Folga
Vera Pinheiro
Que maravilha abrir os olhos, com a cabeça ainda no travesseiro, e lembrar que hoje é domingo e que amanhã é feriado! Adoro trabalhar, mas um fim de semana prolongado é uma beleza! Não que durma mais ou que não faça nada, pois levantei às 5h45min – o dia sequer havia acordado! – e estou na lida desde cedo. Mas é tão bom ter o dia livre dos sapatos…
Quem inventou as havaianas merece uma almofadinha no céu, porque é o que há em matéria de conforto! E a criatividade das pessoas tornou-as mais bonitas: a gente fica de chinelos, sim, mas com os pés arrumadinhos, uma graça!
Na sexta-feira eu estava há horas no salto e minha filha comentou: “Os teus pés não estão doendo?”. Estavam doendo, sim, mas o que a gente não faz pela elegância… Podem falar mal dele, mas um salto ajeita qualquer roupa, né, não, mulheres? De vez em quando eu me revolto com ele, ando nas rasteirinhas, mas não é a mesma coisa! Já me equilibrei em saltões enormes, hoje procuro andaimes mais baixos, mas de um saltinho, que seja, o panorama é mais bonito. Para mim, tem um adicional: ando mais devagar.
Não ter tanta pressa faz um bem enorme à vida! Para que correr tanto, oh, céus?! A gente já acorda com uma lista de coisas para fazer. Se facilitar, nem cumprimenta o anjo da guarda, já sai correndo! Mal vemos as pessoas, perdemos o contato com elas dentro de nossa casa, e não cultivamos hábitos simples, como tomar café em casa com a família antes de sair para o trabalho. Almoçamos fora e, à noite, enfiamos a cara na internet ou na tevê. Conversamos mais por e-mail do que pessoalmente e assim nossos relacionamentos estão se tornando muito virtuais, uma pena.
Gosto tanto de ficar em casa… Curto as minhas pessoas, os meus bichos, as plantinhas, a paisagem e o prazer de não fazer coisa alguma que me estresse. Uma paradinha dessas é necessária ao bem-estar. É um pit stop na correria da semana. Faço outras coisas, bem diferentes da rotina profissional. Ontem, por exemplo, costurei e fiz umas caixinhas (porta-trecos) com minha filha. A gente não pensa em nada enquanto faz isso, a mente descansa!
Não precisamos fazer coisas interessantes o tempo todo, ter sempre uma agenda lotada de compromissos. Acho ótimo não fazer nada de vez em quando, dar um tempo para a contemplação da vida e ficar comigo mesma por algumas horas, pois, afinal, estou em boa companhia…
Uma pessoa que está sempre ocupadíssima, procurando o que fazer e que não sabe ficar sozinha e relaxada em seu ambiente, geralmente não quer dar de cara com a pessoa mais importante de sua vida, a única que a acompanha 24 horas por dia: ela mesma. A propósito: como está a tua relação com a pessoa que tu és?
Domingo pode ser uma boa ocasião para olhar os próprios pés e perguntar: para onde estou indo? Que caminhos eu percorro? Que calos me doem? Que trilhas já fiz? Aonde quero chegar?
Logo cedo, hoje, me fiz essas perguntas, olhando meus passos, calos e joanetes, que, se não podem ser disfarçados, têm de ser assumidos. Pensava profundamente em minha vida, mas interrompi o pensamento para dizer: que havaianas mais lindinhas! O sorriso foi inevitável e isso já valeu o dia, porque sorrir é um belíssimo exercício.
Que o teu domingo seja de sorriso e paz.

Os meus calos e joanetes não perdem a pose!
Enfeitados - claro! - ficam uma gracinha!
2 comentários Domingo, 20 de Abril de 2008 às 09:31 Vera Pinheiro