Trapalhadas
Vera Pinheiro
Às vezes, eu me enrosco nos fios e faço a maior trapalhada! Mas, céus, é compreensível! Mesmo usando conexão sem fio… há fios demais! O do telefone se conecta com o do modem e com o filtro (é isso?) e todos se ligam ao computador, que tem mil fios para todos os lados. Resultado: hoje me enrolei nos fios, desconectei o modem e fiquei fora do ar. A essa altura, já tinha mandado um torpedo desesperado para o cara que me assiste nessas horas rudes, Fabio Milhomem (e ele tem – mesmo! – de ser mil homens para aguentar minhas demandas). Como ele sabe que, antes de qualquer tentativa de conserto, eu grito por ele, costuma dar um tempo para eu me acalmar e só depois retorna o recado. Antes que ele o fizesse, Camila me socorreu e consertou a esculhambação que fiz com os fios, não sem antes de – claro! e com razão – me admoestar porque tiro os plugues do lugar e não sei o que conecta onde. Ela é bem mais atenta a isso do que sou. Bem, alguém tem de ser, e, nesse caso, ela é.
Minha filha é mais atenta também quanto ao lugar das chaves. Nunca sei onde coloco as minhas e passo o maior aperto, procurando até dentro do lixo para encontrá-las. No sábado, perdi a chave do carro. Tinha de sair e… cadê a chave? Revirei tudo! Pedi ajuda à diarista – “Para tudo! Vamos procurar em todos os lugares!” – e chamei 200 vezes por São Longuinho. Fiquei nervosa, e tentava reconstituir todos os meus passos desde a última vez em que toquei na chave. Cadê?!, porra! Estava indignada comigo, pois esse é um fato recorrente. Entro em casa distraída, deixo a chave em qualquer lugar e depois não a encontro.
- A senhora deixou em alguma gaveta?, perguntou a diarista, tentando me ajudar.
- Não abri nenhuma gaveta!, respondi, convicta…pero no mucho. Sei lá se abri alguma gaveta de ontem para cá… nem quantas abri!
- Dentro do seu armário!
- Claro que não! Jamais deixaria a chave do carro dentro do meu armário, ora, bolas!
- No banheiro!
- Óbvio que eu não deixaria a chave do carro no banheiro, menina! Cada uma…
- No lixo!
- Já olhei. Não está.
- No seu altar!
- O que a chave estaria fazendo no meu altar?!
- Na sua bolsa!
- Já revirei!
- A senhora não deu descarga na privada, deu?
- Dei, mas espero que não com a chave.
- O gato comeu!
- Ah, quê isso!
- O cachorro pegou!
- Nem!
- Nos bolsos!
- Minha roupa não tem bolsos.
- Deixou dentro do carro!
- Também não. Já olhei.
- Engoliu! – Com essa eu quis escalpelar a diarista, mas me contive. Mocinha desaforada!
Cata daqui, cata de lá, mexe aqui, mexe acolá, e a casa, uma bagunça! Que merda, sempre faço isso e nunca aprendo a colocar as chaves no lugar certo, e ele existe! Duas horas depois, suada de tanta procura, eis que abro o meu armário e…tchan-tchan-tchan-tchan… estava lá! Mas, gente, como é que um molho de chaves tem pernas e vai parar dentro do armário?!
E a minha cara de besta, olhando para a diarista?
- Achei!
- Onde estava?
- No armário.
- Eu não disse?
Odeio a frase “Eu não disse?”. Igualzinha à minha mãe, quando corcoveava em pelo sobre a razão.
Sou quase perfeita, só preciso aprender a colocar as chaves no lugar certo e a não me enrolar nos fios.
Adicionar comentário Domingo, 25 de Outubro de 2009 às 14:36 Vera Pinheiro