Oração
Vera Pinheiro
Acordo cedo todos os dias, mas se acordar atrasada não altero a rotina de orar pela manhã. Se sair de casa sem orar, encomendo um dia sem equilíbrio entre o corpo, a mente e o espírito. Sinto necessidade daquele momento de conexão com o divino, logo que acordo. Faço isso com os pés descalços sobre a grama, às vezes ainda com a roupa de dormir. Saúdo as quatro direções, a minha deusa madrinha, a Grande Mãe. Dou bom dia ao meu anjo da guarda e saúdo os meus guardiões, me harmonizo, peço e agradeço. Eu me abençôo e abençôo todos os que são das minhas relações, pessoas e bichos. E declaro meu profundo amor pela vida.
É um rito simples, que não demora muito. Porém, nunca conto o tempo. Às vezes, demora mais; de outras, menos. Fico em oração pelo tempo que meu interior pedir. Mais ou menos como se alimentar. Não se come mais do que é preciso, nem se deve comer menos do que a necessidade do corpo. Assim também o alimento do espírito.
Fico mais serena, confiante e feliz depois que oro, pois me sinto mergulhada numa luz intensa, numa paz muito bonita. Dali em diante, nada me aborrece e estou pronta para o que der e vier, durante o dia. Ganho forças novas e coragem redobrada.
Tempos idos, eu não orava tanto nem com tanta dedicação e comprometimento. Um dia, descobri que precisava ter tempo para quem sempre está atento ao que preciso e me entrega as melhores energias. Preciso ter tempo para quem me cuida, protege, orienta, guia, inspira e anima. Preciso ter tempo para quem me ama muito! E foi assim que, numa rotina exaustiva, inseri esse momento de encontro com a porção divina que me assiste e, ao mesmo tempo, vive e é em mim. E sou muito mais feliz, desde então.
Adicionar comentário Quinta, 19 de Outubro de 2006 às 11:20 Vera Pinheiro