Arquivo de 25 de Abril de 2008

Os que chegam e vão

Vera Pinheiro
Visitas são muito bem-vindas em nossa casa. Gosto de receber pessoas aos domingos, o único dia mais ou menos livre da semana. Aos sábados, preciso resolver assuntos pessoais e domésticos que ficaram pendentes por falta de tempo. Isso inclui ir ao supermercado, que não é exatamente o meu programa preferido, mas necessário; levar os cães ao pet shop, arrumar minhas coisas, enfim, sem mais detalhes, é a rotina de uma mulher que trabalha fora e é, ao mesmo tempo, dona de casa. Sem falar que, aos sábados, mal abro os olhos e a faxineira já chegou e o quintal está à minha espera.

Meus amigos costumam ligar antes de fazerem uma visita. É uma delicadeza que também adoto. Só porque é domingo, não significa que a gente não tenha nada para fazer ou que possa receber pessoas para o almoço. Também não quer dizer que estejamos dispostos a juntar um grupo por demais heterogêneo, que não tem nada em comum.

Chamo pessoas que têm o que conversar entre si, enquanto estou envolvida com a cozinha. Ainda não aprendi a deixar tudo pronto, e quando fiz isso me arrependi, pois as visitas atrasaram e a comida ficou requentada. Os amigos me dizem a que horas chegarão, não importa qual seja a hora, e, então, posso administrar o meu tempo de um jeito melhor.

Quando estava com pedreiros em casa, alguns amigos me ligaram. Queriam fazer uma visita. Sinto muito, mas não posso receber pessoas para almoço no meio da poeira, com os cachorros correndo em volta e a casa toda revirada. Preciso me sentir tranqüila e feliz para receber bem, do jeito que gosto. E gosto muito de visitas, embora algumas delas mereçam se enquadrar na crônica que escrevi e que vou publicar amanhã aqui no blog e no jornal A Razão (Santa Maria, RS). “Visitas” é um escrito que contém fatos reais, mas não exclusivos, pois acredito que muita gente já passou, ao menos perto, do que descrevi.

Visitas são adoráveis… se as pessoas também são, isso é uma verdade. Com algumas nos sentimos muito bem, mas outras nos desassossegam, e falo delas na minha crônica da semana que, aliás, não me exclui. Aproveitei o tema para fazer um “mea culpa” e concluí que as pessoas me adoram como hóspede, mas ficam muito contentes quando me despeço delas.

Visitas são pessoas que chegam e vão embora. Algumas deixam recordações felizes e outras, enormes lições sobre o que não fazer quando se está hospedado na casa de alguém.

Adicionar comentário Sexta, 25 de Abril de 2008 às 10:56 Vera Pinheiro


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