Arquivo de 3 de Fevereiro de 2010

Estreia na barraca

Vera Pinheiro
No dia 4 de novembro de 2009, contei aqui sobre a compra no post “Vou armar a barraca!”. De lá até sexta-feira passada não abri as embalagens da barraca e do colchão inflável – vai que eu perco algum parafuso. Nos meses seguintes, fui me preparando para a estreia, comprando mais umas coisinhas para o acampamento que faria no último final de semana de janeiro de 2010, junto com minha filha Camila, durante um retiro espiritual para mais uma iniciação na religião da Deusa.

Na hora de juntar a bagagem, não era pouca coisa. Só de travesseiros, cobertores, lençóis etc parecia que ficaríamos acampadas por um mês. Eu temia que entrasse água – tem chovido muito – e que ficássemos sem agasalhos para as noites ao relento, restando, nesse caso, a opção de dormirmos encolhidas nos carros, o que é um desaforo para qualquer coluna vertebral.

Chegamos ao local no meio da tarde. Eu queria garantir que até a noite, quando seriam iniciadas as atividades, tudo estivesse pronto. Desci do carro com disposição e cara de quem era experiente na lida, mas… Que nada! Logo que abri as caixas não tinha noção da serventia dos parafusos e outros quetais. Recorri a uma amiga, Adriana Jaccoud, que havia se prontificado a me ajudar se eu passasse aperto. Com tudo no chão, Adri ensinou Camila a montar a barraca, enquanto eu apenas observava o serviço. Dois pra lá, dois pra cá e a barraquinha estava erguida! Fácil! Bem, devo confessar que não prestei ajuda, fiquei de lado, na posição de “quem não ajuda, não deve atrapalhar”.

Terminada a missão, coloquei uma plaquinha que identificasse a nossa barraca com os dizeres “Felicidade é amar a vida” e outra com uma mensagem relacionada com os trabalhos espirituais. Vai que eu erro a porta! Deixei naquele espaço – para o meu gosto um tanto apertado – apenas o que era de uso essencial e imediato, senão não teria para onde espichar as pernas. E já comecei a pensar que devo comprar uma barraca maior e mais confortável.

Aliás, fiz uma bobagem na compra do kit acampamento. Disseram que o tal colchão inflava sozinho e não comprei a bomba. Na hora de encher de ar, precisei da ajuda de outra amiga, Mônica Rivera, que tinha a tal bomba. Camila meteu o pé na manivela até encher o colchão. Eu fiquei sentadinha, só apreciando. De má vontade com o colchão inflável à manivela, escolhi dormir no colchonete muito bem forrado, que levei como acréscimo, o que foi ótimo! Quando me deitei, tinha um buraco de todo o comprimento abaixo do colchonete, e ali me aconcheguei no colo da Mãe Terra. Dormi bem a noite inteira.

No final da tarde de sábado, Camila voltou para a civilização e eu fiquei sozinha na barraca. Colchão vazio, deitei nele para ver como era. Não gostei, é mole demais para o meu gosto. Ou talvez tenha esvaziado, sei lá. Dormi no chão de novo e acordei antes das 5h, sob a lua cheia brilhante, maravilhosa, inspiradora e mágica, cobrindo a pequena cidade de lonas.

Outra compra boba – por influência do vendedor – foi a de um plástico para cobrir a barraca em caso de chuva. Eram metros e metros de plástico que, sozinha, eu não conseguia segurar. Puro exagero. Terei de cortar mais da metade! Que desperdício e gasto inúteis, por ignorância. Na primeira noite choveu um pouco e, apesar do tamanho exagerado da cobertura, ela teve utilidade, mas, para ventilar, deixei a porta fechada só com o filó, o que fez Camila passar frio. Mas quem levantaria para buscar o cobertor no carro? A noite seguinte estava enluarada, mas preferi me garantir e cobri a barraquinha outra vez. O melhor de tudo foi desmontar – e eu fiz isso sozinha!!! Fácil! É mais fácil desmontar do que montar, parece. Só pedi ajuda para dobrar aquela barbaridade de plástico. Guardei os parafusos nos saquinhos, mas não dei conta de enfiar a barraca e o colchão nas caixas. Faltou-me habilidade ou braços mais fortes e longos.

De segunda a domingo, não usei maquiagem, andei descalça, tomei banho de cachoeira, comi apenas comidinha natural, não usei sabonete, shampoo, condicionador, perfume e tudo o que faz parte do “kit beleza”. Apenas desodorante, escova, dentifrício e fio dental, passado “no escuro”, pois não usei espelho nesses dias. Eram dias de olhar para dentro, não para o lado de fora de mim. Voltei feliz, renovada espiritual, energética, emocional e mentalmente, e ainda mais segura do caminho da Deusa. No aspecto físico, estava um pouco cansada, mas já me refiz. Foi bom demais! Quanto à barraca, tirando as dificuldades de principiante, tudo foi fácil. Vou me equipar melhor para a próxima vez, mas posso dizer que a estreia foi um sucesso! E que bom, nessa altura da minha vida, fazer algo que ainda não tinha feito… Ainda há muita coisa boa para fazer e viver!
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Adicionar comentário Quarta, 3 de Fevereiro de 2010 às 01:40 Vera Pinheiro


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