Abril se abriu
Vera Pinheiro
Bem-vindo seja o mês de abril! Que se abram as portas da alegria para quem ainda não a descobriu! Que se tirem as vendas dos olhos de quem ainda não vê a bênção que é viver! Que se escancarem as janelas do coração para abrigar os outros com afeto! Abril se abriu, portanto, vamos nos abrir também para a felicidade, que é direito de todos!
Mas, afinal, o que é felicidade? Conclamem os poetas, chamem os cronistas, recorram aos pensadores, peçam orientação aos psicólogos, e tudo o que disserem ainda será pouco para definir a felicidade, porque é um bem que cada um avalia por si, de acordo com suas expectativas, seus sonhos, a partir do que pensa que ela seja.
O meu desejo não é igual ao teu, e o teu desejo pode se parecer com o do outro, mas não é o mesmo. A felicidade que sinto pode ser banal para ti e a tua felicidade pode não fazer sentido para mim. O outro espera uma felicidade que não tem nada a ver comigo, por isso não me é bastante. Tu podes te sentir feliz por nada e a mim tudo parecerá pouco. Quando me sinto feliz por qualquer coisa, para ti pode ser rasa a felicidade que sinto e não a entendes. Se encontras felicidade no que não me diz respeito, não entendo como podes te sentir feliz com isso. Se o outro é feliz com o que vive, não estando eu no universo dele, não compreendo que felicidade o alegra tanto. Se sou feliz do modo como vivo e não vives a minha vida, não poderás vivenciar do mesmo modo a felicidade de que desfruto. Por isso é tão difícil duas pessoas serem felizes juntas.
Cada um tem um conceito de felicidade. Então, penso que as pessoas devem ser felizes sem esperar que o outro realize a sua felicidade. Para ser feliz com alguém é preciso, antes, ser feliz sozinho. Quando se juntam, unem essa sensação e a fazem maior. E não há cobranças de que o outro faça o que ainda não fez por si próprio.
1 comentário Terça, 1 de Abril de 2008 às 07:47 Vera Pinheiro