Conversa Íntima
Conversa íntima a gente tem com pessoas em quem se confia. Abro o meu abraço afetuoso e o meu coração para receber a tua confiança, que para mim será como um tesouro. Vamos trocar idéias? Quando a gente partilha um peso, ele fica menor. Quando dividimos uma alegria, ela fica maior. Escreve e pergunta o que quiseres. Se eu puder ajudar, ficarei feliz por isso. Se não puder ajudar, poderei te ouvir. Ao menos uma palavra te ofereço. Ou, quem sabe, ao responder a pergunta eu resolva a tua curiosidade sobre o que penso. Beijos e amor! Luz para a tua vida! Vera Pinheiro.
“FICAR”, NAMORAR OU ESPERAR
Costumas falar de temas importantes vinculados a questão do amor, como namoro, perdas ('’COMO ESQUECER?” ARTIGO DO JORNAL A RAZÃO). Tenho 21 anos e sabe como é esta fase, muitas perguntas etc. Mas com 15 anos (devido à algumas experiências, como o tal do ficar, por um dia, que não tinha graça) eu decidi que só namoraria se fosse com alguém que eu gostasse (contrariando a tendência da minha idade e os meus colegas), que fosse uma pessoa simples, legal, sensata, bonita (pra mim) e que tivesse os valores que fazem parte da minha vida e, claro, que gostasse de mim. Eu encontrei uma menina muito importante pra mim. Mas não estamos juntos agora. Tenho um respeito sem tamanho por ela. É, isto, por enquanto, então, que queria compartilhar com a VERA. Um abraço.
Vera Pinheiro: Meu querido, tem gosto pra tudo. Há quem goste de “ficar” e somente isso. Fica com alguém, depois fica com outra pessoa, noutro dia (ou no mesmo dia) fica com mais outra. Penso que são experimentos de relação, como quem prova um quitute, um docinho, pra ver se gosta. Se não gostou, não satisfez, vai para outra experiência até achar a pessoa que complete aquele espaço que está no peito à espera de alguém. Alguns até acham boa a experiência, repetem-nas outras vezes e se tornam “ficantes” com a mesma pessoa, mas não querem vínculos afetivos mais profundos com ela. Há quem “fique” por não querer relacionamentos firmes mesmo, por não querer ou por não estar preparado para o compartilhamento de vivências, e outros preferem essa modalidade por estarem escaldados com histórias infelizes e não querem se entregar até que a dor passe e possam se relacionar sem medo da entrega.
No teu caso, foi uma opção, porque não achas nenhum encanto nesse tipo de relacionamento volátil, frívolo, fútil, contrariando a opinião dos que encontram nisso alguma graça, e devemos respeitar as preferências e escolhas de cada um, mesmo que sejam diferentes das nossas. Tu preferes namorar a “ficar”, e aguardaste a chegada de alguém que preenchesse de amor o teu coração, e ela chegou. Por que não estão juntos? Ela sabe da importância que tem para ti, sabe dos teus sentimentos por ela? As mulheres têm sexto sentido aguçado, sim, mas não têm o poder de adivinhar o que se passa no coração e na cabeça dos homens. Se o homem não fala o que sente, ela terá de viver de suposições, o que é um perigo, porque a imaginação feminina é fértil e infinita. A gente gosta de saber, precisa saber e se vocês não dizem, o exercício de suposição é cansativo e causa alguma insegurança. Quando a gente sabe o que o outro sente, pode escolher o que fazer com isso. Pode aceitar ou rejeitar, pode decidir a respeito. Esse é um direito que todos nós temos: o que escolher para nossas vidas, e isso inclui pessoas com quem compartilharmos a nossa história.
Um amor silencioso, mesmo que intenso, sincero e profundo, é lindo na ficção. Na realidade, o amor precisa se expressar, precisa ir ao encontro do ser amado para ver se existe reciprocidade ou, ao menos, chance de começar uma história. Pode acontecer, e acontece, de a gente se declarar para alguém de peito aberto e o outro não corresponder, na mesma medida, ao nosso sentimento. A gente pode amar uma pessoa e ela apenas gostar de nós, e não é a mesma coisa, claro. É preciso ter coragem de enfrentar esse risco, pois é melhor do que ficar com as emoções penduradas numa corda-bamba, vivendo numa gangorra emocional, na eterna espera de que a pessoa amada um dia (sabe-se lá quando) perceba o amor que sentimos por ela, ou, ainda, nos tornarmos reféns de uma expectativa que não se realiza.
O amor não vem com certificado de garantia de que será eterno e feliz para todo o sempre. Ele é uma possibilidade de ser feliz com alguém. Muitas vezes o encontro não dá certo, a convivência mostra que a pessoa não era aquilo que sonhávamos, e tudo se acaba. Isso é mais saudável do que não tentar viver uma história de amor por medo de se desiludir, de sofrer ou para não enfrentar a possibilidade de rejeição, que dói, sim, mas a gente sobrevive a ela, quando ocorre.
O amor de um só, por maior que seja, não basta para dois. Ambos precisam estar em sintonia nesse sentimento, que é muito bonito, apesar de todas as exigências que ele contém. Amor platônico não é compensador. Amor é para viver por inteiro e com quem nos ama. Não sendo assim, a gente precisa buscar quem compartilhe do mesmo sentimento. É muito bonito o “respeito sem tamanho” que dizes sentir pela menina que amas. Lembra-te, porém, que sempre deves respeitar a ti mesmo, as tuas emoções, os teus sentimentos, os teus valores. E quem respeita a si mesmo se ama. E quem se ama, ama melhor e se faz amar como merece e quer.
Um abraço com meu carinho.
NÃO ENTENDI
Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…. Passei pra deixar um oizinho….não entendi muito a cronica d hj….
Tudo bem contigo???? Bjussssssssssssssssssssssssssssssssss
Vera Pinheiro: Querida, a crônica de hoje, quinta (1º/3/07), é sobre o hábito de acordar cedo. Descobri, ao longo do tempo, que faz um bem enorme à saúde. Passei a fluir com a natureza, que acorda e dorme em horários certos e assim se renova. Eu tinha horários muito loucos! Hoje acordo cedo e durmo o mais cedo que posso, cumprindo as minhas regulamentares seis horinhas de sono. E me sinto ótima! Será que te referias à crônica “O tempo de tudo”? Eu escrevi sobre o ciclo das coisas, das emoções, dos relacionamentos. Acho importante ter consciência de que tudo e todos têm começo, meio e fim. Assim, a gente valoriza mais tudo e todos, não se agarra a picuinhas e se importa com o que realmente tem importância. Beijos!
VOCÊ JÁ FICOU A FIM DE UM AMIGO?
Vera Pinheiro: Sim. Como não passo vontade, fiquei. Depois, nos embaraços da relação, perdi o amigo e lamentei. Depois dessa, faço o caminho inverso. Depois que fico é que me torno amiga. Porém, não consigo ser somente amiga de quem muito amei.
CITE EXEMPLOS DE HOMENS COMPLICADOS.
Vera Pinheiro: Eu detesto homens complicados! Neles se incluem os que não sabem acabar o que começaram… Os que pedem “um tempo” sem dizer que querem, na verdade, acabar logo a história. Assim, querem que se fique eternamente a espera de um fim que nunca chega e de um recomeço que não acontece. Os que se retiram em silêncio, sem coragem de terminar, mantendo a gente refém de uma ilusão. Por que complicam, se podem facilitar? Isso irrita, cansa e, pior, não raro, magoa. Por isso, de homens complicados corro léguas! Quero distância!
O QUE VOCÊ REPARA PRIMEIRO NO HOMEM?
Vera Pinheiro: O dedo anelar esquerdo. O problema é quando ele não usa aliança…
QUAL O SEU PERFUME PREFERIDO?
Vera Pinheiro: Dos meus segredos absolutamente inconfessáveis, nem sob tortura, é o perfume que uso. Mas adoro quando dizem que é inesquecível e, em mim, único!
EMPREGO
Você acha difícil arrumar emprego depois dos 50 anos?
Vera Pinheiro: A dificuldade para encontrar - e manter - um emprego acontece em qualquer fase da vida. Depois dos 50 conta muito o que a gente fez antes dessa idade - e isso quer dizer um currículo consistente. Mas, sobretudo, importam muito a atualização, a reciclagem e o treinamento que fazemos e que nos habilitam a enfrentar o mercado em que atuamos. Experiência é importante, sim. Mas não podemos viver do que já fizemos e, sim, do que fazemos, de quanto estamos preparadas para a concorrência (de qualidade, competência e habilidades essenciais) e do que ainda podemos render, da nossa capacidade de enfrentar riscos e de ousar, do planejamento que temos para a nossa carreira e do quanto nos importamos em vencer, sem medo, com a confiança que o tempo nos confere e que não pode ser demasiada, mas na medida dos desafios.
O QUE AS MULHERES NÃO DIZEM AOS HOMENS?
Vera Pinheiro: Um dos grandes aprendizados de ser mulher é aprender a falar, o que dizer, como dizer, por que dizer e também o que calar, quando silenciar. Esse jogo de opostos dá equilíbrio a todas as relações.
SEXO E ORAÇÃO
Como viver bem a terceira idade? Sexo ajuda?
Vera Pinheiro: Sexo é bom e faz bem. Duas coisas, aliás, são fundamentais para o humor: sexo e oração! Gente mal-humorada não tem vida sexual e não reza! Bom humor é fundamental para o viço da pele e do espírito. E não levar a vida, as dificuldades, os outros e a si mesma tão a sério. Praticar a aceitação, exercitar a paz, comer de modo saudável, divertir-se, exercitar-se, fazer algo que seja muito prazeroso, conectar-se com a mãe natureza para observar a perfeição de seus ciclos, permitir-se ousadias e sonhos novos, reciclagem do lixo existencial, tudo isso ajuda a ser bela em qualquer idade.
QUANDO É HORA DE DESISTIR?
Vera Pinheiro: Emprego e pessoa amada, quando a gente começa a falar mal deles está na hora de desistir.
ESTA FASE
Como define esta fase da sua vida?
Vera Pinheiro: Em dezembro passado fiz 50 anos. Foi o debut que não tive! Era o ingresso numa fase de profunda liberdade para ser o que sou, como sou, gostando muito disso. Uma fase de plena aceitação da vida como ela é, de um profundo gostar de mim, do que penso, do meu jeito, como ajo, como reajo e como interajo com os ciclos da existência, com as outras pessoas e comigo mesma, sobretudo. Uma fase de respeito pela minha trajetória e de muito carinho com a minha história. Eu digo com alegria que vivi meio século e este foi, inclusive, o título de uma crônica (“Meio século”)que publiquei no dia do meu cinqüentenário. Para celebrar a data, no dia do meu aniversário publiquei o livro de crônicas “Parto de mim”, em maio deste ano lancei um site e um blog e já trabalho em outro livro, para maio próximo. Ter um contato estreito com a natureza, manter o corpo e a mente ativos são atitudes no meu caminho, feito de prazer, que é essencial. Festejando a vida todos os dias!
DESILUDIDA
Ando tão desiludida com homens. Cada vez estão mais horrendos. Para eles, ou a maior parte deles, sentimento é uma palavra que não existe no seu vocabulário.(…).
Vera Pinheiro: Entendo que te sintas um tanto triste com o que tem acontecido na vida amorosa. No entanto, recomendo que não tomes um exemplo como regra e que não faças de uma experiência o exemplo que vai moldar todos os teus relacionamentos. As pessoas são diferentes. Não é justo que uns paguem pelos outros. Abre o teu coração para o amor, zera as dores e recomeça. Como vocês, jovens, dizem, a fila anda. Eu digo que muita felicidade te espera. Caminha em direção a ela sem medo e com poucas lembranças das dores passadas. Eu te beijo com carinho. Feliz hoje!
VOCÊ PERDOA UMA MENTIRA?
Vera Pinheiro: Odeio mentiras e tenho enorme dificuldade para perdoá-las. Mas faço uma diferença entre a mentira que me confessam e a que eu descubro. Para a primeira, dou um desconto, embora furiosa, dependendo da gravidade do caso. Para a segunda, não tem desculpa.
QUAL FOI PIOR MENTIRA QUE UM HOMEM TE CONTOU?
Vera Pinheiro: A pior mentira foi ele declarar o amor que dizia sentir, mas não sentia, e a maior bobagem foi eu ter acreditado nisso.
DEPRESSÃO X ABANDONO
Estou muito abalada, chegando ao fundo do poço e sem saber como sair dele… Tinha um namorado que dizia me amar mais que tudo e realmente demonstrava isso a todo momento. Vivíamos um para o outro e eu o amo demais mesmo, tanto que deixei minha cidade, minha vida e mudei para a cidade dele pra ficarmos juntos de vez. Mas, há uma semana, ele me deixou, me abandonou simplesmente dizendo que não me ama mais. E agora tem me tratado muito mal… Eu ligo, imploro por uma explicação, mas só recebo a indiferença dele. Só tenho chorado o tempo todo, não consigo comer, não consigo trabalhar direito, estou no trânsito começo a chorar aos prantos… enfim, minha vida está um caos. Acho que vou morrer de tanta tristeza que sinto.
Vera Pinheiro: Amada, o abandono dói muito, mas dói muito mais quando não tem explicação, quando a pessoa simplesmente nos deixa sem uma razão aparente, que possamos compreender. No teu caso, ele deu como razão o fato de não te amar mais. Este é um fato. Ou é o fato com o qual ele justifica o fim da história de vocês. Pelo menos é o fim da história para ele, pois tu continuas refém desse amor que só tu sentes e que não é correspondido. Eu já vivi isso, por isso te recomendo que encares o fato, o que a realidade coloca diante dos teus olhos. Qual é o fato? Ele rompeu e, segundo disse, porque não te ama mais. Se olhares de frente para este fato, assim, na crueza, vais saber como te movimentar diante dele. Se não olhares a realidade tal como ela é, a tendência é que esse sofrimento decorrente da perda se prolongue.
Sofrer pela perda é normal. Porém, não se deve paralisar a vida por causa de um sofrimento, por maior que ele seja. Lembra-te que as razões dos outros a eles pertencem e nada podemos fazer senão respeitar o que está no universo deles e, portanto, não nos pertence (apesar de estarmos vinculados ao fato). Com o tempo a dor se acomoda, mas o tempo para a solução da dor depende da tua contribuição. Tu vais escolher se queres passar a vida chorando por um homem que não te ama, te trata mal e com indiferença, ou se queres viver para o amor e a felicidade que mereces. É uma questão de escolha. Ele já escolheu o próprio caminho, e o caminho dele te exclui. Por que haverias de querer alguém que não te quer? Sugiro que escolhas a ti mesma. Que faças a opção pela felicidade.
Vou te emprestar uma frase minha com que me curei da dor de uma perda como essa tua: eu vivo para ser feliz e acho que mereço!
Eu te beijo com carinho e te desejo felicidades. Vai ser feliz, menina! Tu mereces! Todas merecemos.
VOCÊ ACREDITA EM AMOR ETERNO?
Vera Pinheiro: Sim, acredito que amor eterno existe. Não se pode confundir amor eterno com presença física eterna, que não existe. Muitas vezes, o amor eterno passa pela nossa vida, em visita breve, e segue. Consumimo-nos de saudade e aguardamos novo reencontro, que não se sabe quando ocorrerá. Então, nossa alma peregrina pela eternidade, certa de que em algum lugar o amor eterno está também a nossa espera. Amor eterno é o que vai além da presença, do tempo, da distância. Não importa quanto dure, porque não se mede por horas, dias nem por anos, mas pela intensidade, pela profunda vivência. É o amor que se alonga pela vida adentro e fica, mesmo quando se vai.
PORRE
Estou chateado. Ontem, sábado, eu bebi demais e passei mal à noite. A minha mãe, que passa uns dias na minha casa, me deu toda assistência na hora do porre, mas ficou irritada porque a minha mulher não se levantou nem cuidou de mim. Aí a mãe diz que a minha mulher me trata mal, etc. Eu fiquei muito mal, chateado com as duas.
Vera Pinheiro: As tuas mulheres, ambas, têm razão. A esposa não levantou porque não quis acudir o menino que passou dos limites. Tomou porre, agüenta. Fez muito bem. Digamos que foi uma medida de respeito às tuas escolhas. Nada a condenar. A mãe acudiu porque viveu o papel de socorro ao filhote, apesar de ele já estar bem grandinho. Ela pode odiar isso, mas, na hora do aperto, mãe não pensa noutra coisa senão amparar para a cura, mesmo que depois tenha vontade de esbofetear o pimpolho. A mãe deve ter pensado: quem toma conta dele, estando eu ausente? Ela se sentiu sem substituta, digamos. Mas mulher alguma substitui a mãe e está lascada se pretender isso. A tua mulher, imagino, sabe disso, por isso dormiu sossegada enquanto tu botavas os bofes para fora. Ela é tua mulher, não a tua mamãe. E a mãe, que não é tua mulher, ficou chateada porque simplesmente pensa que alguém deve tomar conta do pimpolho, mesmo que tenha 40 anos. Se ela está chateada, lamento, mas é problema que ela, mãe, deve resolver. Não precisas de alguém que tome conta de ti, mas de uma mulher que te ame e seja tua companheira. Isso não inclui amparar a cabeça do vomitante, se é que o termo existe. Por que ela perderia o sono? Para criar rugas? Nem pensar! A mãe deve ter levado a sério o foguete de ontem, foi só isso.
Não leves a situação tão a sério também. Mãe é assim preocupada mesmo. Ela tem a ressaca pelo filho, mas isso é muito chato. Se posso sugerir, diz para ela: “mãe, essa mulher, a minha, não me acudiu porque eu fiz uma bobagem. E se ela me apoiar nas bobagens que faço nunca vou aprender onde estão os limites. Eu te agradeço porque me socorreste e acho que, ao passar do limite na bebida, eu estava pedindo um colo teu, que eu não soube pedir de outro jeito. Então, bebi demais só para ter o teu colinho. Mas, da próxima vou pedir isso de modo diferente, porque sei que me darás, como sempre deste, basta pedir ou nem precisa”.
Mas bebe menos, amigo. Para que entornar todas e mais duas?! Coisa mais sem graça! Qual é a necessidade de entrar copo adentro e só sair junto com um pedaço do fígado pela boca?
“Se beber, não dirija. Se dirigir, não beba”. Se beberes demais, não te dirijas a tua mulher. Vai curar o foguete, primeiro. Ou chama: manhêêê! de novo. Um dia ela aprende que filhos crescem e são responsáveis por si mesmos. Então, vai virar para o lado e dormir feito uma santa, sem dívidas nem pecados. Embora ligue no dia seguinte, claro.
ISOLADA
Estou um pouco desanimada, porque não tenho muitas atividades extras. Onde moro é difícil ter alguma festa ou coisa assim para distrair (1). Eu preciso de movimento, me sinto mal quando estou parada, sem falar com as pessoas, ter contato maior com o mundo, por assim dizer. Fico aqui praticamente isolada. Mas tenho de agüentar (2). Há pouco o que fazer, nestas circunstâncias, e o melhor é estudar para sair daqui e crescer, principalmente espiritualmente. Ficar parada, sozinha, só te deixa cada vez mais ignorante (3). Beijão, Vera, e fica com Deus.
Vera Pinheiro:
1 – Amada, tudo tem um tempo certo no calendário da existência. Olha a natureza. Há um tempo de preparar a terra, de semear, de colher. São etapas, momentos. Há muitas formas de diversão e de distração. O lugar onde moras tem uma paisagem bela. Não deve ter perdido a sua beleza. Aproveita que não tens nenhuma balada e há pouco agito na cidade e aprecia a natureza, o que ela tem de expressivo e belo. Entra em conexão com a energia telúrica, captando a própria definição da natureza: “força ativa que estabeleceu e conserva a ordem natural de tudo quanto existe”, segundo Aurélio. A vida segue esse curso da natureza, mas não prestamos atenção. Aproveita um pouco do tempo livre e te detém em contemplação. Verás que o prazer dessa apreciação pode ofertar algo grandioso para a tua vida.
2 - Quanto à necessidade de estar em permanente movimento, é inquietação própria da tua juventude. Mas lembro-te de novo as lições da natureza. Há momentos de brisa e de ventania, de maré cheia e de maré baixa. Há noite e dia, sol e lua. Há um tempo para cada estação. Não há inverno que dure o ano todo nem verão que não acabe, senão em recantos do universo onde a vida plantou os seus caprichos. Há primavera, outono. Assim, também a vida. Momentos de quietude alcançam solidez ao espírito. Ficar um pouco conosco amplia nosso autoconhecimento. Não faço ode à solidão, mas a um estar conosco de modo mais freqüente e no sentido da observação da vida que há em torno, da natureza, que esparge tantas lições para nós a todo tempo, sem cobrar nada, a não ser um pouco de atenção.
3 - Quanto a investir teu tempo no estudo, não vais te arrepender. Nunca vão tirar o teu conhecimento. A sabedoria, no entanto, se faz por outro processo, o da vivência, acredito. Eu diria que estudar é sempre um prazer, não deve ser considerado como obrigação. Nem deve ser por falta de opção, mas por vontade. E então, verás o que eu vi: que nunca se sabe o bastante e que, à medida que mais se aprende, mais consciente se fica de que ainda precisa saber mais. O conhecimento não ocupa espaço; alarga a visão do mundo. Beijos com meu carinho. Feliz Dia!
ABANDONADA
Estou desesperada. Depois de 15 anos de casamento meu marido me abandonou sem explicação. Sofro muito, não sei o que fazer da minha vida. Sinto muita raiva dele, mas ainda o amo. Vivo este conflito entre o amor e o ódio.
Vera Pinheiro: O abandono dói. E dói muito, não é pouco, não. Quase racha o peito de tanta dor, principalmente quando a gente não entende a razão, quando o nosso amado nos faz refém do silêncio dele. A tua dor não é única, não é a primeira e, provavelmente, não será a última. Sou solidária contigo, pois a dor de uma mulher é de todas. Apesar de compreender a tua dor e da solidariedade que te alcanço, ouso crer na tua força, na tua coragem, na tua capacidade de refazer a tua caminhada sem esse homem, que faz parte da tua vida, mas não é toda a tua vida. Mais nela existe além dele, muito mais. Ele está na tua história, mas não é a história completa da tua existência. É apenas parte, não o todo. Peço que tenhas a ousadia de crer em ti mesma, no quanto és e na tua capacidade de construir uma nova etapa, quem sabe, ainda mais feliz.
É necessário que admitas e acolhas o teu sofrimento, sim, mas que não sucumbas a ele. Não deixes que a dor te paralise, que o desespero te imobilize. Transmuta a raiva tão intensa que ora vives em força de ação. Age, reage, não enfia a cabeça entre os joelhos como se o mundo tivesse acabado. Esse homem faz parte do teu mundo, porque partilharam anos de vida em comum. A gente tem saudade até de passarinho que parte ou morre.
O teu mundo não se resume ao homem que te abandonou. Todo amor que dedicas a ele traz para o teu próprio coração, para a tua vida, para ti mesma. Não desperdiça esse amor para quem não quer recebê-lo. Ama a ti mesma com tal força e vontade que não haverá esforço de ódio por ele capaz de ocupar espaço na tua vida. E sejas muito feliz, pois não há vingança melhor nem mais saborosa do que essa!
Vou te dar um conselho que recebi, não segui e me arrependo muito de não tê-lo feito, pois agora sei que, além de ter vindo de uma mestra muito amada e sábia, é absolutamente verdadeiro: não deixa que o cheirinho do que sai escape e já põe outro perfume dentro da tua vida. Não curte longos tempos de solidão, porque os dias passam, a gente vai-se acostumando a viver só e desaprende a conviver com outra pessoa. A gente se torna, digamos assim, egoísta, dona do próprio espaço, onde ninguém entra depois. Tudo vira “meu”, “minha” e a gente não sabe mais o que é “nosso”. E, pior, dificilmente encontra, muito tempo depois, alguém que entenda o motivo que nos fez assim, que seja paciente com o nosso aprendizado da vida a dois outra vez. Eu nunca encontrei. E não quero para ninguém essa solidão que é preciso administrar todos os dias nem, como disse no meu livro, “esse vazio que filho não preenche, trabalho não recompensa e amigo não ocupa”.
Sorri quando puderes, mas evita chorar mais do que esse homem merece. Na realidade, penso que a gente chora o abandono porque investiu tempo e vida e perdeu isso quando o amor da gente decide, por si, sem nosso aceite, abandonar tudo que vivemos, inclusive nós, que estávamos dentro dessa vivência.
Refaz a vida, te organiza sem ele, traça novos planos, alinha outros sonhos, te cuida bem e olha em volta, porque por ali pode estar um amor feliz a tua espera. Não para te preencher, pois deves ser uma mulher plena, mas para te acompanhar nessa nova jornada.
VOCÊ ESCUTA MAIS OU FALA MAIS?
Vera Pinheiro: Sobre mim, eu falo mais por escrito, atualmente. É como debulho a alma. Aprendi a cultivar o silêncio depois de longa temporada como falante. Gosto de ouvir pessoas, suas histórias, até mesmo as queixas. Mas tenho me afastado daquelas pessoas que falam, falam e não estão absolutamente interessadas em ouvir nada, enquanto eu estou cultivando, mais do que sempre, o exercício da troca. E porque aprendi que há muitas pessoas amigas das horas mais difíceis… delas! Somente delas…
VOCÊ JÁ FUMOU MACONHA?
Vera Pinheiro: Não. À exceção de alguns homens que conheci, nunca experimentei drogas.
SOZINHA NO DIA DOS NAMORADOS
Ah, minha amiga iluminada, ontem estava tão triste…O dia dos namorados é o dia mais triste para mim de todo ano. Sabe que eu nunca passei um dia dos namorados com algum namorado meu, sempre estive sozinha, e neste ano ele foi um pouco mais triste, porque há um ano e meio conheci alguém que mudou minha vida…sinto sua falta, queria tanto que ele gostasse de mim, assim como eu gosto dele…ah, prefiro nem falar, só sei que chorei muito ontem, não tem um dia não pense nele e não sinta sua falta, mas eu vou conseguir esquecer, não sei quando, mas preciso… A propósito, amei teu artigo do fim de semana, pequei ele, recortei e levei para minha prima. Ela gosta muito de escrever poesias e um dia quer ser jornalista… E o teu livro, ontem rabisquei um pouco mais ele. É que não tinha conseguido ler todo ele, por causa dos estudos, e cada vez que pego, já levo uma canetinha para destacar as partes mais belas, e os melhores eu coloco um excelente. Aquele não é um livro, é um livro de cabeceira, um livro para a vida…Obrigada Vera, por você existir…Um beijo e fica com Deus.
Vera Pinheiro: Amada amiga. Há muitos anos não festejo o Dia dos Namorados, e já não lembro quando fiz isso. É uma data que traz inevitáveis lembranças e a vontade de estar com alguém que eu amasse e que me amasse também, porque esse sentimento é uma via de duplo sentido, o de ir e o de vir, para só assim acontecer o verdadeiro encontro. Eu já sou avessa a datas, de modo geral, mas essa eu dispensaria do calendário, se pudesse. É um dia em que eu gostaria de receber flores, cartão amoroso, uma mensagem especial, uma declaração de amor, de trocar beijos, carícias, abraços. Mas foi um dia de ausências e silêncios, embora eu seja agradecida à vida por ter vivido momentos bons, no trabalho, na família, com amigos. A questão é que, como escrevi em uma crônica do meu livro, nada nem ninguém preenche esse espaço que devia ser para a vivência do amor. “Há na vida da gente esse espaço que filho não preenche, trabalho não recompensa e amigo não ocupa”. Ao contrário de ti, ontem eu não chorei. Quando se alcança um tempo na vida, a gente já não chora, porque a dor é grande e antiga demais para se expressar em lágrimas. E a gente, então, se aquieta em perguntas sem respostas. Já nem se tenta entender, apenas exercita a aceitação. E procura viver da melhor forma possível, do jeito mais bonito, sem brigar com a realidade nem com o passado, vivendo o presente exatamente como ele é: um presente que a vida nos dá. Eu te beijo com carinho e peço que te faças feliz.
ELE FALHA… E DAÍ?
O que fazer quando um homem falha? Veja bem, o problema é que boa parte dos meus ex-namorados falharam a primeira vez que saímos juntos. Alegação: estavam tensos e não tinham caído em si que eu havia cedido tão facilmente. Não entendo, afinal eles sempre querem muito e quando nos mostramos bem solícitas acontece algo assim. Falo o quê, dentre as alternativas que seguem:
1) Isso acontece nas melhores famílias.
2) Que pena, hoje estava a fim até de um anal (essa é só pra sacanear mesmo).
3) Nesse caso, vou pra casa; vim pra transar e não tô a fim de bate-papo (essa é muito cruel).
4) Relaxa. Na próxima você toma viagra (veja bem, nenhum deles tinha 60 anos - faixa etária de 30-40 anos)
5) Eu compreendo. Daqui a pouco você consegue. Na verdade, isso não é tão importante assim (mentirosa, né).
Bem…help me!
Vera Pinheiro: Não fala. Qualquer das alternativas me parece horrível e pode magoar o lindinho, e o que era temporário pode ser definitivo, o que resultaria em baixa do efetivo operante, que já anda escasso. Há momentos em que o melhor (e mais elegante) é ficar calada. A menos que vocês tenham intimidade, fica quieta. Mas sem aquele ar dramático, que é insuportável. Deixa-me ver as opções sugeridas.
É detestável a argumentação do tipo consolo (opções 1 e 5). Isso só aumenta a tensão e acaba com o tesão, ou com o que restar dele.
É totalmente grosseira a alternativa 3, pois faz o sujeito se sentir um nada.
A frase - fingida! – da opção 5 não convence e, pior, gera o compromisso de a próxima tentativa dar certo. O “daqui a pouco” é cruel demais, pois determina, de certa forma, o tempo de espera.
Se eu tivesse de escolher uma opção, ficaria com a número 4, pois o riso é inevitável, especialmente porque, disseste, são homens de uma faixa etária mediana, o que não significa risco ausente. Aliás, justiça se faça aos de 60. Estão na faixa sexagenária, sim, mas mandam melhor do que muito guri que não sabe o que fazer com o próprio corpo. Um amigo meu costumava dizer, sobre si mesmo: “enquanto eu tiver boca e dedo, a velhice não me mete medo”.
Vou botar um reparo na denominação de “falha”. Homem não é uma máquina de sexo, embora alguns até se iludam. Máquinas falham; homens brocham. De vez em quando, ao menos. E pronto. Sem morrer por isso!
Escolhi a alternativa do riso porque uma boa risada minimiza qualquer situação embaraçosa. Quando um homem não consegue ereção nem sempre é porque entrou em crise com o seu órgão sexual. Há uma série de fatores que influenciam o desempenho sexual que, naquele momento, simplesmente não acontece da forma esperada, só isso. Geralmente, para o homem é o caos. Uma bobagem, aliás, porque um homem não pode se reduzir ao seu próprio pau. Não é o primeiro e não será o último da fila que passa por isso.
Eu acho que o melhor, nesse tipo de situação, é fazer o mesmo que se faz quando se cai um tombo na frente dos outros. Todo mundo ri e a gente quer uma nuvem de fumaça para desaparecer. O melhor a fazer é rir junto e não se importar tanto com o acontecido. Acho que nessas circunstâncias os homens se sentem mais ou menos assim, de tombo, embora eu jamais tenha perguntado a algum. Uma frase bem-humorada, uma boa risada a dois e um beijo na boca bem gostoso desfazem esse clima de - oh, o que eu faço agora?. E tudo recomeça para provar que parceiros que sabem rir na cama se dão bem fora dela. E o inverso também: quem se dá bem fora da cama tem melhor sexo quando está nela.
PERGUNTOU…LEVOU!
Se o namorado no meio da transa diz a seguinte frase: “seu corpo é todo meu, né? todo todo..todinho..inteirinho”. O que dizer? “Sim, é seu, sim… e da torcida do Flamengo” ou “sim, é só seu. Nem meu é mais” ou “Sim, amor, porém também tenho outro namorado. Isso é relevante?”.
Vera Pinheiro: Homem que diz isso ou é do tipo inocente ou gosta de ouvir mentira. Ah, convenhamos, pra que perguntar uma coisa dessas?! Se perguntou, é porque espera ouvir o sim. Opção 2: “Sim, é só seu. Nem meu é mais”. O olhar lânguido completa a cena. Depois, vai pedir perdão pela mentira. Joelho no milho!
ALMA GÊMEA
Ah, Vera, que saudade dos teus artigos falando sobre o amor, como só você sabe. Parece a minha história que eu estava lendo. Enquanto você ainda espera sua alma gêmea, eu me pergunto: podem existir duas almas gêmeas?! Eu, só tento me conformar com a situação…
Vera Pinheiro: Eu não disse (no artigo “Alma gêmea”) que espero minha alma gêmea, mas que um dia a encontrei e um dia a reencontrarei, mesmo que seja num futuro que meus olhos não alcançam e as minhas expectativas não encontram neste momento. Convivo relativamente bem com essa ausência. Às vezes, a perda dói; de outras, se acomoda na saudade, enquanto o tempo passa. Conformar-se com a situação, como escreveste num tom resignado é, para mim, entender que a vida flui de forma perfeita, mesmo que não a compreendamos. Mas não esqueçamos de viver. Visitando o passado sem nele permanecer; revendo as memórias afetivas sem estancar as lindas possibilidades de ser feliz, que se descortinam diante de nós todos os dias. É o que faço.
RAZÕES PARA PARTIR
O mais difícil de tudo é fazer o coração entender, compreender que aquela pessoa a quem você ama tanto não está mais perto. Na verdade, se o motivo que ele me deu e pelo qual terminamos, for verdadeiro, ele não me abandonou, deixando totalmente de lado, mas as atitudes que ele toma tornam difícil crer seja este o motivo, a menos que ele não queira que os outros vejam o que se passa dentro dele. É muito, mas muito difícil esquecer alguém que se ama verdadeiramente. Às vezes bem que tento enganar meu coração, mas meu coração só enxerga ele. Não consigo sequer sentir uma paixão por alguém, porque logo me vem a lembrança dele, parece que sinto ele junto de mim. O melhor é deixar que o tempo se encarregue. Por enquanto, vou levando a vida. Não com tanta felicidade, mas sei que chorando não vou mudar esta situação… e a vida segue.
Vera Pinheiro: Entendo o que dizes por também ter vivido isso. Meu coração também não entende algumas razões que me deram para partidas, despedidas e ausências. Como dizes, é muito difícil esquecer quem amamos, por mais que queiramos ou nos esforcemos nesse sentido. Às vezes, é absoluta e simplesmente impossível. Mas a vida segue e nós, também.
ESPERA
Sou lésbica, namorei com uma garota por volta de um ano e sem mais nem menos ela me deixou, apenas terminou sem deixar explicação, e eu sofri muito com isso. Hoje ela mora com uma outra mulher, mas quando ela me vê, solta a mão da mulher. Ela disse pra uma amiga minha que às vezes se arrepende de ter me deixado, e que ficaria comigo de novo se houvesse oportunidade. Quando a galera está toda junta, ela chega, fala com todos e nem olha pra mim. Meu amigo disse que ela ainda gosta de mim, senão falaria comigo normalmente. Eu vivo normal, saio, namoro outra pessoa, mas não consigo esquecê-la. Devo esperar por ela?
Vera Pinheiro: Por que te importas tanto com quem te vira as costas e te oferece a indiferença? Entre migalhas de amor e abundância de afeto, devemos escolher o que nos acresce vida, prazer e alegria. Precisamos respeitar o livre arbítrio das pessoas que não nos escolhem ou que nos deixam. Elas têm razões que às vezes não compreendemos, não aceitamos ou não nos explicaram. Nada, nem mesmo o amor, deve nos fazer reféns das emoções alheias. Vive a tua vida de modo que te sintas feliz, sem esperar o retorno de alguém do passado, mas indo ao encontro das pessoas do teu presente. Assim, o teu futuro não será de esperas e de interrogações, mas de convivência harmoniosa com as tuas vivências, as boas e as nem tanto.
NUNCA MAISAmor igual aquele nunca mais terei!
Vera Pinheiro: Nada é igual, nem mesmo o amor que se sentiu por alguém. Mas pode ser melhor, mais bonito e muito mais feliz. Não cerres os olhos nem feches o coração para as chances de encontro com outras pessoas, mesmo que carregues no coração a história que viveste pela eternidade dos teus dias. Que as lembranças do passado não consumam a tua felicidade neste agora.
AMOR À PRIMEIRA VISTA
Você acredita em amor à primeira vista?
Vera Pinheiro: Acredito em amor à primeira vista por acreditar que esse primeiro olhar, que nos desperta amor, é mais antigo do que podemos saber. Para mim, existe uma ancestralidade nas nossas relações. Então, à primeira vista não é conhecer, é reconhecer. É amar de novo, sem saber.
FLORES PARA UM HOMEM
Eu sou loucamente apaixonada e pra ver se o romance engrena, estou pensando em mandar flores pra ele, mas depois de conversar com uns amigos, fiquei meio na dúvida sobre o que fazer, pois na opinião deles eu não deveria mandar flores. O que você acha?
Vera Pinheiro: Carinho é um substantivo masculino com significados femininos: é meiguice, é carícia. Sendo um afago para alguém de quem se gosta muito, não deve sofrer os limites impostos por perguntas como “devo?”, “posso?”, “é correto?”. Queres mandar flores ao homem que amas? Por que não? Enviar parte do que a natureza cria é uma homenagem sempre bela, especialmente se o homem que a recebe tem a sensibilidade de perceber que uma mulher sempre manda flores em si mesma quando se dá a ele.
COMO ESQUECER
Como esquecer os momentos que vivemos com um grande amor?
Vera Pinheiro: Não esquecemos os momentos felizes que vivemos com quem amamos, mas já partiu de nós. Na solidão, são as lembranças boas as que nos torturam mais. Podemos conviver bem com a saudade dos momentos felizes sem viver no passado. Devemos olhar o ontem e esperar o amanhã, mas perceber que a vida está neste agora. Faz a tua vida feliz. Já!
AMOR ACABA?
Amor verdadeiro acaba?
Vera Pinheiro: Amor verdadeiro é redundância. Amor quando é… é verdadeiro. Pode aquietar-se no peito, acomodar-se na memória, mas ainda assim permanece guardado e fica na vida da gente para sempre. Mesmo que não responda aos chamados que o coração faz e se transforme em ausência. Mesmo que seja sinônimo de silêncio. O relacionamento acaba; o amor, não. A gente ama de novo (e se deve amar outra vez e tantas vezes mais) e cada pessoa amada ganha eternidade em nós. Um dia olhamos o passado e a trilha das nossas emoções, e lá existe uma placa e um nome amado. Ainda que não percorramos aquele caminho de novo, sempre existirá aquela pessoa como a sinalizar um trecho do que vivemos, felizes ou não. Seguimos adiante com um novo amor, cujo destino pode não ser a permanência ao nosso lado, mas, sim, a perenidade em nossas vidas.
O TRISTE FIM DO AMOR
Você não acha isso triste se o amor acaba?
Vera Pinheiro: O que dói não é a perda de tempo, é a sensação de perda daquele tanto de vida, de emoção, que a gente colocou naquela história que acabou. Ter acreditado e se obrigar, depois, a mudar a crença. Ter feito uma bagagem e desfazer-se dela porque a viagem não continuou a dois. Voltar de um sonho em que a gente se sentia feliz é o que deixa a gente de olhos abertos e fixos no teto sem entender porque teve de ser assim. É triste, sim. Mas não é o fim de uma história o que machuca mais. É quando a gente não acredita mais na possibilidade de ser feliz daquele mesmo jeito. E com razão, não mais será assim. Será de outro jeito e com outra pessoa, e aí é preciso refazer a crença no amor e se permitir uma chance nova… e diferente.
IRRITANTE
O que mais te irrita, dito por um homem?
Vera Pinheiro: Fico revirada com a frase: “você é uma mulher especial…”. Só não é pior do que ouvir: “você é muito interessante”. Preferia um palavrão, que seria mais bem situado do que essas frases “muristas”, que não dizem nada. “A gente se fala” me dá arrepios, porque é um tempo que fica na milésima curva da existência e pode nunca acontecer.
POR QUE ELES NÃO FALAM A VERDADE?
Por que alguns homens não são sinceros e terminam sem dizer os verdadeiros motivos?
Vera Pinheiro:
A sinceridade é um exercício muito difícil. Nem sempre o outro está preparado para ouvir a verdade ou prefere mesmo uma mentira, que é o enfeite da verdade rude. Muitas vezes não queremos magoar o outro com aquilo que temos como expressão da nossa vontade. Então, enfeitamos a realidade e omitimos a verdade. Não acontece só com os homens, sabemos disso. Será que, sinceramente, a gente preferiria ouvir: “olha, quero acabar o namoro porque eu não gosto de ti, estou namorando outra, eu te detesto, não consigo ser feliz contigo, te acho uma pessoa chata, aborrecida, não combina comigo nem no signo…”. Será que a gente tem coragem de dizer? E para quê? Às vezes a gente até pensa isso mesmo e mais um tanto da pessoa, mas só quer acabar o namoro, não quer destruí-la. Então, não dizemos tudo, deixamos a verdade e a mentira pela metade. Eu já sofri muito tentando entender respostas que não me deram com clareza. “Precisava” ter uma resposta completa, que me explicasse por que aquele homem amado preferiu ir embora de mim. Custei a entender que as razões são dele, não me pertencem. Se escolheu partir, somente palavras não podem ocupar o seu lugar.
FRASES
Qual a melhor frase que você já ouviu de um homem? E a pior?
Vera Pinheiro: A melhor foi “se eu fosse mulher, queria ser você”. A pior: “eu preciso deixar de te amar”.
CIÚME DE CÃO - 1
Minha cachorrinha é como se fosse minha filha. Só que acabei mimando ela demais e agora que estou namorando, ela e meu namorado vivem brigando porque ela sente ciúme dele e o ataca quando ele se aproxima de mim. Ainda bem que ele tem paciência e adora ela, mas tem vezes que ela extrapola… Fico muito dividida! Já aconteceu isso com você?
Vera Pinheiro: Qualquer homem que se aproxime de mim precisa passar pelo crivo de Buddy & Lucky, uma dupla cheia de atitude. Como eu sou a pessoa de estimação deles, prefiro confiar: se espantarem o cara, eu não perdi muito. Sempre deu certo. Eu não domino o instinto dos bichos. Treino o meu.
CIÚME DE CÃO - 2
Tenho dois cachorrinhos Poodle. Quando faço carinho num deles, o outro fica pulando em cima de mim. Preciso fazer carinho nos dois ao mesmo tempo para não ter aquele “ciuminho básico”. Os seus cachorrinhos são assim também?
Vera Pinheiro: Meus bichinhos são ciumentos, sim. Preciso das duas mãos para dividir o afago, uma para cada cãozinho. Curioso que em relação ao meu gato Happy, eles não se incomodam quando o tenho no colo. Talvez porque seja um gato bebê, ainda. Mas ciúme dos grandes, os cachorrinhos têm em relação a pessoas, homens, de modo especial. Eles se sentem meus donos, eu acho. Os cachorros, claro.
65 Comentários Faça seu próprio
1. JIRLENE | 9 de Julho de 2007 às 03:12
AMEI TUDO QUE LI SOBRE VOCÊ, SOMOS UM TANTO PARECIDAS ATÉ NA COR DO CÃO. BJOS.
2. jordanna | 30 de Agosto de 2007 às 23:32
a umas semanas atras acabei com meu namorado nosso relacionamento,pq n aguentava mais seu ciume,mas ele insistiu ai voltei,faço tudo q ele ker nk o trai,mas ele esta mto ignorante comigo,me humilha,so q a uma semana ele comprou seu carro q era seu sonho,so que ele nao me da atencao,nem liga pra mim mais e qndo a gente se ver nao nos relacionamos como antes e isso me dxa mto triste pq o amo e ele tb diz q me ama so q nao entendo isso tudo,sera q ele ker me da o troco por eu ter acabado com ele e ele ter sofrido por mim.keria uma opiniao pq kero acabar de vez com esse namoro!
3. Vera Pinheiro | 1 de Setembro de 2007 às 09:28
Jordanna, querida
Aprendi, ao longo da vida, que a gente nunca deve dizer o que o outro deve fazer, porque cada um é responsável por suas escolhas e deve assumir as conseqüências de seus atos. Por isso, o que posso recomendar é que tu avalies muito bem tudo o que vives e se vale todo o sofrimento por que passas. Se queres continuar sob o jugo alheio, sendo humilhada, debaixo de ignorância, triste e infeliz, ou se queres mudar isso. A escolha é tua e não será dele a escolha de te manter nesse estado. A vida é tua, não pertence a ele nem a ninguém. Tens a opção de ficar submissa a essa infelicidade, sem fazer nada por ti, e a opção de romper com amarras que, se ele colocou, tu permites que elas continuem te sufocando e impedindo de ser feliz como mereces. Relembra o teu poder pessoal, a tua coragem, a tua vontade, a tua força. Tudo isso está em ti, basta buscar. O que queres viver? Queres continuar assim como estás te sentindo ou promover uma mudança na tua vida? Tu mereces ser amada, tu mereces ser feliz. Nenhuma mulher merece migalhas de amor nem ser maltratada, física ou psicologicamente. Toda mulher deve saber o que quer para si mesma e acreditar que pode alcançar. Toda mulher deve crer em si mesma, na sua capacidade, na sua inteligência, no seu poder de se fazer feliz. Toda mulher deve amar muito a si mesma e reforçar a sua auto-estima para não se colocar nas mãos do homem como se ele fosse (não é!) capaz de nutri-la do que falta na sua existência. Homem é parceiro, companheiro, bem-amado. Não é dono da gente. Portanto, toma nas tuas mãos a tua vida e escolhe quem e o quê for para a tua felicidade. Com coragem de dizer “sim” e “não” quando quiseres, quando for bom para ti, não porque alguém quer, por meio de pressão ou chantagem psicológica.
Vera Pinheiro
4. Ana | 4 de Setembro de 2007 às 17:56
O que conversa nos encontros de um inicio relacionamento, para conquistar uma pessoas que vc esta conhecendo…?
Se possivel, me responda com urgencia.
Abracos
Ate
Obrigada
5. Vera Pinheiro | 5 de Setembro de 2007 às 01:21
Querida Ana, no início de um relacionamento, não se deve ter script pronto, roteiro pré-estabelecidos para as conversas. Tudo deve ser falado para o conhecimento e reconhecimento das pessoas que estão se colocando em contato. A idéia de partir logo para a conquista pode pôr tudo a perder, fica meio falso, intencional demais e a naturalidade se perde. A conquista de alguém é um processo baseado na paciência e na descoberta. Sabe-se lá se, depois de algumas horas de diálogo, não se vai descobrir que a melhor expectativa sobre o outro era puro engano? Sugiro que converses sobre tudo, sobre qualquer coisa e que ouças muito, que deixes o outro falar e se revelar por meio do que diz. Não te preocupes em conquistar de imediato, mas em conhecer o mais que puderes a pessoa com que estás te relacionando. E sejas tu mesma, não tentes parecer melhor nem pior do que és. Não precisas dissimular, mentir nem criar uma imagem diferente do que és. Podes ser amada – e podes conquistar – do jeitinho como és. E quem aceitar o teu modo de ser é quem tem mais chance de aprofundar a relação contigo. O que começa com falsidade e dissimulação logo adiante se perde. Relaxa, então, e curte o prazer da descoberta. A conquista de alguém não é algo que vem pronto num pacote que se entrega nos primeiros encontros. É um fazer constante, delicioso e cheio de surpresas ao longo do convívio.
6. Paulinha | 6 de Setembro de 2007 às 20:00
ola Vera..
é a primeira vez que entro no seu blog, e adorei tudo aqui..
resolvi escrever sobre um probleminha que estou passando ultimamente..não é grave, mas ta me tirando o sossego..
é o seguinte..faz pouco tempo que namoro um rapaz muito especial, ele me trata muito bem, e to vivendo um conto de fadas..sempre com meus pés no chão..sei como são as coisas então procuro não me iludir muito..o problema, é que eu não consigo conversar com ele..sou muito extrovertida, converso com todos, sempre tenho algo pra falar…mas quando estou perto dele me sinto bloqueada, me sinto obrigada a conversar muito com ele, a ser engracada, e isso me bloqueia..ele conversa sobre suas coisas, eu dou meus conselhos e acaba por ai..penso no que fiz no dia par contar…mas parece tao superficial que prefiro ficar quieta..
nao quero que ele se ‘canse” de mim..eu sei que posso ser uma otima companhia…mas isso me bloqueia muito…o que eu faco??
Obrigadaaa vc é demais!!! bjus
7. Vera Pinheiro | 7 de Setembro de 2007 às 11:10
Paulinha, minha querida,
Na minha opinião, com um homem com quem a gente não consegue conversar não rola nada. Sexo a gente não faz o tempo todo, não se passa a vida toda com a boca colada em beijos, mas se pode (e deve) conversar com o homem no tempo em que se está com ele. Se a conversa trava, o resto não funciona bem. Isso não é teoria, é fato comprovado, ao menos no meu caso. Ressalvo, entretanto, que é necessidade minha que o homem tenha conteúdo, mais do que tudo, e que eu possa dialogar com ele. Não adianta ele ser bom em toooodas as outras áreas se for vazio, ignorante, estúpido, egoísta ou travado para conversas sobre assuntos que me importam. Se não consigo conversar, não adiantam beijos de tirar o fôlego. A boca não serve só pra isso, ao menos pra mim.
Dito isso, explicando que é uma exigência pessoal minha e da qual não abro mão (e já tentei flexibilizar, sem sucesso), sugiro que tentes identificar o motivo que te faz calar diante do homem de quem me falas. Por que ele te bloqueia? Por que perdes a naturalidade diante dele? Por que te sentes obrigada a ser uma pessoa engraçada o tempo todo? Ele pede isso? Ele quer isso? Ele precisa disso? E tu precisas viver isso para manter o namoro com ele?
Quando deixamos de ser o que somos para ser o que o homem espera que sejamos, estamos nos desconectando da nossa essência, alterando a nossa identidade para agradá-lo, e isso implica o custo de desvirtuar o nosso jeito de ser. Eu acho que não vale a pena, é um preço alto demais. Quando nos relacionamos com alguém, fazemos concessões, sem dúvida. Mas mudar o jeito de ser e atravessar esse desconforto na presença do outro não se justifica, mesmo que seja um lindo, um gostoso, alguém que nos sugira estarmos vivendo um conto de fadas. Aliás, não existem contos de fadas, o amor perfeito, na vida real. Isso é sonho, imaginação, vontade de transmutar a realidade para fazê-la perfeita e ideal.
Tenho certeza de que és uma ótima companhia sendo naturalmente como és. Não precisas viver essa tensão – “e agora, o que eu digo? Será que estou agradando?” – nem que te transformes em outra pessoa para que sejas amada. Tu mereces o amor de um jeito simples, fácil, sem estresse, sem perseguires a perfeição, sem a ansiedade do agrado. Se ele se cansar, não é problema teu. É porque ele tem expectativas que não tens nenhuma obrigação de cumprir. Sê tu mesma. Não és conselheira de plantão nem tens a tarefa de diverti-lo o tempo todo. Conversas superficiais não abastecem a relação, embora sejam boas e aceitáveis, de vez em quando. O esforço de tentarmos ser o que o outro espera que sejamos cansa e bloqueia a nossa espontaneidade. E se precisamos mudar tudo em nós para agradar alguém é mais fácil mudar de pessoa e partir para outra.
Um beijo com meu carinho. Vera Pinheiro
8. katia | 23 de Outubro de 2007 às 14:35
OLa vera, por que é tao dificil encontrar alguem depois que temos um filho, masi de 30 anos e independente? sera que os homens tem medo de nos? Me sinto muito só. adorei seu blog.
9. Vera Pinheiro | 28 de Outubro de 2007 às 09:07
Querida Kátia,
Agradeço o teu recado e explico a demora da minha resposta. Tu me fizeste refletir sobre a dificuldade de encontrar um amor quando se tem mais de 30 anos, um filho e independência, como disseste. Preparei a resposta e, ao final, ela estava do tamanho de uma crônica. Então, inspirada no tema, transformei a resposta na crônica “A dificuldade do encontro“, que será publicada no jornal A Razão, de Santa Maria, RS, (www.arazao.com.br) e postada neste blog no próximo sábado. Eu te agradeço pela inspiração, espero que aprecies o que escrevi e que possa te ser útil a minha reflexão.
Um beijo agradecido!
Vera Pinheiro
10. Paula | 31 de Outubro de 2007 às 19:07
Preciso de ajuda! Tenho namorado mas fiquei uma noite com alguém, e, foi maravilhoso! Sinto que estou apaixonda, e, ele some, faz alguns comentários interessantes, e, depois some de novo! Ele também tem namorada! O que fazer?
11. marcia | 9 de Dezembro de 2007 às 12:57
Vera meu anjo,nao sabia que existia um site tão maravilhoso. Aproveitei muito os comentários.Menina continue assim, com certeza sempre um anjinho vai estar encaminhando para aqui, alguem que precise de uma palávra legal.E as vezes uma palávra é tudo o que precisamos.
Fique com Deus.
marcia
12. Vera Pinheiro | 9 de Dezembro de 2007 às 13:27
Márcia, querida, obrigada, muito obrigada pelo incentivo. Que minhas palavras sejam conduzidas por anjinhos para o coração das pessoas e que anjinhos tragam pessoas como tu ao meu convívio. Que sejamos, todos, muito felizes, pois acredito que a felicidade é o nosso destino. O que atrapalha a felicidade são pequenas provas, mas devemos confiar que há uma alegria grandiosa a nossa espera, e devemos descobri-la e desfrutá-la com amor e gratidão. Que a Grande Mãe te abençoe e proteja, como a todos nós.
Beijos com carinho.
Vera Pinheiro
13. michael | 3 de Janeiro de 2008 às 12:51
vc é muito bonita viu?
14. Vera Pinheiro | 3 de Janeiro de 2008 às 20:01
Obrigada, Michael. E sabes de uma coisa? Acabas de me dar uma inspiração para uma crônica. Quando estiver pronta, avisarei, porque, então, terás sido “meu muso”.
Um beijo duplo, pelo elogio e pela inspiração.
Vera Pinheiro
15. Vera Pinheiro | 4 de Janeiro de 2008 às 05:14
Michael, é madrugada e a crônica “Elogios e críticas” acaba de ser publicada no blog. Agradeço, uma vez mais, pela inspiração do tema. Ao receber a tua mensagem (acima) pensei: o que eu digo?! Lembrei, então, das minhas observações sobre o modo como as pessoas recebem elogios e críticas, de como eu reajo nessas situações, e fiz a crônica desta sexta-feira sobre o assunto. Pronto, viraste o “muso” do dia. Muito obrigada! Grande abraço! Vera Pinheiro
16. michael | 5 de Janeiro de 2008 às 11:34
olá, garota, eu gostei das frases na “Conversar Íntima”. Sinceramente eu sou solteiro e estou procurando loira, solteira, como você para namoro sério até casamento no futuro. Você parece a garota perfeita que eu procuro. Você pensa como pessoa madura e eu gosto disso, tá? Quem sabe se um dia podemos arrumar um encontro para que nos conheçamos melhor cara a cara. Podemos continuar conversando neste jeito também.
Caso vc queira meu número de telefone só pergunta-me, tá?
Atenciosamente
17. Vera Pinheiro | 5 de Janeiro de 2008 às 13:20
Ai, ai… Michael, vou recorrer à mesma frase que veio à minha mente quando, neste espaço, chamado “Conversa Íntima”, recebi o teu elogio. Pensei: “O que eu digo?!”. Agora, de novo, me pergunto: “O que eu digo?!” – e não posso apenas dizer “obrigada”, como escrevi ontem aqui e na crônica “Elogios e críticas”, postada na página principal do blog.
Na realidade, meu questionamento é a expressão sincera da minha surpresa, pois fazia tempo que um homem não me dizia algo semelhante. Então, a dúvida que surgiu foi: “será que ele errou o endereço da mensagem?”, mas, então, vi que te referiste ao espaço “Conversa Íntima” e concluí: “É comigo mesmo”.
Porém, a bem da verdade, até porque palavras são sagradas para mim, devo dizer que estou muito longe de ser a “garota perfeita” que procuras. Não sou nem uma coisa nem outra. Faz muito, muito, muito tempo que não sou mais uma garota, e perfeita, claro que não sou, embora tente, ao menos, ser uma pessoa boa.
Dizes que “penso como pessoa madura”. Não apenas penso, sou uma mulher madura mesmo, inclusive na idade. Loira? Depende de como me sinto quando vou ao cabeleireiro. Nesse aspecto, sou como camaleão, mudo as cores dos cabelos e de algumas situações. Solteira? Não. Viúva, e com dois filhos, quatro cachorros e dois gatos, além de passarinhos e corujas que me visitam. Quem encara tudo isso sem pegar o primeiro avião e partir? Ser solteira é um estado civil. Sou livre, um estado de alma.
Namoro sério? Casamento no futuro? Deves ser um homem bem-intencionado e que sabe o que quer, disso não duvido, mas faz muito tempo que não penso nisso, ou que desisti.
Sinto muito se te decepciona a minha sinceridade, mas não quero que me vejas além do que sou, como explícita e escancaradamente sou. Assim é que as pessoas constroem afetos verdadeiros: sem iludir e sem mentir. A realidade, afinal, é bem melhor do que a mais rica fantasia.
Como te disse em outra resposta neste blog, é claro que aceito a tua amizade. E a partir de agora, vou torcer para que encontres alguém para amar que se enquadre nas tuas expectativas. Sejas feliz!
Um abraço e meu carinho.
Vera Pinheiro
18. Ana | 30 de Janeiro de 2008 às 00:27
Olá Vera. Li o que você escreveu e achei muito bom.
Tenho um relacionamento de 13 anos que não é nem só namoro, mas também não é casamento, pois, moramos em casas separadas. Há alguns anos atrás, tivemos um problema: meu namorado estava passando por uma fase dificil com seu filho, e surgiu um interesse por uma colega de trabalho. Quando descobri, conversamos e ele me disse estar confuso e com medo que eu soubesse. Resolvemos o impasse e continuamos o nosso relacionamento. Claro, que para mim foi complicado lidar com a falta de confiança e o fantasma de que se ele tivesse qualquer tipo de problema, iria ter uma recaída.
Bem, em 2006, começamos com uma situação semelhante, quando ele precisou fazer uma cirurgia e eu fui acompanhá-lo. Durante sua recuperação, ele encontrou pelo orkut, uma antiga namorada que hoje mora em outra cidade, está divorciada e tem uma filha adolescente (acho que tem 16 anos). Eles começaram a conversar pela internet e pelo telefone sem que eu soubesse e um dia, ele me chamou para conversar e disse estar confuso, pois, a ex o tinha convidado para ir até a casa dela, a fim de comemorarem o aniversário de 40 anos do irmão dela. Ao saber disso, falei que se fosse a vontade dele, eu não poderia mais fazer nada, só que também já não me veria fazendo parte da vida dele. Resultado, ele não foi e ainda ligou para ela no dia seguinte, dizendo que eu até o deixei ir, mas que ele não iria fazer isso. Ela ficou chateada, dizendo que ele havia partido o seu coração, mas a coisa não andou.
Algum tempo depois, ela voltou a procurá-lo no orkut e agora, de vez em quando, ela manda alguns recados cheios de gracinhas e indicando intimidades do tipo “se sua namorada olhar esse recado, vai pensar que existe alguma coisa que não existe.” Desde que ela o encontrou, ele passou a apagar recados, dizendo que era para ter privacidade. De uns tempos para cá, ele tem recebido poucos recados dela, pelo menos que eu saiba, mas no natal mandou um scrap desejando boas festas e mandando um beijo especial para a filha dela. Nós viajamos e o aniversário dela foi no início do mês de janeiro. Hoje eu vi um recado da menina para ele, agradecendo as flores que ela tinha recebido. Como não tinhamos acesso à internet, acredito que ele deu os parabéns atrasado.
Preciso de sua ajuda para saber como agir. Minha dúvida é? Essa situação é motivo para preocupação de minha parte? Se sim, o que fazer? Qual a melhor forma de abordar o assunto? Por favor, me ajude.
Obrigada. Beijos.
19. Marta | 30 de Janeiro de 2008 às 18:15
Vera, amei tudo que li e vi sobre você, és realmente muito iluminada continue sendo essa pessoa tão querida. bjus no teu coração
20. Vera Pinheiro | 30 de Janeiro de 2008 às 19:04
Marta, querida, que feliz para mim receber o teu carinho. Obrigada pelas palavras boas, que espero merecer.
Beijos e muita luz no teu coração bonito.
Vera Pinheiro
21. Vera Pinheiro | 30 de Janeiro de 2008 às 20:21
Recadinho para Ana (Comentário nº 18):
Ana, minha querida. Depois de 13 anos já deverias saber que nome dar ao teu relacionamento, mas parece que ainda não tens bem claro o que vives com esse homem: é mais que namoro e menos que casamento – e não importa se moram juntos ou em casas separadas, pois falo de laços de sentimento e de compromisso afetivo, que, da parte dele, não te dá muita segurança ou certeza de que existe.
Não conheço toda a história, mas, pelo teu relato, parece-me que cada vez que ele tem um problema pessoal arranja um rabo de saia e um incômodo para ti. Foi assim quando teve dificuldades com o filho e com a saúde. Não bastasse isso, arrumou – primeiro – um desassossego com a colega de trabalho e balançou por ela, enquanto tu foste sacudida pelo medo de ser traída. Segundo – descobriu uma antiga namorada e se confessou confuso com o reencontro, ainda que virtual, segundo ele. E tu, mais uma vez, ficaste atormentada pela possibilidade de uma recaída.
Essa história do orkut é bem interessante. Não vamos colocar a culpa nesse site de relacionamentos, que é bom, dependendo do que as pessoas fazem nele e com ele. Para um homem que tem um compromisso afetivo com uma mulher, desculpa a sinceridade, ele me parece saidinho demais. Conheço alguns homens fiéis (até para confirmar a regra em contrário) e quando eles são fiéis e estão verdadeiramente envolvidos com alguém, não ficam de assanhamento com outras mulheres. Não só porque não se sentem atraídos, mas também por respeito à pessoa amada, a quem não querem magoar. Não me convence isso de apagar os recados que recebe em nome da privacidade. Quem não deve não teme e, pelo que conheço dos homens, eles sabem muito bem colocar outras de lado, deixando bem claro que não querem nada com elas. Fazem isso com maestria e vão direto ao ponto, sem deixar dúvidas. Se ele se sentisse incomodado pelas mensagens dela, já teria resolvido a situação e dito, com todas as letras ou pelo silêncio, que não estava a fim de espichar conversa.
Mas nãããão, ele não só mantém o vínculo redescoberto com a ex-namorada, como ainda manda flores para a filha dela! Não te surpreende esse excesso de gentileza? Por que fazer isso? A filha é dele, por acaso?! Já perguntaste por que ele mandou flores pelo aniversário da filha da ex-namorada dele? Para que taaaaanto? Menos, menos - seria o recomendável. A propósito: quando foi a última vez que ele te mandou flores? Fosse ele, eu guardaria flores para o teu aniversário. O que quero dizer é que não compreendo esse vínculo que ele mantém com ela, e não importa a insistência dela. Lembra que ela é livre, pode assediar quem quiser, portanto, não a culpes por isso. Ele é quem tem compromisso contigo (ou deve ter). Assim, se alguém deve ser cobrado não é ela, mas ele. Volta os teus olhos para ele e observa-o. Olha menos para a suposta rival, porque não é ela quem te deve respeito, amor, consideração e explicações. Aliás, é erro comum de algumas mulheres olharem a rival e não o traidor, por isso brigam com a pessoa errada.
Deves te preocupar? Só se for para tomar uma atitude. O que fazer? Somente tu podes saber, mas digo o que eu faria. No teu lugar, eu conversaria francamente com ele e quereria saber a quantas anda o relacionamento (tanto o teu com ele quanto o dele com a outra). E não teria medo de perder um homem que não me dá o que dou a ele, que não tem o mesmo sentimento que o meu, que tem olhos abertinhos para outras, além de mim; que se apega a outras nos momentos de crise, que faz jogo duplo, coisa que eu, tendo respeito por mim e amor-próprio, não deixaria passar batido. No amor, minha querida Ana, pouco não é melhor que nada.
E se ele fosse embora, eu ergueria as duas mãos para o céu, colocaria os dois joelhos no milho e agradeceria muito! Passaria um batom na boca e me prepararia para o beijo de outro amor, mais inteiro, mais vinculado a mim, mais comprometido com os sentimentos e mais coerente com a nossa história. Ah, e bem mais definido comigo para que, depois de 13 anos, eu não me perguntasse ainda: é namoro ou casamento?! Isso é o que eu faria. Pensa a respeito e não espera mais uma década para resolver a tua vida, que, é bom lembrar, é paralela à vida dele. Não és um apêndice dele ou só um conforto para as horas rudes. És o que fizeres de ti.
Beijos com carinho e obrigada pela confiança.
Vera Pinheiro
22. Vera Pinheiro | 30 de Janeiro de 2008 às 21:22
Recadinho para Paula (Comentário nº 10):
Paula, minha querida. Não resisto à pergunta: foi bom pra ti? Tomara que sim e de verdade. Se não foi, valeu pelo aprendizado. “Ficar” é bom quando a gente está preparada para não ter vínculos afetivos e disposta a não se envolver emocional e afetivamente com o outro. “Ficamos” para atender apelos do corpo, por exemplo, mas precisamos enfrentar sem lágrimas a ausência no dia seguinte e sem nos importarmos se flores não chegarem nem com a falta de um telefonema rápido, que seja, depois do acontecido. Daí que se apaixonar por alguém que só quis “ficar” conosco, sem compromisso, não é o melhor que podemos fazer por nós, se queremos vínculos e histórias mais prolongadas e firmes. “Ficar” não tem compromisso, embora possa ser um começo de relacionamento – e não me digam que é impeditivo. Não é mesmo!
Reconheço que não temos controle sobre as paixões, elas acontecem, e, algumas vezes, pela última pessoa que devia ser. É o caso de perguntar – e não precisas responder para mim, mas para ti mesma: como estão os teus sentimentos em relação ao teu namorado? E o outro, está a fim de quê? Ele quer largar a namorada para ficar contigo, quer as duas ao mesmo tempo, ou não serás para ele nada além de “ficante”? E tu? Queres isso para ti? Isso te faz feliz?
Eu tenho bronca de pessoas que não enfrentam o que sentem e vivem, apesar de respeitar o tempo de cada uma, desde que não me atropelem os sentimentos. Prefiro um “não quero” bem frontal do que um “talvez” enigmático, que me põe na corda bamba e me enche de expectativas e frustrações. Esse tipo de conversa apenas “interessante”, que não esclarece, nada diz e não situa a gente no relacionamento, é meio caminho andado para o nada. Não leva a lugar algum, não solta, mas também não segura. É a típica situação nada a ver, de quem está com um pé dentro e outro fora. Para mim, não serve. Gosto de quem tem ousadia para dizer a que veio e o que sente. Os muito divididos, os totalmente indecisos e os que não sabem o que querem não me agradam, mas isso sou eu. E quanto a ti? Que tipo de pessoa queres na tua vida?
“Ficar” é uma arte, como amar também é. Eu gosto de saber o que as pessoas querem, pois, antes de elas dizerem sobre isso, já sei o que quero para mim. “Ficar” exige algum sangue frio, apesar dos estertores de prazer (ai, ai, ui, ui!). Amar exige a presença do outro ou a gente vai amar sozinha e isso, definitivamente, não é uma boa idéia, porque gera profunda solidão e espalha migalhas em vez de pedaços fartos de amor compartilhado. E, se a gente bobear, fica a eternidade a espera de que o amor do outro venha, sem que ele esteja disposto a isso.
Avalia os teus sentimentos com franqueza. Analisa o vínculo que tens com o teu namorado e a falta de vínculo com o outro. Pensa sobre o relacionamento do outro com a namorada dele e, sobretudo, observa como ele se vincula a ti, se há vínculo ou se é homem apenas para “ficar”. Pergunta a ti mesma se queres viver esse torvelinho de emoções fortes entre dois homens ou se queres o remanso de um amor sossegado. E, finalmente, se podes dar conta de dois sem que tu saias machucada.
Depois dessas avaliações, tu verás o que precisas encarar. É mesmo difícil, mas conseguimos ver o que é melhor para nossas vidas quando nos decidimos a isso.
Meu beijo carinhoso e agradecido pela confiança.
Vera Pinheiro
23. Alessandra | 3 de Fevereiro de 2008 às 11:16
Olá, passei por passar no seu blog, pesquisando a dificuldade de viver nesse mundo de solteiros convíctos… parei nele, gostei dos seus pensamentos, adicionei aos meus favoritos.. vai ser minha leitura diária. E quem sabe com ele aprendo a mais difícil de todas as lições, a de se relacionar… Parabens e obrigada.
24. Vera Pinheiro | 3 de Fevereiro de 2008 às 13:19
Olá, Alessandra, obrigada pela visita. Como não acredito em acaso, não deve ser à toa a tua vinda aqui, onde te recebo com o coração aberto. Mas devo te dizer, minha querida, que na lição de relacionamento também sou aprendiz, e acho que todos nós somos. Talvez exatamente por não haver receitas prontas é que evoluímos e aprendemos sempre mais. Volta sempre que puderes e quiseres, vou gostar disso.
Um beijo com meu carinho,
Vera Pinheiro
25. MARTA Almeida | 4 de Fevereiro de 2008 às 15:52
Adorei esse blog….
Bom, to ficando com um cara em torno de 2 meses, ele já me apresentou à familia e ele já conhece a minha, já veio na minha casa e eu já fui na dele…………………será que ele tem boas intenções comigo?
26. Vera Pinheiro | 5 de Fevereiro de 2008 às 16:05
Marta, minha querida, “de bem-intencionados o inferno está cheio”, a gente sabe disso. O alerta contido nesse ditado antigo é válido para administrarmos a confiança até que a pessoa seja merecedora dela. “Nem tanto ao céu nem tanto ao mar”, portanto. “Devagar e sempre”. E se recorro à sabedoria popular é por ter confirmado que ela tem fundamento.
Eu não posso saber se ele tem boas intenções contigo, embora torça por isso. E tu poderás saber na medida em que o tempo passar, quando se aprofundar o convívio, e ele der comprovações de ser uma pessoa confiável… e bem-intencionada. Para mim, valem as atitudes, pois já me decepcionei – e aprendi – com pessoas que falavam uma coisa e faziam outra. Da boca pra fora, como se diz, eram maravilhosas, mas suas ações, seus gestos, suas atitudes, seu caráter, seu comportamento revelaram que “na prática, a gramática é outra”, ou seja, que não são exatamente como queriam fazer supor que eram.
Ainda que eu recomende cuidado, devo dizer que as pessoas merecem confiança… até prova em contrário. E olhos abertos para não se deixar enganar por palavras macias. Algumas pessoas, cegas de paixão, não conseguem ver os defeitos do outro. Então, coração nas nuvens, mas pezinhos no chão. Dois meses é um tempo pequeno demais para saber tudo do moço, então, vai com calma. Apresentações para lá e para cá não falam de intenções, não as expressam. Fazem um belo “social”, mas ainda é pouco. O relacionamento precisa evoluir, vocês devem se conhecer melhor (a parte boa e a nem tanto um do outro, claro) e ter uma base de confiança, que é onde o amor se firma. Não acredito em amor por alguém que a gente não confia: o amor sucumbe, não resiste, se desfaz se não houver confiança. Ou vira um desatino, que ninguém merece.
Sugiro que te permitas conhecer o carinha para que descubras, por ti mesma, se ele tem boas intenções contigo. Se ele não se mostrar bem-intencionado, não te desiludas. É melhor uma desilusão do que um engano eterno.
Um beijo carinhoso, de felicidade! E muito obrigada pela confiança!
Vera Pinheiro
27. marcia | 7 de Março de 2008 às 15:50
Boa tarde Vera!!! olha não conhecia ainda este espaço aqui, gostei muito, e as pessoas interage com vc, falam sobre poblemas, namoro, casamento, muito bom, parabéns pelo seu trabalho, e quero ler seu livro tbém..
Abraços e até mais…
28. Vera Pinheiro | 11 de Março de 2008 às 07:28
Bom dia, Márcia! Muito obrigada pela visita. Volta sempre que quiseres e puderes, vou adorar isso! As tuas palavras muito me incentivam. Também gosto muito desta “Conversa Íntima” com as pessoas. Espero que leias o “Parto de Mim” e que ele fale ao teu coração.
Beijos com meu carinho,
Vera Pinheiro
29. FABIANNA MAGALHÃES | 14 de Março de 2008 às 14:26
PASSEI SÓ PARA DEIXAR UM GANDE ABRAÇO E UM GRANDE BEIJO… ADOREI A CRONICA SOBRE OS INIMIGOS, LI COISAS QUE ME FIZERAM REFLETIR…
EXISTEM MUITAS PESSOAS QUE VIVEM DA CARIDADE DOS QUE AS ODEIAM… GENTINHA MEDIOCRE QUE SE PASSA POR SANTA E SÃO SUPER HIPÓCRITAS, NÃO SABEMOS QUEM SÃO E ÀS VEZES SÃO APENAS INVEJOSAS.
PARABÉNS PELO SUCESSO DO BLOG, JÁ VOTEI EM VC NO IBEST
OLHA, EU TENHO UMA FAMÍLIA LNDA TAMBÉM, DUAS CACHORRINHAS, UM PAPAGAIO, UMA TIA (MÃE DE CRIAÇÃO), A MELHOR FILHA DO MUNDO, UM MARIDO MARAVILHOSO E UM GANDE AMOR LATENTE DENTRO DO PEITO.
AMORES SÃO ETERNOS E ÁS VEZES IMPOSSÍVEIS.
GOSTARIA DE FALAR Q EU PERDOEI UMA TRAIÇÃO SOMENTE PELA SINCERIDADE, A VERDADE DÓI MESMO. MAS É MELHOR DO QUE FICAR EM UMA DÚVIDA CRUEL, PRESENTE NA VIDA DA MAIORIA DAS CASADAS.
ESSA FOI UMA SITUAÇÃO DIFICIL, MAS SEPARAR SERIA MUITO ÓBVIO. QUE GRAÇA TERIA ALIMENTAR ESPERANÇAS ALHEIAS? A CONFIANÇA TALVEZ NUNCA SE REESTABELEÇA COMO ANTES, MAS APRENDI CONFIAR DESCONFIANDO…
UMA AMIGA ME FALOU: QUEM AMA, CUIDA! CUIDAR É UM TROÇO CHATO, QUEM NUNCA RESMUNGOU NO COCOZINHO MOLE DO SEU CÃO, CATA PORQUE SABE Q A RECOMPENSA É MAIOR…
DEIXEI A CAGADA DO MEU MARIDO PARA TRÁS, TAMBÉM NÃO SOU SANTA… SOU MUITO DESENVOLVIDA EMOCIONALMENTE, APRENDI NESSES 26 ANOS E ME TORNEI MUITO FORTE NAS PERDAS…
TENHO MEDO DESSA BRIGA DE “RAZÃO E CORAÇÃO”, TEM UMA MÚSICA Q GOSTARIA MUITO Q VC OUVISSE, FALA JUSTAMENTE DISSO, TEM ESSE NOME ENTRE ASPAS. SE VC QUISER, EU TE MANDO POR EMAIL EM MP3, FIZ O DOWNLOAD DELA PQ É UMA LETRA LINDA.
EU ESTOU DIVIDIDA SEMPRE NESSE TEMA, MUITA RACIONALIDADE NÃO É BOM PARA UM PEITO APAIXONADO? OU NÃO?
30. Vera Pinheiro | 17 de Março de 2008 às 16:25
Querida Fabianna, obrigada pela mensagem, pelo beijo, pelo voto no iBest e, sobretudo, por compartilhares de coração aberto a tua experiência de vida. Eu te achei um máximo, porque fazes escolhas de acordo com as tuas convicções e te assumes inteiramente. Isso demonstra maturidade. Aplaudo também a coragem do teu perdão ao marido. Perdoar é muito mais difícil do que romper depois de uma traição.
Fazes bem, é claro, em ficar atenta. Eu também ficaria, não para viver eternamente desconfiada, mas para que o fato não se repita, porque a reincidência desvaloriza o perdão. Estar atenta não significa correr atrás, vigiar os passos, controlar as saídas, revirar bolsos, fuxicar nos e-mails, olhar as mensagens do celular e as últimas ligações. Isso é muito cansativo, dá o maior trabalho, gera angústia e não impede uma traição.
Ninguém tem o direito de te condenar porque perdoaste teu marido. Afinal, és tu quem divide cada quilinho de sal com ele e ninguém tem direito a dar pitaco no que tu vives, a menos que peças, e isso não quer dizer que aceites opinião, mas, apenas, que ouças. Para mim, isso é regra: casamento é entre duas pessoas, não com as famílias, os amigos, as colegas etc e tal.
Concordo contigo: uma dúvida é pior que a verdade, sempre! Relacionamento de fachada não serve para nada além de dar satisfação aos outros, que não estão interessados em resolver nossos problemas… nem podem! Adorei o exemplo do cocô do cãozinho, é isso mesmo! E se estás satisfeita com as tuas escolhas, ótimo! És responsável pela tua felicidade e podes mudar a tua rota se for preciso, porque és tu mesma quem dirige a tua vida.
Sobre “razão e coração”, acho que são dois aliados nossos, e a eles devemos recorrer em cada circunstância. Nenhum é melhor ou mais importante que o outro, depende do momento e do que vivemos. Não se toma uma decisão baseada apenas na razão ou só com o coração, pois eles se complementam, não são isolados. Tu te decidiste pelo perdão pesando razão e coração, pelo que relatas. Os opostos não são bons conselheiros, devemos procurar o equilíbrio, como fizeste. Quando estamos apaixonadas, não podemos perder a razão e quando estamos muito racionais, o coração deve ser acionado para suavizar as nossas decisões.
Felicidades, amiga! O amor que tens no peito sabe o que quer. Escolhe sempre o que for melhor para ti e mantém elevada a tua auto-estima.
Beijos e carinho,
Vera Pinheiro
31. Fabianna | 20 de Março de 2008 às 20:03
Eu tinha você adicionada no meu orkut e, por ciúmes do meu esposo, acabei excluindo meu perfil para evitar aborrecimentos… Eu cedi porque nesses muitos anos ele foi quem cedeu mais e me provou isso por a+b…
Então ainda tenho seu email no meu gmail, se vc quiser ouvir a música que citei, eu envio para você com todo o prazer do mundo.
Bem, entrei aqui só para mostrar sua cronica para uma amiga e adorei ler seu comentário.
A sinceridade é o primeiro passo em tudo. Sabe, ninguém é santo. “Nada” nessa vida é fácil, mas adimitir um erro ainda é o mais fácil para você realmente conseguir mudar e corrigir suas falhas. A mudança é importantíssima, o dinamismo, o movimento, a alegria de nossos animais, o amor contagiante, o exagero de emoções em vida ao inves das lágrimas nos túmulos. Viver a vida é muito mais do que se pensa…
Se divertir, fazer as obrigações, roubar um sorriso, contar uma piadinha, quebrar a monotonia… isso é bom, sabendo o limite, com muito respeito…
Se o outro se preocupasse mais consigo jamais teria tempo para ficar fofocando da vida alheia, fazendo comentários maldosos, falando do vizinho, reclamando ou resmungando…
32. Vera Pinheiro | 21 de Março de 2008 às 07:46
Amada Fabianna, estás coberta de razão em tudo que disseste! Eu também quero chorar menos em túmulos alheios e sorrir mais com as pessoas que amo, fazendo a minha parte para que os outros sorriam comigo hoje e chorem menos por mim depois. Quero sempre privilegiar a felicidade, não a tristeza em todos os dias de minha vida.
Beijos com meu carinho.
Verinha
33. JIRLENE PINHEIRO | 12 de Abril de 2008 às 17:42
OI VERINHA.
ESTOU COM UM PROBLEMINHA.
EU E MINHA IRMÃ NÃO CONHECEMOS UM TIO QUE SE CHAMA MARIO PINHEIRO CARVALHO. JÁ TENTEI ENCONTRAR ALGUMA COISA PELA INTERNET, MAS NÃO CONSIGO.
VOCÊ TEM ALGUMA IDÉIA??
BEIJOS,
JIL PINHEIRO.
34. Vera Pinheiro | 12 de Abril de 2008 às 18:40
Querida Jil, não conheço ninguém com esse nome. Bem, pelo menos não lembro de ninguém com esse nome. Lamento não poder ajudar na busca.
Beijinhos,
Vera Pinheiro
35. Fátima Carvalho | 13 de Abril de 2008 às 11:30
Olá, bom domingo.
Hoje me bateu uma saudade de Santa Maria, minha cidade natal, de onde saí em 1975, quando perdi minha mãe, e acabei encontrando seu Blog.
Fiz 52 anos em 26 de março último, em meio a uma grande tisteza, a perda de meu imão, santa-mariense, que há dois anos lutava contra um câncer, aqui em São Paulo.
Cheguei aqui com 18 anos, amo São Paulo, estudei, casei, tive 3 filhos que já estão adultos. Estou casada há 29 anos, este mês.
Tenho tias e tios e primos e primas em Santa Maria, e muitas histórias, umas tristes, outras felizes.
Este ano devo viajar para reencontrar meus parentes, mas têm coisas que perdi definitivamente e outras que me acompanham até hoje, que são minhas lembranças.
Estudei no Colégio Cilon Rosa e morei na Av. Borges de Medeiros. Santa Maria mora no meu coração.
Gostei de ler seu Blog. Desejo-te sucesso e muita alegria.
36. Vera Pinheiro | 13 de Abril de 2008 às 12:33
Querida Fátima, eu também sinto muita saudade de Santa Maria e faz tempo que não vou lá para rever familiares, amigos e parte da minha história. Sinto saudade do Rio Grande do Sul, da terra mesmo, da paisagem, do sotaque, dos hábitos e das pessoas. Também tenho 52 anos, estou em Brasília desde 1995, e com meu coração apontado para os pampas, por mais que goste da cidade onde moro, e gosto muito!
Lamento as perdas que tiveste e sei que elas estão doendo. O tempo não desfaz a dor, mas a acomoda e a gente continua vivendo. Que o Poder Divino te ampare e te ajude a superar esse momento triste.
Quando puderes e quiseres, volta ao meu blog. Aqui podes te sentir em tua casa, sorrir de algumas coisas e te emocionar com outras.
Eu te abraço com meu coração e desejo que tenhas um fim de semana em paz.
Beijos com carinho,
Vera Pinheiro
37. Maria Augusta Toledo | 29 de Maio de 2008 às 17:42
Sei que todos vocês estão chocados com as notícias dos últimos dias sobre mães tentando se livrar de seus bebês recém-nascidos seja abandonando-os em um canto qualquer, seja tentando afogá-los, enterrá-los vivos ou outras invenções sórdidas.
Infelizmente, estamos diante de uma total crise de valores, vivendo numa época onde nada mais parece sensibilizar as pessoas.
Quando me revolto porque alguém abandonou um filhote de cão ou gato ou pior ainda, um animal velhinho que não consegue mais se defender por estar cego e frágil, as pessoas me respondem: e porque não, se o ser humano tem coragem de abandonar seu próprios filhos?
A comparação está errada. O grave não está em abandonar um ser humano ou um animal, o grave é você abandonar. A partir do momento que o homem não valoriza mais a VIDA, qualquer VIDA, tudo é permitido.
Fiz esta introdução para falar dos dois bebês cachorrinhos que encontrei ontem jogados numa caçamba de entulho perto de casa. A menina estava no chão, já havia saído da caçamba e tentava se equilibrar em sua magreza. Quando me aproximei estarrecida, ouvi um chorinho que vinha de dentro dos entulhos: era seu irmão, mais fraco ainda, tentando sair daquele lugar.
Confesso que fiquei estarrecida com a cena e pensei: são as mesmas pessoas que agora abandonam os animais e que depois irão se desfazer de seus próprios filhos.
E é contra isto que temos que lutar também. Contra a ignorância, a insensibilidade e a falta de valores que rege nossa sociedade.
Amigos, acho que este também é um aspecto de nossa missão: ensinarmos a todos que nos rodeiam, crianças, jovens, adultos que a VIDA é um valor fundamental e que qualquer VIDA é sagrada.
Vejam que foto mais triste. Envio para compor o painel do descaso, junto com as outras que vocês viram estampadas nos jornais dos últimos dias.
Um abraço
Maria Augusta Toledo
http://anjosparaadocao.multiply.com/journal/item/29
38. Vera Pinheiro | 29 de Maio de 2008 às 22:53
Querida Maria Augusta, toda forma de abandono é cruel, seja dos humanos, dos bichos ou pelo descaso com a natureza. Disseste bem: toda manifestação da vida é sagrada e, acrescento, deve ser respeitada.
Abençoada sejas em teu amor pelo todo de que fazemos parte.
Beijos e carinho,
Vera Pinheiro
39. Camila | 27 de Junho de 2008 às 08:30
Olá Vera! Gostei muito do seu blog! Acalma o coração… Vou aproveitar e expor um problema que tem me incomodado muito… Trabalho com meu marido em um escritório com mais 3 pessoas. Uma delas me irrita muito, não tenho paciência nenhuma com ela, me faz mal a presença dela… Ela é a pessoa mais burra que eu já conheci em toda a minha vida, e acha que sabe muito, ruim de papo, fala demais, pergunta demais, é casada e dá em cima de todos os homens que vê pela frente (inclusive do meu marido). Sabe aquele tipo de pessoa que tenta ser simpática demais ou finge ser assim? É a própria… Ainda é puxa-saco do chefe e ele não percebe que ela é muito burra e não consegue fazer nada sozinha. Ela chama meu marido o tempo todo… É literalmente chata, burra, oferecida e desagradável… Mas eu, infelizmente, tenho que conviver com ela. O que acha que devo fazer? Estou me sentindo desgastada, sem auto-estima, triste por causa dela.
Obrigada e um grande abraço!!
40. Vera Pinheiro | 6 de Julho de 2008 às 20:17
Olá, Camila! Primeiramente, desculpa-me pela demora na resposta. Sinto muito, não pude te falar antes. Li várias vezes a tua mensagem para tentar entender o que realmente te incomoda nessa colega. Afinal, sendo ela uma pessoa tão desqualificada humana e profissionalmente, como a descreves, não entendo por que ela afeta tanto o teu bem-estar, a ponto de te dizeres “desgastada, sem auto-estima e triste por causa dela”.
Parece-me ser ela uma pessoa por quem não se perderia uma noite de sono nem um sorriso no dia. É o caso de perguntar, então, qual é o motivo real de ela te incomodar tanto. Se for ciúme, pelas investidas em cima do teu marido, conforme relatas, é uma situação para resolver com ele, não com ela. Nada disseste a respeito de como ele reage diante dela, se ele dá atenção demais a ela, se ele aceita e, quem sabe, até incentiva esse comportamento que abominas. Avalia o que essa mulher é e o que tu és, porém sem estabelecer comparações, apenas para analisar por que ela te tira do prumo desse tanto, o que para mim não ficou claro.
Burrice alheia realmente chateia, mas é apenas isso, uma chateação, não chega a mexer com a nossa auto-estima. Pelo contrário, a gente até se vê melhor. A tua insegurança, me parece, tem outra razão, que não disseste, e talvez sequer a tenhas reconhecido. Uma coisa é a gente se irritar com a burrice de alguém, outra é isso nos deixar tristes. O comportamento dos outros não pode afetar o nosso dessa maneira, ou nunca seguiremos o que somos, mas sempre agiremos em função do modo como os outros são e como agem.
Tu me perguntas o que fazer. Bem, o que eu faria diante de uma pessoa como essa – e já convivi com tipos assemelhados – seria simplesmente não dar tanta importância a ela, não torná-la centro das minhas atenções e nem lhe dar o poder de me aborrecer. Eu a deixaria de lado e tocaria minha vida adiante. Mas se tivesse um marido que fosse xavecado por ela eu acertaria as contas com ele, a partir do comportamento dele, não do dela. E não deixaria, como não deixo, que ninguém tire de mim o que me é essencial, como a paz e a alegria de viver, além da auto-estima, que é um grande patrimônio, o que nos eleva e dá força de continuar firme e forte, apesar dos trancos que se leva vida afora.
E se “tens” mesmo que conviver com ela, então sugiro que encontres uma boa maneira de fazer isso. Ou seja, ou a ignoras ou enfrentas a razão pela qual ela se tornou tão importante para ti, a ponto de atingir o teu bem-estar. E sobre o marido, bem, eu conversaria com ele francamente para compartilhar com ele tudo o que te aflige. Marido não serve para isso também?
Um beijo, amiga.
Vera Pinheiro
41. Ana | 18 de Julho de 2008 às 19:57
Olá, Vera, tudo bem? Essa é a primeira vez q entro no seu site, mas amei… Vc é show. Bem, o q eu tenho pra falar, sabe, Vera, é que estou com um carinha de 25 anos há sete meses e ele nunca se resolve. Sabe, sou louca por ele, quero muito namorar com ele, mas ele fala que apareci na vida em uma hora não muito boa, sabe, pois ele não está preparado pra namorar e eu, como tenho 27 anos, acho q esta na hora de estar com uma pessoa que realmente goste de mim, e não só eu dele, sabe. Me sinto muito carente em relação a isso. Dai, ele fala q me ama e q se eu não tivesse uma filha ele ia casar comigo, sabe. Não sei, mas o q eu faço? Estou tão assim, triste… Me dê umas dicas, Vera, por favor. Um grande beijo pra vc no coração.
42. NADJA | 19 de Julho de 2008 às 10:58
muito bom !!!!!!!!!1111
43. Vera Pinheiro | 21 de Julho de 2008 às 11:12
Obrigada, Nadja. Volta sempre que quiseres e puderes. Beijos!
Vera Pinheiro
44. Vera Pinheiro | 21 de Julho de 2008 às 11:14
Recadinho para ANA (nº 41)
Ana, minha querida. Obrigada pelas palavras carinhosas e pela confiança. Olhando de fora o teu namoro (afinal, é namoro ou está só na intenção?) e sem conhecer os detalhes da relação de vocês, me parece que estão num puxa e afrouxa, que não vai para frente nem para trás. Ou seja, estão parados, cada um querendo uma coisa. Tu queres namoro firme, ele não quer. Talvez seja difícil encarar isso, mas é necessário: ele não quer namorar a sério contigo. Não me cabe julgar as razões dele. Não julgo as razões, que respeito, mas acho a desculpinha muito esfarrapada! Isso de que ele não está “preparado” e que “a hora não é muito boa” é colóquio flácido para acalentar bovinos. Ou seja, conversa mole pra boi dormir. E não acredito em amor preconceituoso como o dele, que diz te amar e que casaria (olha aí a condição que ele impõe) se tu não tivesses uma filha. Na minha opinião, é falta de coragem para expressar os reais sentimentos e porque não te afastar é mais confortável para ele, ainda que seja uma trava na tua vida amorosa.
Aninha, por favor, não tentes resolver a tua carência com o primeiro que aparece. E não sejas louca por ele, sê apaixonada por ti mesma. Tu mereces ser feliz e serás, aposta nisso. Não existe “hora certa” para a felicidade, ela é um processo, uma caminhada que se faz aos poucos e sempre, com tudo o que faz parte de nossa vida. No teu lugar, eu não insistiria com ele. Deixaria que ele se resolvesse, que se “prepare” (como será isso?) para um relacionamento, enfim, eu o deixaria com ele mesmo, e tocaria a vida em frente. Não devemos ocupar um espaço tão valioso no coração (nos sentimentos, nas emoções) com quem não nos quer. “Não quer? Tem quem quer”, diz a sabedoria popular. E quem não nos quer não merece que percamos um só minuto de paz por ele. A vida é mais, amiga. Não fiques triste. Resolve tu mesma a tua vida, não te coloques nas mãos dele para que ele decida o que fazer de ti. É o que eu faria. É o que faço.
E quanto a tua filha, digo o que faço com os meus filhos: namorado meu não pode nem chamá-los de feios, que eu não aturo! Puxo o facão, cuspo no chão e vou para a briga! Homem a gente encontra, perde, fica, deixa, pega, larga, troca. Filhos, não! Em importância para mim, estão acima de qualquer homem. E quem gostar de mim, tem de ser de pacotinho, com meus filhos, cachorros e gato. Senão, fico sozinha, e muito bem, obrigada.
Um beijo grande e meu carinho.
Vera Pinheiro
45. fran | 29 de Julho de 2008 às 20:51
estou apaixonada por um cara na net, ele tbm se diz apaixonado acredito nele, faz um 1 ano q nos conhecemos, tdos as noites nos falamos, estamos pensando em casar, mas oq quero realmente é q vc me dê uma dica um conselho, as vezes fico sem assunto p/a falar c ele, fico até c receio, por favor me ajude, pois naum quero perdê-lo, obgda, bjuss
46. Vera Pinheiro | 30 de Julho de 2008 às 11:08
Querida Fran,
Não entendi se esse namoro é pela internet ou é “ao vivo e em cores”, de perto. Isso faz uma grande diferença, porque um ano de relacionamento virtual, mesmo que se falem todos os dias, não se compara a um dia junto. Bem, mas não foi isso que me perguntaste, então não vou dar pitaco nesta parte. Tu queres uma dica sobre o que falar com ele (via internet, suponho), mas adianto: o que eu disser não dá garantia de que vocês não se percam.
Ressalva feita, vou responder nos limites da pergunta: quando a gente não tem assunto, pergunta! De modo geral, as pessoas adoram isso, parece demonstração de interesse por elas. Mas, cuidado! Quem apenas pergunta, mas nada diz sobre si mesmo pode passar a idéia de que está acuado ou que não quer se revelar. Isso cansa e gera desconfiança. A dica fundamental é: leitura, informação, cultura geral, que dão base a uma boa conversa com qualquer pessoa. Afinal, o amor é lindo, mas há um mundo em torno, e não dá para ignorá-lo.
Agora um detalhe pessoal, meu: as pessoas que mais amei eram também aquelas com quem mais eu gostava de conversar. Se a conversa é ruim, o resto é pouquinho, pouquinho. Mas isso é coisa minha.
Um beijo com carinho.
Vera Pinheiro
47. fran | 30 de Julho de 2008 às 21:20
obgda Vera por ter-me respondido, agradeço de coração e me ajudou bastante suas palavras, bjus
48. Vera Pinheiro | 30 de Julho de 2008 às 22:24
Fran, eu é que agradeço de coração pela confiança.
Beijos e paz, querida.
Vera
49. weverton ferreira egert | 12 de Setembro de 2008 às 14:46
oi eu sou weverton ferreira egert eu queria saber como é a idade adulta. Quais são as mudanças? Que vc come mais? se você cresci mais? o que cresci mais? se nasci mais cabelo? e muitas outras coisas…
50. Vera Pinheiro | 12 de Setembro de 2008 às 17:03
Querido Weverton, qual é a tua idade? Isso é uma curiosidade minha e agradeço se puderes responder. Quanto à idade adulta, não posso te dizer como ela é, pois o que eu dissesse seria baseado na minha experiência, e cada um vive esse tempo a seu modo. Não tenhas pressa nem queiras antecipar o que ainda virá. Cada fase da vida tem seu encanto.
Um abraço grande,
Vera Pinheiro
51. Viviane Maria Gomes | 6 de Outubro de 2008 às 22:52
Tenho 47 anos, sou separada, na 6ª feira fui almoçar num restaurante com uma amiga, fiquei interessada num homem que estava sentado na mesa ao lado,mas como ele não prestava muita atenção para mim, comecei a dar algumas tossidas, tirei os sapatos e comecei a balançar os pés, inclinando-os para cima, com as pontas dos dedos dobradas no chão como se estivesse usando salto alto e depois abaixando.Ele ficou prestando atenção no que eu estava fazendo, e a minha amiga me disse para eu continuar fazendo isso.Ela foi ao toilette, e nesse meio tempo, ele veio conversar comigo e disse que gostaria de me conhecer melhor.
Gostaria de saber se o que eu fiz foi dar algum sinal que eu estaria interessada por ele?
Atenciosamente
Viviane
52. Viviane Maria Gomes | 6 de Outubro de 2008 às 22:55
Tenho 47 anos, sou separada, na 6ª feira fui almoçar num restaurante com uma amiga, fiquei interessada num homem que estava sentado na mesa ao lado,mas como ele não prestava muita atenção para mim, comecei a dar algumas tossidas, tirei os sapatos e comecei a balançar os pés, inclinando-os para cima, com as pontas dos dedos dobradas no chão como se estivesse usando salto alto e depois abaixando.
Gostaria de saber se o que eu fiz foi dar algum sinal que eu estaria interessada por ele
53. Vera Pinheiro | 7 de Outubro de 2008 às 17:40
Querida Viviane, enviaste duas versões do mesmo fato. Uma das versões diz que, depois do que fizeste, ele veio falar contigo, dizendo que gostaria de te conhecer melhor. Logo, estou certa de que ele notou a tua presença. Quem não notaria? E se ele demonstrou vontade de te conhecer melhor, como disseste, é hora de meter os pés na oportunidade, pois foram eles, os pés, que fizeram o serviço. Oh, céus, quem pode entender o que passa na cabeça de homem?
Mas já que perguntaste, vou responder na sinceridade: acho que escolheste uma das piores maneiras de chamar a atenção de um homem. Imagino que a tua atitude tenha sido bem-intencionada, mas revela mau-gosto e deselegância. Não leva isso como ofensa, é apenas a minha resposta, e não precisas concordar com ela.
Na minha opinião, uma mulher não tira os sapatos em local público nem que escorram lágrimas de esguicho por dores horrendas nos pés (e quem nunca as teve?). Por mais limpinhos e cuidados que sejam os pés, decididamente eles devem ser mantidos dentro dos sapatos ou das sandálias, até mesmo num simples par de havaianas. Excetuando-se uma caminhada na praia ou no meio do mato, tirar os calçados num restaurante e mexer os dedinhos diante dos outros não poderia ser pior para desmontar a imagem de qualquer pessoa minimamente educada.
Tosse num restaurante é situação para ser acudida de imediato ou, se insistir, é melhor correr para o banheiro ou achar logo a porta de emergência. Para quem está fazendo uma refeição ao lado de quem tosse é inevitável a vontade de empurrar o prato e pedir a conta. Feito isso de propósito, o máximo que alguém poderia fazer seria bater nas tuas costas e chamar “São Brás, São Brás, leva esse que na caneca tem mais”, invocando o protetor dos engasgados.
Alguns homens não mesmo meio desligados. A mulher pode pendurar uma melancia no pescoço que eles nem percebem, se não estão interessados nela, claro! No máximo gostariam de saber o preço da fruta e onde foi comprada, com aquela praticidade ímpar que eles têm. Mas eles não resistem a atitudes criativas, adoram ser surpreendidos, e se acham um máximo (com as exceções de praxe). Parece ser o caso desse homem de quem falas.
Eu acho mais eficiente derrubar um prato de comida em cima dele, pedir mil desculpas olhando nos olhos, e pedir o telefone e endereço dele para mandar buscar a roupa e enviá-la à lavanderia para remendar o prejuízo. Nunca fiz isso, mas já tive vontade, admito. Afinal, há outros jeitinhos de chamar a atenção sem fazer estardalhaços, como, por exemplo, passar pertinho sem olhar na cara, como se não o tivesse visto ou como se ele não existisse. Homens, com as exceções que confirmam a regra, detestam ser ignorados.
Mas o resumo de tudo é o seguinte: homem algum merece que uma mulher se comporte ridiculamente por causa dele. Mas não fiques deprimida pelo teu comportamento, que até pode render, pelo que contaste. É assim que a gente aprende. Os relacionamentos de amor, aliás, são um eterno aprendizado e nunca sabemos tudo, por isso são tão boas as descobertas, surpresas e lições que recebemos com o convívio.
Beijos e meu carinho,
Vera Pinheiro
54. carolina | 3 de Dezembro de 2008 às 23:16
estou louca por um homem q é casado e ele tbm diz q me ama e q vai larga da mulher pra fica comigo o q eu faço?
55. Vera Pinheiro | 8 de Dezembro de 2008 às 17:14
Querida Carolina, eu não vou dizer o que deves fazer. Aqui nesta conversa íntima, quando dou meus pitacos, digo o que eu faria, não o que os outros devem fazer. Isso depende de cada um, portanto, não esperes que eu te responda com uma solução, mas podes contar com meu carinho.
Primeiro que eu faria, se estivesse louca por um homem, seria tratar de não enlouquecer, evitaria isso e cuidaria das minhas emoções para que elas não ficassem atreladas à vida de quem eu amasse. Não quero enlouquecer de modo algum, nem por amor tanto menos por um homem, por mais maravilhoso que ele seja. Não acho que isso seja bom.
Segundo, eu não me iludiria tanto com promessas de amor. Iria aos fatos, observaria os atos, ficaria de olho nas atitudes e não acreditaria em palavras sem ação que as comprovem. Como não me agrada a idéia de construir a minha felicidade em cima da dor alheia, eu não pediria nem esperaria que um homem largasse a mulher dele para ficar comigo, e também porque acredito que se ele largar não será por mim, mas por suas próprias razões e vontade. Logo, não me culpem disso!
Não acho nenhum prazer em triângulos amorosos nem tenho paciência para me submeter à situação amorosa com um homem dividido, mas se acontecesse de eu me apaixonar por um homem casado, eu sentaria e esperaria para ver se ele realmente pretende resolver a vida conjugal dele ou se quer ter nós duas (eu e a outra, embora a outra fosse eu). Não o encostaria na parede, tipo “eu ou ela”, por respeitar que cada um faça suas escolhas e por elas se responsabilize. Mas não esperaria o resto dos meus dias por um decisão dele. Eu não viveria de esperas. Então, pediria que, primeiro, ele decida sobre sua relação conjugal e depois, se quisesse voltar e eu quisesse recebê-lo de volta, aí, sim, poderíamos construir uma história. É o que eu faria.
Boa sorte.
Vera Pinheiro
56. Aryam | 1 de Junho de 2009 às 00:15
Querida Vera,
Quem ama mais, o homem ou a mulher? (omitindo a questão do equilíbrio).
Abs,
Aryam
57. Vera Pinheiro | 18 de Junho de 2009 às 13:14
Querido Aryam (que nome bonito!), recebi a tua mensagem há muitos dias e deixei passar o tempo na esperança de que pudesse responder a tua pergunta sem titubear. Foi inútil, porque até agora não encontrei, intimamente, uma resposta que me permitisse fazer uma escolha entre um e outro sem medo de errar ou de ser injusta. Então, meditando a respeito desta encurralada em que me colocaste, concluí que não é possível quantificar quem ama mais, se o homem ou a mulher. O amor não se mede, não pode ser pesado, enquadrado em números, porções, quantias. O amor é um sentimento e, como tal, cada um o vivencia de forma diferente, e mesmo entre os homens e entre as mulheres o amor é de um sentir próprio, que não pode ser medido ou comparado. As pessoas amam, e isso é tudo. Ou não amam. Há diferenças na forma de expressar o amor, o que também depende do perfil de cada pessoa e de sua história amorosa.
Abraços grandes. Adorei o desafio de pensar, uma vez mais, sobre o amor.
Vera Pinheiro
58. Lainy | 23 de Junho de 2009 às 21:27
Olá, boa noite ! Por acaso entrei em seu blog e achei fantástico, e também gostaria de algumas dicas de relacionamento, pois estou com minha vida um tanto quanto tumultuada. Bom, vamos lá … Tenho 29 anos e faz mais ou menos 8 meses que estou me relacionando com um rapaz mais novo que eu 8 anos, mas esse não é o problema já que nos realizamos em todos sentidos. Na verdade não temos vínculos, só ficamos juntos em algumas ocasiões, e confesso que é tudo de bom, mas a namorada dele está grávida de 6 meses, e eu não sei o que fazer, pois estou muitíssimo apaixonada por ele. Já tentamos nos separar por diversas vezes, mas foi em vão, existe algo forte que nos une, mas, pelo outro lado, existe a razão, que diz que eu devo imediatamente sair da vida dele. Muitas vezes me sinto muito mal com essa situação, não sei o que fazer e gostaria de sua opinião!! Um grande abraço
59. Luana | 26 de Junho de 2009 às 02:37
Querida Vera… achei seu site por acaso… procurando dicas sobre paquera. Achei muito interessante, pois me agrada muito a idéia de aperfeiçoar nosso poder de sedução e melhorar nossa personalidade para vivermos mais felizes e realizados. Moro sozinha, sou jovem e solteira, com algumas desilusões amorosas pelo currículo, e muitas aventuras…, e depois de algum tempo comecei a perceber que o presente é o mais importante, ao contrário de viver pensando em como será o futuro, com casamento.., filhos, etc..
Me considero uma guria bastante atraente, recebo muitas cantadas, mas tenho o famoso “dedo podre”. Gostaria de saber como posso esolher melhor as pessoas com quem me relaciono, e em que momento do possível relacionamento devemos parar e descer.
Obrigada desde já e sucesso! Beijos.
60. daniela starmac | 28 de Junho de 2009 às 15:06
Realmente, acordei, abri a janela e o dia estava lindo, tomei café, liguei o computador, e comecei a pensar como passar as horas, fiquei matutando, e tentando entender como uma cigana poderia me mandar tantas mensagens, de onde ela veio, por que uma cigana, quem era, o que fazer sobre tudo. Entidade? Rituais? As explicações confusas na minha cabeça, e ela tão simples. Então digitei “povo cigano”, surgiu uma imagem, cliquei e comecei a ler. Vera pinheiro, cinco decadas e três anos, mas aonde estão? Essa menina que aparecia na foto não era a senhora dona das 5 décadas. Fui lendo, lendo, lendo, e achei a seguinte frase: qualquer dúvida que você tiver e se eu puder te ajudar me escreva, eu estou esperando, e aí estou aqui. Conheço uma moça, que me surge à noite por entre árvores e à noite. Não percebo o seu semblante, mas a reconheço na escuridão, suave. Não ouço sua voz, mas a sinto, como seu próprio hálito estivesse sobre o meu rosto, então ela me fala sobre coisas que surgirão, outras que não entendo, sei que outras vezes ela se transportou para meu corpo, dançou, mas assim nada disse, nem quem era, nem porque dançava. Sei que há algo importante que ela quer me dizer, mas tenho medo de escutar, ela fala de mudanças, fico com receio de ouvir tragédias, então parece tudo desconectar, a noite se torna escura novamente, e ela se vai.
Então, pequena menina dos olhos coloridos, de quem eu falo? E do que eu tenho medo? Você sabe a resposta?
61. Vera Pinheiro | 2 de Agosto de 2009 às 13:58
Para Lainy - comentário nº 58:
Querida Lainy, peço-te desculpas pela demora da resposta. Andei ocupada demais e com pouco tempo para estar no blog. Mal conseguia postar alguma coisa e tive muitas ausências no mês passado por absoluta falta de tempo para tantas atividades, que me exigiram bastante dedicação.
Finalmente, vamos lá, então. Não acredito que a diferença de idade impeça um bom relacionamento. Se os homens podem ser mais velhos do que as mulheres, por que não o contrário? Até aí tudo bem… Para quem gosta e encara, claro, os parceiros não tendo nenhum problema com isso. A questão que me parece mais importante é como cada um de vocês se posiciona nesta relação.
Tu estás namorando há oito meses um cara cuja namorada está grávida de seis meses (agora, um pouquinho mais, pelo transcurso do tempo). Ou seja, ele está contigo e com ela ao mesmo tempo. Bom pra ele, não? É o tipo de pessoa que quer o melhor de dois mundos! Uma namorada e uma ficante, e o belo desfrutando do que ambas lhe dão! Tu admites que não tens vínculo com ele, mas estás apaixonada demais para quem é apenas “ficante”, uma relação que se presume não ter envolvimento sentimental, apenas o prazer de ficar com a pessoa, como diz a própria denominação. Isso te basta? Esse relacionamento te dá felicidade? Estás a fim de continuar sendo a ficante e não a namorada?
Não entendi a tal coisa “forte” que te une a ele, e não disse – vê bem – que os une, porque do lado dele não senti firmeza, para ser sincera. A menos que me engane, está bom demais para o mocinho ter duas mulheres ao mesmo tempo e não se decidir por nenhuma delas. Então, te digo que és tu quem deve fazer as tuas escolhas, e não ficar dependente das decisões dele, que podem não vir. Está te fazendo mal essa situação? Cai fora, antes que sofras mais do que já estás sofrendo, exceto se te conformas em seres a segunda opção, a que fica no banco de reserva, a que ele busca quando está enfastiado e tedioso da titular, que é a namorada, não dá para negar.
O que tu recebes afetivamente dele é suficiente para ti? Esses encontros furtivos abastecem a tua vida de prazer e afeto? Se a resposta é não, diria que não mereces empatar a tua vida amorosa com alguém que não te escolhe, mas fica contigo quando pode, quando dá, quando quer, quando ele acha que precisa, quando é bom para ele.
Minha linda, um relacionamento tem de ser bom para os dois ou não vale a pena. Sacrifício? Não! Triângulo amoroso só é interessante em novelinha da tevê, mas na vida real despedaça o coração de quem fica à margem, a terceira pessoa, a que entrou na história como coadjuvante, mas nunca terá o papel principal. As respostas estão em ti mesma. Ouve com atenção os teus sentimentos e saberás a tua posição e o que é melhor para ti – e não percas a visão disso! Busca a tua felicidade, porque ele não vai pensar nisso por ti. Não vai mesmo!
Beijos e meu carinho, agradecendo a tua confiança no partilhar desse teu momento.
Vera Pinheiro
62. Vera Pinheiro | 2 de Agosto de 2009 às 15:07
Para Luana, comentário nº 59:
Querida Luana, faz pergunta fácil, vai… Se soubéssemos escolher a pessoa certa para nossas vidas, sem nenhuma chance de erro, seria uma beleza, garantia plena de satisfação total. Todo mundo que já viveu o amor tem no currículo uma historinha meio mais ou menos, assim como quem se aventura em relacionamentos amorosos tem uns podres no currículo. Desilusões são normais, fazem parte do pacote de aprendizado e de nosso crescimento, o que não é de todo ruim, pois desiludir-se, no meu entendimento, é tirar a ilusão, ou seja, afastar o engano dos nossos sentidos ou da mente – e ambos nos traem, às vezes, especialmente quando se trata de relacionamentos. Ou haverá quem jamais se enganou a respeito de alguém? Melhor a consciência do que o logro.
O que me dizes quanto ao “dedo podre”, ou seja, o frequente “erro” na escolha de pessoas para se relacionar, é um comportamento repetitivo que deve ser avaliado. Às vezes, a gente afasta pessoas que seriam ótimas por algum condicionamento do qual não temos consciência. Por exemplo, não queremos nenhuma relação séria e duradoura com qualquer pessoa (por medo, traumas etc.), mas não assumimos isso. Então, inconscientemente, “buscamos” pessoas que, por suas condições, não possam estar nem queiram ficar conosco. Entram aí os legalmente impedidos por casamento, os canalhas que não valem a pena, os que nunca vão querer uma relação estável, os que estão apenas de passagem, mas não esquentam o banco, como se diz. É como se transferíssemos a responsabilidade para eles, que não podem ficar conosco ou não querem, mas, na realidade, somos nós que os escolhemos por se enquadrarem nas impossibilidades que, a priori, estabelecemos. Assim, de certa forma, nos livramos de um relacionamento estável, e isso é uma fuga inconsciente pelas razões de cada um. É “fazer de conta” que ninguém nos quer (ou não pode), quando nós é que não queremos (ou não podemos), então, catamos pessoas “erradas” e não sabemos o porquê dessa aproximação, lamentando-a depois, sem avaliar as causas.
Tu disseste que estás num momento de viver o presente, sem pensar no futuro, incluindo aí casamento, filhos e tudo o mais. Como, então, acolherás na tua vida alguém que pense nisso, que queira o que não queres? Pensando assim, te aproximas dos improváveis, dos que pensam como tu, dos que, como tu, não querem nada estável e duradouro. Lembra-te de que a gente atrai o que quer viver, e entra em sintonia com essa energia.
Queres que eu te diga como escolher melhor as pessoas com quem te relacionas? Pensa, primeiro, no que realmente queres das pessoas com quem te relacionas. Que perfil elas devem ter? A afinidade entre o teu querer e o que de fato buscas é fundamental para que caminhes na direção do melhor para ti. E quanto a parar e descer de uma relação, eu acho que é questão de sentir-se bem naquela determinada situação. Nem tudo é perfeito, óbvio, mas sendo possível consertar, ótimo, a gente tenta. Se é um caso perdido, dá um aceninho e parte para outra. Eu não tenho a mínima paciência para ficar sofrendo e sofrendo e sofrendo. Resolvo, nem que seja à custa de muitas lágrimas e solidão. Não gosto de me torturar, não nasci para padecer de amor. Aliás, nenhuma pessoa devia sofrer por amor, um sentimento tão bonito.
Escolhe pessoas que se harmonizem com o que és, o que pensas, o que queres. É o que acontece. A gente atrai pessoas assim, mesmo que não saibamos, conscientemente, disso. A solidão se explica do mesmo jeito.
Por fim, não sei dar dicas de sedução, querida. Todas as pessoas são sedutoras por seus próprios atributos. Confia nos teus, e eles devem ser muitos!
Um beijo com meu carinho, agradecendo a confidência e pedindo desculpas pela demora na resposta, por conta de atividades que me ocuparam demais no mês passado.
Vera Pinheiro
63. Vera Pinheiro | 2 de Agosto de 2009 às 16:15
Para Daniela, comentário nº 60:
Querida Daniela,
Não tenho todas as respostas, embora sempre esteja à procura delas para o que vivo, penso e sinto. Sou eterna aprendiz de mim mesma, e procuro mais saber de tudo, especialmente dos mistérios da espiritualidade, onde reside a minha essência mais profunda.
És muito gentil ao dizeres que não pareço uma senhora dona de cinco décadas, mas isso é real, embora aos olhos humanos possa ser a menina que pensas ver. Ou talvez eu seja uma mulher realmente muito velha, bem antiga, muito mais do que possam a idade ou a aparência revelar, porque a minha caminhada não começou no ano em que nasci nesta vida.
Pelo teu relato, sinto em ti um misto de curiosidade e medo de interpretar ou de aceitar as revelações dos teus sonhos recorrentes com a moça que dança, às vezes em silêncio e, de outras, falando o que te recusas a ouvir.
Não te imponhas o que não te sentes capaz de suportar. Procura ajuda de alguém espiritualizado, mais próximo de ti do que estou, para que te auxilie a receber essas mensagens que te chegam e que não te sentes em condições de entender. Eu te digo que os sonhos são reveladores, importantes, e têm muito significado. Não temas o que não ouviste claramente, o que não sabes, e não antecipes a mensagem dela nem suponhas o que os teus sonhos querem te dizer, se não podes fazê-lo. É bem possível que o medo turve a tua compreensão. Isso acontece, inclusive quando estamos bem acordados, de olhos abertos e com pleno domínio de nossos sentidos.
Modestamente, recomendo que não penses no pior, porque a gente se conecta com tudo o que a mente projeta. As revelações que vêm de um plano superior podem ajudar, mas nem sempre estamos espiritualmente preparados para acolhê-las, então, quem quer falar conosco não encontra espaço em nós, por assim dizer, porque deixamos a consciência falar mais alto, como forma de proteção contra aquilo que não conseguimos entender ou tememos captar.
Acredito no teu medo e o respeito. A moça que dança em teus sonhos com frequência quer uma chance de se conectar contigo. Ouve-a, embora não precises concordar com ela. Assim se faz com os amigos. Mas busca alguém mais próximo, que seja desenvolvido espiritualmente, para te ajudar nesse contato que se faz além do palpável e do visível. Mesmo assim, avalia tudo com o coração, porque este não se engana. Nós o enganamos para que tudo fique adequado ao que, humanamente, queremos. Isso não significa acerto, mas vontade. E as vontades humanas nem sempre se coadunam com os anseios de nosso espírito e com o que está nos desígnios supremos, situados muito além do plano em que vivemos. Não temas mudanças, elas são necessárias, embora difíceis tantas vezes. Somos sementes plantadas no mundo pelo Poder Divino e, sendo assim, não podemos ser eternamente sementes, mas aquilo que, pelo crescimento, é o nosso desígnio: florescer, frutificar.
Fica bem, em paz. Dorme sem medo. És muito grandiosa. Não sabes quanto!
Beijos com meu carinho, agradecida pela tua confiança na partilha dessa tua vivência tão intensa. Que Santa Sarah, padroeira do Povo Cigano, te abençoe com Sua luz e sabedoria. Ah, e desculpas pela demora da resposta. Estive atarefada demais em julho.
Vera Pinheiro
64. daniela starmac | 4 de Agosto de 2009 às 13:56
o minha querida menina, fiquei confortada em saber que nem tudo eu preciso concordar, sendo assim, estou tranquila em ficar sabendo algo que possa me surpreender. Procuro uma luz , procuro alguém espiritualizado próximo de mim, para que me ajude a sintonisar esse canal. Estou atenta ao caminho, assim quando tiver novidades te contarei logo. Um abraço da Dani
65. Vera Pinheiro | 4 de Agosto de 2009 às 19:50
Dani, querida, encontrarás a luz que procuras. E a luz está em ti mesma, no teu Eu Superior.
Um abraço carinhoso.
Vera Pinheiro
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