Arquivo de 27 de Julho de 2009

Apareceu a margarida!

Vera Pinheiro
“Apareceu a margarida, olê, olê, olá…”. E não é que eu voltei? “Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar…”. Estava com saudade do blog (será que isso vicia?!). Fiquei praticamente fora do ar nas duas últimas semanas, mas por uma causa nobre: meu filho Gui estava em casa, e todo o meu (pouco) tempo livre dediquei a ele. Minha nora Rê chegou na sexta-feira de manhã e ontem à noite eles voltaram para Campinas. Como sempre, lágrimas em esguicho saltaram dos meus olhos. Faz 10 anos que ele mora fora, mas nunca me acostumo com a despedida. Mãe é mãe…

Muita água rolou embaixo da ponte nesses dias, mas vou contar aos poucos, e fazendo o caminho da notícia mais recente para as mais antigas. A última novidade é sobre o Red, nome que dei a um pássaro de biquinho vermelho, que ontem encontrei caído no jardim. Pensei que estivesse morto e o recolhi, mas ele estava apenas desfalecido. Eu, Camila, Gui e Rê o assistimos. Botei o bichinho numa caixa, agasalhei, dei água numa seringa, mas ele não aceitou comida de passarinho. Deixei-o dormir em lugar seguro e abrigado, longe dos gatos e cães.

Hoje cedo fui vê-lo. Estava na mesma posição que o deixei. Ofereci água e ele bebeu. Instantes depois, deu uma sacudida nas asas, cantou, eu fiquei muito feliz por vê-lo mais animado… Mas, num átimo, ele morreu. Assim, de repente. Foi-se o Red, cantarolando.

É a terceira vez que um pássaro visita a minha casa, fica um dia, canta e morre. Da primeira vez, foi o ToYou, em 2006. Depois, o To-Me, no ano passado, e agora o Red, todos eles feridos. Acolhi, cuidei deles, eles se recuperaram, cantaram e morreram. Com o ToYou fiz um fiasco enorme no enterro. Chorei demais! Com o To-Me estava resignada e do Red vou me despedir ritualisticamente hoje. Tenho muito presente a sensação de que os pássaros me visitam por uma razão divina e, no caso do Red, para uma limpeza energética. Que a Senhora dos Animais o receba e a todos esses meus irmãozinhos.

Nunca quis criar pássaros, pois não nasceram para o cativeiro de uma gaiola. Eles fazem parte da paisagem e me oferecem sua beleza, incluindo as corujas que aparecem à noite em casa. Neste domingo, o café da manhã na varanda foi com uma maravilhosa sinfonia de pardais! E no pinheiro que temos há um ninho, lá no alto. Será que o Red caiu de lá? Não sei nada de Red, que veio e foi. Honro a vida dele e a de todos os bichos.

Cuido bem da minha família animal de quatro cães e dois gatos. Mas nem sempre soube fazê-lo, precisei aprender, como tudo na vida, aliás. Certa vez, morando numa chácara, recolhi pintinhos que estavam molhados da chuva. Com dó dos pequeninos, levei-os para dentro de casa, mas próximos demais de um aquecedor elétrico, onde os coloquei, esperando que eles secassem e se aquecessem. Dá para imaginar o final da história: galetinhos assados. Soube então que não tinha talento para ser galinha… Como mãe canina e mãe felina sou maravilhosa. Como mãe humana… Bem, a extremada modéstia me impede de dizê-lo…
Red veio… Red 1 1 - Red 1 1… e, cantando, se foi…Red 2 1 - Red 2 1

6 comentários Segunda, 27 de Julho de 2009 às 17:14 Vera Pinheiro


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