Arquivo de Fevereiro de 2007

O tempo de tudo

Vera Pinheiro
Tudo tem começo, meio e fim. Compreender e aceitar isso é muito rude! Dói! Nós mesmos passamos por esse processo, mas preferimos não pensar no assunto. As relações humanas também passam por esses caminhos. Amizades se perdem, amores se vão. O que realmente permanece? Depois de uma noite insone, tenho algumas respostas e questionamentos em maior número.

No silêncio da noite e no grito da alma, eu pensava no que dizem as pessoas e no que elas fazem, no quanto se importam conosco e com as nossas emoções. Veio à memória uma canção antiga, lá dos tempos da Jovem Guarda, reeditada recentemente por Adriana Calcanhoto, se não estou enganada. “De hoje em diante/ eu vou modificar o meu modo de vida”. Vale para as emoções em torno do amor, especialmente. A canção diz o que a gente deveria fazer: só gostar de quem gosta da gente. Mas, quem controla o coração a ponto de fazê-lo gostar desse jeito? Acho que só o gostar de si mesma mais do que se é capaz de amar alguém é que pode resolver. É devastador amar quem não nos ama! Machuca, faz calos, feridas no coração e, pior, lentamente apaga a capacidade de amar de novo, por medo.

Eu coleciono algumas situações que, não fossem lamentáveis, seriam risíveis. O homem que eu amava tanto um dia me dispensa por e-mail (coisa da modernidade, deve ser) e mais adiante volta para me confessar que está muito apaixonado por outra, referindo-se a ela como se dirigia a mim, com as mesmas palavras. Bem, isso pelo menos rendeu uma crônica que vai para o próximo livro. Chama-se “Adeus é para sempre”. Deve ser mesmo! Assim, não ficamos reféns das emoções alheias e dos solavancos dos seus sentimentos. Outro, com quem eu alinhava um namorico até interessante, pediu aquele maldito “tempo”. Eu devia ter dado a ele a eternidade, mas não fiz isso. Certo dia, telefonei e ele, laconicamente, respondeu: “estou namorando”. Tipo: não atrapalha, estou ocupado. Nunca mais liguei, claro. Quando ele voltou, não me encontrou mais. Com outro mantive uma boa história e tudo ia bem, até ele dizer na minha cara que estava completamente apaixonada por outra, com quem já namorava no curso do nosso, digamos, caso (mais que isso, não merece!). Esse rendeu a crônica “Eu dou sorte”. Afinal, eu me apaixono e eles seguem felizes… com outras! Mais um me envia a carta de amor que escreveu para outra, com direito a encerramento ao meu modo de despedir, quando escrevo. Ah, pode parar! Depois dessas e de outras, eu só gosto de quem gosta de mim. E gosto muito de mim para sofrer pelo amor que não querem me dar! Ou, simplesmente, não podem. A vida é muito mais do que sofrer por isso. Sigamos, pois, amando e sendo amadas, porque o amor de um não basta para dois. E bom mesmo é a troca, a partilha do mesmo sentimento.

(O mês de fevereiro acaba hoje. Que venha o próximo. Amor, também!)

1 comentário Quarta, 28 de Fevereiro de 2007 às 10:26 Vera Pinheiro

O meu Gui

Vera Pinheiro
Hoje estou totalmente mãe. Mas, quando não o sou? Quando estou no colo dos meus filhos, recebendo deles afago, afeto, amor, compreensão, ânimo, coragem. Quando choro nos braços deles, quando me sinto frágil, e, às vezes, sou.

Hoje estou totalmente mãe, eu dizia. Desde ontem, aliás, quando repasso na memória e no coração imagens do meu filho. Olho demoradamente a foto da minha barriga enorme, a espera dele, e me vejo ali em máxima beleza, toda ternura. Lembro de todas as fases, do nascimento ao hoje. Relembro o meu peito tomado de leite, rememoro o prazer de tê-lo amamentado por mais tempo do que precisava, só pelo aconchego. A maratona das fraldas, o susto dos banhos, a minha descoberta como mãe diante daquele ser grandioso, que, embora pequenininho, era maior do que eu.

Cobaia do meu aprendizado, o meu filho colaborava. Não chorava muito, dormia sossegado. Só me deu angústia quando, já crescido, atravessou correndo uma cerca de arame. Lembro da bola e do uniforme do Internacional que ganhou do pai – e se tornou gremista, depois. Do primeiro sapatinho, do meu esquecimento de uma meia dentro, apertando os dedinhos dele. Da creche em que o deixei e voltei minutos depois, chorando mais do que ele. Do primeiro dia de escola, da minha preocupação por largá-lo sozinho na primeira vez em que foi para a aula sem os meus cuidados. Do meu lanche exagerado, da vez em que um lanche estava estragado, da roupa que eu escolhia sem perguntar para ele. Do acompanhamento dos estudos, das lições que eu tomava depois do meu trabalho e da vez em que o treinei tanto num aprendizado que até a professora não gostou, porque eu peguei pesado, embora só quisesse dar-lhe uma boa lição. Lembrei dos amiguinhos dele, da vez em que briguei para que não fosse trapaceado. Da angústia de vê-lo em cima de um cavalo, embora o pai estivesse perto. Da primeira vez em que viajou sozinho, depois só com a irmã e quando foi para o exterior em aventura com amigos. Do sufoco de ver as fotos de um passeio no rio e de quando aprendeu a nadar com o pai dele.

Olhei as fotos dele com a minha barriga, a espera de Camila e, mais tarde, como até hoje, das brincadeiras dele com ela, dos risos e das rusgas, todas divertidas. Dos nossos Natais memoráveis e do esforço que ele faz até hoje para passar as festas de fim de ano conosco. Das coleções – de tudo! – que ele tinha e que ainda guardo comigo, algumas não só em lembrança, como os recortes do Batman, de quem também sou fã. Revistas em quadrinhos, canetas, super-heróis. E tenho ainda o long-play infantil de que ele gostava tanto e que não tenho coragem de jogar fora, assim como os cadernos com a letrinha infantil, os desenhos e os recados amorosos que ele escrevia, assinando com a minha filha nos meus aniversários. E do nosso “Dia da mentira”. O único dia em que eu perdôo mentira, até hoje, é no meu aniversário, quando meus filhos podem inventar desculpas para horário e para o uso do dinheiro, que dividimos sem achar que é pouco. Por bênçãos divinas, temos o necessário, mesmo que não sobre para sonhos maiores.

Tenho ainda as redações bem escritas, algumas provas de escola e a roupinha do batizado que guardo para, quem sabe, um neto. Ouço alguns dos meus gritos, vejo a minha cara zangada, risos amplos, lágrimas compartilhadas. Recordo o apoio dele quando mudamos de cidade e de estado, o quanto me ajudou a ter coragem para mudar o que fosse preciso e para fazer o que fosse necessário, sem medo das ousadias, apesar dos pés no chão. E me dói ainda a dor que ele sofreu quando morreu o pai. A dor que eu não pude consolar, porque era dele. O choro que eu queria ter evitado, mas não pude. E todas as lágrimas que ele tirou do meu rosto para colocar nele a alegria que sempre quis para mim. Lembro das confidências, da partilha do querer de cada um.

Vejo a cena de despedida quando foi morar em Campinas (SP) e, antes, a preocupação com o vestibular. Duas aprovações e uma escolha, a primeira moradia fora de casa, a bagunça inenarrável do quarto e a “República do Buraco”, onde morou com amigos. A namorada que também me conquistou, os planos de futuro e as angústias que isso gera. Lembro da saudade que sinto dele ainda e sempre, desde que, recém-passado dos 18 anos, mora longe de nós, assim como da única recomendação que lhe fiz, ao deixar a nossa casa: “Não faças nada que te prejudique ou que me preocupe. O resto está liberado”. E assim foi. Na memória e no coração seguem as tantas lembranças do meu GUI (ou TCHÊ ou MUSGO) – GUILHERME PINHEIRO POZZER, que ontem defendeu com brilho a sua tese de mestrado na prestigiosa Unicamp e dali saiu honrado com nota máxima e muitos elogios pela excelência do seu trabalho!

Como não estar totalmente mãe depois de uma vitória como essa para um homem em tenros 26 anos? Sinto muito orgulho do meu Gui, mas, mais do que isso, sinto uma imensa gratidão à vida por tê-lo comigo e por ter vindo de mim.

Não poderia falar de outra coisa neste blog, hoje. Não estive junto com ele para ver esse momento tão bonito de sua vida, mas estou com ele sempre, em todas as horas do dia. Fiquei no plantão da oração, entre velas e incensos, como mãe-bruxinha. E com o coração no dele, pulsando o mesmo desejo de vitória, que é dele, mas me faz muito, muito, muito feliz, do mesmo modo que faz feliz à Camila, irmã dele, que vibra em felicidade, na mesma emoção. Somos poucos nesta família, mas fortes na nossa união. Muito obrigada, Gui, por mais esta alegria que nos alcanças. Abençoado sejas! Abençoado és! Parabéns da mamaluz e da manamila.

Adicionar comentário Terça, 27 de Fevereiro de 2007 às 12:17 Vera Pinheiro

Encantada

Vera Pinheiro
Eu simplesmente me encanto com a vida! Cada dia para mim é uma bênção, um presente divino! Cada semana que começa renova o meu entusiasmo pela existência, por tudo que há! Claro que, às vezes, algumas dificuldades acontecem, alguns obstáculos surgem e preciso remodelar meus projetos, mas nada tira o meu amor pela vida. De tudo eu capto lições, todas as pessoas servem para o meu aprendizado, todos os acontecimentos têm um recado a me dar e eu aprendo com tudo e com todos. Sou uma pessoa enamorada pela vida! Sabes quando estamos amando? Tudo é belo e feliz, tudo ganha cores, significado, encanto! É assim que eu me sinto em relação à vida: apaixonada por ela.

Ontem, por exemplo, foi um dia de encantamento e de grande felicidade. Não, não houve outro acontecimento senão o próprio existir, que é grandioso. Durante o dia, apreciei a paisagem, admirei o vôo dos pássaros, o verde do gramado em contraste com o azul do céu e agradeci à chuvinha, que também apareceu, aqui com delicadeza. À tardinha, o céu estava coberto de nuvens cor-de-rosa, contrastando com outras em azul-bebê. Que espetáculo, que grande presente da natureza! Mais tarde, já noite, fiquei por um tempo olhando as estrelas, as Três-Marias, a lua especialmente bela. Ergui as mãos em extrema gratidão por ter olhos e coração para apreciar isso!

Estamos na última semana de fevereiro. O ano segue, a vida, também. Sigamos com alegria de viver, com gratidão e encanto por todos os dias! A vida é uma bênção! Abençoados somos. Que feliz é viver! Se achas que exagero, olha o entorno, a natureza, o céu e o próprio coração. O coração reflete a energia feliz. Quando o coração está feliz tudo o mais também está! Enamora-te pela vida e ela te recompensará com múltiplas alegrias! Quando estamos em harmonia com o todo a que pertencemos tudo flui na paz. E em paz podemos cultivar sentimentos bons e abrir espaço para a felicidade. Repara que a felicidade está onde há paz, alegria, bem-estar. Prepara o coração para recebê-la ou ela nunca vai estar nele, por mais que faças, por mais que tenhas.

Adicionar comentário Segunda, 26 de Fevereiro de 2007 às 10:35 Vera Pinheiro

Volta no tempo

Vera Pinheiro
Fim do horário de verão.

Uma hora a menos.
Uma volta no tempo.
Tempo voltando atrás.
A gente voltando no tempo.

O que eu faria se pudesse voltar no tempo?

Se eu pudesse alterar o relógio da vida, o que faria do tempo, da vida, o que faria de mim? Teria dito o que disse, feito o que fiz? Agido do mesmo modo, feito do mesmo jeito, seria diferente, tudo seria igual?
Se eu tivesse nas mãos o relógio do tempo e pudesse modificar as horas, marcaria os mesmos encontros, teria dedicado meu tempo a tudo com que me ocupei?
Se eu tivesse a vida nas mãos e pudesse mudar o tempo, faria muita coisa do mesmo jeito e agiria do mesmo modo. Outras eu faria diferente. E algumas eu não faria.

No livro “Parto de mim” fiz uma longa reflexão sobre esse assunto. É a crônica “Volta no tempo”, que começa com o trecho acima. Sempre que muda o horário eu a releio para rever os meus propósitos acerca do uso do meu tempo e renovo a vontade de fazer a vida do melhor jeito que posso. Por que releio? Porque escrevo o que sinto e o que vivo. Não é teoria, é vivência.

Hoje voltamos ao horário velho. Hora de pensar a vida e o tempo. Fazemos tantas coisas que não acrescentam felicidade, gastamos tanta vida com o que não importa, queixamo-nos tanto de que não temos tempo. Um dia nos damos conta de que a vida é o que fazemos dela e que a nossa felicidade depende disso. Então, passamos a fluir com mais leveza com o tempo, a percebê-lo melhor e a usá-lo a favor de nós.

Adicionar comentário Domingo, 25 de Fevereiro de 2007 às 08:32 Vera Pinheiro

Amigos (*)

Vera Pinheiro
Amigos pertencem à grande família universal de que todos fazemos parte e se unem a nós por laços do coração. Aos amigos só queremos o bem. A eles estamos atentos, deles cuidamos, por eles nós oramos, com eles trocamos idéias, confidências, compartilhamos a parte feliz e os trechos nem tão bons da vida sempre de mãos dadas, mesmo estando longe, pois distância não importa quando se trata de amizade.

Alguns amigos a gente conhece em momentos felizes e eles permanecem nas horas rudes se forem amigos de verdade. Há amigos circunstanciais, aqueles que a gente gosta de ter junto em determinadas ocasiões. São os que alegram qualquer festa, os que sempre são bem-vindos, embora saibamos pouco deles e eles saibam menos ainda de nós. São amigos divertidos que espalham alegria por onde andam. Gostamos deles mesmo que só entreguem parte do que são. Geralmente, ofertam um jeito alegre, mas sabemos que a vida não se resume a risos e que todos têm alguma coisa pela qual choram, ainda que escondido.

Há os amigos do trabalho, bons companheiros do cotidiano. São pessoas com as quais dividimos o tempo dedicado à profissão. Vivemos com eles mais do que com a família, se contarmos tão-somente as horas. Eles acompanham a nossa rotina de trabalho, sabem das limitações e do potencial que temos, torcem por nós e nos ajudam no que fazemos, mas não ultrapassam a porta da nossa casa. São amigos a quem convidamos para batizados, casamentos, festas oficiais, mas não privam da nossa intimidade, não sabem da nossa vida pessoal nem se à mesa servimos ovinho frito com arroz ou se nela há carne de primeira. Toda a ambientação dessa amizade é feita no trabalho, nada vai além disso, talvez por falta de chance.

Há amigos de religião, aqueles que têm a mesma fé e se unem por objetivos de crescimento espiritual, trocando ajuda para alcançar a tão necessária sabedoria. Com esses há identidade de espírito, porque as buscas são comuns, mas, o que for relativo a outros prazeres, poucos compartilham.

Há amigos com quem fazemos negócios, sociedades, parcerias. Unimo-nos por razões de grande confiança, aliás, essencial a boas amizades. Temos uma coexistência profissional que faz bem aos interesses. Às vezes, viram padrinhos, compadres, companheiros de viagens na extensão desse convívio que queremos aprofundar.

Há amigos que amamos tanto que confundimos amizade com amor. Não sabemos se os queremos só como amigos ou se podemos amá-los de outro jeito. Apenas sabemos que podemos chamá-los de amados, seja por causa do amor, seja pela condição da amizade. E há amores que se transformam em amigos. Fazem parte da nossa vida, ajudam a construir a nossa história e se instalam num nicho de eternidade. São pessoas que nunca passam, jamais vão embora, nunca dizem adeus. Nós as amamos, mas é amor em outro formato. Há a força do bem-querer, porém, isso é insuficiente para dividir o cotidiano. Há amores que são excelentes amigos, sem que isso baste, pois simplesmente não dão certo quando vivem na mesma casa, por isso é melhor que sejam amigos, nada mais.

Há amigos em constante espera de uma vaga no coração da gente para se tornarem amores. Muitas vezes, a tentativa dá bom resultado; de outras, o arrependimento vem. Nesse caso, melhor seria não ter deixado que a amizade quisesse evoluir para outro estágio, porque a convivência apenas mudou temporariamente de nome: quando voltou a ser amigo já não era como antes e a amizade perdeu o rumo.

Há amigos que a gente gera, são os filhos. Vieram de nós para as nossas vidas, cumprem seu papel e nós, o nosso. Há momentos em que são amigos mais do que os outros são, e nisso conta muito a intimidade. Mas há situações em que somente querem ser filhos e nós devemos estar na condição de pais, sem que a amizade nem o amor se prejudiquem; é apenas questão de ser o que cada um é nessa relação maior que todas.

Dentre todas as faces do amor, a amizade é uma delas e o expressa. Quantas vezes queremos amar alguém como se mais que amigo pudesse ser, mas não é? Quantos amores nós preferimos que não tivessem sido além de amigos? Quantas rupturas de laços nos fizeram perder amigos na confusão de sentimentos, nossos e alheios? Amor é amor; amigos, à parte? Nem sempre. O amor é cheio de possibilidades, a amizade também. Ambos são necessários ao equilíbrio das nossas emoções. Por isso, não devemos perder amigos em função do amor nem deixar de amar apenas porque gostamos do conforto de uma boa amizade.

(*) Crônica publicada neste fim de semana no jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS

Adicionar comentário Sábado, 24 de Fevereiro de 2007 às 07:22 Vera Pinheiro

Homenagem

Vera Pinheiro
A alegria do número de visitas a este blog me inspirou a próxima crônica, que publico neste fim de semana no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, lá no meu Rio Grande do Sul. Pensei no grande número de amigos que tenho e que moram no meu coração. Alguns são amigos ocasionais, de festas. Outros fiz em razão do trabalho. Um bom número de amigos eu conheci por meio da minha religião e há outros com quem tenho parcerias em projetos de vida. Há amigos que eu amo tanto que já confundi com amores e há amores que se transformaram em amigos. E há os meus filhos, amigos de toda hora. Tenho amigos mais do que especiais, a quem chamo de amigos, mas que são muito mais do que isso. E há quem eu preferia ter chamado de amigo em vez de ter chamado de amor.

Ao lembrar desse tanto de amigos quis homenagear todos os que me visitam no blog, os amigos que me lêem, me escrevem, falam palavras ternas e lotam o meu coração de felicidade pelo simples fato de que existem e estão na minha vida.

Enquanto isso, continuo pensando nos números que fazem parte da minha história. Há muitos números que fazem de mim uma mulher feliz. Números que guardo no coração e na memória dos meus sentidos. Viagens que fiz, beijos que dei, o muito que recebi de quem não é apenas um número, mas alguém que tem significado para mim. São fatos, momentos inesquecíveis, que não posso contar em números nem em palavras, apenas no sentimento, que é imensurável.

Adicionar comentário Sexta, 23 de Fevereiro de 2007 às 15:52 Vera Pinheiro

Números

Vera Pinheiro
Tenho 50 e um anos, dois filhos, quatro cãezinhos, dois gatos. Dois olhos, duas pernas, dois braços, duas mãos, uma boca, um nariz, duas orelhas, cinco dedos em cada mão, cinco dedinhos em cada um dos meus dois pés, uma cabeça, um tronco, um coração que pulsa e vibra quando está feliz. Uma mente ativa e um espírito antigo. Uma fé imensa! A minha rua tem um número, a minha casinha também. Tenho uma mãe no infinito e uma mãe que me deu passagem para este plano. Cinco irmãos e uma irmandade do ventre da Deusa que não tem número! Um pai do alto e outro da terra, ambos perto de uma alma, que também tenho. O meu CPF é um número, a minha RG também. Tenho um emprego, um livro publicado, muitos sonhos, alguns projetos, uma carreira que neste ano completará 33 anos e mais duas profissões. Datas inesquecíveis, números de sorte, uma história longa, uma vida que se faz todos os dias. E todos os dias têm o seu número. Hoje é dia 22 do segundo mês do ano de 2007, tudo números! Tive um marido, alguns amores cujo número não sei e um namorado. Tenho muitas histórias na cabeça, outras de que me lembro sem saudade, outro número de histórias que jamais quero esquecer e várias que eu relato nos meus escritos. Um número enorme de vivências, assim como de contatos profissionais, dos quais perdi a conta. E amigos, que, felizmente, não posso contar nos dedos porque em maior número. Tenho um site e um blog. Tenho muito mais do que posso contar, porque a vida me dá ou eu conquisto com uma determinação que não se conta! E tenho hoje – vivas! – mais de 8 mil visitas neste blog! Que maravilha! Não pude comemorar o número redondo porque, quando vi, de ontem para cá, já tinha passado longe.

Quem tem tanto como eu tenho precisa ser muito grata à vida! Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada! Que sejam multiplicadas as alegrias para as pessoas que, neste convívio, aumentam, dia após dia, o número de visitas neste blog e a grande felicidade do meu coração. Abençoados sejam todos! Voltem sempre. Este espaço é um pedaço do meu coração, que compartilho com vocês. Beijos, amor, paz e muita luz!

Adicionar comentário Quinta, 22 de Fevereiro de 2007 às 09:47 Vera Pinheiro


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