O gosto de estar junto Paz

Casas separadas

Domingo, 26 de Novembro de 2006 às 12:02 Vera Pinheiro  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1741

- Confissões masculinas –

Vera Pinheiro
Conheço um homem que tem uma relação estável de, sei lá, mais de 10 anos, e que vive com a mulher, mas em casas separadas. Ele, na dele; ela, na dela. Juntam-se nos fins de semana, fazem programas juntos, dormem na mesma cama. Já tentaram fazer diferente, mas não deu certo. Voltaram a namorar em casas separadas. Esse parece ser um detalhe importante: pessoas que moram em casas separadas namoram quando se reencontram. Ou não, caso de outro homem que conheço, que ficava mais tempo à frente do computador do que com a mulher. Acabou namorando outra pela internet e hoje está separado da mulher com quem vivia junto só aos sábados e domingos. Vive (com a outra) do jeito formal, que abominava antes.

O problema, diz um homem, é que “quando mora junto, complica, porque um pisa no espaço do outro”. Casa separada, no caso dele, é um respiradouro. Vive a parte boa apenas, quando está junto. Faz o que quer. Inclusive, ficar com outra(s) mulher(es). Comprometido, sim, a ponto de cuidar para que a namorada fixa, a parceira mais constante e antiga, não descubra, mas não a ponto de manter a exclusividade. Faz sexo com outras, mas mantém a aparência de namorado fiel. Não está casado, mas também não é livre. Se outra quer dar mais consistência à relação, ele pode cair fora, dizendo que não quer magoar a namorada antiga, tão boa pessoa. Sente-se à vontade para ficar com quem quiser sem dar satisfação a ninguém. Diz ser livre e jamais admite estar preso ao coração de alguém. Está e não está. Essa gangorra o mantém cativo à relação e à sua liberdade, ao mesmo tempo. Acha que o casamento como instituição “foi para o brejo faz tempo”. Não dá o nome de casamento à relação que tem. Apenas por questão de formalismo, coisa que detesta. Não admite, mas está casado. Acha que não apenas por viver em casas separadas. A casa, o espaço, o ambiente físico parecem determinar o seu compromisso com a mulher, mas, no fundo, ele sabe que não é isso.

Ter um relacionamento em casas separadas não o faz sentir-se casado, embora ele saiba que o vínculo se faz em outro patamar. Não faz um rol do que seja vantagem ou desvantagem, apenas vive a situação. Não fala em traição, pois para ele essa palavra (e tudo o que dela deriva) simplesmente não existe. Vive as suas vontades, tão-somente. E as tem: antigas, novas, renovadas. Que nenhuma mulher tente aprisioná-lo além de (poucas) horas de prazer. Ele tem outra, que serve de refúgio contra as que querem mais, o que ele não pode dar. Na verdade, ele se dará quando se apaixonar por outra, mais do que está apaixonado pela atual, a das casas separadas. Se amar mais, vai romper. Mas lhe agrada o conforto de não ser exigido. É apenas um homem a quem a mulher dele, sábia, faz pensar que é livre.

Publicação arquivada em: Coisas da vida

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4 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Ana Carolina  |  1 de Abril de 2008 às 18:04

    Oi Vera, tudo bom?

    A Marie Claire está procurando casais que moram em casas separadas. Será que esse casal que você conhece não gostaria de dar um depoimento?

    Bj.

  • 2. Vera Pinheiro  |  2 de Abril de 2008 às 08:34

    Oi, Ana Carolina, não sei se ele estaria disposto a dar um depoimento sobre o formato de seu casamento. Pelo que conheço desse meu amigo, ele é mais dado ao silêncio do que a compartilhar suas experiências. E, claro, vou preservar a minha fonte.

    Bom trabalho para ti. Vou ler a matéria com interesse.
    Um beijo,
    Vera Pinheiro

  • 3. katia Marchena  |  8 de Julho de 2009 às 15:55

    Vera, boa tarde, estamos fazendo um SBT Repórter a respeito do assunto. Vc poderia me passar o contato do seu amigo que moram em casas separadas mas mantém o relacionamento?
    Ou poderia passar nossos fones caso ele queora falar a respeito?
    (3687-3548 / 3926 )
    abs

  • 4. Vera Pinheiro  |  9 de Julho de 2009 às 00:36

    Querida Kátia, a resposta é a mesma que dei para Ana Carolina, da Marie Claire (acima). O meu amigo fez uma confissão baseada em nossa boa e velha amizade. E, atualmente, ele não mora mais em Brasília, onde consegui seu depoimento. Faz tempo que não falo com ele, mas deve estar feliz da vida e no mesmo estilo, vivendo o amor em casas separadas, uma fórmula que, ao menos para ele, deu certo, e que eu adotaria, se estivesse a fim de um relacionamento.
    Abraços e meu carinho.
    Vera Pinheiro

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