Amigas
Vera Pinheiro
Nesta semana, estou dedicando mais tempo para conversar com minhas amigas. Ontem almocei com uma delas e adorei tê-la reencontrado! Fomos a um restaurante e ali botamos a conversa em dia. Ou melhor, parte dos assuntos, pois, a bem da verdade, precisaríamos de uns três dias para atualizá-los.
Quando as amigas são casadas ou estão namorando, é melhor sair com elas em dias de semana. Sábados e domingos são reservados para maridos e namorados, a menos que se vá a um encontro que os inclua.
A amiga com quem almocei teve um momento de nostalgia durante a conversa. Disse ter saudade do tempo em que vivia sozinha e se dedicava inteiramente a si mesma, ao seu trabalho, aos namoros e às diversões. Tudo isso ocupa tempo, e não é pouco. Depois que se casou, seus compromissos aumentaram com a atenção ao marido e os cuidados com o filho.
Não, ela não está em crise conjugal. Vive bem e está feliz com sua família, mas não deixa de ter vontade - e confessa isso – de ter mais tempo para si mesma e para outros interesses, além da rotina conjugal e maternal.
Muitas mulheres, por mais que odeiem a vida que levam depois de casadas, não dizem absolutamente nada sobre isso. Quando abrem a boca para falar do marido, são apenas elogios. Dizem ser tudo uma maravilha, apesar de várias restrições. A gente quase acredita que tudo o que queriam era servir a pessoa amada e, literalmente, tomar conta dela. Lá um dia, quando se separa, ninguém entende: mas ela não era tão feliz?! Pois é, acontece.
É claro que as pessoas devem proteger sua privacidade e o silêncio vale ouro. Mas não precisa mentir, disfarçar, tentar convencer os outros do que ela mesma não acredita. Sei não, mas geralmente me inspira mais confiança uma pessoa que diz ter um lado bom e outro nem tanto em sua vida do que as que parecem viver um conto de fadas o tempo todo. A realidade pode ser cruel, mas é melhor do que um bocado de ilusões.
Adicionar comentário Quarta, 16 de Abril de 2008 às 18:19 Vera Pinheiro