Retoques
Vera Pinheiro
Antes mesmo do “Bom dia, semana”, peço desculpas a quem bateu à porta deste blog no domingo e não encontrou mensagem nova. Sinto muito, estava bastante ocupada e não pude vir. Ocupada num domingo? Pois é, trabalhei taaaaanto que hoje estou cheia de “ai, ai”. Será que estou na tal idade do condor?! Por conta de esforços físicos no domingo, estou com dor aqui e ali, e conto os dias para o próximo fim de semana que, pelos meus planos, haverá de ser bem mais sossegado.
Há dias estou fazendo algumas reformas em casa e, dizem, reformar é muito mais trabalhoso do que construir. Será que isso vale também para relacionamentos? Resolvi dar uma ajeitadinha geral na moradia, consertando o que estava meio despencado. Até os aposentos da família animal ganharam retoques! Inclusive o canil está mais bonito, mas coitados dos cãezinhos, ficaram estressados com tanto movimento!
Oh, céus, que trabalheira, não estou agüentando mais tanta bagunça! Não vejo a hora de terminar o que comecei e, por isso, adio encontros com amigos em minha casa e fora dela. Estou sem espaço para receber pessoas no meu canto nem tenho tempo para dar uma saidinha, e já estou chateada de me desculpar com quem me liga, querendo fazer uma visita ou convidando para sair.
Na dinâmica da vida, tudo muda, e o que não muda, mas está feio, reviro e faço de novo, mesmo que isso me incomode e ocupe. Uma reforma, por menor que seja, não termina naquilo que estava planejado. Como na vida interior, quando mexemos em uma emoção que estava precisando de reforma, percebemos outras que precisam de conserto e a gente vai além do que pensava fazer no início, mas, pelo resultado, vale o esforço.
Nos relacionamentos penso que também seja assim. No cotidiano, a gente vai fazendo pequenos consertos aqui e ali para não deixar a casa cair. Precisamos trocar telhas quebradas, consertar as rachaduras, renovar a pintura daquilo que vivemos com o outro. Se não fizermos isso com freqüência, observando as necessidades, vai chegar o dia em que precisaremos botar tudo abaixo, e isso é bem mais oneroso, quando não impossível, então, mudamos de casa, ou seja, de pessoa.
Como gosto de onde moro, faço essas melhorias que dão trabalho, sim, mas me recompensam com uma paisagem renovada. Se gosto muito da pessoa, cuido da minha história com ela. Se não gosto dela ou ela não gosta de mim, meu coração vai para outro endereço, e quando a pessoa me procura, encontra ali apenas uma informação: “Ela não mora mais aqui”.
Continuar em uma casa de relacionamento exige cuidados. Não adianta reclamar dela e não fazer coisa alguma para reformar a situação. Se não gostar do que vive, conserta ou se muda. Há quem fique por suas razões, mesmo infeliz, e se acomoda ou, então, tenta melhorar, o que é trabalhoso. Tudo depende do que queremos e de nossas possibilidades. O que dá para consertar, a gente faz. O que não tem conserto, mas não é insuportável, a gente deixa como está… por enquanto. Se quer manter, a gente tenta melhorar o que é possível. Preservar é a palavra de ordem, e vale para a natureza, para a casa e para relações que a gente não quer perder.
Adicionar comentário Segunda, 7 de Abril de 2008 às 08:09 Vera Pinheiro