Respostas
Vera Pinheiro
Poucas coisas eu realmente detesto. Quando era mais jovem, detestava mais coisas, pessoas e situações do que atualmente. À medida que ganhei idade, experiência e alguma sabedoria, fui simplesmente deixando de lado o que me aborrece, sem me dar ao trabalho de botar na lista o que não me agrada. Apenas abandono, deixo quieto. Entretanto, hoje tentei rever algumas coisas que sempre me chatearam e que ainda não tenho como resolvidas.
Sempre detestei perguntar e não ouvir resposta. Escrever e não receber nenhuma palavra de volta. Presentear e nunca saber se a pessoa gostou do presente.
A vida não é só teoria; é, fundamentalmente, prática. Foi assim que eu aprendi algumas lições do tipo quebra-bico. Amei (muito) um homem durante anos, enquanto esperava uma resposta que explicasse a sua partida. Um belo dia ele, finalmente, volta e fala! E me conta que vai se casar com outra. Detestei ter esperado tanto pelo retorno dele. E prometi nunca mais ficar refém de respostas que nunca vêm ou que são tardias.
Porque detesto que não me respondam, eu sempre escrevo de volta. Até mesmo se me pedirem que o faça por carta, não por e-mail, como a minha leitora Jô Feltrin. Escrevo todos os dias, respondo todas as mensagens que me enviam. Exceto se for spam, mensagem em massa. Mas se for uma linha dirigida a mim, eu respondo. Se demoro a responder, me desculpo.
Com anos de caminhada em relacionamentos, descobri que alguns homens não sabem receber presente. Surpresos, ficam constrangidos, não sabem o que fazer com isso. Certa vez, mandei um café da manhã para um amado meu, hoje distante no tempo da minha história. Ele simplesmente silenciou e eu, se não tivesse o comprovante da entrega, teria pedido satisfação da loja! Não fiz isso, claro. Estava segura de que ele havia recebido e, melhor, degustado o presente. Dei um tempo, e mais outro, até que um dia, conversa vai, conversa vem, perguntei sobre o presente. Ele disse que não sabia o que dizer. Confesso que fiquei decepcionada. Poderia ter dito apenas: obrigado.
Então, com o tempo, percebi que o meu aborrecimento se resume numa palavra: educação. A falta dela realmente me aborrece. Isso eu detesto! A falta de educação me incomoda. Só as pessoas mal-educadas não respondem, não retornam, não agradecem. Com essas nem vale a pena se incomodar: o melhor é deixar de lado. É o que faço. E sigo.
Adicionar comentário Segunda, 9 de Outubro de 2006 às 16:38 Vera Pinheiro