Vera Pinheiro
Sou sincera com os meus amigos. Por conta disso, as confissões que eles fizeram foram consentidas, não as confisquei. A amizade que tenho com eles vem de anos, vários anos. Foram entrevistas que me deram por confiar na amiga que sou e também na profissional de Jornalismo que eles conhecem bem. E por conhecê-los de tempos, sei quando mentem, enrolam, aumentam ou diminuem. E por não terem a identidade revelada, relaxaram e abriram o coração.
Um deles me contou como trai a mulher há séculos sem que ela nunca tenha descoberto. Excelente pessoa, um grande amigo, mas, a bem da verdade, é o típico “galinha” que nunca foi pego em flagrante. Ele me contou o que faz para se manter a salvo, coisa que eu queria muito saber, mas nunca tinha perguntado.
Outro amigo me contou por que gosta tanto de se casar! Se não perdi as contas, depois de muitos anos de amizade, ele deve estar lá pelo sexto casamento. Ele é o homem mais casadoiro que eu conheço! Ele não tem medo disso, mesmo depois de ter quebrado a cara várias vezes, de ter tantos relacionamentos estourados. Que nada! Mal fecha uma história e já está a caminho da próxima, apesar do pouco tempo de namoro. Quando o revejo, sempre pergunto com quem está casado. E ele casa! Muda-se de mala e cuia para a casa da amada ou a traz para morar com ele. É um homem que não gosta de apenas “ficar”, o negócio dele é… casar!
Contrário a esse, outro amigo meu morre de medo de casar de novo! Separou-se há muito tempo e outro dia me confessou ter deixado a enésima namorada, de quem, eu pensei, ele não escaparia. Pois escapou! Namorar, sim; casar, não – parece ser o lema dele.
Outro homem, também amigo meu, adota o estilo casado, mas em casas separadas. Tem uma relação estável de muitos anos, mas prefere morar na própria casa e a namorada, na dela. Há anos eles estão juntos e, para isso, ele tem lá os seus segredos.
Com a cumplicidade dos meus amigos - e são mesmo apenas amigos do coração! - vou contar algumas (poucas) coisas desse intrincado e, ao mesmo tempo, delicioso, universo masculino, que permitem saber mais a respeito de como funciona o coração de um homem. Sem juízo sobre o que me contaram, me detenho apenas aos fatos. Isso é calo da profissão de jornalista.
Não tenho a pretensão de alcançar dados estatísticos sobre o comportamento masculino. São apenas histórias, confissões. Ou um verdadeiro serviço de utilidade pública, quem sabe?
(Volto depois com o primeiro relato)
Quinta, 23 de Novembro de 2006 às 07:42
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Quando se quer aprender algo, se busca o conhecimento em livro próprio. Ou será que se aprende sobre a matéria lendo obra de conteúdo diverso? Precisando saber mais sobre um assunto, a gente procura a fonte. Matemática, por exemplo, era o meu pavor, mas quem gostava da disciplina sempre dizia: a gente gosta quando aprende e quando compreende fica tudo fácil. Seriam os homens diferentes disso? Parecem seres tão complicados (e nós, mulheres, na nossa complexidade humana, também), mas quando se sabe mais sobre eles o mistério está desvendado! E a gente gosta mais ainda deles!
Não falta quem critique as mulheres, especialmente as que vivem sozinhas, porque, quando saem, andam em bando. Até ao banheiro vão em dupla! Reúnem-se e falam por horas sobre os homens! Por que eles fazem isso e não aquilo? Por que são assim e não assado? Por que têm essa ou aquela mania? Por que nos deixam? Por que traem? Por que não querem relacionamentos estáveis quando a gente está a fim? Por que querem exercer o controle se a gente prefere a liberdade? Por que querem casar se a gente prefere cuidar da carreira? Por que não querem casar se a gente fez essa escolha? Por que são tão diferentes de nós? Não temos todas as respostas, por mais que questionemos as nossas cabeças lindas!
Em grupo, as mulheres debatem questões cruciais do relacionamento com os homens e nunca chegam a conclusões que fechem o assunto. A teoria de uma nem sempre funciona para outra. A experiência que uma teve não é bastante para todas, porque temos vidas e históricos amorosos diferentes. A dor, sim, é muito parecida. Dor de perda, de desamor, de traição, de fuga inesperada, de amor não-correspondido. Todas as dores das mulheres se parecem, e nós falamos muito sobre isso, trocando solidariedade, dando conforto se não temos soluções.
Apesar de todas as dores que alguns já me causaram, eu gosto muito dos homens. São excelentes amigos, para começar. E eu acredito na amizade entre pessoas de sexo diferente, sim. Já chorei dores de amor no ombro de bons amigos, que me fizeram compreender como funciona o coração masculino. Quando amigos, são sinceros, dizem a verdade, mesmo aquela que a gente preferia não ouvir. Explicam muito do universo masculino, quando a nossa compreensão está turva. Tiram dúvidas a respeito de como eles pensam, agem, reagem. Por essas e outras, gosto muito dos meus amigos e os tenho em boa quantidade.
Talvez porque vinda de um tempo em que o Jornalismo era exercido, na maioria, por homens, aprendi a confiar neles (embora também tenha derramado rios de pranto por conta de paixões e por acreditar demais em alguns que não mereciam, é verdade). Tive colegas maravilhosos, que estimularam o meu trabalho. Chefes que acreditaram em mim. Subalternos que me respeitaram. Professores que me ensinaram. Discípulos na profissão. Amigos, muitos amigos. Nas figuras do pai, do filho, de irmãos, do marido, dos colegas, do terapeuta, dos amores que deram certo, das paixões que feriram, da saudade que restou, homens sempre estiveram na minha caminhada e aprendi muito com eles, de modo especial a me conduzir no meio deles. Isso foi com eles que aprendi, não com as outras mulheres. Daí eu ter certeza de que para as mulheres os amigos (homens) são necessários, importantes. E porque, além do que possam trazer de bom ao convívio e ao aprendizado, é muito divertido ter amigos do sexo oposto ao nosso.
Com o coração lotado de perguntas sem resposta, indagações que não tinham fim, eu decidi ouvir os homens, saber com os meus amigos o que eles têm a dizer sobre relacionamentos. Os amigos são mestres maravilhosos na arte de ensinar sobre… homens, claro. Os próprios homens explicam melhor os seus segredos, por isso eu quis beber direto na fonte.
Vou iniciar a (breve) série “Confissões masculinas” neste blog. Meus amigos confiam que não vou identificar quem me contou o quê e, por isso, falam de coração aberto. A confiança, independente de sexo, é a base para se ter bons amigos. Conto a história, mas não vou perder o amigo. Até porque não quero perder a fonte.
às 07:37
Vera Pinheiro
…confissões masculinas!
Aguardem!
Beijos e carinhos para um feliz dia!
Vera Pinheiro
às 01:28
Vera Pinheiro