Arquivo de Março de 2009
Vera Pinheiro
Que a gente nasce já ficando velho é sabido. Mas só com o tempo conseguimos perceber que a idade traz sabedoria e experiência, que nos ajudam a levar a vida de um jeito melhor, quando não é fundamental mesmo para evitar que sejamos engolidos pelas dificuldades ou pelos espertos. Maria Helena Prado Marcondes, uma mulher sábia de quem gosto muito, mandou uma historinha que ilustra bem os ganhos de ser “cachorro velho”.
Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela. Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, se deu conta que estava perdido.
Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção com intenção de conseguir um bom e farto almoço. O cachorro velho pensa rápido (pois velho pensa rápido):
- Oh, ohuuuuuuu! Estou mesmo enrascado!
Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão bem próximo a ele. Em vez de se apavorar mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo e começa a roê-lo, dando as costas ao predador, fingindo que não lhe houvera visto.
Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto:
- Cara, este leopardo estava delicioso!!! Será que há outros por aí?
Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror na espinha, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores, e pensa:
- Caramba!!! Essa foi por pouco!!! O velho vira-lata quase me pega!
Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum…
E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:
- Aí tem coisa!
O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o acontecido e faz um acordo com o leopardo.
O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz:
- Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!
Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção com um macaco nas costas, e pensa rápido novamente:
- E agora, o que é que eu posso fazer?
Mas, em vez de correr (pois sabia que suas pernas doídas não o levariam longe…) o cachorro senta, mais uma vez, dando costas aos agressores, fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:
- Cadê o filha da puta daquele macaco? Tô morrendo de fome!!! Disse que iria trazer outro leopardo para mim e não chega nunca!’
Moral da história: não mexa com Cachorro Velho… Idade e habilidade se sobrepõem à juventude e à intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência.
Terça, 31 de Março de 2009 às 06:49
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Ufa! Cheguei! Para início de semana, a agitação foi grande! Desde ontem, aliás, ou melhor, desde sábado. Mas não posso contar tuuuuudo, algumas coisas fazem parte dos meus assuntos reservados.
No meio das mensagens, uma pergunta: “Você é milho ou é pipoca?”. Vinda da minha amiga Daniele Andrews, tentei responder logo. Mas não era nada a responder, e, sim, para refletir. Tão boa reflexão, e simples, que pedi licença para compartilhar aqui. Antes perguntei sobre a autoria, mas Dani disse que desconhece. Ela recebeu e repassou. Se alguém souber, por favor informa, porque eu respeito direitos autorais.
Lê a mensagem e pensa: tu és milho ou pipoca?
“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece:
BUMMMMMM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.
No final são esquecidas no fundo da panela…”.
Segunda, 30 de Março de 2009 às 18:08
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Quando se fala em gestos de amor, na imaginação de alguns aparecem demonstrações grandiosas postas diante dos olhos do mundo para que todos vejam. No entanto, o amor não necessita ser acompanhado de um tom exagerado e, sim, de espontaneidade. O amor é tão generosamente simples que não precisa de manifestações estupendas para se revelar.
Muitas mulheres, em algum momento de suas vidas, sonharam com um homem aos pés, fazendo juras de amor eterno, coberta de mimos, ao que se pergunta: para que tanto? A um homem que diz “te amo” não há que se impor mandar dúzias de rosas à mulher amada a cada aniversário ou data especial de sua história. Basta uma flor retirada de um jardim com a impetuosidade dos enamorados, um olhar nitidamente sincero e a cumplicidade dos amantes, que aplaina questionamentos e afasta a angústia sobre a reciprocidade do sentimento.
A uma mulher que deseja mostrar o quanto ama não se exige devoção extrema ao seu amado nem ofuscar a si mesma pelo outro. São suficientes os gestos do cotidiano repetidos com ternura, exalando delicadeza em cada instante: um beijo de reencontro, um abraço estimulante, uma receita caprichada para o manjar a dois. E ao par, nenhuma prova de fidelidade, apenas a certeza de que ambos são leais ao amor.
Dos filhos não se cobrem expressões incontestes e frequentes do que sentem pelos pais. A confiança dá firmeza à relação, garantindo que podem uns contar com os outros e que não haverá desamparo na tristeza nem ausência na alegria. Filhos e pais sobrevivem aos solavancos e às rusgas porque aprenderam a superar os desafios do crescimento e a curar as feridas com o perdão mútuo. O carinho a permear as atitudes corriqueiras deve ser fluido e permanente.
Amigos são mananciais de amor, mas não requeiram deles abrir espaço demasiado em sua intimidade para oferecer abrigo a todas as pessoas de seu convívio. Já é bastante que estejam em nossas vidas e que estendam a mão a um apelo mais urgente. Amizade duradoura tem sinceridade e dispensa intromissão que sufoca. Um telefonema de vez em quando, um recado por e-mail, um cartão no aniversário, pequenas gentilezas fazem muito pelo relacionamento, mais do que não sair da vida de alguém sequer para que ele aprenda o que é independência. E são tão bons os amigos ao alcance de um afago, de uma palavra ou de uma ajuda na hora “H” de um dia “D”, e é muito afetuoso o acolhimento em meio a desabafos, assim como brindes com risadas fartas.
Não carece que companheiros de trabalho convivam como amigos de infância. Respeito é consideração que não se dispensa e, na maioria das vezes, é o que melhor define um bom ambiente profissional. Não precisa transformar a organização em que atua numa espécie de segundo lar, mas, sim, não tratar os colegas como inimigos ou concorrentes dispostos a lhe tirar o chão. Uma conversa animadora faz milagres pela estima que gostaríamos de ter. Prestar auxílio sem expectativa de recompensa ou elogio, compreender os limites alheios e aceitar o modo de ser dos outros são confirmações de humanidade.
Esperar que o amor se revele com grandiloqüência, ostentação e aparatos de produção cinematográfica pode levar à enorme frustração e, pior, dificulta perceber o que as pessoas fazem de bonito, embora com singeleza, para festejar a nossa presença. Por isso, deixamos de agradecer a quem se levanta para nos trazer um copo d´água quando estamos com sede e preguiça, desliga a tevê e apaga a luz quando cochilamos, faz a sobremesa que adoramos, puxa as cortinas para um sono reparador, caminha sem fazer barulho para não nos acordar, faz um café do jeito que gostamos, abre uma brecha na agenda para nos ver no meio da semana, compra alguma coisa que é “a nossa cara”, traz um lanchinho quando viramos a madrugada trabalhando, confidencia um segredo ou conta novidade em primeira mão, chama para sair num sábado em que estamos sozinhos, encontra uma informação útil para nós e liga num dia qualquer só para dizer que não nos esqueceu. Gestos de amor são miudinhos. O que é grande mesmo é o amor e a sua essência.
(*) Crônica publicada na edição de 27 e 28 de março de 2009 do jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria (RS).
Sábado, 28 de Março de 2009 às 08:31
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Recebi o texto abaixo (Hora do Planeta 2009) e repassei porque vou aderir à campanha de apagar as luzes por uma hora amanhã para dar a minha contribuição ao planeta. Porém, vou um pouco além, fazendo disso um hábito. Por que a gente ilumina toda a casa se não é onipresente? Então, vamos usar bem que temos, economizar energia e cuidar da questão ambiental!
Saindo de uma peça eu apago a luz! No meu horário de almoço desligo o computador, providência que economiza energia e, além disso, representa cuidado com o equipamento. Ontem mesmo, durante a chuva do meio-dia, apagou tudo, mas o computador que uso no trabalho não estava ligado na minha ausência. Cuido do alheio que me emprestam como se fosse meu, e talvez até melhor.
Num dia desta semana, faltou luz em casa das 21h até a meia-noite. Aproveitei para meditar e depois Camila e eu ficamos apreciando a escuridão. Sentamos na varanda, olhando para o nada. Tudo era um breu! Acendemos uma vela e criamos imagens na sombra com o movimento dos dedinhos – quem não fez essa brincadeira quando criança? Conversamos bastante, já que não havia energia para ligar computador nem tevê, que são maravilhosos, mas, a bem da verdade, restringem – e muito – as conversas em família, substituídas por diálogos on line ou por silêncio.
Lembrei do tempo em que era uma guriazinha e ia com minha mãe a São Vicente do Sul (RS). Pude ouvir, na minha memória, a mamita e as tias velhas conversando baixinho ao pé do fogão a lenha e senti o cheiro dos bolinhos de chuva. Em lembranças, o meu corpo passeou lá pelos pampas e me vi deitada numa cama cujo colchão era de palha. Na escuridão daquela noite recordei pessoas que eu amava muito e que já não estão presentes neste mundo. E nesse andejar entre uma recordação e outra estive cavalgando no lombo de um cavalo, como fazia quando era criança. Não fosse a falta de luz em casa naquela noite eu não teria visitado essas lembranças que me são tão caras.
Amanhã, às 20h30min, vou apagar as luzes por uma hora, acender uma vela e iluminar meu coração neste gesto de amor pelo planeta. A propósito, a crônica desta semana tem o título de “Gestos de amor” e estará neste sábado aqui no blog e no jornal A Razão, de Santa Maria, RS. Enquanto isso, sugiro refletirmos: que gestos de amor temos feito uns pelos outros?
Sexta, 27 de Março de 2009 às 09:02
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
A Hora do Planeta é um ato simbólico para o qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. O gesto simples de apagar as luzes por 60 minutos tem o significado de chamar para uma reflexão sobre o tema ambiental.
Conhecido mundialmente como Earth Hour, a Hora do Planeta será promovida no País pela primeira vez pelo WWF-Brasil e conta com a adesão e apoio do Rio de Janeiro, a primeira cidade brasileira a aderir à iniciativa.
Em 2009, a Hora do Planeta será realizada amanhã, dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão à Hora do Planeta.
A Nova Zelândia será o primeiro país no mundo a apagar as suas luzes pela Hora do Planeta, quando marcará o início do processo do apagão. A onda global de adesão vai juntar monumentos de todo o mundo em diferentes localizações: Sidney, Seul, Pequim, Hong Kong, Kuala Lumpur, Manila, Singapura, Banguecoque, Jacarta, Mumbai e Deli, que vão cair na escuridão juntamente com milhões de outros locais numa expressão conjunta a favor do planeta.
Paris dará o seu testemunho de participação na Hora do Planeta e apagará ícones como a Torre Eiffel, a Catedral de Notre-Dame e a avenida Champs-Élysées por 60 minutos. Metrópoles de todas as Américas, incluindo Nova Iorque, Rio de Janeiro, Toronto, Buenos Aires, Chicago, Cidade do México e Las Vegas também vão celebrar a Hora do Planeta.
No Brasil, contando com Porto Alegre e Brasília, já aderiram à Hora do Planeta 22 cidades, dentre elas Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Lorena (SP), Rio Branco (AC), Belém (PA), Salgueiro (PE), Itajaí (SC), uma das mais atingidas pelas enchentes que assolaram a região Sul no final do ano passado. O estado do Amazonas também confirmou sua participação.
Em Brasília, os monumentos que terão suas luzes apagadas são: Congresso Nacional, Catedral, Conjunto Cultural da República, Teatro Nacional, ministérios e iluminação pública da Esplanada. Outro ícone da cidade que pela primeira vez ficará desligado durante uma hora é o letreiro do Conjunto Nacional de Brasília, o shopping mais antigo da cidade, que também aderiu ao movimento.
Portanto, duas sugestões. A primeira, neste sábado apaga a luz às 20h30min; a sgunda, assiste aos vídeos da campanha publicitária da Hora do Planeta, nos links abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=r5KfsyS1ogk
http://www.youtube.com/watch?v=h7Ca0CzXsrg&NR=1
às 08:48
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Já não sou uma mulher enxuta! Tomei um monumental banho de chuva no horário do almoço e voltei para o serviço completamente encharcada! Tudo por conta de uma entrada e saída do carro, nada mais! Como ficar com os pés molhados até o final da tarde? Não fica, ora! Basta colocar um jornal nos sapatos! Eu me lembro disso, do tempo em que era pobre… Lá na adolescência, justamente quando tinha vaidade em grau máximo, a vida me fez baixar o bico: minha mãe não podia me dar sapatos novos, então, o pé crescia e o sapato, não. Resultado: dores que até hoje maltratam os meus pés. E quando o sapato, enfim, furava na sola? Não, isso não era motivo para a sonhada troca de sapatos. Botava jornal bem dobradinho no fundo e seguia a caminhada! O espaço, já pequeno para os meus pés crescidos, ficava menor ainda com o jornal. Em compensação, segurava bem a chuva e protegia os pés do frio. E quando não era jornal, era plástico. Funcionava bem. E queres saber? Não me tirou pedaço. Estou aqui, maravilhosa e bem viva para contar a história.
Hoje não precisei colocar jornal nos sapatos molhados e graças dou por isso. Sempre tenho um par extra de calçados no carro, além de roupas para qualquer eventualidade. A chuva, entretanto, serviu para me lembrar daquela história. Eu conto, sim, por que não?! Acho tão engraçada gente que viveu na merda e depois que ganha um lustrinho na vida esquece do passado…
Quinta, 26 de Março de 2009 às 16:46
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Pensa numa pessoa animada! Sou eu! Acordei às 5h30min da manhã, antes de o sol nascer, para às 7h30min estar no espaço Om Tare Danças Circulares Sagradas, onde às segundas, quartas e sextas tem danças devocionais indianas e meditativas. Que jeito mais lindo de iniciar o dia! Em dado momento, enquanto dançava, enchi os olhos de lágrimas e emoção, e o coração transbordou de gratidão por Rita Almeida, que é a facilitadora dessas orações dançadas. Depois, fizemos uma consulta a um oráculo e a palavra para o meu dia foi “entusiasmo”. Perfeito! Nada poderia definir melhor o meu espírito hoje!
Confere que maravilha de programação do Om Tare (W3 Sul, Quadra 506 Bloco A, entrada 19, sala 102 – Brasília/ DF): às segundas, das 20h às 21h30min, Danças Circulares Sagradas com Rita Almeida; às terças e quintas, das 19h40min às 21h30min, Mandala de Tara, níveis intermediário e avançado, com Myridakini; às quartas, das 20h às 21h30min, Oficina de Danças Circulares, nível intermediário, com Andréa Maura; às terças e quintas, de 18h30min às 19h30min, Meditação Corporal Chi Le, com Myridakini, e às segundas, quartas e sextas, de 7h30min às 8h15min, Manhãs Meditativas, com Rita Almeida. Dessas modalidades, faço duas.
Hoje é uma data significativa para mim, pois assinala o meu retorno à Dança do Ventre, depois de três anos afastada. Amo isso! É uma atividade de muitos benefícios: ativa a circulação, favorece os pulmões por meio de respiração rítmica, reeduca a postura, enrijece e tonifica os músculos, aumenta a autoestima, a flexibilidade e o alongamento do corpo, só para citar alguns.
Escolhi Gaia Terra como professora e sinto que ela pode atender a pretensão que tenho em relação à Dança do Ventre, que não é para “fazer exibição da própria figura”, mas outra forma de honrar o sagrado feminino.
Fiquei emocionada quando vesti, depois de tanto tempo, os trajes da Dança do Ventre e reavivei a memória da dança no meu corpo. Na companhia da Camila (minha filha e melhor parceira para tudo!) e da amiga Daniele Andrews, ontem fiz uma aula experimental e hoje, dancei durante duas horas à noite. Eu gostava tanto disso… como pude deixar de lado algo que me agradava tanto? Sem lamentos nem culpas! É hora da retomada do prazer da dança! Acabei de chegar em casa, depois de um dia que começou e terminou em dança. Estou feliz e animada!
Dançar é colocar o corpo na sinfonia de um espírito pacífico, é dar ao movimento a leveza de uma mente abstraída do que é tangível para ser apenas sentimento, é entregar-se em plenitude a um acorde, a um verso, a toda a poesia que cabe num ritmo, é transpor a condição humana para alcançar o divinal que em tudo se revela, é sublimar o real para tocar o indizível, o que não tem tradução, o inexprimível. É se resumir ao máximo de amor e ao extremo da emoção. É orar com toda a densidade e a magnitude do próprio ser. É não se habitar por alguns instantes, mas passear entre as sílabas, visitar os cânticos, acariciar com os deslocamentos a própria alma que dança.
Quarta, 25 de Março de 2009 às 23:47
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Dá para imaginar que um compositor genial como Chico Buarque teve, alguma vez na vida, dificuldade para compor? Eu me me senti aliviada ao vê-lo falar disso num vídeo do YouTube, que procurei para ouvir a música “Meu caro amigo”. Sabes quando a gente acorda com uma canção na cabeça? Precisa ouvir, senão o refrão fica martelando durante o dia inteiro.
http://www.youtube.com/watch?v=EbVm1ExbAuA
Então, estás pensando mais nas tuas limitações e menos no teu potencial? Nem os gênios escapam do exercício de aprendizado do seu fazer artístico ou intelectual, em qualquer área que atuem. Que mania de supervalorizar as dificuldades em vez de superá-las, de enaltecer os próprios defeitos em vez de corrigi-los, de revigorar os limites em vez de expandi-los. Eu também, às vezes.
Amanheci com Chico Buarque na cabeça. “Oh pedaço de mim, oh, metade afastada de mim, leva o teu olhar, que a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar…”.
http://www.youtube.com/watch?v=JIFWpMzwUnc&NR=1
Já ouvi essa canção – “Pedaço de Mim” - pelo menos cinco vezes hoje para exorcizar a saudade. Teimosa, insistente, persistente, obstinada. Dolorosa. Mas menor do que a minha coragem e mais fraca do que a minha disposição de vencê-la. Não importa quanta saudade eu sinta, é uma saudade inútil, que vai passar. Um dia vai passar. Já é menor do que antes foi e amanhã haverá de ser menos do que uma vaga lembrança. Boto fé e “Esforço”, título do poema que postei no “Poema Dia” em 21 de março.
http://poemadia.blogspot.com
Mudo a música para dar novo tom ao dia: Gracias a ala vida! Da chilena Violeta Parra na voz de Mercedes Sosa. Nem mesmo a dor, tampouco a saudade me fazem menos grata à vida! Gracias a la vida que me ha dado tanto!
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I
“Solo le pido a Dios que el dolor no me sea indiferente, que la reseca muerte no me encuentre vacía y solo sin haber hecho lo suficiente”…
http://www.youtube.com/watch?v=SIrot1Flczg&feature=related
Terça, 24 de Março de 2009 às 10:55
Vera Pinheiro
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