Comovida
Vera Pinheiro
Horas depois do funeral de Michael Jackson ainda estou muito comovida com o que vi, e devo dar a mão à palmatória: não foi um show, ou não apenas um show, foi um verdadeiro tributo a Michael Jackson, e também oportunidade de a gente saber um pouco do ser humano que ele era.
Os depoimentos emocionados mudaram o foco de astro controvertido e polêmico, passaram a ideia de um ser humano sensível. Desde o anúncio de sua morte, aliás, muito dele veio à tona, e gerou um sentimento de compaixão e carinho por aquele menino de 50 anos, que se recusava a crescer e que se achava o próprio Peter Pan e que era, nas palavras de Brooke Shields, um Pequeno Príncipe. A homenagem foi realmente grandiosa, mas teve um tom solene e respeitoso.
Cresceu minha admiração por ele, tanto soube dele nesses dias. Fiquei penalizada, em alguns momentos, pois tinha tanto e ainda não bastava. E não esqueço de uma frase que alguém disse: “Se soubesse que era tão amado, não teria morrido”. Será que ele sabia?
Michael Jackson foi um artista completo e encantou multidões. Se ele queria retornar em alto estilo, conseguiu com a morte. Seus discos venderam de montão e sua despedida foi vista em todos os cantos do mundo ao mesmo tempo. Tudo do tamanho de sua arte.
Fiquei muito sensibilizada com a filha de Michael Jackson, a pequena Paris, que pediu para falar e disse do seu amor por ele. Foi o ápice da homenagem.
O Poder Divino sabe o que faz e não questiono seus desideratos, mas fico imaginando: o que faríamos se soubéssemos quanto tempo teríamos de vida? Como agiríamos? O que faríamos de nossas vidas?
E pensei também no quanto somos algozes dos outros, no quanto criticamos sem os conhecer, no que é real e no que é aparente, e no direito que nos damos de julgar os outros sem saber como eles são.
Que o Rei do Pop descanse em paz. Deixa um belíssimo legado e será inesquecível.
Aí, no meio disso, recebo uma mensagem questionando a morte dele, já que não foi mostrado o corpo. Por que mostrar o homem morto, se ele está e permanecerá vivo na memória de seus fãs?
E a gente pensa na morte? Não. Pensamos na vida. A cerimônia não foi exatamente fúnebre. Foi uma celebração à vida de Michael Jackson. E assim devem ser os velórios: não se lamenta a morte, se agradece pela vida daquele ente querido.
Adicionar comentário Terça, 7 de Julho de 2009 às 22:49 Vera Pinheiro