Dicionário
Vera Pinheiro
Confesso ter paixão por dicionário, e isso não é de hoje. Há bem mais de três décadas, quando estava no chamado Curso Ginasial, já lia dicionário e aprendia pelo menos cinco palavras por dia. Era meta que eu cumpria com rigor. Desde há muito e até hoje, sempre tenho dicionário aberto enquanto escrevo, no trabalho ou em casa. E se procuro uma palavra, leio outras, de carona nessa busca, e mais amplio o vocabulário.
É muito bom saber mais e aprender todos os dias. Além disso, eu me curvo diante do conhecimento, que é sempre maior do que aquilo que aprendi e sei. De fato, não sei tudo, mas sempre vou querer saber mais. Jamais quero ser ignorantona, feminino de ignorantão, que, ensina o dicionário Aurélio, “Diz-se de, ou indivíduo muito ignorante, mas pretensioso; leigaço”. Poupai-me, pois, ó Grande Mãe, de estar próxima disso. Podem me chamar de feia, mas de ignorantona, não!
Podem até me chamar de piegas, como alguém me chamou hoje em mensagem por e-mail, para desvalorizar o que escrevo e desqualificar este blog. Aliás, a pergunta que não quer calar: por que alguém lê o que não gosta? Que masoquista! Deve ter tratamento para quem se deleita com o próprio sofrimento. Não gostou? Nunca mais volta e fica na paz, ora!
Pois, então, a criatura mandou sucessivas e obsessivas mensagens e eu pedi para me tirar da lista dela, esse é o resumo. Em resposta, ela disse que sou piegas, que o que escrevo (e que ela se recusa a chamar de crônica) é piegas, que o meu blog é piegas. Vivas!
Adorei! Sou piegas mesmo! Considerando que piegas significa ser “ridiculamente sentimental”, é um baita elogio. Felizmente, sou piegas, ridiculamente sentimental, humanamente piegas, corajosamente piegas, inteligentemente piegas.
Também se chama de piegas “quem se embaraça com bagatelas”. De novo, que lindo elogio ser chamada de piegas, porque escrevo sobre embaraços de emoções, sentimentos, sensações, dores, estímulos, vivências, experiências, alegrias, tristezas, alma, coração e sobre a genial, apaixonante, deliciosa e muito exigente arte de viver. Bagatelas? Ninharias? Tudo isso é vida! E vida só é bagatela para quem não sabe vivê-la, para quem se ocupa de outras ninharias. Como sempre digo, cada um faz suas escolhas e vive como quer e pode, desde que não prejudique os outros. E eu creio na Lei do Retorno, que existe! Respeito profundamente quem não gosta de mim, mas não sou obrigada a conviver com pessoa que não me estima. Não posso perder esse precioso tempo, que uso para estar com quem me ama.
Por que, então, relato o fato aqui? Porque, dentre tudo o que aprendi, está uma grande lição: não importa o que te foi dito, seja bom ou nem tanto. Importa o que fazes com o que te dizem. No caso, vou dar uma dica: vai ler (ao menos) dicionário! É excelente método preventivo para quem não quer ser néscio.
Sou tão piegas, ridiculamente sentimental, que compartilho mais essa experiência, do meu jeito sincero, como sou em tudo que escrevo. Não sou uma teoria do que é ser humano, sou toda vivências! E tudo me constrói.
Adicionar comentário Quarta, 19 de Setembro de 2007 às 13:33 Vera Pinheiro