Arquivo de Junho de 2008
Vera Pinheiro
Agora é tocar em frente, pois a vida continua. A gente fica muito feliz por uma conquista, mas não deve estacionar, precisa ir adiante, fazer novos planos e buscar outras realizações! Aproveita-se toda a felicidade que cabe num momento, mas se vislumbra o mais que a vida tem para dar. Sigamos, pois!
Tenhamos mais um dia feliz!
Segunda, 30 de Junho de 2008 às 08:54
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Às dez da manhã, em frente ao espelho, eu cuidava da maquiagem e dos cabelos para estar, no mínimo, bem apresentada. Afinal, a ocasião merecia que eu estivesse no prumo! Por fora, isso estava mais ou menos garantido, mas por dentro… quanto reboliço!
- Zô, quando fui para a maternidade, eu estava nervosa assim?
- Nãããão! Lembras que, no dia do nascimento do Gui, não saíste da mesa antes de terminado o prato de carreteiro com milho, e pedias para eu contar o intervalo entre uma contração e outra?
- Lembro, claro! Estava uma delícia aquele arroz de carreteiro, nunca comi outro igual! Só que deu trabalho extra na chegada ao hospital, mas deixa isso pra lá.
- Na véspera do parto da Camila, dormiste como uma princesa! Todos ao teu redor perderam o sono, preocupados com as contrações cada vez mais freqüentes, mas tu dormias sossegada.
- Então, preciso me acalmar! Vou fazer respiração de cachorrinho! Estou me sentindo numa maternidade, juro! Ô, merda, borrou o rimel! Cadê o cotonete? E o algodão? Porra, acabou o meu “Leite de Rosas” justamente hoje!
- Calma, Verinha, vai dar tudo certo.
- Eu sei que vai dar tudo certo, mas estou nervosa, fazer o quê? Não tenho mais vinte e poucos anos como na época do nascimento dos meus filhos! É muita emoção!
Na sexta-feira, acordei de madrugada para o compromisso que seria às 13h30min. Fiz tudo mais cedo para não haver atraso e pedi folga no trabalho. O vice-presidente da República não era mais importante do que minha filha, no dia em que ela apresentaria à banca a sua monografia, depois de meses de muito trabalho. Que bom que entenderam isso e me liberaram sem dificuldade.
Enfim, chegara a data tão esperada. Para nós era uma emoção dobrada, pois o trabalho de conclusão do curso de Psicologia significava a própria formatura, já que Camila decidiu não participar da cerimônia e vai receber o diploma no gabinete do reitor. Para mim encerrava-se uma etapa começada há 22 anos, quando Guilherme, meu filho mais velho, ingressou na escola. Finalmente, ambos já têm profissão e posso ficar em paz. Tudo o mais da vida acadêmica deles será acréscimo, a minha parte era proporcionar-lhes o básico, graduação em curso superior, ao menos.
- Estou bem assim?
- Estás ótima!
Zoé, amiga há 30 anos, viu meus filhos nascerem e veio do Rio Grande do Sul para assistir a apresentação oral da monografia da Camila no UniCeub de Brasília. Ela tem uma memória fantástica e, juntas, recordamos algumas passagens memoráveis da vida das crianças, como o medo de deixá-los irem sozinhos à escola pela primeira vez. Eu deixei, mas fui atrás, acompanhando-os à distância, e assim foi com ambos, até que tivesse segurança de que eles saberiam ir e voltar sem companhia.
- Ah, não gostei…
Tirei a roupa, vesti outra. Tirei aquela e escolhi uma calça jeans. Ah, esse brinco, não! Estava com ele quando viajei para o Sul e a viagem foi uma confusão na ida e na volta.
Parecia uma guria que vai ao encontro do primeiro namorado. Ansiosa, não via a hora de terminar aquela espera de tantos anos, o fim de uma jornada de estudos que começou com Gui e se encerrava com Camila.
- Até há uns dias, ela era uma menina!
As cenas da infância dos meus filhos passavam pela memória e eu, nervosa, uma pilha!
- Cadê Camila?
- Está no quarto, repassando a apresentação.
A voz de Zoé era miudinha, quase um sopro, enquanto eu me esganiçava no meu quarto, feito uma noiva aloprada! O silêncio da minha filha era retumbante no meu coração.
- Cadê Camila?
Devo ter perguntado isso umas 50 vezes, até que ela saiu do quarto dela, pronta para enfrentar seu desafio.
- Filha…
Ufa, que alívio, ela já estava ali, na minha frente.
- São 12h30min, vamos logo…
Ela sorriu, pegou a mochila e a bolsa, que já estavam prontas (ela é organizada; a mãe, nem tanto. Na última hora, eu ainda juntava as tralhas da minha bolsa). Saiu silenciosamente, e eu, muda! Calei a boca para não atrapalhar a concentração dela.
Entrei no carro na pose de motorista, só me faltava um quepe!
- Verinha, pegaste o teu casaco?
Nem respondi! Desci do carro às pressas, me atrapalhei na abertura do portão, não conseguia enfiar a chave na fechadura da porta, voei sobre o gato preto, que fugiu de mim, apavorado, entrei no meu quarto como um foguete, peguei o casaco, tranquei a porta de casa, driblei os quatro cachorros que tentavam subir nas minhas pernas, fechei o portão de novo e, ufa, dei partida no carro. À essa altura, eu já tinha pensado de tudo um pouco: botei gasolina? Calibrei os pneus? E se furar um pneu?
- Calma, mulher, calma, vai dar tudo certo.
Eu falava comigo em silêncio. Não liguei música no carro, rezava sem parar e pedia à Deusa que abrisse todos os caminhos, já que a estrada por onde passaria está há mais de mês em obras, e às vezes se espera quase meia hora no trânsito, agora de uma só pista. Pois em três trechos interrompidos, a plaquinha me dizia: “Siga”. Eu sorria, aliviada, sem olhar para Camila, concentradinha ao meu lado. Zoé estava muda no banco de trás.
Chegando à faculdade com folga de meia hora, pela primeira vez minha filha abriu a boca – pintadinha de batom, claro, porque ela não esqueceu disso: “Estaciona aqui, mãe”. Botei o pé no freio imediatamente, sem argumentar. “Mas que caminhada, oh, céus! É mais de um quarteirão!”. Parece que ela ouviu meu pensamento e disse: “A essa hora não tem vaga perto da entrada, é melhor deixar o carro aqui”. Não discuti, saí na corrida atrás dela, já pensando no meu par de tênis que está sempre no carro. “Por que, raios, estou com esse salto?!”. Lembrei do tempo em que a levava pelas ruas de Santa Maria, ela com um avental azulzinho do Pré-Primário no Bilac. Em passos seguros, ela entrou no prédio e eu me deparei com uma escadaria. Ah, não… mais isso!!! “Vamos descer, mãe”. Ela consegue ler o meu pensamento, impressionante. “Ainda bem”, pensei, já arrastando o salto e de pernas moles. Senti vontade de calçar os tênis, de tirar os sapatos, mas me recompus. Foi só uma vontade, que dá e passa.
Para lá e para cá, eu e a Zoé esperando, esperando. Minutos intermináveis. Camila conversava tranqüilamente com os colegas, e todos aguardavam a chegada da banca de professores. Eles entraram na sala como generais da educação – a minha visão deles não era outra, talvez por conta da minha infância, no tempo da ditadura. “Vão trucidar a minha menina”, pensei. “Mas ela está bem preparada, o trabalho é excelente, eu li”. Duas vozes dentro de mim: uma gritava, outra acalmava. O pensamento não parava nunca, mas eu estava colada na cadeira, sem mover uma unha! Zoé também não se mexia, mas já tinha devorado a segunda falange dos dedinhos.
Camila era a primeira a fazer a defesa de monografia. “Melhor, assim acaba logo”, tentava me convencer, desviando o pensamento da possibilidade de encontrar o ambiente acadêmico frio. E já tinha pensado, claro, se ela teria levado o CD com a apresentação, se pegou aquela canetinha de luz na ponta, bem professoral, que dei a ela, se o computador da sala iria funcionar direito, sem ter chilique maior que o meu, se não o tivesse contido a duro esforço. A banca se acomodou, as pessoas se sentaram, Camila foi à frente, ligou os equipamentos e começou a falar, sem nenhum sobressalto, sobre a monografia, que versava sobre o tema “Subjetividade e doenças crônicas: os desafios da emergência do sujeito”.
Apresentou o trabalho nos 15 minutos de tempo concedido, nem mais nem menos, na risca do ponteiro! E eu, que odeio relógio, estava com o da Zoé no meu pulso. Pedi emprestado para acompanhar o tempo. Depois da apresentação, ela se sentou – ai, meu Deeeeeus – na frente dos professores para ser argüida por eles. Eu a via de costas e imaginava o seu anjo da guarda atrás dela, a minha deusa madrinha mais atrás, Iansã de um lado, Santa Sarah do outro e o Dr. Celso olhando tudo. Vai terminar quando, oh céus? Minha filha, imperturbável, respondeu a todas as perguntas e eu quase caí da cadeira quando um dos professores ergueu para o alto o trabalho impresso dela e bradou: “esta monografia é para mestrado”. Senti vontade de chorar, mas fiquei firme. O esforço e competência dela haveriam de ser recompensados.
Aplausos, beijos, abraços e um grande alívio. Na verdade, um breve alívio, porque a nota só sairia às 18h. Assistimos as outras apresentações e saímos da sala, enquanto os professores se reuniam para discutir as notas. De novo, me sentia num corredor de maternidade, esperando um filho nascer. Camila começava a dar sinais de cansaço e, de vez em quando, se apoiava em mim. Eu estava firme, forte e sorridente, mas por dentro era só angústia. Mãe sorri mesmo quando está para ter um ataque histérico, impressionante!
Ela foi a primeira a se apresentar, mas a nota saiu no meio da lista. Para ouvir a voz do professor, minhas orelhas se tornaram maiores do que são! Camila obteve a nota máxima!!! Fechou os olhinhos, sorriu e eu a abracei, sem levantarmos. Depois lhe dei um grande abraço e me senti premiada por todos esses anos, mais de duas décadas de escola e universidade dos meus filhos. Mal consegui balbuciar um agradecimento aos professores quando me cumprimentaram pelo brilhante desempenho dela na universidade.
Já se haviam passado mais de 12 horas da última refeição, de manhã cedo. Ninguém conseguiu comer durante o dia, a vontade de comer começou a bater depois do resultado. Fomos jantar num lugar bonito, à beira do lago Paranoá. Dei-lhe um presentinho e um cartão de cumprimentos, feito na véspera.
- Tu escreveste isso antes de eu me apresentar…
- Filha, é chato dizer isso, mas… mãe sempre sabe, e de véspera!
Tudo era riso, então. Brindamos ao acontecimento, sentindo saudade dos ausentes, pessoas importantes para nós. Brindamos com suquinho e refrigerante. Na chegada ao Pontão, como se chama o local onde há vários restaurantes ótimos, policiais monitoravam o grau etílico das pessoas, e, no retorno, encontramos uma blitz de plantão. Por aqui, a fiscalização está atenta para o cumprimento da lei que proíbe álcool a quem está na direção de veículo. Eu estava de “mãetorista” e dei cabo da missão até o fim.
Camila mal conseguia manter os olhos abertos, de tão cansada que estava. Dormiu logo que chegamos em casa e eu fiquei acordada até de madrugada. Não podia dormir de tão feliz! Acordei muito contente, mas de ressaca pela tensão, um tanto exagerada, talvez. Ou terá sido pelo suquinho?
Ao meio-dia, desmontei! Chorei toda a emoção guardada nesses dias, nesses anos, ao entregar à minha filha a única jóia de família que possuo, um anel de minha mãe, que ganhei dela há alguns anos. Dei o anel à Camila como símbolo da força feminina. Esse anel é um bem inestimável para mim, e passei para ela como amuleto. Lembra-te, amada filha, da força que nunca me faltou nem à minha mãe. E sejas feliz sempre! Só disse isso, e chorei nos braços dela.
O resto do sábado eu passei molezinha, sem forças nem para pensar. Nada demais, é que tenho reações retardadas: agüento firme enquanto for preciso, somente choro depois do caso passado.
Então, entendi por que me senti numa maternidade: estava nascendo a psicóloga Camila Pozzer! Filha, que a tua carreira te dê tanta felicidade como a tua vida dá a nós todos os dias. Muito obrigada por mais esta imensa alegria! Beijos e bênçãos da mãe, do mano Gui, da tia Zoé, com au-au do Buddy, Lucky, Placky & Billy e miau do Happy. Abençoada sejas! Abençoada és! Somos muito felizes contigo!
(No post abaixo, registro de alguns momentos que contei aqui)
Domingo, 29 de Junho de 2008 às 08:51
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Aqui estão algumas fotos feitas na última sexta-feira, quando Camila Pozzer apresentou a sua monografia de conclusão do curso de Psicologia no UniCeub, em Brasília. Esse momento representa o fim de uma longa caminhada, como explico no post acima, “Uma jornada e tanto!”. Mais ainda haverá pela frente, mas já será outra história, com novas lições e muita gratidão à vida. A magia de viver tem disso: a gente fecha um ciclo e abre outro. Sucesso sempre, minha filha. Inteligência, capacidade e competência tens de sobra!
A defesa da monografia
Na frente dos professores
Com a banca avaliadora
Profª Valéria Mori
Prof. Orientador Dr. Fernando González Rey
Profª Cynthia Ciarallo
Esperando a nota
Zoé Missel veio do RS para esse momento
Um abraço de felicidade
Ex-professor do Caseb, hoje do UniCeub
Brinde com suquinho
Cartão feito na véspera
Com Zoé Missel
Cansada, mas feliz!
às 08:50
Vera Pinheiro
HERANÇA
Vera Pinheiro
Damos aos filhos tudo o que podemos, e nisso não há mimo nem excesso, apenas expressa o que é da essência de pais e mães: o gosto de oferecer o melhor, o máximo, o maior, não raro em detrimento do próprio bem-estar e a despeito do pouco merecimento dos beneficiários.
“Mãe não morre engasgada”, diz a sabedoria popular. Ela tira da boca o pão, fica sem comer, mas o filho, não. O pai se desvela para assistir a família em todas as suas necessidades. E quem for pai e mãe ao mesmo tempo se compromete duplamente com o conforto dos seus, tantas vezes deixando-se de lado para que os filhos tenham o que não pôde alcançar ou o que esqueceu de querer para si.
Evitando que falte algo, os pais trabalham a morrer todos os dias, acumulam bens para deixar aos descendentes e adiam interminavelmente a realização de seus desejos. Resta no calendário do “um dia, quem sabe” a viagem que nunca foi feita, o bem que não compraram, o sonho que não se concretizou. Tudo, ou quase tudo, fica para depois. Afinal, na ordem das prioridades, o que vale é: “primeiro, os filhos”. A eles, tudo. Aos pais, o que sobrar.
Há os que se submetem a julgamento dos filhos e agem como se devessem receber aprovação daqueles aos quais deram a vida e sustentaram. E, lamentavelmente, não é raro que convivam com desaforo, dedo em riste e a voz mais alta do que o recomendável pelo respeito que tentaram ensinar e não conseguiram.
Para muitos pais, transmitir herança é uma meta perseguida. Preocupam-se em deixar aos rebentos já crescidos o que eles mesmos não receberam, a fim de poupar-lhes o esforço de ganhar a vida. Um pecúlio, mínimo, que seja; um seguro de vida, ao menos, propriedades e bens materiais de toda ordem se tornam verdadeira obsessão, no intuito de que a sua partida não signifique baixar o padrão de vida a que a família foi acostumada, embora só os mais velhos tenham contribuído para isso.
Pensando bem, o que importa realmente deixar como herança? No rol de bens, quais seriam indispensáveis aos filhos que amamos tanto? Que legado seria essencial à família?
Amor deve ser transmitido em vida. Mas não basta dar amor, é preciso que ensinemos a compartilhar esse sentimento, de modo que não haja recusa, tampouco vergonha de manifestá-lo, e que, em vez de cultivar egoísmo, procurem reciprocidade. Ensinar a amar na teoria não é o bastante: para se tornar hábito, o amor precisa ser experimentado na constância do convívio.
Perdão não é para deixar em testamento e, sim, para vivenciar no cotidiano, e há muitas ocasiões de experimentá-lo. Perdoar dentro de casa, uns aos outros, é uma prática que ajuda muito os filhos quando eles colocam a cara no mundo.
Despertar gratidão no coração auxilia a desenvolver a capacidade de reconhecer o bem recebido e a se tornar alguém que aprecia a vida.
Uma profissão faz parte desse espólio. Mas não basta aconselhar que se tornem bons profissionais, é importante estimular a serem autoconfiantes, e que enfrentem sem temores a concorrência, nunca desanimando perante as dificuldades e tropeços da carreira. É valioso sugerirmos impingir qualidade em tudo o que fizerem, desde que não se tornem exigentes ao extremo e não cobrem excessivamente dos outros e de si mesmos. É útil recomendar que não desalentem se a vida não lhes fizer todas as vontades, e mostrar-lhes o que é respeito próprio e consideração pelos demais.
Podemos deixar um estoque de boas lições com o nosso exemplo e nada será mais educativo, bem como alguns pedidos: que não façam o que lhes prejudique e nos preocupe; se cuidem bem, já que não podemos tomar conta deles pela vida afora; sejam gentis e se mostrem bem-educados, porque bons modos abrem portas e corações, que sejam honestos, sobretudo com a sua consciência, pois ela cobra mais do que todos o fariam.
Na realidade, o maior patrimônio que podemos deixar aos filhos são os bons valores humanos, éticos e morais que depositamos todos os dias na vida da família, além de belas recordações e da saudade, claro.
(*) Crônica publicada no jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria, RS, edição de 28 e 29 de junho de 2008.
Sábado, 28 de Junho de 2008 às 00:52
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Do que é feito o coração de uma mãe eu não sei, mas certamente foi moldado no amor! Os pais também amam, e muito, mas não posso falar por eles, embora exerça a função de pai no que for preciso e eu puder atender, sem substituí-lo.
Quando amigas minhas, ainda sem filhos, me achavam um tanto exagerada no exercício da missão, costumava dizer a elas: esperem até que tenham seus filhos e verão que é assim mesmo! Mãe nunca mais é dona do próprio coração, ela o entrega aos filhos. Depois que eles nascem, a gente dorme com um olho aberto e outro fechado, o sono jamais é o mesmo, e não importa a idade que tenham. Ocupamo-nos com eles mesmo que não precisem de nós, e pela vida afora ficamos na torcida para que tudo na vida deles seja somente acerto, paz e felicidade. Uma dor de barriga que tenham nos põe em pânico, e gostaríamos de transferir para nós qualquer preocupação, dificuldade e angústia deles. Isso não significa que pensemos serem eles pessoas frágeis, mas, isto sim, que uma dorzinha deles afeta o nosso bem-estar, uma lágrima deles nos faz chorar, uma tristeza que sintam é maior em nós.
Do mesmo modo, uma alegria que vivenciem é maior ainda para nós, a felicidade deles é melhor do que tudo o que possa nos fazer feliz, uma vitória que alcancem é triplicada em nosso coração. Daríamos tudo para que os filhos fossem sempre felizes e, se pudéssemos, os pouparíamos do que não fosse bom nesta vida, apesar de sabermos que eles têm de trilhar a sua história e fazer a vida por conta própria.
Quando não podemos ajudar diretamente, oramos! Aliás, ficamos sempre no plantão de orações, em conexão com o Poder Divino, e convocamos o anjo da guarda deles a todo instante, mesmo que não estejamos perto e não participemos de suas escolhas.
Na parte material, tentamos oferecer o que estiver ao nosso alcance e nos preocupamos com o que vamos deixar a eles. Qual será o nosso legado aos filhos? Uma boa poupança, bens, propriedades, seguro de vida?
Pensando nisso, escrevi a crônica “Herança”, a ser publicada amanhã aqui no blog e no jornal A Razão, de Santa Maria, RS. Pedindo licença para sugerir, pensa no que deixarás aos filhos, se os tiveres. Se não tens filhos, faz uma reflexão sobre o assunto. O que recebeste dos teus pais? O que gostarias que te deixassem como herança?
Eu pensei bastante no que recebi e agradeci muito. E me questionei bastante sobre o que deixarei para Camila e Guilherme, que são tudo em minha vida! Não tenho pressa alguma em apresentar o meu legado, claro, mas acho bom pensar a respeito, até porque posso modificar o “testamento”, ou seja, mudar o meu comportamento como mãe para tentar ser um pouco melhor do sou e posso ser. Afinal, como todos, sou uma obra humana ainda incompleta. O que não mudará jamais é o meu imenso amor por eles. Aliás, o amor mais bonito e compartilhado, o que sempre só me fez feliz.

Minha família, meu tesouro!
Sexta, 27 de Junho de 2008 às 09:23
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Não sei se sou forte ou se apenas me supero. Não sei se sou dura ou se apenas me vergo, mas não quebro. Não sei se sou corajosa ou se tão-somente não me concedo o direito de ser fraca. Não sei se sou realmente firme ou se não me permito abater, prostrar, derrubar.
Às vezes, me sinto cansada, mas me refaço logo. As miudezas do comportamento humano me aborrecem, então, tento desconhecê-las, passar por cima, deixar de lado, e me pergunto quanto ainda terei de aprender com elas. Sobretudo, se um dia poderei não me importar tanto.
O convívio com os outros é um eterno aprendizado de superação não do que está além de nós mesmos, mas do que somos. E se não podemos modificar ninguém, podemos alterar o nosso modo de agir em relação aos outros. Não damos segundas e terceiras chances a alguém, mas vencemos, uma vez mais, o nosso ímpeto de sacudir, arrebentar e romper. Isso cansa, porque precisamos domar com determinação e sutileza de espírito as feras que habitam o nosso interior. Apascentando o coração, a calma retorna e temos de novo o controle das nossas emoções, o grande mistério que nos faz não perder o rumo, não sair do prumo, apesar do que os outros fazem, dizem e são. Mas cansa, admito.
Quinta, 26 de Junho de 2008 às 08:55
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Amadas e amados, estou na pressa! Acordei atrasada e ainda cansada de ontem, que, aliás, foi um dia “daqueles”, uma saga! Não bastou uma noite de sono para me recuperar dele. Rende um escrito, mas estou sem tempo para escrever agora. Pretendo voltar mais tarde, se der uma brecha no meu dia. Enquanto isso, deixo com vocês um texto que recebi hoje e que achei muito divertido. É sobre maridos, apesar de eu quase não lembrar o que é mesmo um marido, depois de mais de década sem um …
Para as mulheres que ainda não se acostumaram com as novas tecnologias e para os homens poderem classificar-se:
Sabes o que é um marido DVD?
- Aquele que Deita,Vira e Dorme.
E um DVD-R?
- Aquele que Deita, Vira, Dorme e Ronca.
E um marido CD?
- Aquele que só Come e Dorme!
Moral da história:
- Não há nada como os velhos VHS!
Várias Horas de Sexo!!!
Quarta, 25 de Junho de 2008 às 08:55
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Para tudo e qualquer coisa precisamos de boa vontade. Até para fazer um cafezinho, pois sem boa vontade o café não vai prestar. Para viver precisamos de força de vontade, e com ela superamos as dificuldades, contornamos os obstáculos e fortalecemos nossos ideais. Quem tem força de vontade vai mais longe, não se entrega às limitações, não se acomoda no meio do caminho, vai adiante, enquanto muitos apenas se queixam da vida, do que são e do que têm.
Fiquei impressionada com a força de vontade de um estudante de jornalismo, Eduardo Purper, de 22 anos, que não escreve nem enxerga em razão de paralisia cerebral de que é acometido. Para cumprir a exigência de final de curso, ele teve a idéia de apresentar a monografia falada. O tema será “Análise Semiológica de Narrações de Futebol”, em áudio, e será apresentada hoje no Centro Universitário Metodista IPA, em Porto Alegre (RS), onde ele estuda. Se tiver o trabalho aprovado, Purper será o primeiro formado em jornalismo com paralisia cerebral no Rio Grande do Sul, segundo o sindicato gaúcho dos jornalistas.
“Mesmo com limitações físicas, ele cumpriu todos os processos propostos e foi além das expectativas”, disse a doutora em semiologia Mariceia Benetti, orientadora do projeto. O formato do trabalho, ensaio acadêmico gravado, também é inédito no Estado. O objetivo da pesquisa foi verificar os indícios de parcialidade dos narradores esportivos nas transmissões de futebol das rádios Gaúcha e Guaíba. Rádio e futebol, aliás, são duas paixões de Purper. Ele faz estágio na rádio local IPA e produz o programa “A palavra é sua”, semanal de entrevistas, segundo reportagem que li nesta manhã.
A baixa capacidade visual de Purper o levou a desenvolver alta capacidade de memorização. Desde a escola, faz provas orais, já que não enxerga nem escreve. As “anotações” da monografia, Eduardo Purper tem todas “de cabeça”. As referência bibliográficas que teve de incluir no trabalho foram feitas com a ajuda do pai, Ricardo. Foi ele quem leu em voz alta os livros de que Eduardo precisava e gravou os trechos que Eduardo julgava mais importantes. Em vez de sublinhar, como a gente faz, os trechos mais importantes eram gravados para o estudante memorizar.
Que exemplo maravilhoso de força de vontade e de superação! E tantas pessoas sadias, com tudo para desenvolver seu crescimento pessoal e profissional, se entregam ao vazio, à preguiça, aos vícios, ao desleixo e ao desânimo, que lástima! Na primeira barreira, se dão por vencidos. Querem tudo nas mãos. Não conhecem esforço nem boa vontade. Acham que os outros têm de lhes entregar tudo prontinho. Essas são pessoas que não têm noção do que é dificuldade e têm uma visão de mundo limitada.
Sentirei orgulho de ter um colega jornalista como Eduardo Purper, que, além do trabalho e da faculdade, também se dedica à ONG Pró-Inclusão, por onde dá palestras sobre deficiência e inclusão social.
O assunto me tocou de modo muito especial porque minha filha está na fase de conclusão de seu curso superior e também vai apresentar monografia. A completa entrega dela ao seu trabalho, as muitas noites sem dormir, a alimentação que preciso “estar em cima” para ela não esquecer, sua dedicação total aos estudos me comovem e encantam. Pensei no meu filho, que já concluiu o seu mestrado, é professor e está fazendo outra faculdade, desafiando o tempo e o cansaço para alcançar suas metas. Imagino como se sente hoje o pai de Eduardo e acho que todas as nossas dificuldades até aqui foram bem pequenininhas. Obrigada, Grande Mãe. Somos pessoas muito abençoadas mesmo!
Terça, 24 de Junho de 2008 às 07:11
Vera Pinheiro
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