Retomadas
Vera Pinheiro
Desde ontem ouço Maria Bethânia. Gosto muito dela, mas fazia tempo que não ouvia suas músicas no caminho entre a casa e o trabalho. É só um exemplo, mas ouvir Bethânia me fez lembrar de retomar alguns prazeres esquecidos. Vamos deixando de lado até esquecer que eles existem. Nós nos embrenhamos em afazeres e quase não temos tempo para algumas coisas de que gostamos muito. E a vida se torna um CD do qual gostamos muito, mas está guardado. As músicas estão lá, mas não ouvimos. Retomar antigos prazeres não é mergulhar no passado, onde estão guardadas algumas lembranças muito boas. É apenas recordar e não deixar esquecido. Retomar é fazer de novo para recuperar o prazer que algo nos trazia.
Quanto coisa que eu amava fazer não faço mais… Não deixei de gostar. Apenas não pude continuar, por alguma razão. E quase esqueci que era tão bom.
Sempre que vejo alguém indo ou vindo de uma academia, ou fazendo caminhada matinal, enquanto vou para o serviço, me pergunto se um dia poderei fazer isso, ter esse tempo livre para ocupar exclusivamente com meus prazeres. Não faria academia pela manhã, porque meu corpo é lerdo nesse turno. Gosto de academia à noite e sem ficar elétrica. Pelo contrário, o exercício físico me relaxa e coloca o corpo no mesmo ritmo da mente. Afinal, trabalho o dia todo, mas, na maior parte do tempo, sentada na frente de um computador. E não estou sozinha nisso. Vida sendentária faz mal. Mas, o que estamos fazendo contra isso?
Por falta de tempo para tantos prazeres que gostaria de retomar, cada vez penso com mais carinho na aposentadoria. Eu saberia o que fazer com o tempo. Só não sei se, como a maioria, precisaria trabalhar. É aquilo de sempre: ou se tem dinheiro e não tem tempo, ou se tem tempo e não tem dinheiro. Que coisa…
Por isso eu canto. Fiz o início da minha manhã cantando a plenos pulmões com Maria Bethânia. “É minha lei, é minha questão, pisar esse mundo, mudar esse chão…”
Ah, sei lá se a letra é bem assim. Eu não decoro. Aprendo.
Adicionar comentário Terça, 22 de Maio de 2007 às 10:41 Vera Pinheiro