Arquivo de 21 de Abril de 2008

Sono e sexo

Vera Pinheiro
Os 48 anos da capital federal serão comemorados hoje com uma festa “do tamanho do céu de Brasília”, na Esplanada dos Ministérios, conforme está anunciado. Haverá shows gratuitos durante o dia todo, e estarão aqui Capital Inicial, Chiclete com Banana, Leonardo, Oficina G3 e o grupo RBD. Pergunta se vou lá. Não, vou comemorar no meu cantinho o aniversário da cidade onde moro e que me acolheu com tanto carinho, há 13 anos. Pude ver no céu a lua cheia, quando acordei às 5h30min, mais cedo do que a aniversariante, que começou a festejar a partir das 7h, e, provavelmente, eu vá dormir antes que a festa termine.

Estou bocejando e sonolenta, não dormi bem. Detesto dormir com a tevê ligada, como aconteceu ontem. Eu queria ver a entrevista do pai e da madrasta da menina Isabella, mas acabei dormindo. Acordei na metade da entrevista e dormi de novo, pois estava cansada. Não desliguei a televisão por não achar o controle remoto sob as cobertas e pela preguiça de levantar da cama. Essa última imagem antes de dormir me deu um sono pesado, intranqüilo. Hoje estou com cara de farra, apesar das horas em que passei dormindo. Posso dizer que sou boa de cama: deito e durmo. Mas, antes, preciso cumprir uma espécie de ritual. Se não faço isso, não durmo direito. Será que estou ficando velhinha e cheia de manias? Talvez.

Porém, devo reconhecer que, desde sempre, tenho manias para dormir e, por isso, não sei dividir a minha cama, larga e espaçosa como eu. Pelo menos, caso esteja aborrecida, não preciso virar de bundinha ou tardar a me deitar. Acho complicado dormir – repito, dormir – com alguém. Por isso, se um dia – possibilidade remotíssima – eu me casar de novo, quero quartos separados. Ou casas separadas. Vidas separadas, cada um na sua. Será que encontraria quem goste disso? Viver em companhia de alguém? Só dos filhos, dos gatos e dos cachorros, que têm vida independente, apesar de praticamente compartilharem o mesmo espaço.

Vivendo na mesma casa, é forçoso aturar o que não gostamos no outro. A pessoa levanta no meio da noite e atrapalha o nosso sono leve. Dá descarga do banheiro e faz aquele barulho de cachoeira no meio da noite. Volta para a cama e puxa as cobertas como se fossem apenas suas. Pergunta se não queremos um copo d´água e a gente, na intenção de continuar dormindo, faz de conta que não ouviu. Então, persistente, a criatura cutuca nosso corpo com o seu – odeio isso, quando estou em sonhos! Tentando dormir um sono inteiro, dizemos, categoricamente, “não quero”. O outro se emburra e na manhã seguinte está com cara de enterro, fazendo bico. Passa o dia inteiro mal-humorado e, até que sejam atendidos os seus desejos sexuais, não há o que melhore a vida para ele. Ah, que preguiça disso…

Quem foi que disse que sexo tem hora marcada, tem de ser antes de dormir, no meio da noite ou ao acordar? Acho tão mais divertido o sexo diurno! Assim, no meio do dia mesmo, dando um intervalinho na rotina, no horário do almoço, numa escapadinha antes do próximo expediente ou no fim da tarde, início da noite.

De manhã cedo, não, apesar de tudo de bom que dizem a respeito. Beijo babado e sem escovar os dentes, depois de uma noite de sono, não é exatamente a minha preferência, e o chuveiro me chama nesse horário e me desperta com boa disposição. Além disso, por não jantar, meu apetite matinal é todo voltado para a mesa do café, sinto muito. “Dá para ser mais tarde?”. Não dá, o homem quer que seja na hora do entusiasmo dele. De modo geral, claro, afinal, as exceções existem para confirmar as regras.

À noite, de banho tomado, com os olhos fechando, cansada, se o outro insistir, o máximo a dizer é “está bem, vamos lá…”, não por estar a fim, mas para se livrar do encargo, e com cara de quem vai pra forca! Ei, hoje é Dia de Tiradentes, mas isso é outra história. A gente se sente quase esquartejada, fala sério!

Essa parte dos “deveres conjugais” é um cansaço. Sexo é bom, muito bom, mas quando a gente está com vontade. Não apenas para satisfazer o outro, mas para sentir prazer com o outro. Se não for assim, e sendo uma obrigação, é melhor adotar o lema de uma amiga minha. Ela sempre dizia: “Cueca de homem, só embaixo da cama, de vez em quando. Na gaveta, nunca!”.

Se bem que, pela última notícia que tive dela, está casadíssima! Então, quem sabe, eu possa mudar de idéia…

3 comentários Segunda, 21 de Abril de 2008 às 08:00 Vera Pinheiro


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