Contando os trocados
Vera Pinheiro
Entrei rapidamente no supermercado para comprar itens de lanche para casa. Por não ter almoço pronto e devido ao adiantado da hora, pensei em levar um franguinho assado. Aguardava atendimento no balcão, enquanto um homem, aparentando uns 30 anos, negro, alto e de uniforme não sei de que empresa, pedia uma “quentinha” para levar.
Do lado de dentro do balcão, o atendente colocou uma porção de arroz, farofa, uma coxa de frango e, do lado de fora, o cliente pediu para colocar mais duas porções e um pedaço de linguiça. “Pese para ver quanto isso custa”. O atendente pesou e disse que custava 5 reais. “Não posso pagar. Deixe só a coxinha, tira o restante de frango”. O outro deixou a coxinha e a linguiça. “Pesa de novo, pois só tenho R$ 3,55”, disse o freguês. Nova pesagem e foi preciso tirar a única fatia de lingüiça.
Fiquei com tanta dó do homem que não pedi nada. Tive sincera vontade de pagar o almoço do rapaz, mas não sabia como ele receberia uma oferta dessas, se não se sentiria humilhado por ver que alguém observava a sua penúria.
Pensei nos desperdícios e exageros que se cometem à mesa. Fiquei com muita vontade de comer um pedaço de frango e uma linguicinha, mas logo perdi o apetite. Não sei se fiz certo ou errado. Sei apenas que fiquei com dó do rapaz, mas isso, reconheço, não ajuda coisa alguma.
Ainda não almocei. Vou fazer uma comida simples, pouco mais que um lanche. Eu tenho tanto! Graças dou. Graças dou. Graças dou!
Adicionar comentário Sexta, 20 de Novembro de 2009 às 13:23 Vera Pinheiro