Arquivo de 9 de Maio de 2008

Carta

Vera Pinheiro
Usei um tempão da manhã para apagar mensagens dos meus e-mails, lotados de ofertas de presentes para o Dia das Mães! Tinha de tudo um pouco, até link para compra de viagra, imagina só! Não carece, obrigada! Estou operando em faixa etária mais abaixo da utilidade do produto.

Não preciso de presentes para me sentir homenageada nessa data. Mãe é missão de todos os dias, e assim será pela eternidade. Então, dispenso o presente e evito dizer aquela frase: “Ora, não precisava!” e não ouvirei outra: “É só uma lembrancinha!”. Mas não dispenso cartãozinho. Adoro os cartões que os filhos me dão!

A crônica da semana é sobre o tema, claro. Não fugiria do assunto, mas fiz diferente neste ano. Resolvi fazer uns pedidos para o Guilherme e a Camila em carta que escrevi a eles e que será publicada no jornal A Razão, de Santa Maria, RS, e aqui no blog, amanhã. “Aos meus filhos” é o título do meu escrito do coração.

Espero que eles se lembrem, daqui a séculos, do que lhes digo na crônica desta semana. Posso contar com isso, porque ambos têm uma memória privilegiada, benza Deus! Que a Grande Mãe abençoe a memória deles para os estudos e esqueçam a minha porção não muito boa. Eles são capazes de reproduzir com a mais absoluta fidelidade tudo o que disse ou fiz ao longo de suas vidas, e muitas vezes até já esqueci os fatos. Dou um escorregão e lá vêm eles! “Tu fizeste isso no dia tal, a tal hora e em tal lugar”, “Tu disseste tal e tal coisa para mim”. Será que isso acontece com as outras mães?!

Filhos sempre se lembram das nossas brigas, de todas as broncas que demos, de tudo o que fizemos e do que eles não gostaram em nós. Deviam lembrar-se apenas do melhor das mães! Na realidade, a minha crônica manda um recado-sugestão aos filhos de todas as mães: valorizem o que temos de melhor, as nossas virtudes e o nosso imenso amor. Se erramos, compreendam que tentávamos acertar e que contribuíram para o aprendizado da totalidade do nosso ser. Não se apeguem tanto aos nossos defeitos, portanto. Somos mães, mas não somos modelo de perfeição!

A minha mãe, que tem 86 anos, sempre disse quer mais amor em vida do que flores em seu túmulo. Acho que ela tem razão. Falando nisso, estou louca de saudade dela e penso em ir logo ao Rio Grande do Sul. Vou marcar a data! Quero chegar mais uma vez diante dela e fazer o que sempre faço: pedir “bênção, mãe”. Adoro isso!

Em tempo, filhos: a grande vantagem de se ter uma péssima memória é apreciar as coisas boas da vida como se fosse sempre a primeira vez. Quem disse isso foi Nietzsche, mas eu comprovei.

Adicionar comentário Sexta, 9 de Maio de 2008 às 08:56 Vera Pinheiro


Calendário

Maio 2008
S T Q Q S S D
« Abr   Jun »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta