Arquivo de Setembro de 2007
Vera Pinheiro
Já me perguntei - aqui no blog, inclusive - por que alguém levanta às 5h30min num domingo? “Porque não tem marido”, respondeu uma pessoa. Não deixei de dar razão, embora a resposta tenha sido em tom de brincadeira e vinda de uma amiga, que me contava as agruras e os prazeres de sua vida de casada. De fato, não tendo marido, deito e durmo a noite toda sem que alguém me acorde por ter puxado as cobertas, por ter invadido meu espaço na cama ou por desejo de sexo em plena madrugada. Mas há as noites em que o sono é entrecortado de lembranças, saudade, questionamentos e vontades.
Não tivesse a vida dado muitas voltas, hoje eu comemoraria 29 anos de casamento. Era 30 de setembro de 1978 quando me casei. Católica à época, entrei às 19h na igreja, conduzida por dois irmãos, Valter e Alcides, com vestido de noiva (e uma cauda imensa!) assinado por Thadeu Fioravante, estilista de renome na minha cidade, já falecido, e, à minha frente, vestida em cor-de-rosa, minha sobrinha e afilhada Carla Cristina, dama de honra, carregando as alianças. Nereu, o noivo, que morreu em 1998, naquela ocasião estava em traje de gala, com gravata-borboleta e tudo o mais.
A cerimônia foi concelebrada por três padres, tinha 20 pares de testemunhas e muitos, muitos, muitos convidados. Faltava uma pessoa naquela cerimônia e um dos padres lembrou disso, quando falava aos noivos. “Teu pai, Verinha, não está entre os convidados, mas está presente aqui…”, disse ele. As luzes da igreja se apagaram e a cerimônia foi interrompida por alguns minutos. Quando as luzes se acenderam novamente, eu estava em pranto! Meu pai, certamente, estava na igreja Nossa Senhora de Fátima, e comigo, naquele instante.
Durante a festa, o comentário era sobre quanto tinha sido emocionante aquele “efeito provocado” quando o padre falou da ausência do meu pai. Mas não era “efeito” algum, não havia sido provocado e aconteceu sem qualquer planejamento. Não era a primeira manifestação do espírito do meu pai em momentos importantes da minha vida.
Hoje é um dia de relembranças, mas saudemos a vida! A vida se faz a cada momento.
Domingo, 30 de Setembro de 2007 às 06:28
Vera Pinheiro
O AMOR INCOMUM
Vera Pinheiro
Quantas noites atravessei sonhando de olhos abertos com um amor incomum, daqueles de contos de fadas! Eu, vestida em traje esvoaçante, com o coração tomado de leveza e doçura, sorriso terno, olhinhos batendo pestanas, esperando um homem gentil, belo, romântico, encantador! Queria um príncipe que me despertasse para o maior dos sentimentos, que me amasse tanto quanto eu o amaria, e que o amor atravessasse os tempos, durasse a eternidade e me fizesse conhecer o que significa “para sempre”. Floresta, cavalos brancos, muita fantasia no universo de uma mulher nem tão bela, tampouco adormecida para a realidade, mas era eu, esperando o amor, sonhando com ele desde menina.
Então, veio a adolescência e o primeiro namorado, não tão jovem quanto o príncipe dos meus sonhos, mas de alma boa, como até hoje. Um dia, partiu para viver a sua vida, que não me incluía. Veio o casamento com outro, também diferente daquela imagem dos meus sonhos, com quem compartilhei a opção e a felicidade de gerar vidas, e isso fez dele o homem mais importante para mim. Outros vieram, muitos se foram, e lá no fundo da alma, ainda a mesma vontade de encontrar um homem incomum, raro, com ares principescos, para enfeitar o meu mundo e alegrar o meu coração sonhador.
Passeando pela maturidade, certo dia, adentrei naquela floresta da minha imaginação e revi todos os encontros que tive, e todos os desencontros e desencantos também reencontrei na memória. Se estivesse ainda a espera do tal ser encantado, nada teria conhecido do amor e pouco teria sabido sobre mim mesma e das expectativas dos outros. Estaria menos bela e, por certo, dormindo profundamente, depois de tão prolongada e inútil espera.
Vi a menina que, na infância, acreditava em contos de fadas. Lembrei da minha única incursão no teatro, representando Chapeuzinho Vermelho, no palco da Escola Antônio Alves Ramos. Foi quando descobri que, mesmo num conto de fadas, havia Lobo Mau. A mulher que sou, a caminho de ser anciã e, portanto, mais sábia, mostrou à menina que ela cresceu havia muito tempo. Recolheu-a no colo do próprio peito e consolou-a pelas desilusões, pela espera vã do que não existe senão em contos de fada, ao menos em sua vida mais que cinqüentenária. A menina chorou, porém, alegrou-se por ter crescido e por saber da realidade, que, afinal, não era tão ruim como lhe parecia. E começaram, ambas, a contar a parte feliz do amor, que existe como contraponto a insucessos amorosos e a perdas que não devem ser lamentadas para todo o sempre. A menina, enfim, entendeu o que significa “final feliz”. Uma história de amor pode acabar, mas pode ter um final feliz, digno e sem rancores.
Crescer, tornar-se adulta e assumir todas as dores e alegrias de ser mulher é um processo tão doloroso quanto necessário. Algumas pessoas tentam escapar do crescimento na esperança de que não precisem enfrentar as exigências da idade adulta. Por isso, algumas mulheres continuam adolescentes, meninas, e não se situam no mundo em que vivem. Sonham mais do que realizam, planejam mais do que agem, esperam mais do que buscam. Vivem escondidas e solitárias na sua floresta interior, à espera do amor perfeito e de um príncipe encantador, quando elas próprias são pessoas comuns, ainda bem, e sem qualquer título nobiliárquico.
Do lado de fora dos sonhos está a realidade, que não pode ser negada nem evitada, mesmo que continuemos pessoas românticas, apesar da idade. E o mundo real escancara verdades que, aceitemos ou não, gostemos ou não, estão diante dos nossos olhos e em nossas vivências no cotidiano.
Não há homens perfeitos e, caso sejam príncipes, não são encantados. E se forem encantadores, ainda assim, têm defeitos, mesmo que, por amor, prefiramos não enxergar. Não há mulheres perfeitas também e, se houver, devem ser muito chatas na cobrança que fazem aos humanos, bem-amados, porém, imperfeitos. Somos todos, homens, mulheres, apenas humanos. Temos uma porção divina, que alguns nem notam ou exercitam. E de todos os homens, os comuns, os deliciosamente comuns, são os mais atraentes, e isso somente bem mais tarde, na maturidade, pude mostrar àquela menina que sonhava com príncipes encantados. Os homens mais adoráveis são absolutamente comuns e as mulheres mais comuns são as mais amadas. Isso não é maravilhoso? Não é um conto de fadas, mas é uma realidade confortável de se viver, pois traz o alívio de sermos amados exatamente como somos, não como o imaginário alheio nos compõe.
(*) Crônica publicada na edição deste fim de semana, 29 e 30 de setembro de 2007, no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, RS.
Sábado, 29 de Setembro de 2007 às 06:49
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Quando eu era uma guriazinha e morava nos pampas do Rio Grande do Sul, ouvia as pessoas comentarem: “Fulano fez mal para a moça e por isso eles vão casar”. Não conseguia entender o que a afirmação significava e, quietinha, eu me perguntava por que uma mulher se casaria com alguém que lhe tivesse feito mal. Não ousava tirar minhas dúvidas e perguntar a quem quer que fosse, porque, naqueles idos, criança não se metia em conversa de adultos. Se fosse “intrometida” ganhava rapidinho um “cala a boca”, era mandada para o quarto ou, no mínimo, empurrada a brincar do lado de fora da casa, onde não pudesse ouvir os mais velhos conversando sobre assuntos proibidos aos pequenos. Sexo era um assunto proibido “na prática e na gramática”. Conversar não podia, praticar só depois do casamento.
Anos mais tarde, me contaram que “fazer mal” era desvirginar uma mulher. Sempre quietinha, me perguntava se “tirar” (parece peça de objeto) a virgindade de alguém seria um mal e quando seria um mal, especialmente porque os relatos que, à espreita, eu ouvia, tinham como personagens principais pessoas que se amavam, eram namorados ou noivos. E me dava impressão de que “fazer mal à moça” apressava o casamento. “Fez mal”, casa. Coisa mais complicada para a cabecinha de uma menina em questionamentos e sem respostas. Casar já era uma coisa amedrontadora, mais ainda quando passavam a idéia de que era obrigatório o casamento com alguém que fizesse “mal”. E depois do casamento, aquele “mal” se transformaria em “bem”? Nunca me explicaram isso.
Cresci me perguntando que importância teria a virgindade e por que as mulheres que deixavam de ser “virgens” deixavam também de ser “moças”. As pessoas mais velhas diziam: “Fulana não é mais moça”, e eu olhava para aquela que era alvo dos comentários e não deixava de pensar: “por que ela não é mais moça?! Ela é tão moça…”. No caso, ela era jovem, sim, mas não “moça”, tida e havida como “impura”. Depois de casada, não sendo mais “moça”, seriam as mulheres menos puras? Quantas perguntas silenciosas e sem compreensão.
Essas e outras lembranças de menina estão passeando pela minha memória desde ontem, quando escrevi a crônica da semana para o jornal A Razão, de Santa Maria (RS) e que postarei neste blog no mesmo dia da publicação impressa, sábado.
Quando era menina, uma guriazinha (como dizem nos pampas), além de ouvir a conversa dos mais velhos e de me encher de questionamentos, eu sonhava com um príncipe encantado, com “Um amor incomum”. Esse é o título da crônica da semana, que poderá ser lida amanhã, aqui no blog.
Sexta, 28 de Setembro de 2007 às 12:29
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Muito obrigada, amadas e amados, que fizeram o número de visitas neste blog chegar hoje a 37 miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiil! Ah, que bom saber disso, ao final do dia. Abençoados todos os que ajudaram a me dar essa alegria.
Beijos e muito amor!
Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 19:38
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
“Você é uma mulher especial”. Que frasezinha miserável, esta! Ela sai da boca do homem que não quer nada com a mulher, mas, apesar disso, gosta dela, simplesmente gosta. Não ama, mas gosta. E gostar a gente gosta de sorvete, de chocolate, de pudim de leite, como eu gosto. Amar é muito mais do que gostar, e sabemos disso.
Aquela frase, então, é uma espécie de prêmio de consolação que o homem dá ao anúncio do seu adeus, uma desculpa esfarrapada para não magoar, e, reconheço nisso – embora dispense – um tanto de generosidade, sem deixar de entender que não há nada mais além da indisposição dele – talvez, impossibilidade – de permanecer junto. Vai partir, mas não quer deixar atrás de si uma mulher mais entristecida do que já está pelo fim da história entre os dois. Tipo assim: gosto, mas não o bastante para continuar contigo. Mas, sendo “uma mulher especial” logo vai aparecer outro na tua vida…
Algumas coisas, definitivamente, homem não sabe dizer, e quando diz, seria melhor ter-se calado. Se a mulher é tão “especial” assim como ele diz, por que não a quer perto? Ou seria ela “especial” demais para ele, que se tem por um ser “comum”?
Na realidade, somos todos comuns e especiais, a um só tempo. Comuns por sermos humanos e especiais graças à nossa individualidade.
Lembrei da frase, e de quando a ouvi, marcando despedidas, em conversa com uma amiga, outro dia, durante um almoço. A variedade de doces não me atraiu para sobremesa, enquanto ela se deliciava com um pedação de torta, depois da refeição. Não gosto de doces, gosto de pudim de leite. Gosto da exceção, então, não da regra. Uma boa conversa depois do almoço substitui perfeitamente a sobremesa… se não tiver pudim de leite, claro. E tem de ser pudim de leite, não outro tipo de pudim, para me atrair pelo sabor.
Ela me disse, então, com certo desalento: “eu me sinto uma pessoa tão comum”. Surpresa, perguntei a razão. “Porque gosto de tudo, como de tudo, até jiló”. Para mim, o incomum é ela gostar de tudo, não ter nenhum processo seletivo quanto ao que come. Comentou comigo que acha “bonito” ver pessoas que não gostam disso e gostam daquilo, que fazem escolhas, que rejeitam certos pratos (e homens, talvez).
No sentido referido pela minha amiga, dei-me por especial. Algumas coisas eu não como, certas pessoas eu não engulo e algumas situações não me entram goela abaixo. Rejeito, simplesmente. Um ovinho frito com arroz e feijão preto, mais uma folhinha de alface e uma rodelinha de tomate fazem maravilhas pelo meu paladar. Nada muito sofisticado, de procedência desconhecida ou preparo duvidoso, porque o “depois” nunca se sabe. A gente precisa saber o que põe na boca…
O que se põe no prato (ou na cama) garante o bem-estar posterior. Quem agüenta comer buchada de bode todos os dias? Feijoada pesada, sempre? De vez em quando, tudo bem. Também não se vive de sopinha rala, que é oposto. Tem de ter sustância para garantir a saúde do corpo!
Ser uma pessoa comum e reconhecer-se como tal contém humildade. Não é nada demais, que possa colocá-la acima dos outros. É isso que faz a pessoa ser especial. Comum, e especial exatamente por isso.
às 08:13
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Oh, céus! São quase 23h30 e somente agora consegui chegar ao meu blog, de que gosto tanto e que é como um oásis no deserto. A jornada de trabalho foi longa hoje, sem intervalo para o encontro com amigos, virtuais ou não, neste espaço. Trabalhei muito! Tenho trabalhado demais ultimamente. A minha relação com o trabalho é bastante intensa e assim foi por toda a minha vida. Mas conta muito o prazer, que é indispensável também no trabalho, ao menos para mim.
Mal comparando, não tendo prazer no trabalho é como trepar apenas para cumprir aquele tal dever (ou obrigação) conjugal. A mulher abre as pernas, deixa o marido meter, mas não alcança o orgasmo, não goza, não sente o corpo vibrar de tesão, não tem satisfação. Enquanto ele vira para o lado e dorme, ela olha o teto do quarto, se revirando em pensamento e desejo (frustrado) pelo que não alcançou. Ao final, resta um enorme cansaço, mas nenhum prazer. Deu o corpo, o esforço do ato, cumpriu o esperado e o combinado, mas a alma não encontrou a completude. E ela se sente uma prostituta, paga para servir e atender bem, não para sentir prazer, mas para dar prazer.
Sempre tive uma relação de muito amor com o meu trabalho. Além de ser o meu sustento e o de minha família, precisa ser prazeroso, me dar felicidade. Gosto de ganhar dinheiro, de ser bem paga pelo que produzo, mas preciso também me sentir bem e feliz no que faço.
Outro dia, li entrevista de um economista, ex-professor da Universidade de Fortaleza, o empresário Francisco Deusmar de Queirós. Ele disse: “Sempre que eu brindo, peço dinheiro. Muitas pessoas têm vergonha de pedir dinheiro. Eu não”. Ele explica as suas razões para dizer isso na entrevista, mas não vêm ao caso. Ter uma boa renda pelo que se faz é bom, muito bom, e ninguém devia se envergonhar de gostar disso. Eu gosto, quero e mereço ser bem remunerada, mas também quero me sentir gratificada pelo prazer de fazer, pela alegria de trabalhar. Gosto de trabalhar com prazer, pois tudo fica melhor e o resultado tem muito mais qualidade. E porque gosto de, ao final do dia, me sentir recompensada por ter vivido um dia de trabalho intenso, muito exigente, mas extremamente prazeroso.
Afinal, quantas horas da nossa vida passamos trabalhando? Mais do que o tempo em que estamos com a família, com as pessoas amadas, com os amigos, em diversão. Pelo menos comigo sempre foi assim: trabalhar foi o que mais fiz na vida. Como não querer prazer no que se faz? Isso é mais do que querer, é uma exigência, uma verdadeira necessidade. Trabalhar, sim. Ganhar bem, sim. Mas prazer no trabalho é essencial, penso. A gente merece isso. Eu mereço! E quem não quer e não merece?
Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 23:31
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Lembraram-me que hoje (ou ontem ou no último domingo do mês, não importa) é dedicado ao “Dia do Coração” e, junto, enviaram a dúvida: “Seria do músculo involuntário ou da metáfora do que ele representa?”. De todo modo, o coração tem movimentos involuntários, é dono de si, não se pode governá-lo. No máximo, contê-lo, reprimi-lo e tentar aquietá-lo. Irrequieto, o meu coração tem andado em sobressaltos. De vez em quando, quer sair pela boca e, uma pena, não é por amor, paixão, tesão nem por surpresas, daquelas de tirar o fôlego. Melhor se fosse…
Uma grande e amada amiga minha tem uma fórmula para a gente não sofrer do coração, o músculo: chorar! Chorar muito! Ela conta, rindo de si mesma, que chora todos os dias. Um chorinho básico para manter a saúde…rsrsrs. Assim não sufoca, segundo a teoria dela.
Eu também choro. O problema é que não choro como as atrizes nas novelas: lágrimas escorrendo lentamente pela face. Eu berro mesmo! E berro até dentro do carro e a música não abafa o choro. É engraçado quando, parada num semáforo, alguém repara nisso e fica com uma cara que parece perguntar: quem morreu?! Às vezes, é uma pessoa que morreu no coração da gente…
Também choro escondida atrás da tela do computador. Nossa! Quantas vezes chorei trabalhando… ou trabalhei chorando, tanto faz. Nesse caso, eu choro feito personagem de novela: as lágrimas descem em silêncio, mas o coração grita… e reclama depois, descompassado.
Ah, meu coração… tão desobediente, indomável, tão impulsivo, indomesticável, tão dono de si, dos seus amores e de suas dores… tão intensamente meu e do meu jeito.
Terça, 25 de Setembro de 2007 às 11:05
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Onde estarão amigos que não vejo desde há muito, de quem não tenho notícias, os que não procurei mais e não me procuraram depois de meus freqüentes “não” a convites para encontros, festas, reuniões, bate-papos em finais de tarde?
Por onde andarão amigas minhas, as que andam em silêncio? As casadas e as enamoradas, estarão bem com seus parceiros? As solteiras e viúvas estarão bem na solidão ou já estarão com alguém? E os filhos das minhas amigas, como estarão? E os netos das que os têm?
Como estarão pessoas da minha família, que há tempos não vejo, das quais não sei o endereço, e as outras, de quem não tenho sequer o telefone?
E meus antigos colegas de trabalho, o que terá sido feito da vida deles? Estarão no mesmo endereço profissional, terão mudado de emprego, os e-mails serão os mesmos?
Por onde andarão pessoas da minha estima, com as quais há tempo não convivo e delas sei nada ou muito pouco?
Será que lembram de mim como eu lembro delas? Terão vontade de saber de mim como gostaria de saber como estão, e onde?
O tempo passa rápido, ocupamos demais os dias e não recuperamos o contato com pessoas do nosso bem-querer. Lembrei delas quando regava minhas flores, nesta manhã. Se não cuidamos de fortalecer os laços com pessoas das nossas relações, não há mais encontro e, não raro, saudade também não há. E a amizade vai morrendo aos poucos, como flores que não são cuidadas.
Queria dar um jeito nisso, sem ficar apenas na intenção. Um dia pode ser tarde demais.
Segunda, 24 de Setembro de 2007 às 14:43
Vera Pinheiro
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