Choro
Vera Pinheiro
Se eu chorar diante de ti, não julgues razões aparentes, elas explicam quase nada. Pode ser que eu chore demais por qualquer coisa e não chore pelas dores fundas e mágoas sérias. Talvez o meu choro por uma bobagem pareça exagerado, mas, quem sabe, é o que me faz sair da rigidez que não me deixa chorar por tudo, e talvez necessitasse.
Se eu chorar por um motivo que não seja grande, não tentes proibir as minhas lágrimas. Uma coisa sem valor é banal para lágrimas em quantidade, mas abre meu coração para deixá-lo chorar por tristeza a que não se curvou um dia, mostrando-se mais forte do que parece e é.
Se eu chorar pelo que não entendes, respeita. Não tens culpa de minhas lágrimas, pois extravaso no choro o que estava reprimido em mim.
Deixa-me chorar, se eu sentir vontade. Não me cobres o riso que some, de vez em quando. Chorar por tudo é demasiado, mas não chorar jamais é tolher emoções para as quais não há argumentos.
Não me tenhas por ridícula se eu chorar de alegria, não impeças minhas lágrimas de contentamento. Não me censures pelo choro que não chorarias. E, sobretudo, não rias do meu choro, não desmereças a dor que expresso sem contar sobre ela. Pode ser até que eu nem saiba por que choro. Se eu chorar sem um motivo razoável, talvez eu não queira nada com esse choro. Dá-me, então, o teu abraço e ele será o meu consolo pelo que ainda não consigo evitar o choro.
Não silencies e não me critiques, se eu chorar à toa. Ouve as minhas lágrimas, pois elas dizem o que, simplesmente, eu não sei dizer.
3 comentários Terça, 22 de Abril de 2008 às 16:50 Vera Pinheiro