Arquivo de Junho de 2007
Vera Pinheiro
Bia, minha linda menina,
Hoje é teu aniversário. Quantos anos fazes? Não importa. Daqui a muitos anos, tu continuarás fazendo aniversário e não contarás a idade mais do que somarás experiências ao longo do tempo, esse corcel alado que nos conduz à maturidade, onde estou. Não te detenhas a contar os anos, eles passam. Guarda os aprendizados, eles são eternos.
Nada tem mais significado do que aprender, menina. É preciso aprender a viver, a sorrir, a querer, a se permitir, a se superar, a ousar, a ser. Nada mais instigante e belo do que ser mulher. Isso inclui admirar o que carregamos no coração desde outras vidas, imemoriais, até as nossas complexidades e inquietudes.
Hoje deixas de ser bebê e te tornas menina, e depois serás adolescente, entrarás na idade adulta, passarás para outras fases da existência. Tu és um processo de crescimento, nem sempre fácil, mas não necessariamente rude. A vida não é rude, é bela, embora não seja fácil, amada Bia. Teus pais sabem disso e um dia te contarão por inteiro o que isso significa. Não tentes saber tudo antes da hora do conhecimento. As urgências, minha querida, têm amargurado demais as pessoas. Elas querem em excesso e com rapidez o que está do lado de fora de si mesmas, mas é do lado de dentro que acontece a parte feliz e consistente do universo. Algumas demoram quase uma vida para aprender isso e outras nem chegam a descobrir.
Aprende a aprender: com ânsia de conhecimento, mas sem te antecipares ao ritmo do tempo. Respeita teu próprio ritmo e exercita a paciência com todos, especialmente contigo. Os adultos são muito impacientes, por isso mantém a tua alma de criança, que desconhece a angústia da pressa.
Não tenhas pressa, Bia. Segue os teus dias como se morasses à beira de um rio. Entre silêncios e pausas, conhecerás a voz do teu coração. Não deixes que a correria do cotidiano te faça esquecer dos momentos de aconchego interior. O coração fala, e geralmente está certo. Ouve-o sempre e terás sabedoria. Não esqueças de ti mesma, por mais que entregues de ti aos outros. Descobre o valor da tua própria vida e procura saber dos teus sonhos, que projetos tens e quem são os teus afetos verdadeiros. Reconhece os que te amam, pratica a gratidão, e ama as pessoas e a natureza.
Amar é um verbo para conjugar todos os dias, minha menina. Ama os teus pais sempre e, antes deles, o Poder Divino, que te concebeu. És filha humana de Leandro e Tatiana, mas vieste da graça de um Ser Superior. Não percas isso de vista, especialmente em momentos de dúvida, que acontecem para todos nós.
Ama o teu corpo e zela pelo teu ventre sagrado, origem de toda força que tiveres. Ama tudo o que fizeres e nada será difícil ou inexeqüível. Ama cada dia que amanhece e a noite que vem depois dele. Ama os bichos, a mãe terra, as árvores, as plantas e o que não podes ver, e confia que tudo à tua volta existe para te fazer bem, mesmo que não compreendas.Que sorrias mais do que possas te queixar.
Sê compreensiva com todos os acontecimentos e pessoas que cruzarem o teu caminho. Tudo vai te acrescentar, nada é em vão. Faze o bem em todas as oportunidades. Não esperes recompensa, mas cultiva a certeza de que ela virá em resposta às tuas atitudes. Tudo o que fizeres ficará no livro dos teus dias, portanto, cuida das tuas ações e escolhas, porque elas definirão a tua vida. Que tu tenhas humildade para saber que não podes mudar o mundo, mas consciência de que ele pode ser muito melhor a partir de ti.
Beijos e bênçãos da tiavó
Verinha
Sábado, 30 de Junho de 2007 às 03:14
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Sábado é uma delícia! É dia de entrar na boa rotina do fim de semana. É madrugada. Para mim é rotina mudar a rotina e vir ao blog no silêncio da noite. Ela parece tão cúmplice dos meus desejos… A crônica da semana - “Rotina” - já está postada. Olha aí acima, no espaço próprio, e pensa na tua rotina, especialmente no estado de satisfação da tua vida.
Escrevo hoje para Beatriz de Andrade Oliveira, minha sobrinha-neta. Bia é absolutamente linda! Filha de Leandro e Tatiana, filha da minha irmã mais velha, Edith (minha comadre duas vezes) e de Geraldo. Bia mora em São Paulo e no meu coração.
Essa coisa de ser tia-avó mexe com o ser humano! Sensibiliza, emociona. A gente vê crescendo as gerações que nos sucedem e ganha consciência de que o tempo passa. O que escrevi para Bia é atemporal. Um dia ela lerá por si mesma o meu escrito feito com amor e poderá entender o que disse a ela.
Tenham todos um lindo sábado, com amor no coração. Tudo o mais se fará. Se estiverem com alguma nuvem diante dos olhos, olhem para uma criança. A eperança renasce na hora! Beijos!
às 03:13
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Quando chego, depois de um dia de trabalho, sempre fico um pouco com meus bichos, antes de entrar em casa. Ao entrar, largo a bolsa, a pasta e o que tiver recolhido do carro no mesmo lugar. Tiro os sapatos ainda à porta e cumpro uma espécie de ritual. Faço quase sempre as mesmas coisas, quase do mesmo jeito e quase na mesma ordem. Isso faz parte da minha rotina noturna. Tudo o que faço incorporou-se às minhas noites, como vestir, nesse tempo frio, o mesmo casaco preto de lã, quando chego e ao levantar, na hora em que alimento os animais. Dou folga a ele apenas para uma lavagem rápida. Vestir o meu velho casaco preto de lã também faz parte da minha rotina. Talvez outro, melhor e mais bonito, não me daria o aconchego que esse, antigo, um pouco feio e já gasto, me dá.
Acordo geralmente no mesmo horário, porque os bichos são pontuais. A natureza é pontual e me põe fora da cama todos os dias à mesma hora, não importa se é domingo ou dia de semana. No fim de semana, faço coisas diferentes, mas ainda assim já viraram coisas de rotina. Tenho afazeres cumpridos aos sábados e outros que são dos meus domingos.
Eu me sinto confortável na minha rotina. Trabalho de segunda a sexta, e isso não tem rotina. Quando saio de casa, não sei se terei um dia calmo ou se será enlouquecido. Não saber como será a rotina do dia já faz parte da minha rotina. Não ter rotina, portanto, faz parte da rotina, e não é de hoje. Sei apenas de algumas coisas da semana, como mandar, às quintas-feiras, a crônica para o jornal da minha cidade, levar e buscar a filha diariamente, voltarmos juntas para casa (se isso estiver na rotina dela), escrever para o meu blog, responder todos os dias mensagens que recebo. Passar no supermercado não tem rotina, vou quando posso ou quando estou por me submeter a comer arroz com ovo por falta de abastecimento. Ou se estiver na iminência de faltar pasta de dente, papel higiênico, café e açúcar, o que denuncia abandono total da minha despensa.
Minha conexão com a Deusa é de manhã, isso virou rotina. Minha deusa-madrinha este ano (Amaterasu Omi Kami) é solar, deve ser por isso. Faço a mesma prece diariamente. Durmo do mesmo lado da cama, não importa se estou sozinha ou acompanhada. E não saio de casa sem deixar tudo arrumado. Antes de sair, faço um agrado aos meus bichos, abençôo o lugar em que moro e faço preces quando estou no carro. Tudo isso é rotina de todos os dias, semanas, meses, e há de ser por anos, porque gosto e me faz bem.
Quando saio da rotina, ela me faz falta. É como se eu estivesse de visita na minha própria vida. Sinto-me em falta comigo mesma. Estou acostumada a esse conforto que a minha rotina me dá.
Eu me questiono sobre o assunto e escrevo sobre ele, pois é rotina escrever sobre o que sinto, o que vivo e o que faz parte dos meus dias.
É rotina ir à cantina do meu trabalho. Como a mesma coisa de que gosto muito. Nem preciso pedir, o atendente já sabe, antecipadamente, a minha preferência. Novidade é quando peço outra coisa, mas isso é raro. Sempre passo os olhos nas revistas, enquanto espero os meus quitutes. Abro qualquer revista feminina e lá está: “evite a rotina no casamento, mil maneiras de sair da rotina, como acabar com a rotina nas suas relações”.
Pois eu acho que rotina é bom, até mesmo a rotina de não ter rotina. Vejo a rotina como necessária ao bem-estar. E discordo de quem diz que a rotina sinaliza o fim de um casamento. Na crônica desta semana, lanço novo olhar sobre um tema batido, a rotina. Ela é boa e pode ser muito bem aproveitada. A mim ela é essencial.
Amanhã, sábado, confiram a crônica da semana – “Rotina” – e entendam por que digo que rotina é um bom lugar para se ficar de vez em sempre, basta que estejamos bem e satisfeitos.
Sexta, 29 de Junho de 2007 às 00:54
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Virou a madrugada. Agora vou silenciar um pouco. Preciso ficar a sós comigo durante as horas que ainda faltam para a noite terminar. Escolho palavras como se colhesse flores delicadas.
Há algum tempo, tenho exercitado esses momentos de estar comigo mesma em busca da quietude que, embora pareça paradoxal, contraditório, é o que impulsiona os meus múltiplos movimentos. A solidão também é necessária, tanto quanto o convívio com os outros e deve fazer parte de nossa vida, de algum modo. Solidão é um momento de perceber-se e descobrir-se. Mais: de constatar que gosta de si mesmo, sendo do jeito que é. Isso é aceitação e amor.
Ser o que se é e gostar disso é realmente fantástico. Mas às vezes nos falta generosidade, compreensão com os nossos limites, com as nossas deficiências e dificuldades. Temos, por vezes, mais solidariedade com os outros do que conosco. Estar de bem com o que somos, assumir o que somos e como somos, a despeito de qualquer padrão que nos queiram enquadrar ou impor, é um desafio, sim. Mas é o único jeito e conviver com a única pessoa que está conosco sempre: nós mesmos.
Quarta, 27 de Junho de 2007 às 23:47
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
De onde tirar forças para a tal volta por cima, uma exigência cotidiana? De dentro de nós. Há uma força que pode ser alcançada e que está ao nosso dispor, basta buscar. É como uma reserva de energia que podemos acionar quando precisamos. Podemos chamar isso de fé ou de coragem, mas é, sobretudo, vontade de viver e de ser feliz.
Não me escondo do que sinto. Olho para dentro de mim e me exponho de coração aberto, sem medo de que os outros vejam as minhas fragilidades porque elas me fortalecem. Toda vez que me supero, eu avanço. Conto o que sinto, o que vejo, compartindo sentimentos, sensações, emoções que, acredito, se parecem com o que outras pessoas vivem e sentem. Conto o lado que muitos escondem. E não dou conselhos, eu vivo!
Vivo cada palavra que escrevo, experimento cada momento que relato, por isso às vezes dói, e dói muito! Mas preciso viver e cumprir o destino de felicidade, não ficando pendurada a vontades que não se realizam porque não estão no meu universo, mas no do outro.
Apenas quando encaramos uma situação e a vemos por inteiro é que começamos a resolvê-la. Enquanto insistimos no próprio engano, não resolvemos dores, frustrações, amarguras. Admito, é preciso ter coragem para encarar a realidade, porque a ilusão é mais confortável, não nos mobiliza para mudanças necessárias e trabalhosas.
Quando em dor, mais sou generosa comigo. A generosidade faz ver as nossas virtudes e o merecimento que temos à felicidade. Reconheço a mania de pesquisar defeitos em nós, num processo de autodestruição muitas vezes montado a partir do juízo alheio e da importância que damos a ele.
Gosto muito do meu espelho mágico! Olhar-me nele com amor, compreensão e carinho faz uma enorme diferença. Às vezes, o meu espelho mostra uma mulher sofrida. É quando me ponho no colo e me trato com respeito, com admiração pelas minhas conquistas árduas. Às vezes, me sinto feia. É quando busco a minha luz interior para brilhar e ficar mais bonita diante de mim mesma. Houve momentos em que já me achei um nada! Foi quando fiz para mim um relato carinhoso de todas as minhas vitórias e das minhas melhores virtudes.
Diante do espelho vejo uma mulher em crescimento todos os dias. Por isso me saúdo, me dou bom dia e falo para mim mesma palavras de grande afeto. É um exercício positivo. Quando falamos conosco, as palavras reverberam no coração e influenciam as nossas atitudes.
A voz interior é como uma pessoa que está 24 horas ao nosso lado. Não podemos deixá-la falar bobagens, temos de contê-la se ela quiser nos colocar para baixo. Devemos incentivá-la a ser positiva, generosa, gentil conosco e mudar o discurso sempre que ele não nos favorece ou prejudica.
A voz interior positiva nos mostra que somos alguém. Como se faz isso? Sabendo que se é alguém! E que se é única, reconhecendo o ser humano grandioso que se é, criado por uma gentileza divina num momento de grande inspiração. Que feliz sermos pessoas em construção! Podemos retocar com carinho o que o Poder Divino colocou em nossas mãos: a nossa vida! Somos, pois, co-autores dessa obra fantástica. Façamos bem a nossa parte.
Não há bem mais precioso do que a vida. A nenhum ser humano devemos dar o poder de modificar o nosso destino. Apenas nós podemos isso. E Poder Divino, claro. Quem nos aprisiona num sentimento rude não merece uma noite sem sono! E, para dizer o mínimo, dormir bem faz bem à pele. Por isso, devemos dormir em paz, acordar felizes para a vida e logo olhar no espelho, ao acordar. Diante do espelho está a pessoa maravilhosa que se é. Vamos dar bom dia a ela e dizer: tu és poderosa, tu és corajosa, tu és um sucesso. Tu és!
às 00:56
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Uma coisa difícil na vida é compartilhar intimidade. Banheiro e computador fazem parte desse universo secreto, íntimo e indevassável. Conversava isso com minha filha hoje de manhã. Estou feliz porque, finalmente, ela retorna ao seu próprio (novíssimo) computador e deixa de usar o meu, mais guarnecido que minhas calcinhas.
Outro dia deu uma pane geral, houve uma revolta das máquinas em casa! O meu micro se recuperou mais rápido e ela passou a fazer os trabalhos da faculdade nele, noites afora. Não me importa dormir com luz acesa, sendo preciso. Sou boa de cama, deito e durmo como santa, sem dívidas nem pecado. Mas me incomoda ceder meu pouco tempo em casa e ela não gosta de usar o meu computador por saber que ele é necessário ao meu trabalho e tem lá meus arquivos, histórias, vivências e alguns segredos. Não me preocupo com isso. Ela não abre nenhum arquivo por respeito e porque sabe tudo de mim, não precisa se empenhar para descobrir coisa alguma, eu mesma conto. Do mesmo modo, também não abro os arquivos dela. Sequer tenho curiosidade. Se for importante, sei que me conta. O respeito é fundamental para manter a relação saudável. Vale para todos. Respeito, aliás, é bom e eu gosto. E meu espaço, como o dela, está incluído nisso.
O mais, dou, empresto, troco. Não me importa dividir com a filha, é bom. Não sou (muito) egoísta. Só não usamos os mesmos produtos para os cabelos, porque são muito diferentes. Às vezes, sapatos dela passeiam nos meus pés e minhas sandálias vão à festa com ela. Minha filha não gostava de maquiagem, quando mais jovem. Aos poucos, começou a invadir as minhas sacolinhas. Quando eu precisava daquela sombra, onde estava? Com ela! E o meu batom? Na mochila dela! E aquele blush? Cadê? Pois é. Então, teve o dia de ajeitar isso. Hoje, cada uma tem seu próprio kit-beleza. Tive paciência, acho. Até que ela pegasse gosto, deixava que usasse o que era meu. Depois, ela mesma quis ter suas coisas. Ainda agora compramos “a meio”. Blusões, por exemplo, que não usamos com freqüência nem por muito tempo. Compramos “em sociedade”, mas geralmente ficam no armário dela. Se preciso de um, pego. É nosso!
Algumas amigas quase escalpelam as filhas que usam as suas coisas. Sinceramente? Não me importo. Não temos o mesmo gosto, mas muitas vezes encaixa. Empresto e também peço. Qual o problema disso? Somos duas mulheres que vivem juntas, na mesma casa, mãe e filha. Que bom compartilhar. Menos computador e banheiro, claro. Apesar da nossa boa convivência, se ela invade o meu espelho quando estou me arrumando, reclamo. Por que não usa o dela? Porque a gente aproveita o tempo para bater papo. Aí, não dá para reclamar, é para curtir.
Terça, 26 de Junho de 2007 às 11:05
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
A propósito da minha crônica do fim de semana, em que falo da “Força criadora”, minha grande amiga Ceura Fernandes questiona a ordem que coloco na crônica: “quero, posso, ouso, faço”. Como filósofa, ela tem dúvidas quanto à ordem dessas palavras e colocaria, segundo me diz, o pensar na frente do querer. “Tu tens que pensar antes pra ver o que realmente tu queres. Depois, sim, ousadia e ação”. Refleti sobre isso e concluí duas coisas: primeiro, que nós duas temos razão ao definir o pensamento de maneiras diferentes. É questão de ponto de vista. Segundo, concluí e reafirmo que para mim a ordem é aquela mesma. Explico. Quando se permite ouvir a voz do querer, dá-se vazão à alma, não ao raciocínio. O processo mental segue-se depois do querer e o elabora para descobrir os elementos da ousadia, que impulsiona, e da ação, que realiza.
Se primeiro quero, o que se manifesta é a intuição, que aflora sem contenções. Quero o que sinto que me fará bem, depois eu penso se posso obtê-lo e como. Após, flui a busca de instrumentos para realizar o querer, a busca dos meios - e então preciso (e devo) pensar. Ousar é tomar coragem para realizar o que quero e sobre o que já pensei a respeito. Só então faço.
Se me detenho apenas no pensar, posso buscar o que me é conveniente, mas nem sempre é o que quero. Querer é impulso do coração, vem das emoções. Pensar se realiza na mente, não tem sentimento. Querer vem da voz interior sem freios; pensar se trabalha, se condiciona e se ajusta às condições. Pensar se produz a partir da análise das possibilidades concretas, enquanto o querer desconhece se há o limite (do que é possível), e o desdenha. Quer e pronto. O passo seguinte, o pensar, é que diz se pode ou se não pode e como fazer para tornar viável o querer. O querer independe de possibilidades. Essa tarefa de avaliação quem executa é o pensar.
“Penso, logo, existo”? Quero, logo, estou viva! O querer faz a gente se iluminar de ânimo, não importa se vamos alcançar, pois a alegria que advém do querer é preexistente à realização. Pensar tem alguma inquietude, porque avalia os prós e contras.
Querer tem jeito de criança em tenra idade. Pensar é adulto. Querer tem o frescor do desejo; pensar tem compromisso com respostas e soluções. Quero porque quero, simplesmente. Pensar me exige reflexões em torno do tema, do problema, do querer.
Isso é como montar a cavalo. Se quero cavalgar, me antecipo o prazer de ter cabelos ao vento e horizontes. Depois, penso se há cavalos, arreios, lugar aonde ir, tempo bom e espaço na vida para fazer isso. Se tiver todas essas condições, ótimo. Elaboro como fazer, e talvez até enfrente chuva e frio para cavalgar, superando dificuldades, ousando montar até, quem sabe, um cavalo brabo. Então, faço a cavalgada.
Se, entretanto, nada disso puder ser feito (por não ter cavalos, arreios nem tempo), não deixo de querer a cavalgada. Querer isso continua incólume em mim, apesar das impossibilidades momentâneas. Então, adio o desejo de cavalgar (o querer) até que encontre condições para isso. E continuo querendo, a despeito das dificuldades que o pensar apontou. Por isso, quero antes de pensar.
O querer vem das entranhas da vontade, das minhas necessidades essenciais. O pensar me diz se posso, me dá condições e me autoriza. Depois, ouso levar adiante a liberação do pensar, já que ele se esgota na missão de procurar os meios. A ousadia é que me leva adiante (afinal, posso querer, ter condições e não seguir, se não ousar o passo seguinte). Então, faço! E me delicio por tudo ter começado com o meu querer. Parece complicado? Não é. A vida é simples, o querer também é.
às 00:30
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Ufa, eis o fim do dia! A semana começou animada, a ponto de só agora, virando para a terça-feira, conseguir vir ao blog. Não gosto de começar o dia agitada, como hoje (ontem). Parece que isso determina o jeito do restante das horas. E assim foi, de fato. A segunda-feira parece determinar o tranco da semana.
Além disso, não gosto de ver noticiário de manhã, tem anos! Se o mundo acabar, prefiro saber quando estou já no serviço; em casa, não. Mas isso mudou, de uns dias para cá. Fiquei com lágrimas nos olhos, vendo as notícias dos jovens que agrediram uma doméstica, o depoimento dela e do pai, a falta de segurança nas escolas públicas e a depredação da USP, causada pelos universitários. Gente, o que é isso? O que há com os jovens? O pai da moça tem razão, é culpa dos pais permissivos demais. E digo que é falta de dificuldade pra essa moçada. Se tivessem alguma dificuldade na vida não se dariam a agressões estúpidas. Que coisa mais triste!
O dia acabou e estou esgotada em plena segunda-feira! Tive um dia cheio! Amanhã (hoje) haverá de ser um dia melhor. Que seja assim!
às 00:29
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
A ponta do guardanapo em ângulo perfeito com o canto da mesinha, o pote de cotonetes absolutamente alinhado com o de algodão dentro do armário do banheiro, o tapete bem direitinho sobre o piso cerâmico, um enfeite num traçado bem medido com o outro, a toalha dobrada com esmero. Tudo já estava arrumado, mas as minhas mãos nervosas ajeitam tudo e enxergo desarrumação onde não existe. Passeio entre um cômodo e outro, tentando ver se algo está fora de lugar. Algo está fora de lugar, mas não é na casa, é no coração, senhor das minhas emoções.
Quando o desarranjo é interior e a gente não consegue resolver isso, transfere para o mundo exterior, tentando consertar. Vejo isso em mim. Se estou tensa, enquanto não soluciono a causa, arrumo meus armários. Uma transferência que não resolve, mas, de algum modo, me acalmo, fazendo isso. Só fico atenta para não tornar esse mecanismo de escape uma mania insuportável.
Geralmente, o processo começa sem percepção consciente. Quando percebo, estou varrendo a casa de novo, tirando uma minúscula sujeirinha do tapete – que só meus olhos enxergar, ajeitando a toalha, arrumando as roupas, e corrigindo em milímetros os enfeites da casa.
Será por isso que algumas mulheres têm mania de limpeza? O que sei é que a grande arrumação que se deve fazer é a do coração, das emoções, para se ter paz, serenidade e equilíbrio. O que está do lado de fora reflete esse estado do ser. E como nós agimos também.
Domingo, 24 de Junho de 2007 às 10:05
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Botas são acessórios de primeira necessidade no inverno, mesmo num clima ameno como o de Brasília. Um par deles na estação é suficiente, desde que seja uma espécie de curinga para se adaptar a momentos diferentes na agenda da mulher. Economizar com bom gosto é um exercício de inteligência, daí a importância de comprar um bom produto sem pagar muito e poder usá-lo com criatividade e elegância.
Na nova estação, optei por um modelo de saltos baixos para privilegiar o conforto. Escolhi a cor marrom, que vai bem com roupas de tons sóbrios, fica bonito com jeans e, numa versão mais descontraída, pode ser usada com roupas de cores variadas sem chamar muita atenção para os pés. Para mim, o que está acima deles é sempre mais importante. O charme de um calçado é ser visto sem ser chamativo, pois é complemento da roupa, um coadjuvante da beleza feminina.
Uso minhas botas com saia, compondo um visual discreto, mas com personalidade. A saia não é tão comprida que esconda os pés, senão desvaloriza esse acessório tão fundamental ao traje de inverno. Um spencer e uma blusinha por baixo e estou pronta para um dia de trabalho. Sóbria, porém moderna.
Com a mesma bota, vou ao cinema. Um jeans básico, uma camiseta ou uma camisa de algodão, um blusão por cima (ou um blazer) e a certeza de ter os pés em dia com a moda sem prejudicar o conforto e sem abrir mão da elegância.
Para receber amigos em casa, à beira de um fondue e vinho de boa índole, boto as botas de novo! Os saltos baixos me deixam à vontade, mas adoro salto alto, que não precisa estar exatamente no solado do calçado, mas na postura. Ereta sem ser rígida. Elegante sem ser afetada. Simples sem ser desleixada. Mulher. Ou, no inverno, gata de botas!
às 00:20
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Será só no meu computador que não dá para visualizar de cara os espaços de assuntos no meu blog, sendo necessário procurar o que está abaixo de “Início”, “Vera Pinheiro” e “Recado dos leitores”? Curioso, não era assim… Quando chegava aqui dava para ver tudo; agora, não. Preciso passar o cursor e procurar, por exemplo, “Crônica da semana”, Minhas fotos”, “Conversa íntima” e “Fale comigo”. Preciso procurar para ler. Mais ou menos como outras coisas boas da vida (ah, a modéstia só serve para fazer pose…humildade é que é “massa”, como dizem os jovens). A gente precisa procurar, ter olhos para ver. Nem tudo está escancarado diante de nós. Portanto, passa o cursor para ler a minha crônica semanal… e abre os olhos para ver o que há de bom na vida.
Sábado, 23 de Junho de 2007 às 23:46
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Quando pensamos de um jeito torto as coisas dão errado! Se deixarmos o pessimismo se abater sobre nossa vida, tudo ficará mais difícil. Não é falácia, é coisa comprovada. É verdade que, às vezes, tudo em torno empurra a gente pra baixo, mas é preciso vigor de espírito e controle mental para não se deixar abater. É preciso desviar o pensamento negativo e sobre ele exercer vigilância para que não se instale em nós. Ora, se a situação já está difícil por que se deixar arrasar pelo desânimo? Só vai piorar. Ao contrário, se elevarmos o pensamento, fortalecermos a fé e acreditarmos nas soluções, em vez de focar a atenção apenas no problema, a situação se resolverá mais rapidamente.
Eu acredito no poder da mente e na força criadora das palavras. E sou consciente de que usamos mal as palavras no nosso cotidiano. Falamos sem pensar nem pesar o que dizemos. Se estivéssemos mais atentos às palavras que proferimos, não nos aproximaríamos tanto do que não traz bem para as nossas vidas, não entraríamos em contato com forças negativas. E não falaríamos tantos “não”. Diríamos mais “sim” à vida.
A palavra é muito abençoada e, de fato, cura. Conforta, anima, demonstra sentimentos, emoções, sensações. Nem sempre podemos traduzir em palavras o que vivenciamos e então é hora do silêncio. Mas o silêncio também faz parte do mundo das palavras. Ora choramos, ora sorrimos, se não há palavras. É uando nos expressamos em gestos.
O corpo fala, sabemos. A vida fala. Por que falamos errado, então? Por que não usamos as palavras para tocar o coração dos outros? Por que calamos quando devíamos falar? Por que expressamos o que não sentimos e, no avesso disso, não dizemos o que sentimos? Tantas vezes por medo. Dos outros e da avaliação impiedosa que possam fazer. De nós mesmos, porque as palavras nos expressam, e tantas vezes não queremos nos revelar. E porque ouvimos palavras vazias, sem sentido, mentirosas, que nos fizeram descrer das palavras. E assim foi quando nos declararam amor que não sentiam, emoções que não vivenciaram, falseando a realidade e gerando expectativas que não se concretizaram.
Então, culpamos as palavras, e as calamos. Calamos diante dos outros, e o coração grita no peito. Até que soltamos a voz para dizer a verdade em que acreditamos e nos libertamos desse jugo. As palavras fazem a gente voar e alcançar os outros, onde quer que estejam, e vemos que não há distância nem ausência se o coração fala.
A voz interior nos fala e são palavras divinas em nós. As mãos falam por meio da escrita. As palavras fluem da mente, mas são guiadas pelo coração. Quando escrevemos amorosamente, a boa energia vem pelos dedos e as nossas mãos se enchem de luz.
Abençoadas sejam as palavras. Curada seja a vida pelo poder das nossas palavras e pelo amor que há em cada coração.
(A crônica da semana - “Força criadora” - aí acima e no jornal gaúcho A Razão - fala um pouco disso. Compartilho esse meu jeito de tocar a vida e fazê-la positiva, leve e feliz!!! )
às 09:05
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Não sei se escrevo de mim ou para mim. Sei que compartilho, verbo do qual descobri os encantos. Enquanto a noite vai, penso o que sou e o que quero, e encontro poder na minha vontade. Ela me alcançou o que quis e mais não tive por não querer de um jeito firme, quando a minha vontade perdeu forças para as circunstâncias e fui menor do que elas. O querer tem força criadora, ele nutre a coragem e faz a gente fazer o que é possível e mais um tanto de esforço para tornar real e concreto o desejo que surge na mente, se aninha no coração e se transforma em ação. Talvez isso seja auto-ajuda: eu me ajudo com forças para realizar os sonhos que tenho. Não torçam nariz, é fato: o querer tem poder, tem “força criadora”, título da minha crônica do próximo final de semana, que estará aqui no blog e no jornal A Razão, da minha cidade, Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Não há que se duvidar disso, há que se experimentar para comprovar.
Sexta, 22 de Junho de 2007 às 00:28
Vera Pinheiro
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