Arquivo de 4 de Fevereiro de 2008

Carnaval

Vera Pinheiro
Finalmente, ontem, consegui ver um pouco do carnaval na tevê, mas perdi o sono depois do pouco que vi e, quando dormi, tive pesadelos. É impossível a gente não ter desassossego, pensando: como essas mulheres ficam com as barrigas feito pedras e as bundas duras daquele jeito? Quanto aos peitos, prefiro os meus: humildes, honestos, sãos e verdadeiros! Não gostaria de ter aquelas bolas redondas cheias de silicone, e muitas vi assim, coisa mais feia!!! Com humildade, olho no meu espelho e reconheço: já era… rsrsrs! É o tipo de situação que faz a gente erguer as mãos aos céus e dizer: ao menos sou inteligente, ainda bem, mas podia ser gostosa também. De fato, isso não seria mau, porque a gente cansa de tanto elogiarem só o que se tem por dentro… Porém, bonitas ou não, é melhor não nos compararmos com ninguém, especialmente com as musas lindas desse carnaval, senão, mulheres, entraremos em depressão!!! Dá uma tristeza! Ou seria inveja mesmo?! Credo, coisa horrível! Vou me inscrever numa academia para tentar reverter o que fez o tempo, esse inclemente.

Achei curiosa uma receita a que não tive acesso por inteiro no desfile de ontem. Entre um cochilo e outro – e isso não é por conta do visual na tela, mas pela música repetida incontáveis vezes e pelo papo meia boca (é o mesmo sono que dá quando se está com um homem chato, ainda que bonito): ouvi dizer que as mulheres ganham aqueles corpos com batata e clara de ovo. Hã? Como assim? Só isso? Suspendam o almoço, vou de batata e clara de ovo por uns dias!!! Ah, não pode ser. Horas e horas, meses, anos de malhação, isto sim! Não fosse assim, estariam com tudo em cima: peito em cima da barriga, barriga em cima das coxas. E fariam parte da Amem: Associação das Mulheres Encalhadas Mesmo. Já fui convidada, mas, polidamente, agradeci. Pretendo adiar a carteirinha de associada, e coloco meu melhor esforço nisso.

Adoro aqueles gritos de guerra antes de a escola entrar na avenida, mas achei um tanto demasiado o cantor/pai que mandava beijos pro filhinho naquela hora. Vai ver é um bebê, pra que fazer isso? Menos, menos! Adoro mestre-sala e porta-bandeira, eles são um luxo! Ronaldinho e Gleice Simpatia, da Salgueiro, Giovana e Marquinhos, da Verde e Rosa, como são bonitos! Fiquei com dó das fantasias da Mangueira, descendo as plumas com a chuva. Bonito o tema ecológico da Portela: eu sou água, sou a terra, sou o ar! Queria ter visto toda a Salgueiro, mesmo com aquele samba que não muda o ritmo, mas dormi na hora do desfile. E a Viradouro, desfilou? Não vi. Ah, mas hoje à noite vou tentar ficar acordada. Para isso, vou dormir à tarde. De conchinha, bem abraçada… e, estando acompanhada, na presença de um “tanquinho” feminino na tevê, vou jogar um lençol sobre as imagens e dizer: olha aqui, eu sou mais eu, e está falado!

Adicionar comentário Segunda, 4 de Fevereiro de 2008 às 10:13 Vera Pinheiro

De visita na própria cozinha

Vera Pinheiro
Domingo, já meio-dia, panela no fogo e barriga vazia! Estive de visita em minha própria cozinha, que entreguei ao mesmo par de noivos que nos visitou semana passada, Milena Castro de Albuquerque Barros e Marcelo Teixeira Vinhaes. Ela é afilhada de casamento de minha filha, que, aliás, está totalmente investida na responsabilidade de madrinha. Certamente, Camilinha não será como aquelas madrinhas que só comparecem na igreja e nunca mais! Ela cuida do antes, do durante, e, acredito, do depois, que haverá de ser muito feliz para o casalzinho.

A melhor prova de que os amigos gostaram da visita é a volta deles à nossa casa, onde são bem-vindas. Não somos pessoas que fazem “tipo”, que convidam sem vontade, só por gentileza. Convidamos porque queremos mesmo receber, gostamos disso e não deixamos dúvida, nem antes nem depois.

Milena, 24 anos, é amiga de minha filha há muitos anos. Elas combinaram que no domingo fariam o almoço e que eu seria apenas (ou tudo isso) convidada. Ah, que beleza! Claro que não recusei. Depois dos beijos e abraços de chegada e de um pouco de conversa, deixei que se virassem na missão, enquanto me dedicava aos meus escritos. Entreguei a cozinha para eles e a alma, à Deusa!!! Seja o que tiver de ser! Em qualquer imprevisto, sempre podemos recorrer ao chamado por pizza, que salva cozinheiras como eu, mas não como Milena, jovem advogada e, pelo visto, excelente quituteira!

Marcelo, o noivo dela, dava aquele apoio moral, sempre bem-vindo. A tarefa dele era cuidar da parte rude do ofício, como abrir latinhas. Céus, levei quase cinco décadas para aprender o que essas meninas já sabem desde tenra idade: na presença de um homem a gente perde as forças e deixa que eles façam o serviço. Longe deles, carregamos sem esforço as sacolinhas de mercado e abrimos latas com a mesma desenvoltura com que nos havemos na profissão. Eles sabem que nós podemos, mas adoram achar que são indispensáveis. Na verdade, são importantes, ainda que sobrevivamos sem eles.

Por via das dúvidas, não tendo todas as certezas de que poderiam, a madrinha e os seus afilhados, se resolverem na cozinha, preparei um sanduíche basiquinho e deixei na geladeira. Vai que dá tudo errado… rsrsrs. Três horas depois, já entupida de tanto tira-gosto, dei uma espiada na cozinha. Hummmm, o cheiro estava delicioso!!! A demora se justificava. Milena e Marcelo foram além do que eu poderia esperar (isso é coisa de mãe ou de “tia”, que acha que pode fazer melhor): um macarrão e dois sabores, que espetáculo!!! Peguei as receitas, claro, pois, ainda que me tenha por razoável cozinheira, sempre tenho algo a aprender com os (bem) mais jovens. Assim na cozinha, assim na vida. Eu seria tola se não tivesse nada a aprender, ou se me recusasse. Posei de convidada em minha própria cozinha, e fiquei encantada! Tomei um banho gostoso e nada apressado, mas não me arrumei, afinal, estava em casa. Porém, coloquei brincos! Um almoço como o de Milena, de Marcelo e de Camilinha merecia que eu estivesse de brincos, porque não foi apenas uma massa, foi um grande carinho que serviram à minha mesa. Muito obrigada!!!

E querem saber? Vocês todos estavam lindos de aventais, cozinhando nas minhas panelas, e eu, aqui, como quituteira de palavras, no maior sossego.

Milena e Marcelo - Milena e Marcelo
Milena e Marcelo

Camila  - Camila
Camila, madrinha e anfitriã

2 comentários às 06:40 Vera Pinheiro


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