Arquivo de Março de 2007

Perdão (*)

Vera Pinheiro
E-mail: verapinheiro@verapinheiro.net

(*) Crônica publicada no jornal A Razão, de Santa Maria, RS, neste fim de semana.

Virtude difícil de alcançar é a capacidade de perdoar! Perdão que não seja da boca para fora, mas expresso pelo coração, mesmo que não seja verbalizado. Perdão que esvazia o peito dos ressentimentos e afasta as amarguras. Perdão que cura as feridas causadas por outra pessoa ou por acontecimentos que a vida traz. Perdão que alivia a vida e nela restitui a paz. Perdão que refaz o estado anterior à dor. Perdão que tranqüiliza a mente e serena a alma. Perdão que permite abrandar as reações e apaziguar as relações. Perdão que desfaz manchas de mágoas e cicatriza os sofrimentos.

“Perdôo, mas não esqueço!”. É possível perdoar sem tirar da memória o fato ou a pessoa que nos machucou? Acho que sim. Ao perdoar nós nos desvinculamos da tristeza, embora permaneça o registro do que vivemos. Somos capazes de lembrar sem desgosto, e depois de algum tempo, que é curador, tudo poderá ser apenas uma lembrança, nada mais. Isso é caminho para o esquecimento. O perdão depende muito do jeito como o dizemos. Prefiro inverter a frase: “não esqueço, mas perdôo”. Mudam o tom e a intenção, e não fica aquela impressão de que, na realidade, em vez de perdão é uma advertência.

O verdadeiro perdão não precisa ser dito. Ele deve ser vivido mesmo que o outro não saiba, porque, às vezes, o outro não quer mesmo saber se perdoamos ou não. Isso pode não importar para a outra pessoa, embora tenhamos marca profunda dela, como bicho que tem dono. Enquanto não perdoamos, somos prisioneiros de alguém ou de uma situação. Sem perdoar não nos libertamos.

O perdão é algo que se passa nos limites da nossa emoção, não importa se o outro sabe ou não que perdoamos. Quando, enfim, conseguimos perdoar, recuperamos a nossa identidade, já não pertencemos àquela pessoa ou à magoa que nos atingiu. Voltamos para nós mesmos, e isso traz enorme bem-estar. Não nos sentimos mais sob o domínio do outro, ele já não é capaz de nos atingir. Perdoando, somos livres para administrar nossas emoções e elas não dependem mais do que alguém faz ou deixa de fazer, mas, sim, de como vivenciamos as atitudes alheias. Quando perdoamos, saímos do estado de submissão ao outro, que não mais exerce poder sobre o que sentimos. O que a pessoa fez, e que mereceu o nosso perdão, perde importância.

A quem realmente conseguimos perdoar? Perdoamos aqueles que nos importam e os que não têm, absolutamente, nenhum significado para nós. O amor ajuda a perdoar, e perdoamos muito por causa dele. Relevamos em nome do amor, se é maior do que a dor que nós vivemos. E se a pessoa que nos feriu não nos importa, podemos perdoar, porque, simplesmente, não tem relevância na nossa vida a ponto de cultivarmos por ela qualquer sentimento, nem raiva, ódio, o que seja. Nós perdoamos quem amamos para desviar do ressentimento e para reconstituir e reforçar os laços que nos unem a essas pessoas. Com aquelas outras não há laços, elas não têm significado para nós. Por que não perdoar, jogar tudo no esquecimento se não há, sequer, razão para lembrar? Melhor perdoar e esquecer.

Como perdoar a quem nos prejudicou? Quando conseguimos perdoar uma pessoa que não amamos, mas com ela, de algum modo, temos vínculo, como nas relações profissionais? Perdoamos se conseguimos tornar impessoal o fato. Se ficar no campo das relações de trabalho, sem atacar os nossos sentimentos, será apenas fato a mais a se juntar com os vários acontecimentos dessa área cheia de turbulências e inseguranças.

Quando conseguimos perdoar sem esforço? Quando estamos felizes de novo. O perdão flui quando conseguimos restaurar o nosso estado de felicidade, quando recuperamos o que tínhamos antes, mesmo que não seja igual ao que perdemos, e que até pode ser melhor. Quando temos de volta nas nossas mãos o que nos foi tirado, nós perdoamos a quem nos tirou, ainda que não seja essa a pessoa a trazer de volta o que era nosso. Seja um emprego, um bem material ou um grande amor. Nós perdoamos quando sentimos que a vida nos devolveu o que estava perdido. É uma sensação de justiça, ainda que tardia e por outro caminho.

Daí a importância da felicidade, que é a melhor de todas as vinganças, senão a única. A felicidade nos mostra que vale a pena perdoar não só os outros, mas a nós também. Afinal, se não nos perdoamos, jamais saberemos como faz bem o perdão que se dá a outrem, ainda que em silêncio.

Adicionar comentário Sábado, 31 de Março de 2007 às 11:36 Vera Pinheiro

A próxima

Vera Pinheiro
Tu consegues perdoar? Isso para ti é fácil, difícil ou impossível? Tu perdoas, mas não esqueces? A minha próxima crônica, a ser publicada neste final de semana no jornal A Razão (Santa Maria, RS), será sobre o perdão. Amanhã o meu escrito estará aqui, com a bênção da Grande Mãe, que me restitui, fortalece e me perdoa. Quanto aos outros, me perdoem no que eu precisar e me amem apesar disso.

Adicionar comentário Sexta, 30 de Março de 2007 às 16:36 Vera Pinheiro

De volta

Vera Pinheiro
Ufa! A semana chega ao seu final. Estou quase sem fôlego! Que semana! Vou caprichar nas preces para restaurar a paz! E depois vou dormir por horas, porque estou cansada! Aconteceu de tudo um pouco nesses dias! Agora me digam: do que os meus gatos me livraram? Tadinhos. Um morreu, o outro quase furou o olho e o terceiro passou mal ontem. Deusa Bast, toma conta!

Com o Poder da Grande Mãe eu me abençôo!

Beijos para todos os que me visitam.
Ei, já são quase 10 mil! Que lindo! Muito obrigada! Na paz!

Adicionar comentário às 16:29 Vera Pinheiro

Gatos

Vera Pinheiro
O céu de Brasília está completamente azul hoje! Nenhuma nuvem! Lembrei de uma visão maravilhosa, no início da noite do último sábado. Perto da lua, uma belíssima nuvem de coração. Um coração feito de nuvem! Chamei algumas pessoas que estavam no mesmo local para ver aquele presente da natureza e alguém comentou que eu devia contemplar em vez de chamar outras pessoas. Pensei, então: eu prefiro compartilhar o que é belo. Acho que faz mais sentido para a minha vida. Quero sempre compartir minhas emoções, por isso escrevo. Já estou nos últimos retoques do meu livro, que faço nos intervalos do trabalho e dos cuidados da família e dos bichos. Acho que, finalmente, aprendi a administrar melhor o meu tempo e posso fazer outras coisas além de trabalhar. Bem, já não era sem tempo, depois de mais de três décadas!

Às vezes, o trabalho exige mais; de outras, os filhos. Ultimamente, os gatos têm me exigido atenção mais do que o comum. Falo dos animais, claro. Primeiro, a morte do Tutty. Nesta semana, Happy (o gato preto) feriu a córnea. Não imagino, e o veterinário também não, como isso ocorreu. Como não sabemos a causa, tratamos das conseqüências. Para os humanos isso não basta, é preciso saber onde e como tudo começa quando se trata de feridas da alma.

Por estar sob medicação, o gato precisa ficar dentro de casa. Hoje de manhã, para que ele tomasse ar puro e um pouco de sol, coloquei nele uma coleira dos cães, uma daquelas guias que permite deslocamento e o levei para o quintal, onde eu tomava café e podia observá-lo. O gato não gostou da idéia, ficou inquieto. Não é da natureza dos felinos andar de coleira, embora eu tenha visto, outro dia, na televisão, um gato bem adestrado nisso. Os meus, não. São livres para os passeios e para os retornos à casa. Respeito a natureza deles, mas precisei aprender a dominar a angústia, o medo de que eles não voltassem. Assim também com as pessoas que vão e voltam, permanecendo comigo se quiserem.

Cada vez mais, respeito também a minha natureza, e mais a conheço. Por conhecê-la, mais respeito. Não sou dada a coleiras, exatamente como meu gato. Sou livre para ir, vir e ficar onde e com quem me dá prazer. Algumas vezes, me sujeito, claro, tal como Happy, porque preciso. Mas espero a hora de me libertar. Enquanto isso, cultivo a paciência.

Curioso como os meus gatos têm sofrido por esses dias. Dizem que é bom ter animais em casa, gatos, especialmente, porque eles captam qualquer energia negativa que assombre o lugar. O meu Happy é um gato sagrado. Preto, me dá muita sorte. Que ele fique bem. E todos também! Renovadas sejam as energias positivas e felizes em torno e dentro de nós. Que seja assim!

Adicionar comentário Quarta, 28 de Março de 2007 às 09:56 Vera Pinheiro

Suavidade

Vera Pinheiro
Tudo o que está no nosso caminho carrega uma lição e nos ensina. Precisamos estar atentos e receptivos às mensagens que o universo envia. Coisas simples, que estão na nossa rotina, podem ter muito significado. Quebra-molas, por exemplo. Se passarmos em alta velocidade por eles o carro vai sofrer um solavanco e, talvez, danos. Isso acontece quando andamos distraídos, não olhamos por onde trafegamos e não observamos o que está no nosso caminho. Atentos à sinalização (e aos sinais da vida), veremos os quebra-molas (e os estorvos) e podemos passar suavemente sobre eles, sem sustos nem sacudidas bruscas.

E o que são quebra-molas? São obstáculos colocados sobre as ruas ou estradas para obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade dos veículos. Não parece a definição de algumas dificuldades que enfrentamos? Alguns problemas nos ensinam a baixar o ritmo, a andar mais devagar, a diminuir a velocidade com que andamos pela vida. Com isso aprendemos um pouco mais da suavidade necessária à vida.

Quantas situações nos fariam esbravejar, pular, gritar, chorar? Depois de tantos “quebra-molas” que a vida coloca no caminho, um dia aprendemos a suavidade. E passamos por muitas coisas e pessoas sem solavancos. Com delicada suavidade.

Adicionar comentário Terça, 27 de Março de 2007 às 09:14 Vera Pinheiro

Retratos (*)

Vera Pinheiro
E-mail: verapinheiro@verapinheiro.net
Aniversário é um acontecimento! Muitos detestam. Eu adoro! Às vezes, perto do meu dia, ganho cisma de não festejar, mas sempre me rendo aos encantos da data. Reverencio o passado, festejo o presente e aceno para alegrias futuras, que, espero, venham fartas como a festa de Amynthas da Macedônia, um mineiro da cepa, que tem nome de rei e o coração lotado de amigos. Ele fez uma festa enorme ao completar 70 anos, daquelas comemorações com direito a reunir todos os parentes, até os que só comparecem em velório e casamento.

Aliás, não sei por que algumas pessoas apreciam serem vistas nessas duas ocasiões, que – nem pensar! – em nada se parecem. Às vezes, em velórios, as pessoas estão lá apenas para marcar ponto com os vivos, nem tanto para homenagear o falecido. Em casamento, na cerimônia comprida e, não raro, interessante só para os noivos, muitas pessoas estão ali de corpo presente, mas o pensamento está na festa. Por isso, eu acho aniversário mais bonito. Não tem aquele peso de adeus eterno – ou seria “até a vista”? – nem torna a gente cúmplice da escolha que dois fizeram – e sabe-se lá se vai dar certo!

Além de festa de aniversário, eu adoro formatura! Podem convidar que eu vou! Não acho discurso chato, não me importo com oratória vaga, sequer me aborreço com a demora ou com as cenas repetidas da entrega de canudos sem nada dentro. Gosto de estar ali porque formatura é o fim de uma caminhada e o início de outra. E ninguém se arrepende de ter estudado, eu acho. De ter casado, sim, isso acontece.

Dos aniversários a melhor parte está nas fotos! Ah, como eu gosto de retrato! Coisa que veio da minha mãe, que seria boa repórter-fotográfica, tivesse desenvolvido a arte e o ofício. Mamita tinha uma máquina fotográfica parecida, no tamanho e no formato, com a caixa preta de um avião. Daquela geringonça, que ela segurava com as mãos próximas do umbigo, perpetuaram-se momentos que para mim são inesquecíveis e que, graças a ela, estão em fotos. Quando volto à casa de Mamita, o melhor presente, depois de vê-la, é levar meu coração a passear com os meus olhos nos retratos.

Tenho muitas fotos, que recolho por onde passo, se forem minhas ou de meus afetos. Vez por outra, olho tudo de novo e me detenho a avaliar como a vida passa. As imagens formam um painel e me lembra o que fizeram para o mineiro Amynthas da Macedônia. Toda a família abriu o arsenal particular de fotos para contribuir com o painel bonito, feito em homenagem ao aniversário dele. Uma parede de memória! Um quadro enorme emoldurava a trajetória de uma vida larga de sorrisos. Fotos de quando ele era pequenino, passando pela meninice, no tempo da juventude, a época da formatura até a idade madura. Era um modo de homenagear a vida!

Quitutes prontos, convidados de outras cidades chegando com malas e histórias, presentes se acumulando sobre a mesa. Traje novo, banho caprichado, barba feita como no dia do casamento, um espetáculo! Faltavam poucas horas e pequenos detalhes para a festa de 70 anos começar. Um olhar no ambiente, mais uma ajeitadinha na toalha, uma torcidinha no bolo para ficar bem alinhado, de modo a não prejudicar a visão das fotos, que deviam ser privilegiadas.

Quase tudo pronto para a festa, aquele painel – ainda vou ter um! – era o mimo da decoração. Foi a parte mais trabalhosa e bem-cuidada. Era uma colagem minuciosa da trajetória de uma pessoa muito querida da família toda, e olha que ser unanimidade em família é uma raridade! Parentes adoram movimentos de selecionar pessoas, do tipo ama ou odeia. Quase próximas do rodapé, imagens das primeiras fases dele, enquanto outras tantas subiam a parede na medida da evolução do tempo. À altura dos olhos de uma pessoa com estatura mediana, a bela fase de um homem hoje situado na “melhor idade”. Amynthas era um homem esculpido pela generosa mão da natureza, quando jovem, por isso, a família caprichou na seleção de lindos retratos dessa época.

Um bombeiro-eletricista apreciava tudo com atenção, enquanto aguardava o pagamento do serviço. Ele já não tinha o que fazer ali, mas esperava por Amynthas, que chegou aprumado como um guri que vai ao encontro da primeira namorada. Com indisfarçável orgulho daquela performance de recém-formado e o peito inflado de alegria pela festa dos seus 70 anos, aproximou-se do homem que olhava o seu painel recém-composto. O eletricista, homem simples e com aquela sinceridade sem qualquer rédea, virou-se para o aniversariante com um olhar que comparava a imagem de agora com o ontem e sacou a pergunta, apontando para o retrato da formatura:
- É o senhor o homem deste retrato?
- Sim! - responde Amynthas envaidecido com o antevisto e esperado elogio, ao que retruca, sem desvios, o outro:
- O quê que a vida não apronta com a gente, hein?

(*) Crônica publicada em 24/3/2007 no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, RS.

Adicionar comentário Segunda, 26 de Março de 2007 às 09:54 Vera Pinheiro

Ausência

Vera Pinheiro
Não que eu tenha a pretensão de que alguém possa sentir muito a minha ausência, ainda que breve. Aviso por afeto. Ausências não-explicadas, silenciosas, magoam pessoas e eu não quero isso. Nem gosto que façam comigo.

Vou fazer um pit stop no fim de semana, mas volto já. Beijos, então. E até segunda!

Adicionar comentário Sexta, 23 de Março de 2007 às 19:31 Vera Pinheiro

Momentos

Vera Pinheiro
Adoro fotografia! Se eu pudesse, viveria com uma câmera na mão para capturar imagens e momentos bons, que são tantos. A minha foto mais antiga data de 47 anos atrás. Eu tinha 4 aninhos e era cheia de cachinhos loiros, um amor! Inacreditável: o meu álbum aqui no blog tem 437 fotos (isso mesmo!) e não tem essa fotinho antiga, que coisa! Deve estar na pilha que separei (há dias!) para escanear, sem tempo para fazê-lo.

A minha foto mais recente é com o gatinho Tutty, feita sábado último. Pois é, foi-se o gato, ficaram as fotos, que ainda não baixei da máquina. Por essas e outras, adoro fotos! E sou exibida mesmo! De tempos para cá, com o advento da máquina digital, confiro se estou bem no retrato. Se não gostei, deleto! Fotos em papel, se me acho (muito) feia, rasgo sem piedade! Lembrei agora que, quando era mocinha, odiava quando diziam que eu era fotogênica. Eu queria ser bonita, ora!

Bem, não rasguei todas as fotos feias. Algumas têm função educativa, como as da minha adolescência. Essas não estão no blog! Reservei para mostrar à minha filha como eu era feia! Seria útil para ela, caso um dia não se achasse bela. “Olhai, filha, o que eu era! Te conforma!”, eu diria. Mas o recurso não foi necessário. Para mim, serve de estímulo. Se entrar em baixa auto-estima, posso olhar a foto e pensar: “Bota fé, olhai quanto melhoraste!”. Mas também não precisei. Ainda. Só fico com saudade de mim, em alguns momentos, e de algumas pessoas. Aliás, tenho fotos que não olho, mas também não apago. E tenho fotos que eu olho quase todos os dias…

Os meus momentos felizes rendem fotos. Então, pelo tanto de fotos, tenho tido muitos momentos felizes. Isso é maravilhoso! Quando esqueço disso, olho os álbuns e agradeço!

Na crônica do próximo domingo (em A Razão, de Santa Maria/RS e neste blog), falo desse gosto por retratos e conto uma história engraçada, vivida por um amigo meu, que tem o sugestivo nome de Amynthas da Macedônia. É caso para rir e pensar. Aliás, ele está no meu álbum, em “Amigos e eu” e a legenda é “Os irmãos…”. A foto vai casar com o texto, eu acho!

Adicionar comentário às 12:24 Vera Pinheiro

Paciência

Vera Pinheiro
Muito do que acontece na vida parece que está ali para colocar à prova a nossa paciência, virtude das mais difíceis. Ser paciente é alcançar aquele estado de alma sem queixumes, é passar pelos acontecimentos sem se aborrecer, é submeter-se aos fatos sem se chatear. É resignação confiante, conformidade elástica.

Se fôssemos mais pacientes viveríamos mais sossegados, mas a ansiedade nos visita com freqüência, e às vezes divide conosco a moradia. Temos angústia para resolver problemas, pressa por soluções. Somos impacientes com a saudade e sofremos com ela. O trânsito requer paciência, mas ela escapa. Computador, ah, quanta paciência com ele! Colegas exigem paciência, quando não a testam. O amor da nossa vida merece paciência. Com a família precisamos de muita paciência por conta desse mesmo amor que, aliás, é paciente.

Até na diversão precisamos ser pacientes, ou não ouviremos a música por inteiro, não esperaremos o último ato da peça de teatro, não assistiremos o noticiário até o final e abandonaremos o jornal antes de conseguirmos saber tudo o que interessa. Ler um livro (e escrever um), assistir a uma novela, trabalhar, comer, fazer amor, tudo requer paciência! E o que é paciente geralmente é delicioso e, melhor ainda, não tem estresse!

A paciência é uma arte para ser aprendida e exercitada no dia a dia. E é um gesto de humildade por entendermos que não somos donos do tempo nem de todas as situações. Algumas são independentes da nossa vontade e ocorrem à nossa revelia. Paciência, pois, com elas. Paciência conosco, com os outros e com a vida.

Adicionar comentário Quinta, 22 de Março de 2007 às 10:40 Vera Pinheiro

Água de beber

Vera Pinheiro
Hoje é o Dia Mundial da Água. Não gosto de escrever sobre datas. Na realidade, gosto do que é espontâneo, do que não se faz por encomenda e do que foge a dias marcados. E gosto de pensar sempre sobre o que interessa.

Nesse dia, vou me rever. Quero saber como está o meu comportamento em relação à água, se cumpro o respeito que devo a ela e como me relaciono com esse elemento da natureza.

Vou pensar se tenho desperdiçado água, se tenho feito uso racional dela, se a bebo com gratidão, se contribuo com a poluição ou se ajudo a combatê-la, e sobre o que posso fazer para que esse recurso natural não se extinga. Sobretudo, o que posso fazer pela água de que tanto preciso e que me é tão preciosa? É muito lindo tudo o que se diz num dia como esse, oportunas são as denúncias de agressão à natureza, mas é preciso que cada um faça a sua parte. Aliás, os seres humanos querem ações grandiosas sem lembrar de que o pouco de cada um faz o todo.

Fechar torneiras que pingam, lavar a louça com a torneira fechada e só abrir no momento de enxaguar, não jogar óleo na pia da cozinha, ocupar menos material plástico, usar o tempo apenas necessário no chuveiro, sem exageros, não desperdiçar água são atitudes corriqueiras, fáceis, que podem ser incorporadas no nosso cotidiano. Façamos, cada um, a nossa parte. O mundo agradece. A natureza vai ficar feliz! E ainda haverá água de beber!

Adicionar comentário às 10:37 Vera Pinheiro

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