Perdas
Quinta, 4 de Fevereiro de 2010 às 19:35 Vera Pinheiro | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 123
Vera Pinheiro
É preciso entender que a vida não é o que poderia-ter-sido ou um eterno vir-a-ser. A vida é o que se viveu e o que se vive agora. Não se pode viver de lembranças e de saudade, assim como não se pode transformar a existência num eterno sonhar, em que se tecem possibilidades que não concretizam. O que se viveu pertence ao passado, e esse não volta apesar de qualquer esforço. O que se quer viver é traçado pelo desejo, pelo sonho que se acalenta e no qual se acredita de verdade e por ele se empenha.
De todas as perdas, só não se pode aceitar aquela que leva a gente também. Manter-se inteiro apesar das perdas é um desafio enorme, mas não há alternativa de outra escolha a não ser por nós mesmos. Essa é uma opção de viver em paz. Às vezes significa solidão, mas isso é melhor do que se deixar arrastar pelo desespero de uma perda que aconteceu e que é irremediável. Como diz uma canção de Ana Carolina, “perder talvez seja o melhor destino”. Algumas vezes é mesmo. Quando se percebe isso, se retoma a vida.
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