Arquivo de Abril de 2009
Vera Pinheiro
Seis horas da manhã. A luz do dia clareou o quarto e anunciou a hora de pular da cama. “Amanhã é feriado”, disse para mim mesma, uma espécie de compensação por ter de sair cedo de casa hoje. “Vou dormir até mais tarde amanhã”, pensei, embora jamais durma até depois das oito, que seja, nem mesmo aos sábados e domingos.
Com voz macia, saudei o companheiro.
- Bom dia, meu amor!
Tinha ainda os olhos fechados quando escorreguei a mão na direção do travesseiro ao lado. Queria estender as horas para ficar na carícia daqueles pelos sedosos por mais um tempo.
- Chega mais pertinho, quero te dar um abraço…
Ele veio e se enroscou em mim. Ficamos juntinhos por alguns minutos, e eu fechava os olhos para não ver o relógio.
- Dormiste bem, querido? Eu também.
Silêncio no quarto. Do lado de fora da casa, os cãezinhos latiam à porta, avisando-me de que estava na hora de acabar com o dengo matinal.
- Vamos levantar… Amanhã a gente fica até mais tarde na caminha, está bem?
Lânguido e com cara de preguiça, ele se espreguiçou e eu também.
- Vou fazer um café bem gostoso, vens comigo?
Uma passada rápida no banheiro e logo tirei o gato da cama. Botei Happy no meu ombro e fomos dar bom dia aos cães.
Quem não tem amado para dormir junto, se abraça no gato. Happy é um fofo! É o dono da casa e eu sou a pessoa de estimação dele.
Meus companheiros
Fiéis camaradas
Quinta, 30 de Abril de 2009 às 12:50
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação. Todos a querem por perto. Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona. É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir, sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas. “Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera”. O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz toda a diferença…
Recebi o texto acima, cuja autoria desconheço, do Conselheiro Silvio Rhomedes, que é gente fina demais! Ele é o chefe da Assessoria Diplomática da Vice-Presidência da República e uma das pessoas de lá com quem mais gosto de conversar. Dotado de grande sabedoria e vasto conhecimento, e muito culto, com ele se pode puxar qualquer assunto que a conversa se estende e se aprende algo. É alguém que combina perfeitamente simplicidade e elegância. Em suma, é gente fina mesmo!
Quarta, 29 de Abril de 2009 às 11:46
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
No domingo quase quis me casar de novo, juro! Estava me sentindo a maior desamparada por conta de uma fechadura que quebrou e eu não sabia trocar. Quero dizer, a bichinha já era difícil e, emperrada, ficou pior ainda! Nessas horas, um representante do sexo masculino ao meu lado seria muito bemvindo. Mas, “quem não tem cão, caça com gato”. Ou seja, não tendo em casa filho, marido, namorado, amante, ficante etc e tal… botei a mão na porta para consertá-la, mas a que custo!
Primeiro, fui à loja de fechaduras e afins. Um moço me atendeu e quis saber o tamanho e a marca da fechadura. Ah, sei lá! Medi uma no olhômetro e arrisquei comprar. Até aí tudo bem, mas a substituição foi um horror! Minha amiza Zoé Missel, gaúcha de Cruz Alta que me visitava em Brasília, sugeriu dinamitar a porta, mas achei um pouquinho exagerado. Então, me municiei de faca, canivete, alicates de todos os tamanhos, batedor de bife, martelo e porrada na fechadura para abri-la. Putz, que dificuldade! Levei mais de hora para tirar a fechadura emperrada! No muque! Lasquei as unhas, arranhei as mãos e, vencida, entreguei a missão para Zoe, amiga há mais de 30 anos, que a essa hora está a caminho de sua casa. Aliás, eu sumi porque estava ocupada com a visita.
Ah, quase me deu raiva do desempenho dela. Uma viradinha daqui, outra dali, e o buraco apareceu. Verdadeiro atestado da minha falta de habilidade para esse tipo de serviço. “Hã, hã, agora deixa comigo, que botar a nova fechadura é moleza!”. Foi o que pensei, mas não era nada disso!
A fechadura nova veio numa caixinha… com todas as peças desmontadas! O que liga com o quê era o que eu gostaria de saber! O manual, claro! Vou ler o manual! Contra Testa, Chapa Testa, Falsa Testa… Nunca ouvi falar! De longe, parecem coisas de tratar com botox! Espelho…hã? Para mim essa nomenclatura quer dizer outra coisa.
Eu olhava as figurinhas e lia as orientações com o máximo de atenção, mas não associava coisa com coisa, e simplesmente não conseguia entender os encaixes. Sempre tenho impressão de que esses serviços e os manuais correspondentes foram feitos para homens ou para mulheres iniciadas nessa lida. E não? Como alguém coloca num manual de instrução o seguinte: “Caso sua fechadura seja modelo de maçaneta bola fixa…” ou “Caso sua fechadura seja composta com falsa testa…”. Carái, nem o básico eu sabia, como decifrar o restante?! E o que é roseta de maçaneta, alguém pode me esclarecer? Lingüeta e cilindro eu entendi.
- Tens uma furadeira?
- Hã? Pra fazer o que, amiga?
Nem ouvi o que Zoe respondeu! Lasquei, irritada com a situação: eu tenho uma caixa de ferramentas de dar inveja a muito marmanjo, sei a diferença entre uma chave Philips e uma chave de fenda e ainda preciso de uma furadeira?! Demais pra mim.
De qualquer forma, crianças, podem me dar uma no Dia das Mães. Nem vou reparar que não me presenteiem com um lingerie bem sexy. Estou precisando mais de uma furadeira (não façam ilações outras).
Duas horas mais tarde o serviço estava concluído, finalmente! Desisti da vontade de casar de novo. É muito mais trabalhoso do que trocar fechadura emperrada.
Essa moça viu meus filhos nascerem!
Terça, 28 de Abril de 2009 às 11:28
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Cavalo encilhado não passa duas vezes na porteira de casa! Se passar, sobe na garupa e vai em frente, pois a mesma oportunidade não se repete! É uma só! E, se a perderes, talvez nunca mais a vida te dê outra chance igual ou parecida.
Sendo crianças, não temos idade para realizar os desejos por conta própria, tampouco maturidade para nos lançarmos à conquista do que queremos. Os pais nos protegem, orientam nossos passos e nos preparam para o futuro. O presente é todo voltado para o que virá, e ainda não temos um passado, tudo se reduz ao agora.
Quando muito jovens somos dependentes dos mais velhos e eles nos dizem que temos “a vida toda pela frente”. Então, esperamos que, na próxima curva do tempo, esteja a concretização de sonhos, projetos e ideais. Continuamos a nos elaborar como pessoas e começamos a ganhar experiência, mas não o suficiente para, sozinhos, buscar o que almejamos.
Nem bem cruzamos a adolescência e as responsabilidades tomam conta de nossa rotina, e se logo assumimos um compromisso sério no âmbito dos relacionamentos, acabamos casados, com casa, família, filhos, periquito, papagaio, cão e gato para cuidar, além da profissão para atender. A disposição profundamente íntima para o que queríamos fazer de nós vai-se aquietando, se enterrando junto com os planos que tínhamos. Um descuido e estamos no último lugar da fila das prioridades: sempre os outros, primeiro.
Ao – finalmente! – alcançarmos meios para gerir nossa existência, porque estamos formados, maduros e com alguma solidez financeira, não temos tempo. Os dias são totalmente ocupados, de segunda a segunda, e a escalada não pode ser interrompida. Todos em volta precisam dos serviços que prestamos e da dedicação ao que fazemos. A família exige atenção, a carreira está no auge e os antigos anseios são sufocados na esperança de que “um dia” possam acontecer. Adiamos sine die as aspirações e elas se engavetam indefinidamente. Pior, eternamente, se nos distanciamos demais do que imaginávamos ser e ter, e deixamos escapar chances que não serão reprisadas e que eram do formato pretendido para um sinônimo de felicidade.
“Por que eu não fiz o que gostaria de ter feito?” Essa pergunta corrói por dentro e somente com esforço nos recobramos da sensação de culpa, quase inevitável, por não termos seguido nossa sincera vontade, deixada de lado por razão imperiosa ou porque faltou coragem, simplesmente, para levar adiante uma possibilidade. E nunca saberemos como teria sido se tivéssemos agido na hora em que a oportunidade mostrou a sua cara.
Tentamos nos consolar, justificando que, naquela ocasião, as condições não eram favoráveis. Mas e depois? Tivemos interesse em retomar o caminho daquela direção ou nos acomodamos, esperando que viesse às nossas mãos sem nos movermos? Sonho sem nenhuma ação não passa de utopia, e essa não conduz a lugar algum! Tanto menos recupera momentos que eram convenientes, mas não aproveitamos e que, uma vez esgotados, não se reconstituirão.
Assim, não devemos desperdiçar uma boa oportunidade que surge em qualquer aspecto de nossa vida, e que pode representar o lanço tão esperado para impulsionar objetivos desde há muito acalentados. Sem prescindir da devida análise dos riscos e da necessária cautela, podemos ampliar horizontes, que o medo e a insegurança nos impedem de vislumbrar.
Uma chance dissipada ou que foi mal explorada pode trazer pesar enorme e sem reparo! Agarrar-se ao “cavalo encilhado” não dá garantia de pleno êxito ou de satisfação indiscutível, mas se não der certo, se não for aquilo que gostaríamos, restará o aprendizado e a mudança de rota, de acordo com os acontecimentos. Não é fácil, mas é possível, e é menos árduo do que conviver com a frustração de jamais ter tentado, de ter sido vencido pela fraqueza e de se arrepender amargamente porque não ousou empreender algo por si mesmo, como queria, poderia e não fez. Portanto, não deixemos sucumbir o nosso melhor querer! Lembremo-nos de que, num átimo, entre o “sim” e o “não”, está uma escolha pela qual somos responsáveis. É pegar ou largar a ocasião!
(*) Crônica publicada na edição de 25 e 26 de abril de 2009 do jornal A Razão (www.arazao.com.br), de Santa Maria (RS).
Sábado, 25 de Abril de 2009 às 08:34
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Gostei bastante de Águas de São Pedro, município que tem menos de 4 km e dotado de termas medicinais. Um pouco abafado, mas bonito, com uma natureza espetacular. No centro da cidade é intensa a movimentação de turistas, que lotam os restaurantes e circulam por todos os lados. Fizemos um passeio de trenzinho para visitar os principais pontos turísticos, que podem ser vistos neste link:
http://www.aguasdesaopedro.com.br/atrativos.htm
Para o meu gosto, a estação turística de São Pedro, que fica a minutos de Águas, é mais tranqüila, sem tanto movimento. Confere o site http://www.saopedro.com.br/ onde podem ser encontradas informações sobre a cidade. As pessoas se sentam nos banquinhos da praça à tarde e prestigiam a retreta no coreto municipal à noite, na maior paz. Parece uma grande família. Dizem que o carnaval na praça é animadíssimo!
Circulando por lá, entrei numa lojinha. “Tem alguém aí?”. Ninguém respondeu. “Ô de casa, tem alguém aí?”. Na terceira vez que chamei, apareceu a proprietária, uma senhora simpática, com ar de boa gente, esfregando as mãos no avental. “Desculpa a demora, estava fazendo um bolo”, disse-me ela. Nesses tempos de tanta violência, quem deixa porta de loja escancarada, sem ninguém para atender e fica no fogão, sem preocupações?
Visitando Cachoeiras de Furnas, estivemos num restaurante ótimo, colado a uma pousada onde gostaria de me hospedar, no meio do mato. Ao sairmos do restaurante, pedi a conta e recebi como resposta “pague depois, na volta da trilha”. Fiquei conversando com Rê, enquanto Gui e Camila foram pescar e, mais tarde, pegamos uma trilha em direção à cachoeira, mas não demos conta de chegar até a água. O acesso era muito difícil e, apesar de o sol estar a pino, dentro da mata dava impressão de ser fim de tarde. Voltamos, então.
Das várias cachoeiras de São Pedro, visitamos a Cascata Dorigon, belíssima! Nadei por um bom tempo naquela maravilha da natureza! O acesso é por uma boa estrada, e da serra se tem uma vista linda da cidade.
Sabes quando a gente sai de um lugar já pensando em voltar? É isso! Para mim, um pouco mais que isso: eu moraria em São Pedro, de boa! É a minha cara!
As minhas maravilhas
Rê no trenzinho
Praça de Águas de São Pedro
Na charrete
Vista da cidade
Descida para a cachoeira
Camila na Cascata Dorigon
Coreto
Retreta noturna
Pescaria
Sexta, 24 de Abril de 2009 às 18:23
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Não sou chegada a fazer compras pela internet, mas para a aventura do último final de semana recorri a ela para fazer reservas numa pousada em São Pedro, SP. Pelas fotos do site o lugar me parecia bonitinho. Liguei para o proprietário, que me pediu adiantamento de 50% do custo total para quatro pessoas. Paguei, confirmei o depósito, ele garantiu os quartos e, estando tudo certo, não liguei de novo. Fiquei sossegada, porque o negócio estava feito e confirmado, ao menos para mim. Vejam no que deu!
Logo que chegamos em Campinas fomos a Bragança Paulista, onde mora a família de minha nora Renata. Depois do almoço e antes de seguirmos viagem, demos uma volta pela cidade. Andar de carro pelas ruas de Bragança Paulista é um passeio emocionante em razão dos aclives e declives de perder o fôlego. Quando a gente pensa que está descendo já está subindo de novo!
Haja freio!
No final da tarde, durante um crepúsculo maravilhoso, seguimos para São Pedro, onde chegamos às 19h, direto à pousada onde eu havia feito a reserva. O dono da casa nos olhou como se fôssemos ETs, surpreso com a nossa chegada. Ah, tudo bem, pago e não vou usar, é isso? “To pagaaaaaano!”…rsrsrs. Para encurtar a história: todos os quartos estavam lotados e não havia lugar para nós.
Maravilha da natureza!
Cruzei os braços e sentei na frente do proprietário da pousada (mal pousei e já levantei voo de lá), esperando que ele resolvesse o caso. Gui, Rê e Camila saíram de perto da minha cara de poucos amigos. Depois de alguns telefonemas, o homem nos levou para outra pousada e acertou (na minha frente) com a proprietária que repassaria os 50% da reserva que havia recebido. No final, foi uma excelente troca: a outra hospedagem era muito melhor e saiu pelo mesmo preço. Eu não dispensaria o pedido de desculpas, mas achei totalmente desnecessário o discurso de broxa que ele fez: “isso nunca aconteceu comigo antes”. Ok, faz de conta que eu acredito.
Depois de muito bem acomodados, saímos para jantar e comentei com meus filhos e nora: “Vocês estão vendo? Isso é que é proteção divina! Deus Pai-Mãe cuida tanto de nós que escolhemos um lugar e, na última hora, Ele(a) mudou isso para nos colocar num lugar melhor ainda!”. E assim é: a gente põe e Deus(a) dispõe. Por essas e outras eu confio! Sempre!
Quarteto fantástico!
Todos os passeios rendem boas histórias, claro. E alguns micos são inesquecíveis. Eu levantava bem cedo e ia nadar na piscina da pousada. Depois de umas sacudidas na Camila, ela levantava e, mais tarde, acordávamos Gui e Rê. No domingo, minha filha bateu à porta deles às 9h, brincando: “Serviço de quarto!”. O casalzinho continuou dormindo e ela voltou para a piscina comigo. Dali a pouco, um casal sai do quarto ao lado de onde dormiam Gui e Rê e, vendo (!!!) os vultos se aproximarem, Camila lascou em alto e bom som: “Finalmente, heim?! Bom diaaaaaa!”. Silêncio total. Ninguém respondeu, então cochichei: “Filha, não são o Gui e a Rê…”. Eram outros hóspedes. Camila passou a nadar de óculos, então.
Entre um passeio e outro, aprendi a jogar sinuca. Foi a minha primeira vez, pura emoção. Meio desajeitada com o taco, é verdade, mas na maior boa vontade! Consegui enfiar algumas bolas na caçapa… e perdi outras tantas jogadas. Foi muito divertido! Eu não conseguia me concentrar direito, ria o tempo todo, feliz por estar brincando com meus filhos e minha norinha.
Eles: jogando…
Eu: aprendendo.
Lá pelas tantas, pedi um tempo e deixei Gui jogando sem a minha parceria na sinuca. “Vou descansar um pouquinho na rede”, disse a eles. Era a minha intenção, mas ficou só nisso: deitei de um lado e caí do outro. Não me perguntem, pois não sei explicar como a rede arrebentou. O meu grito rompeu o silêncio da noite na pousada e os três correram na minha direção para ver o que tinha acontecido. Sei lá, a rede caiu, ora! Fui acudida e, com meus botões, fiquei pensando se não está na hora de emagrecer uns cinco quilos (pelo menos!). Se eles pensaram a mesma coisa não me disseram.
Amanhã, fotos da cachoeira que visitamos, da trilha que fizemos e dos costumes de duas cidades do interior, onde se cultivam confiança e simplicidade, em meio a grande movimentação de turistas.
(Clica nas fotinhos para que elas se ampliem)
Quinta, 23 de Abril de 2009 às 08:42
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Fiz uma aventura no feriadão e já estou de volta ao meu recanto. Cansada, mas muito feliz por ter passado três dias com a família reunida. Fui a Campinas com Camila e lá reencontrei meu filho Guilherme e minha nora Renata. Saímos de Brasília na sexta-feira à noite de ônibus, um bundaço de 14 horas, mas dormi durante quase todo o percurso. Na ida o ônibus era confortável, com ar condicionado e bom espaço entre os bancos, ao contrário do que tomamos na volta: quente, apertado e fedido, com 40 pessoas respirando o mesmo ar e um banheiro que dava a noção exata do que é “fazer necessidades”. Só na angústia do aperto a gente tem coragem de usar a privada (em pé, claro), segurando-se para não cair, trancando a respiração e empurrando a porta com o braço para não pegar na maçaneta! Mas chegamos sãs, salvas e felizes, embora cansadas pelo batidão de três dias.
A saída de Brasília foi uma saga! Arrumamos a bagagem em cima da hora e pegamos um trânsito infernal na sexta-feira à tardinha. Quase perdemos o ônibus! Como não tivemos tempo de selecionar o que seria realmente necessário levar, enfiamos um monte de roupas em uma mala assustadoramente grande, daquelas que levantam suspeita de que a visita será para mais de mês! Sem contar as bolsas enormes, onde cabe tudo e mais um pouco (mas como nos livrarmos delas?!).
A bagagem para três dias…
A Rodoferroviária de Brasília era uma muvuca! Definitivamente, para a capital da República a Rodoferroviária é feia demais da conta! E lotada, o que exigia habilidade (e cotovelaços) para a travessia no meio do povo. Então, vi que a nossa bagagem era até bem pequenininha, perto do que algumas pessoas carregavam (verdadeiras mudanças!)
Duas coisas eu não deixo para depois: beber água e fazer xixi. Arrisquei ir ao sanitário na Rodoferroviária antes de pegar a estrada. Pra quê! Um cubículo onde só cabia meia bunda, de tão pequenininho. E uma fila ansiosa do lado de fora, pedindo que a gente “agilizasse”. Mas como?! Ô minha senhora, não dá pra agilizar numa situação dessas! Bonita mesmo é a rodoviária de Campinas, um luxo! Parece aeroporto e dos bons! Nem dá para reclamar que se tem de pagar um real para usar o banheiro. Pedágio para uma mijadinha básica, mas vale a pena. Tudo muito limpo e organizado.
A viagem estava marcada para as 20h, mas não havia nenhum ônibus para esse horário, o que nos fez pensar num plano B para o caso de não conseguirmos assento no carro das 20h10min. Não entendi o que houve e ninguém explicou. Oramos quando, finalmente, conseguimos nos acomodar e a viagem começou. Abraçamos Gui e Renata depois de meses e nos sentimos muito felizes, esquecendo os pequenos contratempos da partida.
A gargalhada de Camila tinha razão!
Tão logo chegamos a Campinas, tomamos o rumo de Bragança Paulista para almoço com a família da minha nora Renata. Foram horas muito agradáveis, com boa conversa e pratos deliciosos! Adorei!
Renata, Guilherme, Camila, eu, Irene, Ana e Fernando
Nos próximos posts, mais relatos e fotos. A história da pousada que cancelou nossa reserva paga antecipadamente, o fiasco causado pela miopia da Camila, o tombo que levei, o passeio a duas cachoeiras maravilhosas e um pouco sobre Bragança Paulista, Águas de São Pedro (tido como o menor município brasileiro) e São Pedro, no interior paulista, onde nos embrenhamos no final de semana emendado com o feriado. Na volta, Brasília estava em festa! Não pelo nosso retorno, mas porque a cidade comemorava seus 49 anos. Fiquei longe das comemorações. Já havia me divertido o bastante.
Tudo por esse reencontro feliz!
Quarta, 22 de Abril de 2009 às 05:15
Vera Pinheiro