Crônica da semana - Que raiva! (*) Festival Indiano em Brasília

Apareceu a margarida!

Segunda, 27 de Julho de 2009 às 17:14 Vera Pinheiro  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 591

Vera Pinheiro
“Apareceu a margarida, olê, olê, olá…”. E não é que eu voltei? “Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar…”. Estava com saudade do blog (será que isso vicia?!). Fiquei praticamente fora do ar nas duas últimas semanas, mas por uma causa nobre: meu filho Gui estava em casa, e todo o meu (pouco) tempo livre dediquei a ele. Minha nora Rê chegou na sexta-feira de manhã e ontem à noite eles voltaram para Campinas. Como sempre, lágrimas em esguicho saltaram dos meus olhos. Faz 10 anos que ele mora fora, mas nunca me acostumo com a despedida. Mãe é mãe…

Muita água rolou embaixo da ponte nesses dias, mas vou contar aos poucos, e fazendo o caminho da notícia mais recente para as mais antigas. A última novidade é sobre o Red, nome que dei a um pássaro de biquinho vermelho, que ontem encontrei caído no jardim. Pensei que estivesse morto e o recolhi, mas ele estava apenas desfalecido. Eu, Camila, Gui e Rê o assistimos. Botei o bichinho numa caixa, agasalhei, dei água numa seringa, mas ele não aceitou comida de passarinho. Deixei-o dormir em lugar seguro e abrigado, longe dos gatos e cães.

Hoje cedo fui vê-lo. Estava na mesma posição que o deixei. Ofereci água e ele bebeu. Instantes depois, deu uma sacudida nas asas, cantou, eu fiquei muito feliz por vê-lo mais animado… Mas, num átimo, ele morreu. Assim, de repente. Foi-se o Red, cantarolando.

É a terceira vez que um pássaro visita a minha casa, fica um dia, canta e morre. Da primeira vez, foi o ToYou, em 2006. Depois, o To-Me, no ano passado, e agora o Red, todos eles feridos. Acolhi, cuidei deles, eles se recuperaram, cantaram e morreram. Com o ToYou fiz um fiasco enorme no enterro. Chorei demais! Com o To-Me estava resignada e do Red vou me despedir ritualisticamente hoje. Tenho muito presente a sensação de que os pássaros me visitam por uma razão divina e, no caso do Red, para uma limpeza energética. Que a Senhora dos Animais o receba e a todos esses meus irmãozinhos.

Nunca quis criar pássaros, pois não nasceram para o cativeiro de uma gaiola. Eles fazem parte da paisagem e me oferecem sua beleza, incluindo as corujas que aparecem à noite em casa. Neste domingo, o café da manhã na varanda foi com uma maravilhosa sinfonia de pardais! E no pinheiro que temos há um ninho, lá no alto. Será que o Red caiu de lá? Não sei nada de Red, que veio e foi. Honro a vida dele e a de todos os bichos.

Cuido bem da minha família animal de quatro cães e dois gatos. Mas nem sempre soube fazê-lo, precisei aprender, como tudo na vida, aliás. Certa vez, morando numa chácara, recolhi pintinhos que estavam molhados da chuva. Com dó dos pequeninos, levei-os para dentro de casa, mas próximos demais de um aquecedor elétrico, onde os coloquei, esperando que eles secassem e se aquecessem. Dá para imaginar o final da história: galetinhos assados. Soube então que não tinha talento para ser galinha… Como mãe canina e mãe felina sou maravilhosa. Como mãe humana… Bem, a extremada modéstia me impede de dizê-lo…
Red veio… Red 1 1 - Red 1 1… e, cantando, se foi…Red 2 1 - Red 2 1

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6 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Petra  |  28 de Julho de 2009 às 16:49

    Veríssima,

    Encantada, te leio: flor em canto de pássaro!

    E enquanto minha retina insiste em se fazer líquida…reCORdo através do que teus olhos (da Cor do Céu), viram em Red, que:

    “No descomeço era o verbo.
    Só depois é que veio o delírio do verbo.
    O delírio do verbo estava no começo, lá, Onde a criança diz:
    EU ESCUTO A COR DOS PASSARINHOS.
    A criança não sabe que o verbo escutar não
    Funciona para cor, mas para som.
    Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
    E pois.
    Em poesia que é voz de poeta,
    que é a voz
    De fazer nascimentos -
    O verbo tem que pegar delírio”.
    (Manoel de Barros)

    No mais…fiquei aqui pensando…pq. mesmo vc o batizou como RED? (Vermelho)…Seria esse, o início de um novo tempo para VERMELHOr?
    ;o)))

    “Quem tem olhos para ver…que veja! Assim diz o Espírito” (Apoc.S.João)

  • 2. Sil  |  28 de Julho de 2009 às 16:50

    Que dó dos passarinhos…

    Mas também creio nisso: se aconteceu três vezes, há algum motivo divino ou coisa parecida para que eles partam para outra dimensão a partir de tua casa…

    Linda história verdadeira, Vera!

    Beijão

    Sil
    esquinadasil.blogspot.com

  • 3. Vera Pinheiro  |  28 de Julho de 2009 às 18:04

    Petra, queridíssima, amei a poesia, muito obrigada. Quanto ao nome do pássaro, Red, é porque ele tinha um vermelho no biquinho. Clica na foto e verás esse detalhe. Meus bichos, todos, tem sobrenome, representado por Y. Então, deveria ser Reddy. Assim como Buddy, Lucky, Placky, Billy, Happy e Shinny.
    Beijos carinhosos.
    Vera

  • 4. Vera Pinheiro  |  28 de Julho de 2009 às 18:09

    Sil, minha querida, obrigada pelo carinho. Eu também creio que os pássaros vêm, cantam para mim e vão por algum desígnio divino. Não pode ser sem uma razão, até pela repetição. Eu agradeço a esses meus irmãozinhos, ainda que tenham ficado por tão pouco tempo, em vida, próximo de mim. Que sigam seus voos, como seguirei o meu, e todos nós o faremos, igualmente. Deixemos, pois, aos outros o nosso cântico.
    Visitarei teu blog.
    Beijinhos e carinho.
    Vera

  • 5. andressa Ferrari  |  3 de Agosto de 2009 às 08:50

    Linda sua poesia!
    Gostaria que vc falasse sobre o livro do Paulo Papandreu sobre
    Isabella,ok!
    Bjs

  • 6. Vera Pinheiro  |  3 de Agosto de 2009 às 12:27

    Andressa, querida, obrigada pela visita. Ainda não li o livro de Paulo Papandreu. Está na pilha de leituras que estou me devendo, sem tempo. E esse caso é tão triste que não estou podendo, no momento. Mas agradeço a sugestão.
    Um beijo.
    Vera

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