Arquivo de 24 de Abril de 2008

Quem educa?

Vera Pinheiro
Meu machucado no dedo está de aniversário hoje. Há dois meses, me meti na briga dos cachorros e um deles me mordeu. Está feio o meu dedinho, apesar de tratar dele todos os dias. Outro dia, conversei com o pai, digo, o veterinário deles e me queixei da mordida. Ele também não admite que cachorro morda o dono, mas há situações que devem ser contornadas e compreendidas. É o caso.

Dr. Augusto é muito amoroso com os animais e um excelente profissional. Ele me ensina a me relacionar melhor com os bichos, ouve meus lamentos e preocupações e cuida de me informar as datas de vacinação, não preciso me preocupar com isso. Quando acontece um problema que não sei resolver sozinha, ligo para ele, choro, peço ajuda. Ele tem tanta paciência comigo quanto com a minha família animal, que ele cuida desde o primeiro bichinho, há oito anos. Embora aumentasse a clientela dele, o veterinário sempre botava as mãos na cabeça quando eu anunciava: “Mais um filhote para o senhor cuidar!!!”. Está bem, já prometi aos meus filhos humanos que encerrei a conta: dois gatos e quatro cãezinhos bastam, e mais que isso eu não agüento sustentar. Não é fácil nem barato mantê-los cuidados, com saúde, dar ração da melhor e carinho, mesmo que me mordam de vez em quando.

Mal comparando, desculpem, é como cuidar de filhos. O ideal é a educação compartilhada, mas algumas famílias, como a minha, são desfalcadas e a gente precisa se virar sozinha para dar conta de tudo. É possível, dá certo, mas não é fácil. Não se pode ter a pretensão de ser duas pessoas ao mesmo tempo, pai e mãe. Podemos ser pai e mãe esforçados, mas sem achar que podemos suprir totalmente a falta do outro ou substituí-lo.

Observo que algumas famílias têm pai e mãe… e filhos muito mal-educados! O casal não se entende na educação da família: um manda e o outro desmanda.

Vejo famílias em que o pai é um folgado! Fica com a parte boa do convívio e deixa o lado rude para a pobre mãe, que cuida de tudo. Ele é o bonzinho da história, ela – coitada – é a megera, a que diz “não”, impõe limites e ordem na bagunça, quem educa mesmo.

E constato que há mães que são dependentes do pai para a educação de seus filhos. Não têm autoridade, deixam que ele faça o que ela poderia fazer na hora, sem deixar para depois. Mimam demais, passam a mão nos erros dos filhos e, quando não dão conta, dizem, em tom de ameaça: “Vou contar pro teu pai”.

Quando não se tem com quem compartilhar a educação dos filhos, a gente aprende e ensina ao mesmo tempo, e os pimpolhos são cobaias do nosso aprendizado e nossos mestres.

3 comentários Quinta, 24 de Abril de 2008 às 08:15 Vera Pinheiro


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