Arquivo de 17 de Abril de 2008

Saidinha

Vera Pinheiro
Hoje acordei com uma pergunta na cabeça: quanto falta para chegar o feriadão? Ô semaninha agitada! Coitada da semana, ela não tem culpa, eu é que estou cansada por conta das minhas saidinhas. Não concilio, como dantes, a vida profissional e doméstica com baladas. Porém, a causa é nobre: nesta semana decidi dar mais atenção às amizades e colocar a agenda em dia com as amigas. Depois de um chá de sumiço, tomei a iniciativa de procurá-las para explicar por que andei ausente e para matar saudade das conversas animadas e das boas risadas que rendem esses encontros.

Ontem fiz um “happy hour” com uma amiga divertidíssima, verdadeiro antídoto contra mau-humor. Aliás, minhas amigas têm um astral ótimo e me faz muito bem estar com elas. Pena que eu seja pouco dada a saídas, mas ontem fiz uma exceção: fui a um barzinho bem movimentado, lotaaaaaaaaado de gente e barulhento pra caramba!

Estacionar nas cercanias é uma verdadeira ginástica! A gente roda meia hora a procura de um lugar, mas compensa pela diversão. Depois, disputa mesa quase a tapas! Porém uma certeza: querendo ver pessoas, o lugar é aquele. Quem quiser, pode até dar uma paqueradinha, mas não era o meu caso. Eu estava apenas a fim de conversar com minha amiga. Conversar, exatamente, não, isso era impossível. Saí de lá, duas horas depois da chegada, com a voz rouca de gritar para que ela ouvisse. Por que as pessoas falam tãããão alto?! Oh, céus! Quanto valor tem um cochicho ao pé do ouvido. Por isso, quando me encontro com amigas, gosto de ir a lugares onde dá para conversar como pessoas civilizadas, com a voz em tom normal. A amiga de ontem, entretanto, prefere um lugar mais movimentado, então, fui de carona no gosto dela.

A certa altura, já rouquinha, comecei a silenciar e a observar as pessoas que circulavam por ali. Eu estava em traje de serviço, comportadíssima! A maioria das mulheres estava vestida para balada, e talvez dali esticassem para outro lugar. Tampei os ouvidos e olhei para os lados. Cruzes! A multidão parecia enlouquecida! Quando liberei as minhas orelhas de novo, tive a impressão de estar no meio de um monte de pererecas, à beira de um açude, em véspera de dia de chuva, mas as pessoas pareciam alegres. Loucas, mas alegres.

Não agüentei mais de duas horas, fui para casa. Ah, o silêncio, como é bom! A saidinha valeu pela companhia. Minha amiga é muito gente boa! E, a bem da verdade, foi bom ter ido a um lugar movimentado como aquele, até para saber que prefiro outros, em que a gente pode falar baixo e ser ouvida.

Adicionar comentário Quinta, 17 de Abril de 2008 às 12:21 Vera Pinheiro


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