Arquivo de 27 de Novembro de 2009

Crônica da semana - Balanço de fim de ano

Vera Pinheiro
Em um mês termina este ano ou, em uma perspectiva mais esperançosa, começa outro. É hora de fazer um balanço do que foi a vida em 2009! Antes de fechar o ciclo, vamos revirar os armários para tirar os excessos, limpar gavetas, remexer os guardados para ver o que não tem proveito, o que não foi nem será usado, o que estagnou e deve ser descartado. Roupas, sapatos e acessórios são submetidos a uma vistoria geral e o que ficou fechado por 12 meses pode perfeitamente ser doado. Não tenhas pena de passar adiante peças que não foram bem aproveitadas. Abre espaço para o novo, libera o que for entulho e dispensa apego demasiado a lembranças. Mesmo as boas recordações não devem ser exaustivamente revividas, pois este é um novo tempo, e meramente recordar, sem viver o agora, é se aprisionar ao ontem, que não voltará. Lembra-te que nem mesmo as cenas da melhor felicidade têm reprise. Passaram, e é preciso construir novas vivências. Esse trabalho inicia já!

Esquecer as dores é o primeiro passo. Desapega-te do que te faz sofrer e liberta quem te magoou. É possível que a pessoa nem se lembre do mal que te causou, então, por que mantê-la no teu pensamento, cutucando as feridas do coração? Sublima, deixa pra lá, executa um esforço sincero por não lembrá-la e afasta de ti o que a traz de volta, seja uma foto, uma carta de amor ou de despedida, uma mensagem arquivada no computador, o telefone mantido na agenda. Esquecer é um perdão que se dá com a memória e isso gera paz, mas é preciso perdoar a si também pelas experiências dolorosas e não se martirizar por não se ter desviado de circunstâncias que resultaram em lágrimas e sofrimento. Observa que em tudo há um aprendizado, e às vezes ele se manifesta pelo inevitável. Perdoa de verdade e envolve quem protagonizou os teus desgostos em um sentimento que misture compaixão e indulto. Deseja, a seguir, que a pessoa seja tão feliz quanto almejas ser, pois ninguém consegue trilhar o caminho da ventura sem que, antes, tenha perdoado a todos por gestos que amarguraram, palavras que entristeceram e fatos desagradáveis que provocaram. Apagadas as reminiscências infelizes, o perdão é bálsamo que à paz conduz.

Passeia os olhos nos teus planos e vê quais tiveram sucesso e os que não deram certo. Comemora as tuas vitórias e sejam elas incentivo para futuras realizações. O que julgas ter sido uma derrota se torna valiosa oportunidade de crescimento. Depois avalia se não terá sido, em vez de insucesso, mero adiamento. Cada coisa tem seu tempo apropriado, e talvez o teu projeto – ou sonho – esteja sendo maturado pela vida para o seu momento de acontecer. Refaze os empreendimentos que valem a tua energia e abandona o que não merece o teu empenho. Confia que aquilo que mereces e é bom haverá de se cumprir.

Visita os teus relacionamentos e como procedeste diante deles. Sem calculares o que deste nem o que ganhaste, tampouco o que perdeste, seleciona os melhores acontecimentos de que participaram amigos, familiares, pessoas que tu amas e que te amam, e te sentirás invadido de singela alegria, aquela que faz brotar sorrisos de contentamento à simples menção do nome de alguém ou de um lugar. Contempla igualmente os dissabores, porém resguarda-te dos ressentimentos, que corroem a alma. Não esperes dos que estão no teu convívio a perfeição que não encontras em ti. Acolhe todos como são e não pesquises seus defeitos ou encontrarás mais do que procuras, inclusive no que és. Costumamos rechaçar nos outros o que condenamos em nós, pois eles nos espelham. São reflexos, feios ou bonitos, do que somos e o que amamos neles é o que expressamos. Assim, o que mais detestamos no que é do alheio precisamos consertar em nossa identidade.

Feita a vistoria do que viveste no ano que se encerra, é chegado o instante de pousar neste momento. Pergunta o que queres viver a partir de agora, define com clareza as tuas escolhas e te prepara para o irremediável êxito que alcançam aqueles que sabem aonde querem chegar e se municiam de vontade, coragem, otimismo, determinação, fé e disposição para o trabalho, porque, afinal de contas, de graça e sem cobrança, só as bênçãos divinas que te acompanharam em mais um ano. Por fim, sê agradecido por tudo o que viveste. A gratidão nos leva a andar de mãos dadas com o próprio destino, e em harmonia com ele a vida flui. A cada ano que finda ergue as mãos em graças e a todo ano que entra dá a tua mensagem de boas-vindas, na confiança dos felizes dias que virão. E eles vêm!
(*) Crônica publicada na edição de 28 e 29 novembro de 2009 no jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.

Adicionar comentário Sexta, 27 de Novembro de 2009 às 23:41 Vera Pinheiro

Ouvir os bichos

Vera Pinheiro
Eu falo com os meus gatos e eles falam comigo. Verdade! A comunicação é perfeita, mas é claro que não se compara ao diálogo entre humanos. Apesar das nossas diferenças, conseguimos nos entender perfeitamente – e falo das minhas conversas com Happy e Shiny.

Happy, o gato preto, me diz quando quer sair e Shiny, o branquinho, me chama se quer voltar para dentro de casa. Pedem comida, que eu troque a areia deles, agradecem quando lhes faço um agradinho e ambos ficam quietinhos sobre a mesa do computador enquanto escrevo. Eles sabem que é hora de silêncio, então.

Posso compreendê-los e eles a mim também. Sei do comportamento deles, se estão com algum probleminha e ao falar com eles, me respondem. É uma palavra para lá e um miado para cá, coisa mais linda! Amor puro!

Por essas e outras, não entendo como as pessoas não conseguem dialogar e se perdem. E ainda que falem a mesma língua, não chegam a consenso e têm dificuldade de restabelecer a paz. Não é a linguagem, é o amor pequeno ou inexistente. Que pena. Deveriam aprender a se comunicar e, sobretudo, a ouvir uns aos outros.
170820091333 - 170820091333 190920091754 - 190920091754 Altos papos com Happy e Shiny

Adicionar comentário às 08:26 Vera Pinheiro


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