspectos escuros, como destruidoras do mal e condutoras das almas. Na Tradição da Deusa, esta noite é dedicada a Cerridwen, a deusa celta detentora do caldeirão sagrado da sabedoria e da transmutação, a face anciã da Grande Mãe. Hoje se reverenciam os ancestrais e com sua ajuda empreendemos uma viagem simbólica ao ventre escuro da Mãe Terra, percorrendo o labirinto do Mundo Subterrâneo, buscando a regeneração e a transformação ao mergulhar no caldeirão sagrado da deusa Cerridwen.
Samhain ou Hallows significava para os celtas o final de um ciclo e o prenúncio de um novo, o mergulho na escuridão e na morte à espera do renascimento. A noite de Samhain é propícia à reflexão sobre as emoções e os acontecimentos do passado, encarando nossos medos e limitações, desapegando-nos do “peso morto” e buscando inspiração e sabedoria para mudanças e transformações.

Adicionar comentário Terça, 31 de Outubro de 2006 às 11:05 Vera Pinheiro

Lula: beijos na garagem

Vera Pinheiro
O Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Palácio do Planalto nesta tarde por volta de 15h45 e foi recebido na garagem do Palácio do Planalto por grande número de servidores, convidados por e-mail, via intranet, pelo Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República Gilberto Carvalho.
Lula desceu do carro oficial e foi abraçado por homens e mulheres que trabalham na Presidência e na Vice-Presidência da República, muitos deles ainda usando adesivos da campanha presidencial e entoando palavras de ordem como “Lula, guerreiro do povo brasileiro” ou, num tom festivo, “Lula/ cadê você/ eu vim aqui só pra te ver” e, da campanha de 2002, “Olê/olê/olê/olá/ Lula/ Lula”.
O estreito corredor montado para a passagem de Lula logo se desfez porque o presidente foi ao encontro das pessoas que trabalham com ele. Trocou beijos, recebeu muitos abraços e posou para fotografias com quem quis registrar o primeiro momento dele no retorno ao serviço, depois da vitória no segundo turno das eleições.
Por alguns instantes, o ruído dos aplausos deu lugar ao silêncio, e todos rezaram um Pai-Nosso com o presidente da República. Depois de mais fotos com servidores e de muita emoção, não faltou quem gritasse o bordão da campanha de Lula: “Deixa o homem trabalhar”. Só então ele subiu ao terceiro andar para cumprir a agenda do dia, enquanto os servidores voltavam às suas salas.
“Antes de Lula, para ver o presidente, só em ocasiões públicas, como a chegada da seleção brasileira”, declarou uma servidora que há nove anos trabalha na Vice-Presidência da República. Ontem, ela participou da comemoração no Comitê de campanha em Brasília, após a declaração da vitória de Lula e José Alencar, e hoje estava na fila do abraço dos servidores. Esses, ao se dirigirem à garagem para o encontro com o presidente, viram uma multidão de repórteres à porta do elevador do prédio principal. A garagem foi privilégio da intimidade de quem trabalha com o homem de 58 milhões de votos.
Eu estava lá! De terninho vermelho, a cor que predominou na segunda-feira e deu um ar festivo ao ambiente formal.

1 comentário Segunda, 30 de Outubro de 2006 às 17:12 Vera Pinheiro

Sites - eleições 2006

O site abaixo mostra todos os resultados das eleições 2006 tanto do 1º turno quanto do 2º turno das eleições para presidente e governadores.

http://www.justicaeleitoral.gov.br/resultado/index.html

Outro site para conferir as eleições 2006:

http://www.tse.gov.br

1 comentário às 12:11 Vera Pinheiro

No meu Estado…

Yeda Crusius é a primeira mulher a chegar ao governo gaúcho

PORTO ALEGRE (Reuters) - A deputada federal Yeda Crusius (PSDB) venceu o ex-ministro Olívio Dutra (PT) na eleição deste domingo e será a próxima governadora do Rio Grande do Sul. É a primeira vez que o PSDB estará à frente do Executivo gaúcho e que o comando do Estado será de responsabilidade de uma mulher.

Adicionar comentário às 03:02 Vera Pinheiro

Faltou coragem a Alckmin, diz sociólogo

Fonte: Agência Estado

O professor e sociólogo do Ibmec Carlos Alberto de Melo afirmou que o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, foi derrotado por falta de coragem de assumir posição sobre temas como privatizações, corte de gastos e política econômica, entre outros assuntos. Segundo ele, sem referências anteriores e maior experiência política, Alckmin foi, aos poucos, transformando-se numa caixa-preta.
“Ninguém sabia o que ele iria fazer se eleito. A primeira declaração de um dos elaboradores de seu programa de governo, o economista Yoshiaki Nakano, foi desqualificada e desmentida. Se Nakano não podia falar sobre o assunto, quem falaria”, questionou. “Além disso, o que ele tinha para mostrar? As obras em São Paulo? Isso é suficiente para governar um Estado. E, no governo federal, é necessário mostrar sua política social e visão política do mundo, se isso não apareceu”, explicou.
Para o professor, não é possível afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um candidato imbatível, pois, nesse caso, ele seria reeleito em primeiro turno com 70% dos votos válidos. “Dessa avaliação, poderia se inferir que Alckmin teve um desempenho excelente na campanha eleitoral. Lula é forte e tem penetração social, mas dentro do quadro de desgaste pelo qual seu governo passava, é possível dizer que Alckmin teve uma performance muito fraca e se mostrou um candidato muito frágil”, afirmou. “É até irônico que Lula tenha se mostrado um candidato imbatível no segundo turno. Que inversão foi essa? Alckmin tornou Lula imbatível no segundo turno pelos erros que cometeu”, comentou.
Na avaliação de Melo, não foi Alckmin quem levou as eleições para o segundo turno. “Foi o dossiê, a lambança dos ‘aloprados’, a foto do dinheiro apreendido e o erro estratégico de Lula ao faltar aos debates no primeiro turno, que no final não se mostraram nenhum bicho-de-sete-cabeças”, considerou. Segundo o professor, nos debates, Alckmin não se qualificou como uma alternativa. “E não é porque era desconhecido dos eleitores, mas porque foi desconsiderado. Ele jogou todas as cartas no discurso ético. E não se preparou para disputar o segundo turno. Basta ver a campanha do presidente Lula, com seu jingle ‘deixa o homem trabalhar’, para ver quem estava preparado para essa situação”, declarou.
O professor disse ainda que Alckmin não dialogou com os pobres, mas somente com a classe média. “O voto pelos R$ 70 do Bolsa Família é racional, de acordo com os interesses dessa classe. A classe média não percebe isso, mas para muitas pessoas, R$ 70 faz uma diferença danada. Ele deixou de conversar com esse público”, disse. “E o debate da Bandeirantes foi uma tragédia nesse sentido.” Para Melo, Alckmin deixou seus eleitores felicíssimos com a truculência, mas assustou o eleitor de Lula.
Ao ridicularizar Lula por ler as perguntas, o professor disse que Alckmin mostrou soberba, pois a maior parte dos brasileiros tem dificuldade para ler e se identificou com a situação. “E Lula deu uma resposta notável ao dizer que não teve tempo de decorar e não fez curso de psicodrama.”
Ao não defender as privatizações, segundo o professor, Alckmin cometeu um erro grave. “Um político não deve se pautar por pesquisas que mostram a população contrária à privatizações, mas mostrar que tem um projeto e partir para o trabalho de persuasão, não é uma questão dogmática. A resposta correta à questão levou uma semana para ser dada, por FHC, em defesa própria e de seu governo”, afirmou. “Renegar o governo FHC, que teve falhas mas vários méritos, e não trazê-lo para a campanha, foi um erro brutal, além de cruel. O eleitor se perguntou sobre por que FHC foi escondido. Quem não gostava de FHC já desconfiava de Alckmin, e quem gostava sentiu-se magoado”.

Adicionar comentário às 02:55 Vera Pinheiro

Lula ganha eleição e poder político para novo mandato

Fonte: Yahoo notícias

Seg, 30 Out - 02h18
Por Mair Pena Neto

SÃO PAULO (Reuters) - Reeleito presidente do Brasil com 60,8 por cento dos votos válidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a sua popularidade e garantiu um expressivo cacife político para conduzir o novo mandato de quatro anos.
A votação de Lula, superior a de 2002 em números absolutos, com 58,29 milhões de votos, e muito próxima em termos percentuais, sobrepujou os problemas enfrentados em seu primeiro governo e os momentos mais radicais da campanha.
“Sou grato ao povo que soube fazer diferença entre o que era verdade e o que não era”, disse Lula, em seu primeiro pronunciamento após a vitória.
O segundo turno acabou se revelando benéfico para Lula, que sai das urnas mais fortalecido. Ele aumentou a sua votação em todas as regiões, inverteu a desvantagem que tinha no Sudeste e Centro-Oeste, sendo derrotado apenas na região Sul.
O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, encolheu em relação ao primeiro turno e, mesmo onde venceu, viu sua vantagem se reduzir. Em São Paulo, seu principal reduto eleitoral, Alckmin viu sua diferença para Lula cair da casa dos 4 milhões de votos para apenas 1 milhão de votos.
O segundo turno também deu a Lula uma base mais forte para o seu próximo governo. Ao ver seus aliados vencerem em seis dos 10 Estados em que houve segundo turno, Lula passou a ter o apoio de 15 dos 27 governadores do país.
RELAÇÃO COM O CONGRESSO
Lula revelou a intenção de usar seu novo poder político num papel mais atuante na coordenação política de seu futuro governo.
“Até dezembro, pretendo conversar com todas as forças políticas, todas as forças sociais e irei interferir mais nas negociações com o Congresso Nacional”, prometeu Lula. “Não haverá veto a ninguém, chamarei todo mundo para conversar”, acrescentou, manifestando a disposição para o diálogo com a oposição.
Alckmin telefonou a Lula parabenizando-o pela vitória e mais tarde fez um breve pronunciamento, agradecendo os votos. “A vida, como a democracia, é feita de conquistas e dificuldades”, comentou Alckmin, dizendo-se feliz e com a consciência tranqüila.
Parlamentares do PFL e do PSDB reagiram, após a proclamação da vitória apenas meia-hora depois do encerramento das urnas em todo o Brasil, prometendo uma oposição mais efetiva. Eles admitiram, no entanto, que a vitória de Lula foi “contundente”, como disso o deputado eleito Paulo Renato Souza (PSDB-SP).
CRESCIMENTO
Trajando uma camiseta branca com os dizeres “A vitória é do Brasil”, Lula prometeu um maior crescimento da economia, já no ano que vem, e anunciou a manutenção da política fiscal, que desagrada parte de seus aliados.
“Manteremos uma política fiscal dura, porque não se pode gastar mais do se que ganha”, afirmou o presidente. “Reivindiquem tudo o que quiserem, daremos apenas aquilo que a responsabilidade permitir”, afirmou, dirigindo-se a dirigentes sindicais, e acrescentando que isso vale também para os movimentos sociais.
A proposta de uma política econômica mais desenvolvimentista no segundo mandato foi a bandeira de petistas encabeçados pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, logo no início do dia. Em Porto Alegre, o ministro afirmou que acabou a “era Palocci” (ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci), caracterizada por taxas baixas de crescimento e preocupação neurótica com inflação.
A orientação da política econômica do próximo mandato de Lula e a formação da equipe de governo vão atrair a atenção dos especialistas do mercado nesta semana.
“A era Palocci está mais ligada àquela época de preocupação excessiva com estabilização, e agora a gente tem que manter a estabilização… não acho que vá se sacrificar isso”, disse o presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Alfredo Moraes.
PRIORIDADE AOS POBRES
Apesar do compromisso com o controle dos gastos públicos, Lula reafirmou que os pobres terão prioridade em seu governo. “Continuaremos a governar o Brasil para todos, mas continuaremos dando mais atenção aos mais necessitados”, afirmou.
Depois, em comício na festa da vitória, em São Paulo, que reuniu 4.000 pessoas na avenida Paulista, segundo a Polícia Militar, Lula disse que o resultado da eleição “foi a vitória dos de baixo contra os de cima”.
Logo cedo, ao deixar a cabine de votação, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista onde se formou líder operário, Lula já tinha a certeza de que teria mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.
A possibilidade que se anunciava de uma vitória com mais de 20 milhões de votos de diferença o levou a convocar as forças políticas do país para a garantia da governabilidade.
As principais lideranças da oposição já enviaram um sinal positivo. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), desde já candidato à sucessão de Lula, em 2010, garantiu que irá trabalhar para a governabilidade.
“Há o tempo da eleição e há o tempo da construção. Se o presidente Lula for reeleito, estaremos na oposição, mas isso não impedirá que conversemos a respeito de uma agenda”, sinalizou Aécio, logo pela manhã.
(Reportagem de Ricardo Amaral, Natuza Nery, Carmen Munari, Fernanda Ezabella e Daniela Machado, em São Paulo, Cesar Bianconi, em Brasília, e Sinara Sandri, em Porto Alegre).

Adicionar comentário às 02:44 Vera Pinheiro

Lula promete segundo mandato “muito melhor” que o primeiro

Fonte: www.estadao.com.br

Em seu primeiro pronunciamento depois de reeleito, o presidente entrou vestindo uma camiseta com a frase “a vitória é do Brasil”

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o discurso da vitória prometendo fazer um segundo mandato “muito melhor” do que o primeiro. Ele entrou vestindo uma camiseta com a frase “a vitória é do Brasil” e justificou a escolha: “A vitória não é do Lula, não é do PT, não é do PC do B, não é de nenhum partido político. É a vitória da sabedoria do povo brasileiro.
Lula afirmou que as “as bases estão dadas” para o Brasil crescer. “Tinha consciência de que tínhamos construído um alicerce para o País dar um salto neste segundo mandato”. Ele citou as conquistas de seu governo, como os resultados positivos na economia, a consolidação das relações internacionais e a importância dada ao Mercosul.
“Todo o povo brasileiro votou porque tem esperança de que as coisas vão andar muito melhor agora no segundo mandato”, disse o presidente ao se comprometer com novas promessas. Segundo ele, as regiões mais empobrecidas terão uma atenção maior: “Queremos tornar o Brasil mais humano e mais justo”. Lula diz não ter dúvidas de que o País vai crescer mais, terá maior distribuição de renda e aumentará o combate à corrupção. “O Brasil irá atingir padrão de desenvolvimento que o colocará no centro dos países mais desenvolvidos do mundo”, reiterou.
Ele disse ainda que o Brasil está vivendo um “momento mágico” de consolidação do processo democrático graças, principalmente, “ao povo que foi incluído no patamar daqueles que tinham conquistado a cidadania”. Lula admitiu que o governo teve muitos acertos, mas também cometeu erros, o que possibilitou um amadurecimento para que o País dê o salto que precisa dar.
O presidente agradeceu os ´companheiros´ que o ajudaram na reeleição e a todos que votaram nele. “O Brasil sentiu que tinha melhorado e, para isso, não há adversário. O povo sentiu na mesa, no prato e no bolso a melhora do País. Sentiu no cotidiano, na vida de seus amigos e de sua família”, avaliou.
Lula falou ainda que as eleições possibilitaram o fortalecimento da democracia e também prometeu, logo no início do mandato, fazer a reforma política. Ele aproveitou o discurso para dar um recado aos governadores eleitos ao dizer que conta com a cooperação deles para a construção de “um Brasil mais justo”.
Sobre as condições de governabilidade em um novo Congresso, o presidente disse não ter dúvidas de que poderá contar com a “compreensão de todos os partidos sem distinção. Todos vão dar sua contribuição para que o Brasil cresça”, assegurou.
Lula negou que pretenda mudar a estrutura do governo e recusou a tese de que existem muitos ministérios. “Essa estrutura deu tanto resultado que ganhamos as eleições. Essa tese é um equívoco”, sustentou No plano da política externa, o presidente reeleito destacou que a relação com o Mercosul continuará a ser prioridade de seu governo.
“O Mercosul para nós é como se fosse uma paixão especial”, afirmou, observando que, no início de seu governo o bloco estava praticamente extinto e falava-se apenas na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta pelas Estados Unidos. “Eu tenho um sonho, integrar todos os países latino-americanos em apenas um bloco”, afirmou Lula ao defender a expansão do Mercosul.
O presidente também ressaltou que o País nunca teve uma relação tão forte com a Argentina como atualmente e que ambos têm a responsabilidade de ajudar no desenvolvimento dos países menores da América Latina.
Ele criticou ainda “setores reacionários” que defendiam políticas mais duras no relacionamento com a Bolívia e apontou o acordo sobre o gás natural, firmado nas últimas horas com o país vizinho, como uma prova do acerto da política adotada pelo governo. “Para que brigar se podemos ter uma boa conversa? Nasci na política fazendo acordos”, argumentou.

Adicionar comentário às 02:40 Vera Pinheiro

Lula vence Alckmin e se reelege presidente

Fonte:www.uol.com.br

Cris Gutkoski
Da Redação, em São Paulo

PRESIDENTE
100% das urnas apuradas

Lula (PT) - 58.293.239 votos - 60,83%
Geraldo Alckmin (PSDB) - 37.542.735 votos - 39,17%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu segundo mandato neste domingo, 29 de outubro, reelegendo-se em segundo turno. Com mais de 58 milhões de votos, venceu Geraldo Alckmin (PSDB), que no primeiro turno havia conquistado uma surpreendente soma de 41,6% dos votos válidos. A popularidade de Lula sobreviveu a um ano e meio de ataques diários da oposição, ao seu governo e ao seu partido, o PT, desde que foi deflagrada a chamada “crise do mensalão” no Congresso.
Dada a ampla vantagem, a reeleição foi proclamada pelo presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, ainda antes das 20h. Lula ganha um novo mandato embalado por uma avaliação positiva recorde de seu governo: 53% de ótimo ou bom, em outubro, segundo o Datafolha. Em seu último comício, na periferia de São Paulo, na noite de quarta-feira (dia 24), o presidente-candidato amparou-se nas estatísticas para desabafar: “Quero ver alguém sair com a avaliação que nós estamos hoje em final de mandato, depois de a gente apanhar quatro anos da imprensa brasileira, quatro anos em que as coisas boas que nós fazíamos não apareciam nos jornais”.
No primeiro pronunciamento após eleito, em São Paulo, Lula agradeceu a reeleição “às pessoas que confiaram, ao povo brasileiro que em vários momentos foi instado a ter dúvida contra o governo”. Segundo o presidente, a população soube diferenciar o que era ou não verdade e avaliou as melhorias nas condições de vida. “E contra isso não há adversário”, disse Lula. “O povo sentiu na mesa, no prato e no bolso a melhora de vida”.
As “coisas boas” apareceram numa eficiente propaganda gratuita para rádio e TV e, no segundo turno, nas perguntas e respostas de Lula em quatro confrontos televisivos com Alckmin. Alçado ao segundo turno menos por méritos próprios do que por falhas graves dos adversários, autores do escândalo do dossiê, Alckmin errou o tom da agressividade no primeiro debate na TV, na Rede Bandeirantes, em 8 de outubro, e viu estancar a sua curva ascendente nas pesquisas de intenção de voto. Também o apoio recebido de Anthony Garotinho (PMDB) no Rio foi interpretado como uma contradição no discurso em prol da ética do tucano.
Por meses, a reeleição de Lula era dada como certa ainda no primeiro turno, quando mais um escândalo envolvendo assessores do partido do presidente prolongou a campanha. Em 14 de setembro, a Polícia Federal desmontou um esquema para compra de dossiê contra o então candidato a governador José Serra (PSDB), cujos desdobramentos incluíram prisões, interrogatórios e revelação de nomes da campanha petista que levaram à queda do coordenador e presidente do PT, Ricardo Berzoini.
Lula classificou a operação de “abominável” na manhã de sábado, dia 16, em visita ao Pará. Em entrevista ao Bom Dia Brasil, disse que os petistas interessados no dossiê andavam mexendo “com bandidos” e que “mexer com bandido não dá certo”. Feito uma fortaleza que a oposição tenta minar desde meados de 2005, quando foi revelado o esquema do mensalão na Câmara dos Deputados, Lula sobreviveu a mais um escândalo.

Exército de um homem só

“A verdade nua e crua é que nós conseguimos, com muita humildade, desmoralizar aqueles que nós sucedemos, aqueles que pensavam que sabiam tudo”, disse o presidente em comício em São Bernardo do Campo, nas vésperas do primeiro turno, na mesma noite em que era duramente criticado por Alckmin, Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) por se ausentar do debate na Rede Globo.
Acompanhada de uma série de números oficiais sobre geração de empregos, aumento e distribuição da renda, diminuição da pobreza e acesso a universidades privadas para estudantes carentes, a frase de Lula sintetiza uma das razões da reeleição. O seu governo teve desempenhos melhores do que o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em diversas áreas.
No horário gratuito deste ano, Lula dava depoimentos sozinho no cenário. Um quadro bem distinto do de 2002, quando o candidato aparecia na TV rodeado de grupos de notáveis, colaboradores de seu programa de governo. A solidão de Lula na propaganda fala também de suas sucessivas perdas na equipe de governo e no comando do PT. Saíram Oded Grajew, Frei Betto, Ricardo Kotscho, esses antes dos escândalos. Em 2005, foram substituídos na cúpula petista o presidente José Genoino, o secretário Silvio Pereira, o tesoureiro Delúbio Soares. Lula ainda perdeu seu ministro da Casa Civil, José Dirceu, depois cassado pela Câmara, e seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci, suspeito de quebra de sigilo bancário. Na reta final antes do primeiro turno, precisou dispensar Berzoini do comando da campanha.
Como provaram as urnas neste domingo, o presidente agora reeleito não perdeu a popularidade nem os votos dos eleitores. O petismo deu lugar ao movimento batizado de “lulismo”, que procura dissociar o presidente de seu partido de origem. Lula só lembrou de convocar a militância do PT (a famosa infantaria que de 1982 a 2004 foi às ruas com bandeiras vermelhas para carregar candidatos em apuros) quando as coisas apertaram no final do primeiro turno. Seu último comício, na periferia de São Paulo, reuniu cerca de 4.000 pessoas. Em 2002, os comícios de Lula nas capitais reuniram dezenas de milhares de pessoas.

Avaliação positiva recorde

Em termos de aprovação popular, o primeiro mandato de Lula teve um pico de avaliação positiva em agosto de 2006, com 52% de “ótimo/bom”, um recorde histórico nas pesquisas do Datafolha. O recorde foi quebrado em outubro, dias antes da eleição: 53% de “ótimo/bom”. O pior momento foi o final de 2005, ano da crise política e da instalação de CPIs para investigar denúncias de corrupção, quando a avaliação “ruim/péssimo” chegou a 29%, ultrapassando por um ponto percentual a de “ótimo/bom” (28%).
“Lula é imbatível porque não é uma pessoa, é um mito. O mito do presidente-obreiro, filho de catadores de cana, o que lhe assegura, independentemente do que faça ou deixe de fazer, a condição de herói popular, dentro e fora do Brasil”, escreveu Hélio Jaguaribe na Folha, em 17 de setembro, no artigo “Mais um quadriênio perdido”.
O sociólogo referia o estatuto de conto de fadas que envolve a biografia de Lula, do menino pobre que foge da seca no Nordeste, se submete a provas e enfrentamentos de toda a ordem em São Paulo e conquista o final feliz da eleição para presidente em 2002, após as derrotas de 1989, 1994 e 1998.
Jaguaribe apoiou Alckmin. Diferentemente dele, há um batalhão de economistas, sociólogos e cientistas políticos que detecta na reeleição de Lula os efeitos não do sonho ou do mito, mas de seu contrário, o da vida real melhorando aos poucos. Duplicando a trajetória do “herói” principal, histórias de ascensão social mereceram destaque na propaganda gratuita. Desde os brasileiros que comemoravam “mais acesso a arroz e feijão” até os assalariados que ganharam bolsa do Prouni para estudar em universidades privadas. “Quem fez isso antes? Ninguém fez. O meu filho hoje em dia é um universitário”, disse uma mãe em lágrimas, e como ela centenas de milhares de brasileiros estão vendo pela primeira vez um integrante da família freqüentar as salas do ensino superior.
O próprio Lula se encarrega de recordar a subversão histórica que foi a eleição de um operário-presidente, o primeiro civil a ocupar o Palácio do Planalto sem diploma universitário.
“A minha classe, vocês sabem, não estava escrito que era pra gente chegar à Presidência”, ele reiterou em comício em São Bernardo. “Vocês não sabem o que é o fardo de governar o país com uma parte pequena da elite preconceituosa, como a que temos no Brasil. Nós chegamos lá e tem gente que não nos perdoa, às vezes me provocando o tempo inteiro para ver se eu fico nervoso, se eu reajo”.
Foi a quinta campanha de Lula à Presidência. Somando os turnos de 1989 (dois), 1994 (um), 1998 (um), 2002 (dois) e 2006 (dois), uma parte considerável do eleitorado votou em Lula neste domingo pela oitava vez em 17 anos.

Adicionar comentário às 02:38 Vera Pinheiro

Porta entreaberta

Vera Pinheiro
Uma porta entreaberta não garante a despedida. Não acena com o adeus. Não encerra uma história que, apesar disso, não terá continuidade. Não dá certeza de que vai embora e não voltará. Quem parte e deixa a porta entreaberta alimenta-se dessa incerteza para manter o outro aprisionado ao bem-querer. A pessoa sai da nossa vida, deixa uma possibilidade atrás de si, no vão, na porta entreaberta, como se desejasse voltar um dia, mesmo que desde sempre saiba que não virá outra vez. Não raro, isso é apenas falta de coragem de dizer a verdade.
Saindo sem avisar, o outro pisa delicadamente para que não se perceba que vai embora. Mas pisoteia a nossa emoção, tardiamente alertada para um adeus que não chegou a ser dito. Resta-nos, desse jeito, um tipo doloroso de esperança: aquela que a gente sabe que não vai prosperar, mas ainda assim se agarra nela como que para não perder a vida. A gente fica só e descobre isso tarde demais, quando já esgotada de dor e ausência.
Por esses silêncios, que escondem o que as pessoas não dizem sob pretexto de não querer magoar - e que é só covardia -, prefiro caminhos escancarados, portas que batem e se fecham atrás de quem se vai. Do lado de dentro eu posso me dilacerar, mas não estarei enganada quanto a um sonho que vou, se eu quiser, acalentar sozinha.
A volta que é a vontade de um só nunca acontece e não é bastante para dois.

2 comentários Domingo, 29 de Outubro de 2006 às 09:11 Vera Pinheiro

Quem fica

Vera Pinheiro

“Passa, passará,
quem atrás ficará?
A porteira está aberta
Para quem quiser passar.
Passa um, passam dois, passam três…”

Passam as pessoas pela vida da gente, como nessa cantiga que me veio à lembrança. Também nós passamos pelas pessoas e me pergunto: o que elas nos deixam quando chegam a nós e quanto levam de nós quando se vão?
Há quem nos arraste junto quando parte. Há quem não deixe sequer lembrança. De outros não temos saudade. E há os inesquecíveis, perpétuos, eternos, definitivos. Esses se agrupam em dois pólos: a felicidade e a dor.
Os extremos da emoção, o desequilíbrio, a desestrutura, o balanço dos sentimentos remexem o que somos e têm um poder transformador. Isso pode ser bom, mas também pode ser devastador.
Vendaval, não brisa. Aguaceiro, não garoa. Há pessoas assim em nossas vidas. Elas mudam de algum modo a nossa paisagem interior e não ficamos incólumes depois que se vão. Essas pessoas se eternizam na nossa memória emocional.
Quem passou brandamente por nós não se cola no nosso coração. Vem e vai, e é como se nunca tivesse estado ali. Seria isso justo? Talvez não, mas é verdadeiro. Por isso, prefiro as extremidades, ainda que me recomendem o centro das emoções. Talvez isso seja uma vaidade sem medidas: a vontade de ser inesquecível, ainda que por uma razão mal-comportada, como a de ter revirado o coração de alguém. É o que gostaria de ter feito com pessoas que amei, mas não me amaram, para as quais hoje eu não sou sequer uma pálida lembrança. Apenas passei.

2 comentários Sábado, 28 de Outubro de 2006 às 10:41 Vera Pinheiro

Presente

Vera Pinheiro
Ontem vivi momentos de tempestade! Estou falando do clima mesmo, não de política. Chovia muito, muito mesmo, mas preferi enfrentar a chuva e buscar abrigo em casa. Não poderia prever por quanto tempo ficaria retida onde estava, se não empreendesse fuga, se não ousasse seguir, mas tomei cuidado com o meu caminho.
Para minha surpresa, o temporal não ia além da ponte Jk, a poucos quilômetros da Vice-Presidência da República, onde trabalho em Brasília.
Quando tomei a estrada rumo ao meu recanto, a chuva foi amenizando e alguns quilômetros depois o sol invadia a paisagem e, pela janela do carro, o meu olhar ficava extasiado! Já não chovia e não se tinham passado nem 15 minutos. Um pouco mais adiante, vi descortinar-se diante do meu caminho uma imagem que há muito tempo eu não via: um lindo arco-íris! Era tão colorido e belo, que segui devagar, para não perder aquela visão fantástica nem a atenção na estrada que eu seguia.
Pouco depois, o arco-íris passava sobre a minha casa e cortava o céu plúmbeo de um dia chuvoso, como um sinal de esperança. Era tão espetacular que eu chorei de emoção! Agradeci à Deusa por aquele momento e por me permitir estar aqui e agora. Meus olhos, revigorados e felizes com o que a divina criação abriu diante deles, vão guardar aquela visão por longo tempo, até que o arco-íris volte.
A lição que fica – sempre encontro uma – é que não posso temer as tempestades se logo adiante o sol brilha fulgurante e porque quem me cuida, com Seu divino poder, me presenteia na vida com a beleza do melhor que nela há.
Hoje, depois de mais uma noite de chuva farta, a manhã se abre com muita claridade, sol brilhando, temperatura amena. E percebo que há que se confiar na vida, pois há mesmo bonança depois da tempestade e dias felizes para se viver depois das angústias. Assim o ciclo da natureza, assim a existência.

Adicionar comentário Sexta, 27 de Outubro de 2006 às 07:19 Vera Pinheiro

Amor feliz

Vera Pinheiro
O amor deve ser feliz. Ou não será amor.
Eu já atravessei dores demais, por isso estou certa de que o amor não pode ser um sacrifício, um martírio, uma via crucis,
expiação de pecados ou qualquer outra coisa ruim.
Que o amor entre na minha vida para me fazer feliz
e que o meu amor leve felicidade a quem eu amo.
Se o amor fizer - a mim ou ao outro - infeliz, eu vou embora antes da despedida.
E vou tentar ser feliz sozinha. Até que outro amor venha.

1 comentário Quinta, 26 de Outubro de 2006 às 15:54 Vera Pinheiro

Troca de palavras

Vera Pinheiro
A tua palavra faz estrofes no meu corpo
e elas se tornam poesia na minha alma.
Eróticos ou sensuais serão tais versos?
São poéticas luvas
onde cabem os meus dedos,
que te tocam.
Eu já não sei te falo ou se te canto,
se estou poetando, se apenas escrevo.
Sei que me descrevo e que
ora a minha palavra é santa,
ora, como eu, é também devassa.
Tudo o que te falo o meu coração transpassa,
porém, só sei dizer que eu te gosto
para esconder de mim mesma
que eu te amo.

1 comentário às 13:44 Vera Pinheiro

Festival da Cultura Midiática

Vera Pinheiro
Recebi e agradeço o convite para participar, no dia 9 de novembro, do Festival da Cultura Midiática, promovido pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO, em parceria com a Psiu! Empresa Júnior de Comunicação Social, formada por acadêmicos de Comunicação Social da UNICENTRO.
O evento, realizado entres os dias 7 e 11 de novembro de 2006, em Guarapuava (PR), ofertará cursos, palestras e workshops a profissionais, estudantes e professores da área de Comunicação Social, bem como à comunidade em geral.
O propósito do Festival da Cultura Midiática é mostrar os caminhos que a Comunicação Social percorre, não só para informar e atualizar, mas para criar uma cultura de consumo.
Estima-se um público de 300 pessoas entre profissionais, estudantes, empresários e comunidade da Região Sul-Sudeste do país. Estarei lá!
A programação e outros detalhes do evento estão no seguinte site:
www.unicentro.br/psiu

Adicionar comentário Quarta, 25 de Outubro de 2006 às 16:44 Vera Pinheiro

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