Arquivo de Novembro de 2007

Viva a sexta!

Vera Pinheiro
Ufa! A semana acabou e o mês também. Adoro sexta-feira e fim de mês…!!!

Ando tão ocupada que nem tive tempo ainda de pensar no meu aniversário… e já faltam poucos dias. Se eu não fizer nada nessa data estarei de acordo com o que penso, apesar de adorar aniversário: a vida deve ser celebrada todos os dias.

Estou trabalhando desde cedo, almocei às pressas no restaurante da Presidência da República, mas pelo menos, ao meio-dia, botei uma coisa boa na boca: pudim! Pudim, gente! Hummmmmm, que delícia! Adoro pudim de leite condensado e até o garçom de lá já observou isso. “A senhora não dispensa pudim, não é?”. Claro que não e sem nenhuma culpa! Não quero nem saber quantas calorias tem, tampouco o que representa em quilos. Tanto nesse restaurante do meu serviço como em qualquer outro, quando tem pudim eu como menos, já pensando nas colheradas generosas da minha sobremesa preferida, aliás, o único doce de que realmente gosto. Digo até que não gosto de doce, gosto de pudim, é diferente.

(Pensando bem, será que o garçom estava me achando gorda?!)

Ainda bem que não tem essa iguaria todos os dias ou eu estaria perdida, com muitos quilos a mais. Engordaria além da conta. Mas, se eu fosse gorda, ainda assim seria muito sensual, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra! Sensualidade não se pesa na balança! A propósito, minha crônica da semana trata disso. O título do meu escrito, que estará amanhã aqui no blog e publicada no jornal A Razão, de Santa Maria, RS, é “Muito mais que beleza”. As mulheres são muito mais que corpo - e que corpo, dirão os assanhados! Precisamos reconhecer nossas imensas qualidades e inúmeras virtudes, dar vivas à natureza e olhar no espelho, apreciando o que nele se reflete. Quando a gente se reconhece de um jeito positivo, dá vontade de bater palminhas diante do espelho e gritar: te amoooooooooo! Faço isso.

Agora, licencinha, a tarde da minha sexta está de agenda cheia! E a noite promete… hummmmmm! Queres saber? Está bem, depois eu conto.

Adicionar comentário Sexta, 30 de Novembro de 2007 às 13:06 Vera Pinheiro

Insistência sexual

Vera Pinheiro
Não sou sexóloga, mas estou de plantão sempre que uma querida amiga me chama para conversas ao pé do coração. Já tinha marcado uma visita para outra amiga e seu recém-nascido filho, mas mudei a rota e, antes, fui ao encontro daquela amiga. Estava, coitada, meio desatinada.

- Tu precisas falar nisso no teu blog!
- Fala aí, de que se trata? Qual é a pauta?
- Os homens, claro!!!
- O que foi que sucedeu desta vez?

Ela tem um namorado de tempos. Volta e meia ela entra em crise, se aborrece, não sabe se o espanca ou se o abraça. Nenhuma novidade até aí. Afinal, os homens nos levam aos prazeres e às loucuras, ou, como diz outra amiga minha, incomodam, mas são necessários.

Ah, antes que eu continue a história é bom ressalvar que não sou eu a amiga em tela. Sei que algumas pessoas se escondem, dizendo que o fato aconteceu “com uma amiga minha”. Quando a coisa se dá comigo, falo mesmo e não tenho modéstia para contar as causas ganhas nem vergonha de contar as perdidas. Ah, quem dera se, nessa altura da minha vida, eu tivesse probleminha similar a esse…

Pois a tal amiga, mulher feita, 30 e poucos anos, dona de seu lindo e cirurgiado nariz, independente e com uma conta bancária que não a deixa passar trabalho, me relata o acontecido e quer solução para o que enfrenta com freqüência: toda vez que ela e o namorado estão na cama, ela goza antes e tem de agüentar a rezadeira dele, uma insistência que a aborrece muito. Eles têm um tempo diferente para alcançar o prazer. Ou ela se adianta ou ele se atrasa, o fato é que eles nunca chegam ao ápice ao mesmo tempo.

Se ele goza antes, ela até que finge. Se ela chega primeiro, tem de esperar por ele. Nada demais, não fosse a insistência dele em que ela goze de novo, mais uma vez, outra vez, até encontrá-lo no seu tempo.

- E quem disse que estou a fim de novo? Não suporto ouvi-lo dizer: quero te ver gozar de novo! E de novo! E de novo! Já estou fazendo a programação do dia seguinte, passei as contas a limpo, verifiquei a agenda da semana que vem e nada! Ele continua firme! O quê que eu faço?!

- Relaxa e goza (de novo)? Não, esse conselho nem para caos aéreo serve.

- Amiga, sabes que eu não sei? No máximo, posso dizer que isso dá uma baita inveja. Não tens noção do que é a gente querer e não encontrar ninguém em casa, tentar acordar o sujeito e ele permanecer dormindo, fazer tudo para animar um desfalecido e nada. Dói o pulso e dá calo na boca. Então, bota os joelhos no milho e agradece aos céus. Antes ter demais do que não ter coisa alguma.

Isto é, se bem me lembro disso. Faz tanto tempo…

Adicionar comentário Quinta, 29 de Novembro de 2007 às 23:46 Vera Pinheiro

Bebezinho

Vera Pinheiro
Depois de um dia sem intervalinho no serviço, o que me impediu de dar uma escapada até o blog, tive um ótimo fim de tarde. Encontrei com uma amiga, que tinha urgência de abrir o coração (no próximo post eu conto), e mais tarde fui com minha filha conhecer Guilherme, filho de nossa amiga Adriana. Hoje ele completou um mês de vida. Antes de um mês não visito recém-nascidos, por mais que eu queira, como neste caso. O primeiro mês é privilégio da mamãe em seus momentos de contato com o bebê. E já tem a família, avós, tias, tios, sobrinhos, primas, para fazer o cerco à criança. E o pai, claro. De uma tia postiça ele não precisava tão já. Ah, e prendi os cabelos e lavei as mãos antes de pegar o pimpolho. Ainda me lembro da agonia de ver as mãos dos outros, chegados da rua, em cima das minhas crianças. Se bem que eles crescem e daí…

O bebê é lindo, muito lindo. Guigui tem uma vivacidade para além dos seus poucos 30 dias. Franze a sobrancelha, sorri, ensaia vontade de falar, pega o dedinho da gente e, claro, chora pelo peito da mãe. Nunca vi um bebê tão novinho se comunicar tanto como ele e fazia muito tempo que não via uma criança novinha tão esperta. Não faz tantos anos que a gente esperava seis meses para ver o bebê ativo. Depois de se agitar, ele se aquieta, mansinho, uma lindeza. E não tem cara de joelho, como alguns. Tirei a meia dele, porque adoro pés de bebês, peguei no colo e tiramos foto com ele, que, aliás, já tem até um blog (http://omundodeguilherme.blogspot.com). Adri acaba de me mandar a foto, o que mostra que, mesmo em novo ritmo, ela ainda encontra tempo e vontade para a internet, dentre outras coisas…rsrsrs…
Nós e Guigui  - Nós e Guigui
Fiquei feliz por ver minha amiga tão bem-situada como mãe. Ela, tão asseadinha, troca as fraldas do filho com desenvoltura; tão cuidadosa com o corpo, anda com o peitão de fora e o filho agarrado nele; tão festeira, agora em casa, às voltas com o bebezinho. Parabéns, amiga. Eu sabia que nesse coração cabia a maternidade, que nos dá o melhor de todos os amores, o mais compensador, o que nos transmite a medida do eterno.

2 comentários às 22:50 Vera Pinheiro

Nova manhã

Vera Pinheiro
Nada como uma boa noite de sono para a gente se recompor! Acordei bem cedo e me delicio com o frescor da nova manhã. Hoje sinto vontade de abraçar o mundo! Quando estou assim, produzo mais do que os meus dedinhos podem acompanhar no teclado do computador. Nos meus escritos matinais, duas crônicas e uma indecisão: qual delas enviar ao jornal?! Vou pedir opinião à minha filha, pois gostei das duas crônicas que escrevi. Para falar a verdade, quando comecei a escrever cada uma, pretendia apenas fazer o post para o blog, mas o assunto espichou.

Queria ter mais tempo para escrever, mas sobram apenas um trecho da manhã, antes de ir para o trabalho, e um pedacinho da noite, depois que volto à casa e antes de dormir. Escrevo também nos intervalinhos do serviço, durante o dia. Sonho poder, um dia, escrever sem pressa e na hora da inspiração. Fico anotando as idéias, que depois desenvolvo. Mantenho o tema e espero o tempo de escrever, como quem reserva os ingredientes para fazer um bolo. Só não posso perder a validade do assunto, esquecendo o que queria dizer.

A gente devia dizer às pessoas o que se quer, na hora da vontade. Mas as pessoas andam tão sem tempo e, algumas, sem vontade de escutar. Não se deviam guardar para depois mensagens que queríamos enviar, palavras de carinho que ficam adiadas à eternidade, abraços que não são entregues, declarações de amor que são caladas. Devíamos abrir logo o e-mail e enviar, discar o número do telefone e falar, escancarar o coração e expressar os sentimentos. Por que deixar para depois? Diz, expressa, escreve, abraça, fala de amor. O dia é hoje e a hora é agora. Não é só no trabalho que a gente deve carregar a máxima “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Os sentimentos bons, felizes, amorosos precisam ser manifestados. Isso faz bem para quem recebe e para quem expressa.

Por isso, vou dizer: eu gosto muito de estar contigo! É o que me faz estar aqui todos os dias.

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Rascunho

Vera Pinheiro
Alguém já disse que a vida não é rascunho. De fato, tudo o que escrevemos nela é pra valer e dali não tem volta. Se erramos, dependendo do tamanho e da repercussão do erro, no máximo conseguimos que nos desculpem ou perdoem, enquanto tentamos consertar o estrago.

Seria bom se a vida pudesse se parecer com um texto que a gente escreve no computador e pode alterar, corrigir, melhorar um pouco depois de pronto.

Tudo é tão definitivo nesta vida… Parece no tempo da velha máquina de datilografia. Para consertar um errinho, muitas vezes a página inteira era jogada fora.

Com os pés fazemos os caminhos; com o coração ou com a mente, as escolhas, e com as mãos, a nossa história.

Mãos - Mãos

Adicionar comentário Quarta, 28 de Novembro de 2007 às 15:43 Vera Pinheiro

Depois do almoço

Vera Pinheiro
Gosto de comer acompanhada e de dormir sozinha. Pareço complicada? Alguns acham que sim. O ideal pra mim é ficar junto de dia e à noite ter um quarto privativo… às vezes, compartilhado.

Almocei sozinha, observando o modo como as pessoas comem e se comportam. Não suporto maus modos à mesa. Meu pai era analfabeto, mas educadíssimo! Ensinou com seu exemplo, talvez um tantinho exagerado, pois só peguei uma coxinha de galinha com a mão depois de adulta. Ele não deixava a gente se atracar nos ossos da penosa. Carne? Era proibido fazer de uma porção um verdadeiro guisadinho. Cortava aos poucos e saboreava os pedaços. E todo mundo de boca fechada! Ou ele grudaria na gente os seus olhos claros, lindos, rígidos e ternos, dependendo da hora. Meu pai educava com o olhar e um silêncio, e a gente entendia tudo.

Fiquei espantada de ver um moço tão bonito enfiar na boca quase um pé inteiro de salada. Que bocão… e que desalinho. Perdi a fome. Na verdade, estando só, como menos. Acho tão sem graça…
Passeio - Passeio
Depois do almoço, dei uma volta nos jardins do Palácio a passos lentos, do tamanho da minha preguiça depois da noite mal-dormida. Abracei as mangueiras, que vão dar muitos frutos, como na minha casa. E há árvores floridas, como a da foto aí abaixo. Enquanto houver flores, a esperança não há de morrer. Ainda é primavera, pura estesia. É uma ingratidão não reconhecer como presente da vida um dia ensolarado como esse.
Flores - Flores

Adicionar comentário às 13:55 Vera Pinheiro

Ai, que sono…

Vera Pinheiro
Dormi mal e acordei um trapo! Deve ser falta de sexo. Ih, já nem lembro direito daquela sensação boa de dia seguinte com a alma lavada e o corpo nutrido de prazer. Como era mesmo?! Aliás, nem precisa ser no dia seguinte, mas um tempinho depois. Afinal, não gosto de dormir junto e, mais que isso, eu detesto dormir junto! Gosto de sexo – e muito, mas prefiro dormir sozinha.

É muito romântica essa história de dormir abraçadinho, de conchinha, de ladinho, com as pernas entrelaçadas com as do amor da gente, mas não tem sono mais reparador do que aquele de corpo espichado de um lado a outro da cama sem que alguém nos acorde no meio da noite, interrompendo o sossego.

É muito lindo acordar e, tão logo abra os olhos, deparar-se com o rosto da pessoa amada. Desgrenhada, com remela e bafo, barba por fazer e o humor, um esculacho!

É tão terno adormecer nos braços de quem amamos (e nos ama, claro, senão é fria!), mas compartilhar a cama e ouvir roncos e puns espontâneos é brabo.

Por que a pessoa amada sempre tropeça na quina da cama quando levanta de noite para ir ao banheiro (seria assim no tempo do penico?!)? Por que a gente não usa vela em vez de lâmpada, que acende na cara da gente (o outro não se toca mesmo…)? Por que aquele ser humano tão querido deixa o copo de água justo no caminho entre a mão e o despertador, e a gente derruba antes mesmo de acordar? E por que o outro acha que a gente morre de vontade de transar de madrugada só porque ele está a fim e a gente ainda não saiu dos braços do Morfeu?

Por que eles não acreditam que a gente não está dengando, está com sono mesmo?! Quando a gente pega o travesseiro e vai dormir na escada, eles se magoam e querem discutir a relação em plena madrugada. Não acreditam se dizemos: me deixa dormir em paz! Eles se ofendem às entranhas! A gente só quer dormir em paz, o que não significa que não ama e não quer junto a outra pessoa, mas eles não entendem a diferença.

Por isso, logo que a história começa, o meu problema não é saber o momento de transar, se no primeiro encontro ou no ano que vem, tanto faz. O problema é pensar: será que ele quer dormir comigo? Se quiser, o caso é grave… e eu preciso de tempo para saber das minhas intenções com ele.

Adicionar comentário às 09:53 Vera Pinheiro

Ah, essa independência…

Vera Pinheiro
Parei no posto de gasolina para abastecer o carro e esperava para ser atendida quando desceu de um carro preto uma moça bonita, de calça jeans, cabelos compridos, pouca maquiagem. Não sei a marca do carro, porque, tirando fusquinha, pra mim a maioria se parece. Ela desceu, resoluta, e foi à bomba de calibrar pneu. Clicou em algum ponto do equipamento, falou com o atendente, pegou um cabo e foi na direção do seu veículo. Eu assistia tudo com a mão na bolsa para pagar a gasolina que ainda iria pedir.

Aí está uma coisa que ainda não aprendi: calibrar pneu. Até já pedi ajuda masculina para aprender, conferi o homem do posto fazendo isso, para receber a lição, mas sempre reconheço a minha pouca habilidade nesse serviço. Senti uma baita inveja da moça que sabia calibrar pneu e não precisava de qualquer ajuda para o trabalho. Ah, essa independência… a minha ainda está incompleta. Preciso aprender mais algumas coisas para ser totalmente autônoma.

Quem sabe outra mulher me ensina? Perguntei a ela como fazia. Basta escolher a calibragem – 30 libras no carro dela –, tirar o pino, engatar no pneu e o aparelho grita sozinho quando está completo. Parece simples, mas para mim não é.

- Por que não pedes a um homem para fazer isso?
- Porque não tenho um,
Ela respondeu rápido, na ponta da língua afiada, mas com um sorriso no rosto.
- Também não tenho, mas não aprendi a calibrar pneu ainda. Ainda, bem entendido.
- É fácil…

Difícil é a gente se virar sozinha em tudo que a vida exige de uma mulher. O que nos salva é a garra, a determinação, a força que não está nos braços, mas no impulso interior e na coragem de viver sozinha. Mas, confesso, me dá uma fraqueza quando estou diante de um homem… mesmo que seja o atendente do posto. Faço de conta que eles são mais fortes, que podem mais, que não aprendo tudo o que eles sabem… ao menos quando estão presentes. Por isso, peço ajuda para carregar as sacolinhas do mercado, para trocar e calibrar pneu do carro. Ah, e trocar lâmpadas! Do resto eu tomo conta nem que, ao ir pra cama, lágrimas quentes escorram pelo travesseiro.

Magda (esse é o nome da moça, igual ao de uma irmã minha) tem a força, a coragem e o poder. Também tenho, mas de vez em quando deixo que os homens acreditem que não sei ou que não posso e, quando não choro, me divirto com isso.

Adicionar comentário Terça, 27 de Novembro de 2007 às 20:54 Vera Pinheiro

Ele, sim; eu, não

Vera Pinheiro
Quando estou “me achando”, tomada de orgulho com o que sou, tenho e faço, releio textos de Rui Barbosa. Vejo, então, que sou uma escriba reles. Dá uma passada na Fundação Casa de Rui Barbosa (http://www.casaruibarbosa.gov.br). É um passeio virtual que me agrada muito e serve para golpear a minha vaidade. Ele, sim, escrevia. Eu apenas rabisco.

Adicionar comentário às 15:22 Vera Pinheiro

O indeciso

Vera Pinheiro
Entrei na fila do self service sozinha e já sabia o que queria comer. Nessa altura da vida, depois dos 50, a gente sabe o que quer, inclusive o que comer. Exercitamos o “quero” e o “não quero” com relativa facilidade e as dúvidas são mais raras, embora possam ser grandes, quando nos assaltam.

À minha frente, um homem de terno e gravata, bem mais alto e largo do que eu, tapava a visão dos pratos e não me deixava ver as opções para o almoço. Eu só queria arroz e feijão, de que não abro mão, algumas verduras e legumes e um naco de carne. O homem, entretanto, não se servia e não saía da minha frente. Como se sabe, a fila anda! Dei um passinho à frente, pedi licença e me servi. “Enquanto o senhor se decide, vou me servir”, disse, já empunhando uma colher de arroz integral. “Sou muito indeciso mesmo”, respondeu ele, acrescentando a seguir: “…e não é só à mesa…”. Eu continuava a botar comida no prato, no dele só havia uma folhinha rala de alface, enquanto a conversa e fila andavam. Já estava sentindo que, se não sentasse sozinha, iria ouvir confidências sem fim na hora do meu almoço.

Homens indecisos me cansam. Pode até ser belo como aquele. Vi a boniteza à distância, enquanto comia, pois não tinha observado isso quando estava perto. Indeciso é aquele ser humano para quem a gente pergunta “queres?” e ele jamais diz “sim” ou “não” com firmeza, responde sempre com um “talvez” ou um “pode ser”. Não é categórico, não tem atitude. Para a gente ouvir uma resposta convicta, quase se precisa implorar, tanto esforço se faz. Dá uma canseira! Mesmo que seja um tipo “bonzinho”, um dia a gente cansa de responder por ele, pensar por ele, escolher por ele… Gosto de ter um homem ao lado, mas não quero tomar conta dele. Já criei dois filhos e não quero ser babá de homem adulto.

Adicionar comentário às 14:07 Vera Pinheiro

Vovó

Vera Pinheiro
O fim do ano está chegando e começo a avaliar o que gosto e o que não gosto, o que quero manter e o que não me fará falta se retirar, o que me é necessário e o que é totalmente dispensável. Exercitando a minha porção “Gosto/Não gosto”. incluo na relação do que gosto o blog de Maria Amélia, a blogueira mais velha do mundo. O endereço, que compartilho com prazer, é http://amis95.blogspot.com, uma lindeza! O que me atraiu, depois da curiosidade, é que ela tem muito fundamento mesmo! Não é o fato de ser idosa, é ter conteúdo o que me faz encantada com o que ela escreve! Maria Amélia é sucesso no mundo inteiro e eu, mais uma na sua legião de fãs. Apaixonei! Quando eu ficar mais velhinha já tenho uma bela referência… É absolutamente encantadora!!!

Adicionar comentário às 11:55 Vera Pinheiro

O livro

Vera Pinheiro
Um leitor fez contato e me contou que estava na metade da leitura do “Conto de fato”, publicado no meu livro (“Parto de mim”). Ansioso, perguntou se aquilo tudo era verdade e como a história tinha terminado. Pedi-lhe que chegasse ao final e voltaríamos a conversar. Ele terminou a leitura e me escreveu de novo, contando a sua reação e dizendo que tinha gostado muito do livro e que faria propaganda dele. Fiquei feliz! Boca a boca sempre me agradou…

Gosto de saber o que os leitores sentem quando me lêem. E, falando nisso, se gostarem, por favor, recomendem. Farão uma escritora feliz! Dêem de presente no Natal, por exemplo. Agradeço a divulgação que farão… boca a boca.

Falando em boca, qualquer hora vou abrir a minha e contar histórias de alcova. Parece que rende, né, não? A Veloso lança as suas memórias com o “docinho”… bah! Tratar publicamente um homem de “docinho” é o que há! Risível, no mínimo. Vou contar do que gosto de chamar o meu…

Ou deixei de ser romântica ou é mesmo muita bobagem reunida. O pouco que li na imprensa sobre o assunto bateu as coisas mais ridículas a que tive acesso na vida. O que mais lamento nem é o livro, porque tem gosto pra tudo e qualquer um pode publicar qualquer merda mesmo. O que eu odiei foi o confisco da minha memória musical. Desde que a Veloso contou que Renan cantalorava “Eu sei que vou te amar” ao telefone, no ouvido dela, não consigo mais ouvir a música sem lembrar do dito cujo. E, sinceridade, não agüento. Isso é furto da minha memória afetiva e musical, que ódio!

Agora, larga a pose de tolinha: que mulher bem-intencionada grava conversas com o amado?! Terá também um filmezinho pornô para assistir em casa? Heim, quem sabe? Não era entrevista nem reportagem e o homem não sabia da gravação. Vai dizer que foi pra matar a saudade da voz dele? Ah, me economiza que não estou sobrando. Odeio gente que se faz de sonsa. E ela não tem uma cara de sonsa?! Só a cara.

Lembrei de uma historinha real: em certa época da minha vida, eu andava muito dura, não tinha dinheiro pra nada. Uma amiga minha, muito divertida e sempre de alto astral, virava pra mim e falava: “estás sentada em cima do tesouro e não aproveitas”. Pois não é? Quem mandou trabalhar só com a cabeça…

Adicionar comentário às 10:05 Vera Pinheiro

Gratidão

Vera Pinheiro
Tenho um sentimento de profunda gratidão à vida! Agradeço até mesmo os trechinhos brabos que atravessei, as dificuldades que enfrentei, pois tudo me construiu. A gratidão faz a gente reconhecer o lado bom de tudo o que se vive.

Ao acordar, de manhã cedo, agradeço à cama em que dormi, às cobertas macias que cobriram meu corpo, ao meu corpo saudável, à minha família, aos meus bichos, plantas, flores, frutos, ao chão em que piso, à roupa que visto, a tudo o que tenho. Minha gratidão se estende à casa, ao emprego, a todas as pessoas das minhas relações, à Grande Mãe, ao Pai Maior, ao meu anjo da guarda e à confiança na proteção divina que tenho.

Olho para o céu nublado e agradeço às nuvens, à chuva e ao sol, que surge todas as manhãs. Agradeço à vida pelo alimento e por todos os que trabalharam, desde o plantio, para que a comida chegasse à minha mesa. Tenho uma gratidão profunda por todas as pessoas que passaram pela minha vida, as que me deixaram, as que ainda estão.

Ontem, à beira do fogão, enquanto preparava o almoço no meu caldeirão, fazia um bolo de chocolate e agradecia à minha família. À noite, agradeci profundamente ao Povo Cigano do Oriente, homenageado em mais uma celebração na minha casa, e às salamandras que mantiveram a fogueira crepitante sob a chuva forte – algo mágico! Tomei banho de chuva ontem à noite e foi maravilhoso!!! Dancei na fogueira, confraternizei com minhas irmãs de fé e com a minha filha. Senti-me imensamente agradecida por ter a mesa farta, pessoas em volta e generosas bênçãos.

A vida é maiúscula quando o coração é grato. A gente se aborrece menos, não se importa com as coisinhas miúdas que acontecem e supera com facilidade o que é difícil ou trabalhoso. Em estado de gratidão vive-se melhor, e esse sentimento se estende aos antepassados, à teia familiar e a todos que estão no nosso convívio. A gente se alegra com tudo. Compreende, releva, perdoa e ama.

Agradeço cada dia que vivo e considero uma bênção estar aqui e agora, dando seqüência à minha missão sobre a face da terra. E sinto uma gratidão profunda a cada pessoa que fez este blog chegar a 60 mil visitas. Que cada pessoa possa ter encontrado ao menos uma palavra que falasse ao seu coração.

Muito obrigada! Muito obrigada! Muito obrigada! Abençoados sejam todos!

Adicionar comentário Segunda, 26 de Novembro de 2007 às 07:25 Vera Pinheiro

Exemplos

Vera Pinheiro
Bons exemplos servem para a gente aprender, porém, os maus exemplos também nos ensinam. Pensei nisso vendo cenas da namoradinha de um amigo meu. Que coisa mais chata! Que cansaço aquela mulher! Prestei muita atenção para jamais ser como ela, um legítimo pé no saco!

É absurdo e muito triste o que faz uma mulher de pouca auto-estima. Fica na cola do homem como se estivesse grudada nele, não dá folga, não deixa o coitado respirar. Ele é do tipo bonzinho mesmo. Agüenta tudo, mas agora anda perdendo a paciência, ainda bem, porque ninguém merece essa escravidão amorosa.

Em casa, ela é completamente dependente dele, do tipo que chama o homem para pedir (nem é para trocar) o gás da cozinha. Liga para ele e é ele quem liga para a revendedora de gás, pode isso?! Se ele viaja, liga 35 vezes no dia e reclama que ele não se importa com ela. Se ele está em algum compromisso e deixa o celular no silencioso, passa 15 mensagens (ela é um torpedo mesmo!). Parece que a criatura respira pelos pulmões dele!

Pensa, que homem merece isso? E o bendito ainda é fiel, acreditas? Ele se recusa a admitir que arrasta um bonde pela namorada, que é louco por ela… ou se libertaria. Bem, tem homem que gosta de mulher-chicletinho, mas isso já nem cabe no possível. Eu fico cansada só de acompanhar a história, de longe, claro, porque não sou doida de meter a minha colher nesse angu de caroço, mas sinto vontade de sacudir o cara, juro. Quanto a ela, bem, não faria nada. Mulher aprende por conta e a duras cacetadas, perdendo pessoas.

Ah, e não pensa que ela é uma coitadinha. Tem formação superior, trabalha fora, mas parece uma menininha de cinco anos, se tanto, a julgar pela dependência emocional que tem do homem.

Fazia tempo que não o via pessoalmente e, além disso, é impossível falar por telefone, pois o dele está sempre ocupado com ela, claro. Outro dia o revi e estávamos no melhor da conversa quando fomos interrompidos por mais um telefonema dela, depois de outros 10, em menos de uma hora. Ele atendeu, ficou brigando, explicando mil vezes a mesma coisa, até que eu cansei de esperar pelo fim da briga. Peguei a bolsa, dei um beijo no rosto dele e tchau. Ah, não agüento isso. Algumas coisas nos homens a gente não suporta nem se for amigo.

Meia hora depois ele me ligou, se desculpando pelo ocorrido. Tudo bem, a namoradinha é tua. Mas, por favor, me avisa quando estiveres livre dela. Ou desliga esse bendito telefone quando estiveres comigo. Está claro ou queres que eu desenhe?

Definitivamente, ao contrário dele, não tenho saco nem muita paciência.

Adicionar comentário Domingo, 25 de Novembro de 2007 às 08:47 Vera Pinheiro

Crônica da semana (*)

TEIA FAMILIAR
Vera Pinheiro
Família é como o corpo da gente: sempre tem algo que gostaríamos de mudar. Assim como do corpo, precisamos cuidar da família e, sobretudo, aceitar o que é imutável, já que é impossível reformar tudo, embora possa ganhar melhorias. A aceitação é o que nos faz acolher as pessoas como elas são, sem tentar mudá-las e sem rejeitar o modo como são, sejam parentes ou não.

Algumas vezes nos perguntamos por que nossa família não é diferente para ser do modo como gostaríamos que fosse. Creio firmemente que a vida reúne as pessoas com algum propósito, que não deve ser ignorado ou desperdiçado enquanto oportunidade de aprendizado. Entregar-se às razões divinas, mesmo sem compreendê-las, aquieta o coração da ansiedade de mudança dos outros e permite descobrir os ensinamentos da convivência familiar, que pode ser maravilhosa ou nem tanto, mas sempre alarga a percepção a respeito dos desígnios superiores que nos fez pertencer a um determinado núcleo humano e não de outro.

Penso que devíamos tratar os familiares como tratamos quem faz parte do nosso convívio social, e seríamos mais coerentes.

Há pessoas que são muito educadas com os amigos e pouco polidas com os irmãos, gentis com a vizinhança e estúpidas com as irmãs, delicadas com os colegas e agressivas com os parentes. Muitos se calam para os chefes, mas não silenciam diante dos pais, reverenciam orientadores espirituais em seus templos, mas não respeitam os mais velhos dentro de casa, curvam-se diante dos que oferecem lucro aos seus negócios, mas não têm a menor consideração pela família, sorriem para os transeuntes e têm a cara fechada para aqueles com quem dividem o cotidiano.

Há pessoas que suportam qualquer desaforo para não perder o emprego, mas não perdoam uma simples desavença com a família, fazem de tudo para agradar os clientes e nada para afagar o coração dos que estão próximos, vão ao shopping center mais do que visitam aparentados doentes. São prestativos com os amigos e se incomodam quando a parentela pede favor. Acordam de madrugada para saber de fofoca da amiga que acabou de chegar da balada e se chateiam se alguém de casa pede que busque um remédio na farmácia. Têm tempo para ouvir reclamação de todos, mas nunca têm paciência para queixas de parentes. Facilitam a vida de todos que precisam de ajuda, desde que não haja parentesco. Essas contradições mostram que há dois tipos num único ser humano: um que convive em sociedade e outro que se revela na intimidade.

Por que as famílias são imperfeitas? Porque são feitas de humanos que estão longe da perfeição. Se as pessoas lembrassem disso, perdoariam mais e se entenderiam um pouco melhor. Deixariam de cobrar dos outros o que não são e virtudes que não possuem, abraçariam em vez de criticar tanto, conversariam mais e brigariam menos, aceitariam os outros com benevolência e sem imposições. Amariam, enfim, incondicionalmente, sem necessidade de razão, mas tão-somente porque há um vínculo indissolúvel, um laço que não desfaz com o tempo, sequer com a morte. O amor se explicaria por um motivo simples, se precisasse o amor de justificativa: devemos amar os familiares. Não os escolhemos, mas podem ser um presente que a vida nos deu. Não são os melhores do mundo, mas são os que temos. Não são perfeitos, mas são nossos e a nós se unem pelo coração.

Não acolher uma pessoa da família, rejeitá-la, esquecê-la, repudiá-la ou abandoná-la é devolver alguém que o Divino colocou em nossa vida, como se dissesse: “esta eu não quero, tem defeito, troca por outra”. Se pudesses devolver, tu o farias? E como imaginas que te sentirias se tu fosses devolvido ao Criador?

Amar a família fortalece nossos laços com a vida. Mesmo se virarmos as costas, se tentarmos fugir da ligação com ela, se a negarmos e até se desconsiderarmos essa grande teia familiar, não se romperá o que se inscreveu no infinito universo espiritual. Acolher e compreender salva o convívio da desagregação e é o amor, sobretudo, o que verdadeiramente cura todas as relações. Amar seres imperfeitos, sim, mas nossos, intimamente nossos. E já que família é algo que carregamos para sempre, vamos facilitar a convivência, porque, afinal, a eternidade, que nos espera, é tempo demais para ocupar com brigas, inimizades e mal-querer.
(*) Crônica publicada no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, RS, edição de 24 e 25 de novembro de 2007.

Adicionar comentário Sábado, 24 de Novembro de 2007 às 06:45 Vera Pinheiro

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