Publicações arquivadas sob Coisas da vida

Fora do ar

Vera Pinheiro
Desde ontem à tarde estou fora do ar. Faltou energia elétrica durante toda a tarde e o Nobreak pifou. Resumo da situação: o computador não liga. Claro, essas coisas só acontecem num feriadão ou fim de semana, jamais de segunda a quinta, a tempo de chamar o profissional da área para atender a emergência.

Eu disse emergência? Não é. Mas é uma preocupação saber a extensão do dano.

Hoje estou trabalhando, então posso dar um recado breve. Mas amanhã será feriado e estarei fora do ar até que o super-hiper-mega-uber profissional de informática que dá assistência aos meus equipamentos volte do feriadão. E o danadinho desligou o celular e não tem caixa postal! Faz ele muito bem! Deixei um recado no celular da esposa – tenho cá minhas regalias de cliente antiga.

Nada que não possa esperar. É bom para testar a paciência. Não nasci colada num computador, mas que sinto falta… Ah, isso é verdade. No dia de folga, em vez de internet, amanhã vou mexer na terra, botar os pés no chão, brincar com os bichos, conversar com pessoas ao vivo e dar uns bons beijos na boca. A realidade é melhor do que a ilusão do virtual…

Adicionar comentário Segunda, 6 de Setembro de 2010 às 12:08 Vera Pinheiro

Trevo de quatro folhas

Vera Pinheiro
Os mimos do meu jardim são os trevos de quatro folhas, que cultivo há anos. Pois há mais de mês eles recebem cuidados intensivos porque adoeceram junto comigo. Eu acredito piamente que as flores captam nossas energias, as boas e as nem tanto. Voltei do Rio Grande do Sul e passei 15 dias acamada por conta de uma pneumonia e minhas pequeninas flores se ressentiram… ou morreram de saudade de mim, enquanto estive fora.

Agora estou recuperada, embora ainda esteja sob cuidados médicos para evitar uma recaída. E os trevinhos de quatro folhas revivescem! Hoje os examinei de perto e vi que estão renascendo aos poucos. Eu também!

Adicionar comentário Domingo, 5 de Setembro de 2010 às 10:55 Vera Pinheiro

Crônica da semana - Que bom se fosse assim… (*)

Vera Pinheiro
Se os humanos cultivassem respeito uns pelos outros, evitariam confrontos desnecessários e haveria mais aceitação do jeito que cada um tem de ser e de agir. Ninguém imporia suas razões e todos ouviriam o que os outros têm a dizer. Não haveria discussões prolongadas nem desavenças difíceis de resolver. Os sorrisos brotariam com facilidade nos rostos. Não verteriam lágrimas dos olhos, senão as que resultassem de emoções felizes, jamais por maldade causada por outrem. As mãos se estenderiam na direção de quem precisa de ajuda e não cobrariam recompensa, mas ela surgiria com a espontaneidade e a generosidade dos retornos seguros que a vida garante, esperemos ou não.

Se todos amassem com o coração liberto de dores passadas, as pessoas não seriam tão prevenidas umas com as outras, a espera de decepções e golpes de falsidade e traição. Os relacionamentos não carregariam a memória de medo de se dar com inteireza e de sofrer depois da entrega dos sentimentos. Confessaríamos a felicidade pela presença do ser amado e nunca nos prepararíamos para o dia em que ele nos entregasse um adeus sem explicação. Não teríamos o peito lotado de mágoas e não seríamos tão desconfiados depois de declarações de amor ditas sem verdade, apenas pelo fito da conquista. Não haveria arrependimentos e culpa nem ofensas e acusações mútuas. Não teríamos o coração blindado para o amor se não tivéssemos sofrido demais e se aprendêssemos a prática do perdão.

Se a sinceridade fosse baliza das amizades, poderíamos falar o que sentimos sem risco de julgamentos precipitados e silêncios condenatórios. Poderíamos revelar o que existe nos compartimentos mais escondidos de nossas lembranças e não precisaríamos disfarçar que estamos bem, se não estamos. Falaríamos em total confiança e o futuro não seria uma ameaça de que nossas palavras ou atitudes se voltassem contra nós porque alguém não esqueceu daquilo que fazemos um esforço hercúleo para esquecer. As confidências morreriam no ouvido e não nos cobrariam coerência ao mudarmos de opinião. Não daríamos as justificativas que nos exigem. Não responderíamos a perguntas que gostaríamos que não fizessem. Não nos submeteriam a interrogatórios para que tentemos explicar por que nos apaixonamos por uma e não por outra pessoa. Entenderiam nossas mudanças de humor e de par e não questionariam a intimidade que temos com a solidão. Riso e choro seriam acolhidos com benevolência e desabafaríamos quando tivéssemos necessidade ou vontade, e sempre encontraríamos alguém que nos ouvisse e, sobretudo, nos compreendesse.

Se as famílias fossem unidas ninguém se sentiria sozinho. Encontraríamos amparo ao menor pedido de socorro e carinho em circunstâncias de desânimo, e nos sentiríamos protegidos pelo afeto daqueles com quem temos laços de sangue e estima. Exaltaríamos as virtudes e ajudaríamos a corrigir os defeitos sem esmagar o valor alheio. Participaríamos das vitórias de um parente como o próprio vitorioso, e nas horas rudes sofreríamos juntos pelo dano que sofreu. Seríamos uma irmandade verdadeira, não irmãos por eventualidade. Parentesco seria um título nobiliário, não um castigo ou incômodo.

Se tivéssemos fé, a vida seria uma sucessão de milagres do divino amor. Consideraríamos os problemas como desafios que podemos enfrentar e as dificuldades como oportunidades de crescimento. Nenhum problema seria maior do que a nossa capacidade de superação e dor alguma seria forte o bastante para nos abater. Não haveria sacrifício, mas dedicação. Nossa relação com todos os seres seria amorosa e abençoada, porque saberíamos que todos vieram da mesma fonte e origem.

Se tivéssemos coragem, não sucumbiríamos facilmente. Com força de espírito não haveria fadiga emocional, mas ânimo de resistência. Com serenidade contornaríamos os obstáculos que testam nossa firmeza de propósitos. Com determinação faríamos a longa caminhada rumo à totalidade do ser e não pregaríamos o discurso dos queixosos, mas as lições dos aprendizes de sabedoria. Com amor nossos gestos seriam suaves; nossa palavra, justa; nossas ações, exemplares. Atravessaríamos cada dia com alegria e gratidão e, ao final dos tempos, seríamos lembrados pelas virtudes que conseguimos aprimorar, espalhando o bem e irradiando paz.

Que bom se fosse assim… Esforcemo-nos para tornar isso uma realidade possível!

(*) Crônica publicada na edição de 4 e 5 de setembro de 2010 do jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS.

Adicionar comentário Sábado, 4 de Setembro de 2010 às 08:32 Vera Pinheiro

Cabelos

Vera Pinheiro
Vou confessar! Meu sonho de consumo atual é uma consulta com Celso Kamura! Eu disse consulta mesmo, porque a um cabeleireiro como ele não se faz visita, mas uma consulta!

A propósito, o horário eleitoral na tevê só tem acentuado esse meu desejo. Quando vejo a Dilma – e sempre presto muita atenção nela! – renova-se em mim o sonho de entregar a minha cabeça ao Kamura. Está bonita a candidata, né, não? Lembra-me uma antiga propaganda de xampu que dizia assim: “Lembra da minha voz? Continua a mesma! Mas os meus cabelos… Quanta diferença!”. Caso da Dilma. Imagino o que o Celso Kamura faria comigo! Nela só faltava aprimorar o visual. E foi uma renovada e tanto! E quem disse que visual não conta? Conta, sim, e muito! Mas eu acho uma bobagem perguntar isso numa entrevista com a candidata, como foi feito no Jornal da Globo, outro dia. Por acaso perguntam ao Serra se ele acha que votam em careca? Não, não perguntam! Então, para que tentar prensar a Dilma só porque ela está mais bonita? Ah, vá!

Então, quando os homens dizem que o importante é que a mulher tenha conteúdo, virtudes, valores eles omitem que levam muitíssimo em conta bunda, peito, peso, cara, cabelos, unhas, roupas etc. Depois, bem depois, é que vão querer descobrir a alma boa que a gente é, mulheres maravilhosas e, como se dizia antigamente, “prendada”. Só os amigos se interessam pelo espírito da gente, mas quantos deles nos quererão como amadas? Então o caminho é inverso: homem é visual e pronto. Punto e basta!

Adicionar comentário Sexta, 3 de Setembro de 2010 às 12:04 Vera Pinheiro

Aos tapas com o telefone

Vera Pinheiro
Eu e minha filha trocamos nossos telefones por uma semana. Sem dúvida, uma prova de elevada confiança mútua, porque celular é coisa mais íntima que a calcinha da gente: cada um tem o seu e ninguém tasca, a menos que a gente permita.

As razões da troca não vêm ao caso, é coisa nossa. O fato é que estou aos tapas com o telefone da Camila e isso vai se estender até sábado. Não ouço o toque dele até que alguém me dê o alerta: “Atende o teu telefone, @#&*+=”#/^”!!!.

Não que seja baixo, é que não estou acostumada com o barulho. E por ter o ouvido seletivo não ouço toque de celular alheio. E mesmo que ouça, não atendo. Assim, evito constrangimentos como o que ocorreu certa vez, quando liguei para um “futuro ex” e uma voz feminina atendeu. Não era a secretária, porque ele não estava no trabalho. Era a namorada que eu não sabia que o ordinário tinha. Ou até sabia, mas achava que ele não era canalha o bastante e ela, uma cara de pau que atende as ligações do namorado. Detalhe: eu não estava falando de nenhum dos meus telefones conhecidos. Enfim, odiei a cena e prometi nunca mais ligar para ele – até a eternidade, o que cumpro à risca até hoje. Situaçãozinha que eu não precisava ter vivido…Até hoje, porém, estudo uma resposta melhor para a que dei na ocasião quando ela me perguntou: “Quem é?”. Essa minha boa educação podia ter dado vez a uma resposta cretina…

Voltando ao telefone de Camila: tem senhas para tudo, que o meu não tem. Ela me forneceu todas as senhas, mas não me emprestou paciência para digitá-las cada vez que preciso usar o aparelho. Resultado: tornei o celular dela tipo pai de santo: só recebe. Ligo do fixo que me dá menos trabalho. Minha filha é muito paciente mesmo. Foi a mãe dela quem ensinou…kakakaka! Ainda não tenho o relatório dela sobre o uso do meu celular, mas aposto que dá menos trabalho. É que nesta altura da vida não quero nada complicado para o meu lado, nada e ninguém! E como diz uma música da Simone: “quero um homem que seja feliz”. Dos chatos, infelizes e problemáticos quero distância!!! A solidão é melhor do que um encosto desses.

Adicionar comentário Quinta, 2 de Setembro de 2010 às 12:23 Vera Pinheiro

Parabéns para mim

Vera Pinheiro
Abri uma latinha de cerveja e fiz um brinde solitário e silencioso para mim. Eu mereço! Hoje, 1º de setembro, é uma data muitíssimo especial: completo 36 anos de trabalho ligado à imprensa, jornalismo e quetais.

No dia 1º de setembro de 1974, eu começava a trabalhar na Rádio Imembuí, de Santa Maria, RS, apresentando um programa de rádio que seria revolucionário na época e ao qual fui guindada graças a um concurso de que participei junto com outras 59 candidatas. Chamava-se “Detalhes” e marcou um novo estilo de comunicação na cidade. Naqueles idos, era algo inédito e inusitado, que quebrava todos os paradigmas existentes. Um absoluto sucesso de público e de crítica.

Eu tinha apenas 18 anos e começava a carreira como locutora de rádio. Era um tempo em que a comunicação era muito sisuda, com a voz impostada e textos prontos. Surgi com a ousadia do novo, rindo de tudo e improvisando quase tudo. Deu muito certo!

Hoje, durante todo o dia, me lembrei de momentos gloriosos que vivi. Recebia muitas e muitas e muitas cartas de ouvintes. Em dado momento, as cartas eram guardadas dentro de um saco enorme, porque não cabiam em caixas, tantas eram. O povo de Santa Maria e região me amava. Jamais, em toda a minha vida, me senti tão amada como naquele tempo. Acho que foi mesmo o tempo em que me senti amada.

Deixei o rádio quando decidi vir para Brasília, em 2005. Foram 21 anos à frente de um microfone. E uma escolha pelo anonimato numa cidade que eu não conhecia. Não sei como tive coragem de virar as costas para o sucesso. Ou melhor, eu sei. Mas prefiro não lembrar.

Um brinde à vida! Uma reverência ao passado! Se eu não escrever nada amanhã é porque estou tomada de saudade. Às vezes, ela é insuportável. Mas eu sobrevivo.

(Em razão do aniversário de carreira e porque preenchi 99,02% do total de 100,00 MB do espaço deste blog nos próximos dias vou mudar de endereço. Aguardem!)

2 comentários Quarta, 1 de Setembro de 2010 às 23:05 Vera Pinheiro

Ceninha patética

Vera Pinheiro
Agosto acabou! Que bom! Salve, setembro! Daqui a pouco vem a primavera! E calor! Que maravilha! Já começo a ser feliz desde agora! Que o inverno se lá logo! Não vai me deixar saudade.

Sim, estou entusiasmada hoje. E me diverti com uma ceninha que abriu o meu dia. Logo cedo, um sussurro no meu ouvido, com aquela voz de lobo mau partindo para cima da chapeuzinho vermelho: “Se uma brisa invadir a sua janela não se assuste. Sou eu beijando a sua boca em silêncio”. Cruz e credo!

Ô querido, se uma brisa invadir a minha janela eu passo a tranca, fecho, porque numa pneumonia, como a que tive, a recaída é que mata. Em caso de amor também, dizem, por isso sou precavida e vacinada!

Daí vem uma colega e diz ter certeza de que estou amando! Ah, é? E posso saber por que? “Pela estampa!”, respondeu ela, referindo-se ao modo como tenho me vestido ultimamente, que ela comentou em detalhes. Como o povo é reparador!

Um colega se intrometeu na conversa e concordou com ela (homens, bah!): “Eu também acho que você está apaixonada!”. Repeti a pergunta “E posso saber por que?” ao que ele respondeu: “Porque até o batom está passado no capricho”. Eu não disse que homem bota reparo em tudo? Começo a achar que eles são piores do que as mulheres nisso (e não vou dizer “nisso também” para não ferir suscetibilidades masculinas).

Ah, queridos, apaixonada, eu?! Por outra pessoa além de mim? Nem! Meu coração só bate mais forte na presença de um homem: o cardiologista. Esse pode me agradar ou preocupar, dependendo do que me diz , por isso cada encontro (ou melhor, consulta) é uma expectativa das melhores!

Outro colega me mediu de alto a baixo e acrescentou: “Quer dizer que teremos casamento em breve?”. Retruquei: “Não, mas um caso está garantido!”.

O fato é que estou com cara de feliz porque estou feliz mesmo. Isso eu não disfarço. A gente não consegue disfarçar a felicidade (por isso botam tanto olho gordo!). As tristezas, sim, podem ser escondidas, mas não vale a pena fazer isso. Tristeza a gente resolve e felicidade é para viver.

4 comentários às 12:11 Vera Pinheiro

Maus modos à mesa

Vera Pinheiro
Almocei ontem com uma amiga minha. Comi bem, mas ela, não. Ocupou a boca e o tempo do almoço para relatar que acaba de dar o fora em mais um pretendente a futuro ex. Afinal, os moços não esquentam o banco. Um passo em falso e ela detona o cara.

Mas, vejam, quem aqui é um ser humano impaciente com os homens? Ninguém. Eu e minhas amigas os amamos, claro que sim, mas paciência tem limite, como tudo nesta vida. Por exemplo, o fato narrado por essa amiga minha, que bate no limite do insuportável, ricocheteia e volta para ele.

No sábado ela foi a um almoço com o namorado da vez e um grupo de amigos. Escolheram um restaurante com um cardápio que agradava todos à mesa. Um lauto banquete, para dizer o mínimo. Conversa pra lá, conversa pra cá, dali a pouco o moço – tão bonito! – passa a mão no paliteiro e começa a escavar entre os dentes. A minha amiga, mulher de boa procedência e de estirpe, disfarçou, fez que não viu, pediu licença e foi ao toalete, onde se demorou além do necessário. Enquanto ele não terminou o serviço de bocarra arregaçada, ela não voltou à mesa. Pegou o celular e fez umas dez ligações para passar o tempo (sem desgrudar os olhos do homem, claro).

Finalmente, ele quebra o palitinho e bota sobre a mesa – ai, que nojo! Ela voltou com cara de que nada viu, sentou-se ao lado do namorado e deu um sorrisinho como quem se desculpa pela demora do retorno. Parece que ele só estava esperando por isso para dar início à segunda parte da operação limpeza bucal (arg!).

Pasma, ela assistiu o namorado enfiar o dedo indicador na boca para catar restos de alimentos, que voltava a comer, como uma vaca que rumina. Vixe! A minha pobre amiga virou o rosto em sentido contrário e vomitou ali mesmo, entre os sapatos do grupo de amigos. E ela só toma suquinho, imagina o tamanho do estrago se bebesse uns chopes!

Ninguém que estava à mesa entendeu quando ela pegou o paliteiro que repousava sobre a mesa e o jogou pela janela e o garçom fez o maior esforço para conter a moça quando ela, de faca em punho, quis cortar o dedo do namorado.

Depois dizem, injustamente, que toda culpa é da mulher. Porco! Relaxado!

Adicionar comentário Terça, 31 de Agosto de 2010 às 17:17 Vera Pinheiro

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