Arquivo de Dezembro de 2009
Vera Pinheiro
Trocar presentes o ano inteiro, não apenas em datas festivas, seria o ideal para compartilhar a alegria de dar e receber, e tornaria mais frequentes os gestos de confraternização, que não seriam programados para eventos do calendário.
Amor, sentimento fundamental, curador das feridas das emoções. O amor trata das chagas da alma, renova antigos laços, enraíza novas relações, sedimenta a confiança e repara danos dos sentimentos. O amor é essencial ao perdão e o carrega mesmo quando o ego o rejeita. O amor é bom e é o próprio bem. Quem se ama brilha e é belo sem necessariamente enquadrar-se num consenso de beleza. Quem ama irradia a luz do contentamento que contagia, eleva, irmana e une as pessoas em laços fraternais ou amorosos, em todas as formas de amar. Quem é amado se sente validado.
Carinho, a hospitalidade do coração, ofertado antes que alguém requisite, pressente as carências e as supre. Compreensão harmoniza as vontades no convívio e dispensa querer sempre a última palavra e ter razão nas controvérsias. Respeito à liberdade e à individualidade, ao jeito de ser de cada um, sem imposições e restrições, sem desejo de mudar os outros conforme suas expectativas, permite entender que a diversidade dos seres é complementar e útil ao aprendizado de si mesmo.
Aceitação dos fatos como eles se apresentam, reconhecendo que nem tudo está sob nosso controle, mas com empenho de modificar para melhor o que depende de nós, sem tormentos pela impossibilidade de alterar o que extrapola as nossas condições. Nisso se inclui o passado de equívocos cuja solução é construir um agora de equilíbrio e sabedoria, que leve a um futuro mais feliz.
Gentileza com a natureza, pisando sobre a terra com leveza, a palavra com mansidão, o olhar de ternura, as mãos abertas e os braços estendidos para saudar a vida em todas as suas manifestações, reverenciando tudo o que existe e é criação divina.
Solidariedade com as dificuldades alheias, seus dramas pessoais, suas necessidades materiais e indigências espirituais. Se não podemos resolver as misérias do mundo, façamos algo pelo próximo, pelos desconhecidos, esquecidos e abandonados. Ser solidário abranda o sofrimento alheio, ainda que não o extinga.
Acolhimento, que abriga sem questionamentos e sem esperar recompensa e louvores. Companheirismo nos momentos bons e nos nem tanto, nas alegrias e tristezas, nas vitórias e derrotas, na bonança e na penúria, sem invadir o espaço do outro que, às vezes, se guarda em silêncio e recolhimento. Bondade nas atitudes e reações, relevar as ignorâncias, não exigir demais, aceitar o que é oferecido com afeto, benevolência com o ritmo das pessoas no caminho de seu aperfeiçoamento.
Paciência com humor, uma combinação que afasta a irritação. Sem precisar concordar irrestritamente, selecionar o que vale a pena discutir poupa-nos de desgastes inúteis e, na discordância, excluir a linguagem rude, a severidade exacerbada e a rigidez impeditiva do diálogo fluido e pacífico. Lealdade, que sustenta a convicção íntima de confiar e crer sem temor de provas em contrário, traições, enganos e ciladas. Sinceridade delicada, que não provoque humilhação ou devaste a autoestima, e que garanta ausência de falsidade em qualquer circunstância, e se não agradar, que não ofenda nem castigue.
Fé para remover incertezas e dúvidas, entusiasmo para superar desalentos, coragem para dominar abatimentos, força para aniquilar debilidades, persistência para vencer desafios, zelo pela saúde integral de nossos corpos físico, mental, emocional, energético e espiritual. Incentivo nas deserções da esperança para restaurar o ânimo, reencontrar a harmonia e fazer as pazes com o sucesso, a riqueza, a prosperidade, a bem-aventurança em todos os sentidos.
Tudo isso, que é tão bom, podemos dar e há quem queira receber. Somente não podemos entregar a paz, pois depende de contribuição individual para realizá-la em nossas vidas, nos lares, nas comunidades, nos países, no universo. A paz brota do sorriso que substitui a cólera, da bênção que desloca a raiva, do perdão que arreda os desentendimentos. Esses são presentes para trocar dia após dia, começando pelo propósito de ser feliz e doar o melhor de nós.
(*) Crônica publicada na edição de 26 e 27 dezembro de 2009 no jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.
Sábado, 26 de Dezembro de 2009 às 14:05
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
É noite de Natal. Que a mensagem que o menino Jesus trouxe ao mundo seja renovada em todos os corações, refazendo a paz, a brandura, o amor, o perdão, a bondade, a compaixão e a fraternidade. Que todos se abracem, sorriam uns para os outros e se alegrem, fazendo perdurar o espírito natalino em todos os dias do ano. O melhor presente é a vida! Que ela seja muito abençoada hoje e sempre.
Beijo vocês, amadas e amados, e desejo que tenham um Feliz Natal!
Quinta, 24 de Dezembro de 2009 às 20:43
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Então, amanhã é Natal! E eu aqui, exaurida e consumida de tanto trabalho e sem tempo para nada! A vida virtual, no maior abandono. A pessoal, precisando de mim. A profissional, cumprida. A religiosa, bem atendida. A familiar, na expectativa de reunião no final deste ano que, aliás, não foi moleza. A amorosa, esquecida. A sexual, desprezada. Os vários aspectos de minha vida estão carentes de atenção, tempo e reformulações necessárias e urgentes. E sinto um cansaço desmedido!
O que eu precisava hoje era de um colo, um afago e uma esperança consistente de que 2010 será feliz e leve, sem as atribulações, frustrações e mágoas que marcaram o ano que finda. Cadê o espírito natalino?! Encomendei uma modesta ceia e mais queria fazer, mas foi impraticável. Amanhã darei expediente até um pedaço da tarde e se puder chegar mais ou menos cedo em casa darei graças! Estou me sentindo uma sobrevivente de 2009. Putz, poderia ter sido melhor e acho mesmo que merecia, mas aprendi a aceitação. Tudo o que me é dado viver é do meu caminho e do meu merecimento, mesmo que eu não compreenda o processo. Preciso saber o que fazer com tudo, inclusive com a solidão de decidir a respeito do que fazer com tudo o que me feriu, frustrou e desanimou. Mas, enfim, logo 2009 acaba e dele não vou reter lembranças. Minhas expectativas serão mais modestas no próximo ano. Apesar disso, vou brindar ao sonho de que tudo de bom se realize.
Será que somente eu me sinto assim?
Quarta, 23 de Dezembro de 2009 às 22:59
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Nem tive tempo de ver minhas fotos de aniversário! Coisa de louco essa correria de fim de ano. Não bastasse isso, ainda tive de providenciar a renovação da minha carteira de motorista, que vence por esses dias. Como minha primeira habilitação é de 1900 e coquinhos, terei de freqüentar a escolinha de trânsito, minha opção para não fazer prova. Nessa altura do campeonato… Prova? Nem pensar! Já marquei, mas acho que vou precisar desmarcar e remarcar. São três noites de curso, e cada aula com duração de quatro horas! Ai, ai, essa não era para agora! Mas não deve ser pior do que tirar foto 3x4… Coisa horrorosa! E vou ter de aguentar aquela foto, que não me faz justiça, por cinco anos! Daí o guarda de trânsito, quando pede a carteira, olha para a gente e olha para a foto, olha para a foto e olha para a gente, para tentar associar as imagens. Eu fico um susto numa foto 3x4. Vou usar a da carteira de habilitação e rasgar em pedacinhos as outras. Sim, as outras, porque eu precisava de uma única fotografia, mas encontrei apenas quem fizesse oito retratinhos assustadores. Não dou cópia nem para filhos! Coisa mais feia…
Terça, 22 de Dezembro de 2009 às 19:00
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
As pessoas
Fingem afeto que não sentem,
Sentem raiva que não demonstram,
Demonstram amizade que não cultivam,
Cultivam ódio que não mostram,
Mostram carinho que não confirmam,
Confirmam amor que desmentem.
E esperam que confiemos
Nelas,
No que dizem,
Fazem
E são.
Em troca e em igual medida, partilhamos
Desconfiança,
Descrença,
Decepção,
Descrédito,
Desilusão,
Desesperança,
Desamor.
Mas vivemos como se tudo fosse
Bom,
Sincero,
Verdadeiro,
E seguimos usando máscaras
De defesa e proteção
Uns contra os outros,
Aplaudindo a hipocrisia
E simulando aceitação
Do que cada um,
Feliz ou infelizmente,
É.
Segunda, 21 de Dezembro de 2009 às 09:46
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Graças Te dou, Mãe Divina, por tudo o que eu vivi!
Nos risos fartos por momentos felizes, o Teu contentamento ressoou em mim. Nas vitórias que alcancei, o Teu triunfo exultou em meu peito. Nas alegrias que experimentei, o Teu júbilo repercutiu nos meus sentidos. No sucesso dos empreendimentos, o Teu poder confirmou os meus avanços.
Nos sonhos que realizei, a Tua esperança me contagiou. Na perseverança que proveu minhas idéias, a Tua pertinácia me animou. Na ousadia das realizações, a Tua coragem me sustentou. Na fé que me robusteceu, o Teu caráter se manifestou. No enfrentamento de desafios, a Tua firmeza me fortaleceu. Na bravura que me abasteceu, o Teu vigor me apoiou.
Nos desafios que encontrei, o Teu auxílio me resguardou. Nas escolhas que fiz, o Teu discernimento me orientou. Nas decisões que tomei, a Tua inspiração me norteou. No otimismo que cultivei, a Tua confiança me entusiasmou. Nas conquistas que obtive, a Tua persistência me impulsionou. Nos prazeres que me deleitaram, a Tua companhia me regozijou. Nas buscas a que me lancei, a Tua direção me encaminhou.
Nas lágrimas que derramei, o Teu colo me consolou. Nas dores que me contristaram, o Teu amor me vivificou. Nas expectativas que me frustraram, a Tua bondade me reconstituiu. Nas amarguras que conheci, o Teu afago me confortou. Nas desesperanças que me desolaram, a Tua resistência me firmou. Nos desgostos que atravessei, o Teu cuidado me reanimou. Nas tristezas que me corroeram, o Teu acolhimento me consolou.
Nos desapontamentos que vivenciei, a Tua constância me regenerou. Nos fracassos que amarguei, o Teu estímulo me recobrou. Na infelicidade por que passei, a Tua bênção me restaurou. Nas decepções que tive, o Teu abraço me acalmou. Nas dificuldades que enfrentei, a Tua segurança me alentou. Nas mágoas que suportei, o Teu carinho me aliviou. Nos desgostos que provei, a Tua energia me regenerou. Nos pesares que me atormentaram, o Teu afago me refez.
Nas angústias que padeci, a Tua paz me reergueu. Nos obstáculos com que me defrontei, a Tua sabedoria me governou. Nas tribulações que me desinquietaram, o Teu aconselhamento me serenou. Nas incompreensões que recebi, a Tua temperança me esclareceu. Nos conflitos que me embaraçaram, a Tua moderação me libertou. Nos desenganos que me visitaram, a Tua sinceridade me reabilitou. Nas desilusões que me machucaram, a Tua compaixão me curou.
Nas dúvidas que me importunaram, o Teu conhecimento me guiou. Nas contrariedades que me aborreceram, a Tua brandura me equilibrou. Nas raivas que me envenenaram, o Teu perdão me purificou. Nas ofensas que me golpearam, o Teu ensinamento me instruiu. Na solidão que me acompanhou, a Tua presença me escoltou. Nas carências que me afligiram, a Tua generosidade me preencheu.
Mãe Divina, no abandono és o meu asilo. Na ingratidão, o reconhecimento. No perigo, a proteção. No desamparo, o esteio. Nos tropeços, o amparo. Nas lutas, o escudo. Nos confrontos, a defesa. No silêncio, a voz. Na palavra, a lição. Nos passos, o desvelo. Nos riscos, o abrigo. Na escuridão, a luz. Nas necessidades, a providência. Nas demandas, a justiça. Na fraqueza, a força. Na rigidez, a flexibilidade. Nas incertezas, a convicção. Nas desventuras, a compreensão. Na crueldade, a misericórdia. No medo, o sossego. Na prisão das emoções, a liberdade do ser. No corpo, nutrição. Na mente, clareza. No espírito, aperfeiçoamento.
Tu, Grande Mãe, és o farnel para a minha jornada cotidiana. Não sinto frio, porque me agasalhas; não sinto calor, porque me refrigeras; não sinto fome, porque me alimentas; não sinto cansaço, porque repouso em Teu aconchego; não sinto sede, porque bebo na fonte sagrada da Tua magnitude.
Com meus joelhos dobrados diante de Ti, coloco tudo o que sou, tudo o que tenho, a inteireza do meu coração, meus pensamentos e atitudes, e todas as minhas relações sob Tua cautela, e posso adormecer segura de que a vida é um belíssimo presente que me concedes. Não importa o que me entregues, eu Te dou graças, porque estou em Tuas mãos e confio nos Teus propósitos, ainda que o meu entendimento esteja em construção. Bênçãos e graças, Mãe!
(*) Crônica publicada na edição de 19 e 20 dezembro de 2009 no jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.
Sábado, 19 de Dezembro de 2009 às 00:18
Vera Pinheiro
Vera Pinheiro
Bom diaaaaa! Estou me sentindo renovada com a minha nova idade! Festejei o meu aniversário durante o dia inteiro ontem, ou melhor, desde quarta-feira, e a festa continua hoje. Três dias de farra, eita coisa boa! Não tive tempo de selecionar fotos, mas farei isso assim que for possível para compartilhar aqui. Recebi muitos beijos, abraços, carinho, bons votos, telefonemas, mensagens (algumas estão na sessão “Recado dos Leitores”) e presentes “com a minha cara”, como se diz. Graças! Adorei tudo!Depois te conto!
A minha amiga Juliana Toscano me enviou uma linda mensagem, cuja autoria ela desconhece e eu também. Tocou fundo no meu coração e me trouxe uma profunda reflexão sobre o que vou fazer com os meus dias, daqui para frente.
A Idade de Ser Feliz
Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.
Sexta, 18 de Dezembro de 2009 às 11:09
Vera Pinheiro