Arquivo de 17 de Outubro de 2006

Viver com amor

Vera Pinheiro
Sou meio lerdinha na estrada, do tipo que irrita motoristas ansiosos e velozes. Sigo no meu tranco sessentinha, 80 no máximo. Não atrapalho, mas também não vôo só porque tem um apressadinho atrás de mim. Carro é meio de transporte, mas não para o céu… Então, não ando enlouquecida, sigo o meu caminho na velocidade recomendada. Assim na estrada, assim na vida.
Quando a estrada está livre, posso apreciar a paisagem sem descuidar da direção. E ainda me cuido dos outros, claro. Desatentos e apressados sobram por aí e se não quero machucar ninguém, também não quero que ninguém me machuque. Nem o coração, aliás. Por isso eu cuido com carinho das minhas emoções e evito quem possa ser ameaça, em todos os sentidos. Já passei da fase dos enfrentamentos, agora eu apenas evito e, com isso, me economizo.
Hoje de manhã, quando eu ia para o serviço, um caminhão trafegava na minha frente. Preciso admitir que não gosto de andar atrás de ninguém. Corpo fechado, mas caminhos abertos. Depois de um trecho, havia um cruzamento e uma sinaleira (ou farol, ou semáforo). Eu me mantive atrás do caminhão até pararmos, meu carro atrás. Enquanto o sinal estava fechado, li uma frase no pára-choque do caminhão, que me chamou a atenção e ficou na minha cabeça: “Dirija com mais amor”. Logo pensei em emendar: “Viva com mais amor”.
Esse é o segredo do bem-estar: viver com amor. Fazer tudo com amor, embora sem fazer tudo por amor (que nem sempre justifica). Vivendo com amor, ficamos mais felizes. Agredimos menos, nos incomodamos menos, sofremos menos. Não entramos em confronto com os outros por coisas fúteis, não desafiamos as pessoas, não magoamos quem quer que seja, não falamos mal de ninguém. Não dizemos tantos não à própria vida e aos nossos assemelhados, sejam pessoas ou outros entes da natureza.
Viver com amor nos faz pessoas mais serenas, mais bonitas e mais felizes. Concentramo-nos no amor, na paz que é ter uma vida voltada para o amor. Não nos tornamos santos por isso, mas espargimos uma energia positiva em torno e tudo se transforma para o bem, para a luz, para a felicidade. A felicidade é viver com amor, mesmo que isso não seja sinônimo de ter um par. Podemos ter o universo, em vez de uma só pessoa. Podemos dar e receber amor da forma mais ampla, e isso não significa ter o coração colado no peito de outra pessoa, mas estar conectado com a energia amorosa que rege a vida.
Viver com amor é estar em sintonia com a nossa essência, que é lindamente amorosa, é deixar fluir os sentimentos bons, é estar conectado com a nossa porção divina, com o nosso melhor.
Vivamos, pois, com amor. E atentos aos recados que a vida traz. Às vezes, a vida escreve no pára-choque de um caminhão velho, mas que, estando na nossa frente, manda um recado ao nosso coração.
“Dirija (a sua vida) com mais amor”.
Eu captei a mensagem e a coloquei em prática, lembrando que a vida é para ser vivida com amor. Ou não faz sentido tudo o que se vive.

Adicionar comentário Terça, 17 de Outubro de 2006 às 16:50 Vera Pinheiro


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