O tamanho
Vera Pinheiro
Grande ou pequeno? Não importa. A importância, a qualidade, a funcionalidade, a competência dizem muito mais do que medidas avantajadas ou tímidas. Pode ser uma coisinha bem pequenininha, mas pode tanto incomodar, e muito, como dar prazer.
Uma uva, por exemplo, é deliciosa e talvez não o fosse se tivesse o tamanho de uma jaca, que, aliás, nunca comi. Um cacetinho mini, que há instantes saiu do forno, é mais saboroso do que um pão francês de tamanho normal e duro, de uma semana atrás (ah, lá nos pampas chamam pão francês de cacetinho, só para clarear… e para não darem outra conotação). Um pedaço de torta de chocolate é delicioso, mas ninguém aguenta enfiar goela abaixo um bolo enorme, de uma só vez. Dá fastio, não dá? Uma gotinha de perfume faz mais charme do que virar um vidro inteiro de loção sobre o corpo. Um decote, uma brecha no vestido, arrasa mais do que tudo de fora, em exposição exagerada. Um drinque é mais divertido do que um porre. Um sorriso diz mais que mil palavras. Um pontinho que fica cutucando depois da cirurgia dói muito mais do que o corte, que teve anestesia.
E por aí vai, tudo é muito relativo. Não é questão de tamanho. “Pequetito pero cumplidor!”, isso é que é! Não são as dimensões, as réguas, as balanças que medem o sentir. E tudo o que é bom para nós tem o nosso número, não sobra nem falta. É na medida! Ou não é. Tipo sapato, que encaixa ou não, e não adianta forçar só porque é bonito e a gente gosta.
Adicionar comentário Terça, 24 de Novembro de 2009 às 07:48 Vera Pinheiro