Vera Pinheiro
Minha amiga Adriana Carvalho, jovem mãe do Guigui, tem uma imaginação pra lá de fértil e é de uma sinceridade tipo soco no estômago. Hoje, ela me falou que não agüenta mais a minha reforma. Nem eu! Estou enjoada do serviço e do tema, mas fazer o quê? Já disse que este blog só tem notícias verdadeiras da minha rotina. Não conto tudo, mas tudo o que conto é realidade. Adri, danadinha de curiosa, foi fundo em seu questionamento: quis saber por que estou me desgastando tanto e de que vale todo esse empenho pela reforma. Antes que eu tivesse balbuciado palavra, manifestou sua suspeita: “Só pode ser no quarto!!! Você mandou botar cama redonda, espelho no teto, armário de brinquedinhos que comprou no sex-shop, hidromassagem, banheira de ofurô e, talvez, um cano de pole dance. É isso, não é, amiga?”. Não consegui desmentir, tanto que me acabei em riso, e em seguida caiu a bateria do telefone. Fiquei devendo o esclarecimento, pois não refizemos a ligação.
Adri, amada, ah, quem me dera se fosse isso… Daria uma turbinada legal no visual do meu quarto, reconheço, mas me cansaria logo. Acho que não agüentaria dormir todos os dias num quarto com cara de motel, ainda que, de vez em quando e em boa companhia, seja uma alternativa, diria, interessante. É claro que conheço esse ambiente de fotos e de “ouvi dizer”… rsrsrs. Também não aprecio um canto que se pareça com um mosteiro. Portanto, nem lá nem cá. A mim basta um quarto que sirva para a sua função básica: dormir. E uma cama espaçosa para espalhar o meu sono.
Essa menina é muito engraçada! Adriana tem um blog (Blitz na tevê), que comenta notícias curiosas, outro sobre o filho dela (O mundo de Guilherme) e me contou que está programando fazer mais um, sobre as agruras da vida de dona de casa. E eu não sei o que é isso, guria? Conheço a parte boa e a nem tanto das lidas domésticas, já passei de tudo um pouco e ainda meto a mão na massa, digo, no serviço. Dois cursos superiores, aposentada, e nunca não tive descanso desse lado rude da missão do lar. No mínimo, a gente precisa saber fazer para poder mandar. E como cansa!!!
Estou tão cansada, amiga, que se eu tivesse um quarto do jeitinho que a tua imaginação criou e mesmo com um príncipe encantado dentro dele, hoje eu viraria para o lado. Boa noite, amor! E bons sonhos, como dizia Roberto Cabrini no antigo Jornal da Noite. A propósito, agora ele está na TV Record. Bonito que só! Mas isso já é conversa para outra hora. Não dá para misturar esses dois assuntos…
Quarta, 9 de Abril de 2008 às 12:27
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Bom dia, corpo! Levanta! O dia já clareou! Meu corpo estava desperto às seis da manhã, mas a minha lombar gritava: “Quero descanso!”. Parte de mim murmurava: “Dorme mais um pouco!”. Outro pedaço dizia: “Está na hora de pular da cama!”. Com um olho aberto e outro fechado, espichei a mão em direção ao relógio para ver a hora, calculei rapidamente o tempo de sono e vi que já tinha cumprido as minhas seis horinhas de sossego, mas me sentia como se recém tivesse me deitado. Dói até o pensamento, que coisa. A cara está amassada como se ontem tivesse ido a uma balada forte. Que nada! A saga da reforma continua, mas – com fé na Deusa – já se encaminha para o final.
Minha amiga Elony Martins se solidarizou comigo em comentário que deixou abaixo do que escrevi ontem. “Reforma é um horror”, disse ela. Concordo, minha linda, e acrescento: as reformas do nosso interior são tão ou mais difíceis, com a diferença de que não acabam. Sempre há entulhos para retirar das emoções e dos sentimentos. Em alguns, se pode botar pinturinha nova; outros, merecem o lixo como destino.
A mestre Elony, tão amada, me lembrou do que, na folia desses dias, esqueci: a faxineira! Depois da saga da reforma, ainda preciso enfrentar mais essa. Quem dá as ordens no serviço doméstico é a minha filha, porque depois de três décadas como dona de casa, já perdi a paciência. Cansei da lida. A minha parte no serviço é recolocar as coisas no lugar e determinar o que não pode ser tocado, por exemplo, a mesa do meu computador e o altar das minhas rezas, duas áreas sagradas! Passa fora! Não mexe! Não olha! Deixa a minha bagunça como está!
Decididamente, os meus conceitos de ordem e de bagunça não são os mesmos da moça que faz faxina em minha casa. Ela fecha livros que estavam abertos, guarda papéis que eram anotações importantes, esconde o que acha que é feio, altera a posição dos elementos que coloquei no altar. Então, antes que eu me descabele e saia gritando porta afora, a medida preventiva se resume a uma frase: “Deixa que eu limpo isso depois”. Esse “depois” se estende até que Camila se impaciente e me diga: “Mãe, está na hora de arrumar isso”, e ela fala com aquele jeitinho que não deixa dúvida.
Já desisti de ter quem arrume meu roupeiro. Daniele, uma amiga minha, pode jactar-se de ter uma empregada que faz isso. Quanto a mim, depois de me esgotar a procura das calcinhas, que estavam guardadas noutro lugar, assumi que essa parte do serviço é minha. Do mesmo modo, eu mesma arrumo aquele monte de tranqueirinhas que têm significado para mim. Pode tirar tudo, mas deixa que eu organizo do jeito como gosto. E os meus livros? Gosto de encontrar cada um até no escuro, porque sei a posição de todos na estante. Podem limpar, mas euzinha recoloco cada um em seu lugar.
O resultado disso é que metade da lida é por minha conta! Cada faxina é uma beleza, tudo fica limpíssimo! Em compensação, quando a moça sai e eu entro em casa, a impressão que tenho é que acabo de chegar de uma mudança… que acontece todas as semanas. Então, não me digam que 30 e poucos anos como dona de casa não cansam. Ai, ai…
às 07:10
Vera Pinheiro